Rio Tigre

O Rio Tigre, em hebraico חִדֶּקֶל (Hidequel) e em grego Τίγρις (Tigris), é o terceiro rio mencionado na narrativa bíblica do Jardim do Éden (Gênesis 2:14). Nasce nos montes Taurus, na Turquia, e segue em direção sudeste, percorrendo aproximadamente 1.900 km até se unir ao Eufrates, próximo a Al Qurna, no sul do Iraque. A partir dessa confluência, forma-se o canal de Shatt al-Arab, que deságua no Golfo Pérsico.

Assim como o Eufrates, o Tigre foi importante no desenvolvimento das civilizações da Mesopotâmia, proporcionando água para irrigação e fertilizando as terras que viram florescer cidades e impérios. Apesar de sua importância histórica, o Tigre é menos referenciado na Bíblia do que o Eufrates. Sua menção em Gênesis o coloca como parte da geografia sagrada do Éden, um lugar de abundância e vida.

O livro de Daniel também menciona o rio Hidequel, descrevendo-o como um local de visões proféticas (Daniel 10:4).

Sisaque

Sisaque I, também conhecido como Sheshonq I, foi um faraó do Egito que governou no século X a.C., fundador da XXII dinastia. Ele é conhecido por sua campanha militar contra o Reino de Judá, registrada na Bíblia em 1 Reis 14:25-26 e 2 Crônicas 12:2-9.

De acordo com o relato bíblico, Sisaque invadiu Judá durante o reinado de Roboão, filho de Salomão, e saqueou o templo de Jerusalém, levando consigo os tesouros do templo e do palácio real. Essa invasão ocorreu aproximadamente cinco anos após a divisão do reino de Israel, e é interpretada como um julgamento divino sobre a idolatria do povo.

A campanha de Sisaque também é documentada em registros egípcios, com destaque para uma inscrição no templo de Karnak, que lista as cidades conquistadas durante sua campanha na Palestina. Essa inscrição confirma a narrativa bíblica e fornece detalhes adicionais sobre a extensão de suas conquistas.

Rio Eufrates

O Rio Eufrates, com seus 2.780 km de extensão, é um dos rios mais importantes do Oriente Médio, formando, juntamente com o Tigre, a região da Mesopotâmia. Esta região é conhecida como o berço de antigas civilizações como sumérios, babilônios e assírios.

O Eufrates nasce na Turquia a partir da confluência dos rios Kara (Eufrates Ocidental) e Murat (Eufrates Oriental), atravessa a Síria e o Iraque até desembocar no Golfo Pérsico.

Em Gênesis 2:10-14, o Eufrates é mencionado como um dos quatro rios que fluem do Jardim do Éden; especificamente em Gênesis 2:14 se refere ao rio “Tigre” ao lado do rio “Eufrates”. Além disso, em Apocalipse 16:12 há um registro de que as águas do Eufrates secariam para preparar caminho para os reis do Oriente.

Mini

Mini (מִנִּי, Minniy) é mencionado em Jeremias 51:27 como um dos três reinos – junto com Ararate e Asquenaz – convocados por Deus para guerrear contra a Babilônia. Apesar de sua breve aparição na Bíblia, Mini representa um reino histórico identificado com os Manai das fontes acádias. No entanto, informações sobre este reino são escassas e fragmentadas.

Os Manai, ou Manneanos, são mencionados em textos assírios e babilônicos a partir do século IX a.C. como um povo que habitava a região a sudoeste do Lago Urmia, no noroeste do Irã atual. Eles estabeleceram um reino que floresceu entre os séculos IX e VII a.C., entrando em conflito com os assírios em diversas ocasiões.

Fontes assírias descrevem campanhas militares contra os Manai, lideradas por reis como Tiglate-Pileser III e Sargão II. Esses registros fornecem informações sobre a localização geográfica de Mini, seus governantes e conflitos com os poderosos impérios da época. No entanto, a história interna de Mini, sua cultura e organização social permanecem pouco conhecidas.

No período em que Jeremias profetizou, Mini já estava sob o domínio dos medos. A ascensão do Império Medo no século VII a.C. levou à subjugação de diversos reinos na região, incluindo Mini. Essa subordinação política explica a menção de Mini em Jeremias 51:27, onde Deus convoca os medos e seus aliados para destruir a Babilônia.

A inclusão de Mini nesta profecia destaca o poderio medo e a diversidade de povos sob seu controle. Embora subjugado, Mini ainda mantinha sua identidade e representava uma força potencial a ser mobilizada contra o Império Babilônico.

Média

A Média (מָדַי, Maday) era uma região localizada no noroeste do Irã e nordeste do Iraque (Curdistão) atuais, ao longo da extensão norte das Montanhas Zagros. Os medos participaram da queda do Império Neoassírio (612 a.C.) e foram conquistados por Ciro II, o Grande (550 a.C.). Apesar de sua importância histórica e relevância bíblica, a Média e os medos permanecem envoltos em mistério, com fontes limitadas e muitas vezes incertas.

Os Medos na Bíblia

A Média é mencionada em várias passagens bíblicas, principalmente em relação a eventos históricos e profecias. Em Gênesis 10:2 e 1 Crônicas 1:5, Média é listada como um dos descendentes de Jafé, filho de Noé. O livro de Reis relata a deportação de israelitas do reino do norte para “as cidades dos medos” pelo rei assírio Salmaneser V (2 Reis 17:6; 18:11).

Profetas como Isaías e Jeremias mencionam a Média como um instrumento de punição divina contra a Babilônia (Isaías 13:17; 21:2; Jeremias 51:11, 27-28). Curiosamente, o livro de Esdras afirma que o decreto de Ciro II para a reconstrução do templo em Jerusalém foi encontrado em Ecbatana, a capital meda (Esdras 6:2). Os livros de Ester e Daniel, porém, combinam os medos e persas em um único império, refletindo a posterior fusão dos dois povos.

O Enigma do “Império” Medo

Embora historiadores tradicionalmente se refiram a um Império Medo, sua existência como uma entidade política unificada e duradoura é cada vez mais questionada. As fontes históricas, como anais assírios e babilônicos e os relatos de Heródoto, fornecem informações limitadas e muitas vezes contraditórias. Evidências arqueológicas também são escassas e ambíguas.

Sabe-se que os medos desempenharam um papel crucial na destruição do Império Neoassírio, aliando-se aos babilônios na captura de cidades importantes como Calá e Nínive. No entanto, a extensão de seu poder e influência antes da conquista persa permanece incerta. A capital meda, Ecbatana, continuou sendo um centro administrativo importante para os impérios subsequentes, incluindo o persa aquemênida e o parta.

Cultura e Religião Medas

A cultura e a religião dos medos também são pouco conhecidas. Heródoto menciona os magos como uma tribo meda, associando-os a práticas religiosas e sacerdotais. Estudiosos debatem a possível influência da religião meda no zoroastrismo e em outros cultos, como o mitraísmo. A deusa Anahita, uma divindade iraniana ocidental, possivelmente teve origem ou grande popularidade na Média.

A língua meda, um idioma indo-iraniano, não deixou registros escritos diretos. Alguns estudiosos postulam a existência de uma língua ou dialeto medo distinto, enquanto outros argumentam que o medo era próximo ao persa antigo. A cultura meda provavelmente era uma amálgama de elementos iranianos e influências de povos nativos da região.