Rio Pisom

O rio Pisom (פִּישׁוֹן, pishon), mencionado em Gênesis 2:11, é um dos quatro rios que fluíam do Éden, o paraíso terrestre. Descrito como “o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro”, o Pisom é associado à abundância e riqueza, embora sua localização seja incerta.

A menção do ouro em Havilá (Gn 2:11-12) evoca imagens de prosperidade e beleza. A tradição judaica, expressa em Sirácida 24:25, associa o Pisom à sabedoria transbordante, aprofundando o simbolismo do rio como fonte de vida e conhecimento.

Tisbe

Tisbe (תֹּשָׁבֵי, toshavey), termo que aparece em 1 Reis 17:1 para descrever a origem do profeta Elias, apresenta dificuldades interpretativas.

Tradicionalmente, Tisbe é entendida como uma localidade em Gileade, terra natal de Elias. Profetas frequentemente eram identificados por suas cidades de origem (1Rs 11:29; 19:16; 2Rs 14:25), e em seis passagens (1Rs 17:1; 21:17, 28; 2Rs 1:3, 8; 9:36) Elias é chamado de “o tisbita” (הַתִּשְׁבִּ֜י, hattishbiy).

No entanto, essa interpretação geográfica apresenta problemas. Não há evidências arqueológicas de assentamentos em El-Istib, local frequentemente associado a Tisbe, antes da era romana. Além disso, a repetição “Elias, o tisbita, de Tisbe em Gileade” é considerada redundante, pois a expressão “o tisbita” já indicaria a procedência de Elias.

A Septuaginta (LXX) traduz o termo como um nome próprio, “Tesbom”, localizando-o na Transjordânia (ἐκ Θεσβων τῆς Γαλααδ, ek Thesbōn tēs Galaad), assim como Josefo (Antiguidades 8.13.2). Tobias 1:2 menciona uma “Tisbe” na Galileia, o que pode ter influenciado a tradução da LXX.

Diante dessas dificuldades, surgem interpretações alternativas. Alguns estudiosos, baseados na leitura do Targum Jonathan, sugerem que “Tisbe” se refira a uma classe social, significando “colono” ou “residente”. Elias, então, seria um residente permanente em Gileade, mas não originário da região.

Outra proposta considera a possibilidade de Elias ter sido deslocado de sua aldeia natal, Tisbe na Galileia, para Gileade devido a conflitos, como a invasão aramaica durante o reinado de Baasa (1Rs 15:16-22). Essa hipótese, embora plausível, carece de evidências arqueológicas que confirmem a existência de uma Tisbe na Galileia.

Eliú

Eliú (אֱלִיהוּא, “meu Deus é Ele”), nome teofórico que designa diferentes personagens na narrativa bíblica.

  1. Eliú filho de Semaías é um porteiro levita durante o reinado de Davi, incumbido de guardar o tesouro do templo. 1 Crônicas 26:7.

2. Eliú, filho de Baraquel, o buzita, em Jó 32:2-6 surge como um personagem intrigante no drama de Jó. Mais jovem que os demais debatedores, ele intervém com fervor e eloquência, criticando tanto a autojustificação de Jó quanto as respostas insatisfatórias de seus amigos. Sua teologia, centrada na soberania e justiça divinas, oferece uma nova perspectiva sobre o sofrimento humano (Jó 33:14-30; 36:8-12).

3. Eliú, mencionado em 1 Crônicas 12:20-21, é um guerreiro da tribo de Manassés que se junta ao exército de Davi em Ziclague, contribuindo para sua ascensão ao trono.

Buzita

Buzita (בּוּז), termo enigmático que aparece apenas em Jó 32:2 e 6, designa Eliú, filho de Baraquel, o buzita, um dos quatro amigos que visitam Jó em seu sofrimento. A identidade e a linhagem de Eliú são obscuras, gerando diversas interpretações. O termo “buzita” (בּוּזִי) pode indicar sua descendência de Buz, sobrinho de Abraão (Gn 22:21), o que o ligaria à linhagem aramaica, ou pode se referir a uma localização geográfica desconhecida.

Eliú, descrito como “da família de Ram” (Jó 32:2), irrompe no diálogo com Jó e seus amigos após um longo silêncio. Sua juventude (Jó 32:6) contrasta com a idade avançada dos outros debatedores, e sua fala é marcada por fervor e eloquência. Eliú critica tanto Jó por sua autojustificação quanto os três amigos por sua incapacidade de oferecer respostas satisfatórias ao sofrimento de Jó.

Embora se apresente como um observador imparcial, Eliú demonstra uma teologia distinta, enfatizando a soberania divina e a justiça de Deus. Ele argumenta que o sofrimento pode ser um meio de Deus disciplinar e purificar o ser humano (Jó 33:14-30; 36:8-12).

A intervenção de Eliú, apesar de extensa, não recebe resposta direta de Jó nem de seus amigos. O discurso de Deus que se segue (Jó 38-41) parece endereçar as questões levantadas por Eliú, embora não o mencione explicitamente.

Bronze

O bronze (נְחֹשֶׁת, χαλκός), liga metálica de cobre e estanho, destaca-se na Bíblia por sua utilização na confecção de objetos rituais, utensílios domésticos e armas. A “Serpente de Bronze” (נחשתן) feita por Moisés (מֹשֶׁה) no deserto (Nm 21:4-9) e o “Mar de Bronze” (ים מוצק) no Templo de Salomão (שלמה) (1 Rs 7:23-26) são exemplos emblemáticos. O bronze também era empregado na fabricação de instrumentos musicais, como címbalos (צלצל) (1 Cr 15:19) e trombetas (חֲצֹצְרָה) (Nm 10:2). A expressão “pé de bronze” (דניאל ב) simbolizava força e estabilidade (Dn 2:32). A passagem de Ezequiel 1:7 descreve “a aparência dos seus pés como a de bronze polido”.