Faraó

Faraó, título derivado do egípcio “per-aa” (“grande casa”), designava os monarcas do Egito Antigo. Na Bíblia, o termo “faraó” aparece frequentemente associado a figuras poderosas e, por vezes, opressoras. Embora a maioria dos faraós mencionados nas Escrituras permaneçam anônimos, alguns são identificados pelo nome, como Sisaque (1Rs 14:25), Sô (2Rs 17:4), Tiraca (2Rs 19:9), Neco (2Rs 23:29) e Hofra (Jr 44:30).

Outros faraós, embora não nomeados, aparecem na Bíblia. O faraó que tentou tomar Sara, esposa de Abraão (Gn 12:15-20), o que promoveu José a governador do Egito (Gn 41:39-46), e o que oprimiu os israelitas antes do Êxodo (Êx 1-2).

O faraó do Êxodo (Êx 5-14) resistiu à vontade de Deus e a opressão do povo escolhido. As dez pragas e a abertura do Mar Vermelho marcam o confronto entre o poder divino e a autoridade terrena do faraó.

Outro faraó deu asilo a Hadade de Edom (1Rs 11:18-22). Há ainda o faraó que atacou Gaza nos dias de Jeremias (Jr 47:1).

Nisã

Nisã, o primeiro mês do calendário religioso judaico e o sétimo do calendário civil, corresponde ao período entre março e abril, marcando o início da primavera em Israel. Originalmente chamado de “Abibe” (Êx 13:4), que significa “espigas verdes”, Nisã passou a ser chamado por esse nome após o exílio babilônico, como se observa em Neemias 2:1 e Ester 3:7.

É um mês de grande significado para o povo judeu, pois marca a saída do Egito e o início da jornada rumo à Terra Prometida (Êx 12:2). Deus designou Nisã como “o primeiro dos meses do ano” (Êx 12:2), estabelecendo uma distinção entre o calendário sagrado, que começa com a libertação do Egito, e o calendário civil, usado para fins agrícolas.

Em Nisã, os judeus celebram a Páscoa (Pessach), relembrando a libertação da escravidão e a proteção divina (Êx 12:14). A Festa dos Pães Asmos, que se inicia em Nisã, complementa a Páscoa, simbolizando a purificação e a renovação (Êx 12:15).

Nisã é mencionado em diversos contextos bíblicos, desde o dilúvio (Gn 8:4) até o retorno do exílio (Ed 7:9).

Sátiros

A palavra hebraica שְׂעִירִים (se’irim), aparece traduzida como “sátiros” em algumas versões da Bíblia. Sátiros, criaturas mitológicas da Grécia antiga, são traduzidos com esses termos em duas passagens da Almeida Revista e Corrigida em Isaías 13:21 e 34:14 como habitantes de lugares desolados e em ruínas.

Na mitologia grega, os sátiros eram seres híbridos, com corpo de homem e características de bode, conhecidos por sua natureza lasciva e selvagem.

Nessas passagens, os sátiros representam o caos e a desordem que se instalam em lugares abandonados por Deus e pelos homens. Em Isaías 13:21, os sátiros habitarão as ruínas da Babilônia, outrora poderosa e gloriosa, mas agora destruída e deserta.

Em Isaías 34:14, os sátiros se encontrarão com as criaturas da noite em Edom, terra devastada pelo juízo divino. A presença dessas criaturas simboliza a ausência de vida e de civilização, o triunfo da desolação e do medo.

Uma das possíveis traduções para se’irim é “seres peludos” ou “demônios-bode”. Esse entendimento enfatiza o aspecto bestial e selvagem das criaturas, vinculando-as ao mundo do deserto, considerado na mentalidade do antigo Oriente Próximo como um espaço liminar e caótico, habitado por forças incontroláveis e hostis. A figura do bode em si tinha conotações ambíguas na cultura israelita antiga, sendo usado tanto em rituais expiatórios (como o bode emissário em Levítico 16) quanto como símbolo de elementos potencialmente ameaçadores.

Outra interpretação sugere que se’irim poderia se referir a “demônios” ou “espíritos malignos”. Essa abordagem se alinha ao caráter sobrenatural do termo em seu contexto bíblico, onde se’irim parecem ser entidades associadas ao medo e ao isolamento. Essas criaturas poderiam ser vistas como símbolos de uma presença maligna ou como personificações de forças espirituais que habitam os locais desolados, criando uma sensação de terror na imaginação dos leitores antigos.

Uma terceira possibilidade considera se’irim como uma referência literal a “cabras selvagens” ou “criaturas do deserto”. Nesse caso, a menção ao termo nas passagens bíblicas destacaria a desolação e o abandono dos lugares descritos. O deserto, sendo o domínio de animais selvagens, reforçaria o contraste entre o caos desses espaços e a ordem associada à presença de Deus ou à habitação humana.

Uzielitas

Os uzielitas, descendentes de Uziel, o quarto filho de Coate e neto de Levi (Nm 3:19, 27), constituíam uma das famílias levíticas que desempenhavam funções específicas no serviço do tabernáculo. Acampados ao sul do tabernáculo (Nm 3:27), os uzielitas eram responsáveis pela guarda e transporte de elementos sagrados, como as cortinas, as tábuas e as colunas (Nm 4:29-33).

Um dos uzielitas mais conhecidos foi Elizafã, filho de Parã, designado por Moisés como líder de todos os coatitas (Nm 3:30).

Vale do Escol

O Vale do Escol, cujo nome em hebraico significa “cacho de uvas”, é um vale fértil situado a sudoeste de Jerusalém, próximo a Hebrom (Nm 13:23-24). Teria uma abundância de frutas, como uvas, romãs e figos. Aparece quando Moisés enviou espias de Cades-Barnéia para reconhecer a terra de Canaã (Nm 13:17).

Ao retornarem, os espias trouxeram consigo frutos da região, incluindo um cacho de uvas tão grande que precisou ser carregado por dois homens em uma vara (Nm 13:23).