Balaque

Balaque, rei de Moabe, filho de Zipor, reinou no século XV a.C. Atemorizado com o crescente poderio israelita após a saída do Egito, Balaque buscou uma solução mística para conter o avanço do povo liderado por Moisés: a maldição. Para isso, contratou Balaão, um profeta renomado da Mesopotâmia (Nm 22:2-7).

A narrativa bíblica destaca a jornada de Balaão até Moabe, marcada pela intervenção divina que o impede de amaldiçoar Israel. Mesmo com a insistência de Balaque e a promessa de ricas recompensas, Balaão, compelido por Deus, abençoa o povo que deveria amaldiçoar (Nm 22:12; 24:10).

A história de Balaque e Balaão ilustra a soberania divina sobre as nações e a ineficácia de qualquer tentativa de frustrar os planos de Deus. O episódio também revela a complexa relação entre Moabe e Israel, marcada por conflito e tentativas de manipulação. Apesar do medo e da hostilidade de Balaque, a intervenção divina garante a proteção e o avanço de Israel rumo à Terra Prometida. (Nm 23:8; Js 24:9).

Cristianismo Godo

O Cristianismo encontrou terreno fértil entre os godos na primeira metade do século IV, tornando-os pioneiros entre as tribos germânicas a abraçar a nova fé. A conversão dos godos, ocorrida em meio à efervescência da controvérsia ariana, foi moldada por um conjunto de fatores tanto internos quanto externos, culminando na adoção do Cristianismo em sua forma ariana.

A evangelização dos godos se entrelaçou com os conflitos e contatos com o Império Romano. Prisioneiros romanos exerceram influência sobre seus captores godos, introduzindo-os à fé cristã. No início do século IV, o Cristianismo já havia se enraizado nas comunidades góticas, como atesta Atanásio, o Grande. A nomeação de Teófilo como primeiro bispo da diocese gótica em 322 e sua participação no Primeiro Concílio de Nicéia em 325 marcam um passo importante na organização da Igreja Gótica.

Wulfila, figura central na cristianização dos godos, traduziu a Bíblia para o idioma gótico, criando um legado literário e religioso duradouro. Sua tradução, iniciada em meados do século IV, serviu aos godos e influenciou outros povos germânicos.

A controvérsia ariana, que questionava a divindade de Cristo, marcou o Cristianismo gótico. O reino visigodo, estabelecido na Península Ibérica, adotou o arianismo como religião oficial, enquanto o reino ostrogodo, na Itália, seguiu o mesmo caminho. A conversão do rei visigodo Recaredo I ao catolicismo em 589, oficializada no Terceiro Concílio de Toledo, encerrou o domínio ariano entre os visigodos e inaugurou uma nova era de hegemonia católica.

A herança arquitetônica do Cristianismo gótico se manifesta em construções como a igreja de Santa Maria dei Gotici em Ravenna, Itália, um testemunho da presença ostrogoda na região. A liturgia gótica, embora pouco documentada, evidencia a riqueza e a diversidade das práticas religiosas entre os godos.

BIBLIOGRAFIA

Thompson, Edward A. The Visigoths in the Time of Ulfila. Oxford: Clarendon, 1966, 94–102.

Wolfram, Herwig. History of Goths, trans. Thomas J. Dunlap. Berkeley: University of California Press, 1988, 79–81.

Novo Aliancismo

A Teologia da Nova Aliança (New Covenant Theology – NCT) ou Novo Aliancismo é uma estrutura teológica que surgiu principalmente em círculos Batista Reformados no final do século XX. Abordar e criticar a Teologia da Aliança ou do Pacto, rejeitando doutrinas centrais como diferentes alianças para a redenção, as obras e a graça. O movimento foi moldado por John Reisinger, Tom Wells, Fred Zaspel, John Zens e Steve Lehrer.

As origens da NCT estão vinculadas a igrejas locais e redes informais, em vez de instituições acadêmicas. Organizações-chave que promoveram a NCT incluem o Providence Theological Seminary, Sound of Grace Ministries, a John Bunyan Conference e o In-Depth Studies.

A NCT afirma que as leis do Antigo Testamento foram abolidas ou canceladas com a crucificação de Jesus, sendo substituídas pela Lei de Cristo na Nova Aliança. Embora compartilhe semelhanças com o dispensacionalismo e a teologia da aliança, a NCT é um arcabouço teológico distinto.

Nessa doutrina, a Lei Mosaica, incluindo seus aspectos morais, cerimoniais e civis, foi cumprida em Cristo e não se aplica mais aos cristãos. A ênfase recai sobre a ética do Novo Testamento, expressa nos ensinamentos de Jesus e dos apóstolos. Essa posição gera debate sobre a continuidade e descontinuidade entre as alianças bíblicas.

Theological Dictionary of the New Testament

O Theological Dictionary of the New Testament (TDNT), é um dicionário em 10 volumes editado por Gerhard Kittel e Gerhard Friedrich, e traduzida do alemão ao inglês por Geoffrey W. Bromiley.

O TDNT contém verbetes com análise exaustiva do vocabulário grego do Novo Testamento, mas com viéses teológicos. James Barr critica o Theological Dictionary of the New Testament (TDNT) por suas falhas metodológicas e conceituais. A obra confunde palavras com conceitos, ao tentar apresentar uma “história de conceitos” enquanto segue um formato baseado em palavras individuais. Segundo Barr, essa abordagem distorce a relação entre linguagem e teologia, podendo levar a interpretações equivocadas de textos bíblicos. Ele destaca que ideias teológicas frequentemente possuem uma complexidade que não pode ser reduzida ao significado de palavras isoladas.

Barr também aponta deficiências metodológicas no TDNT, descrevendo suas práticas linguísticas como desorganizadas e falhas. Ele critica o uso frequente de etimologias irresponsáveis e a falta de aplicação de princípios linguísticos sólidos. Isso pode resultar em erros exegéticos, como a falácia do “transferência de totalidade ilegítima,” onde todos os possíveis significados de uma palavra são incorretamente assumidos como aplicáveis em qualquer contexto. Por fim, alerta sobr interpretar as conclusões do TDNT com cautela devido às suas fragilidades metodológicas.

Maurice Casey, embora menos destacado nessas discussões, compartilha preocupações semelhantes. Seu trabalho ressalta a importância do contexto e da precisão linguística na interpretação bíblica, alinhando-se à ênfase de Barr na rigorosidade metodológica e na necessidade de uma análise cuidadosa de dicionários teológicos como o TDNT.

Apesar dessas críticas, é uma fonte para registro dos diferentes usos de cada termo, desde o grego clássico, a Septuaginta, a literatura judaica intertestamentária, Filo, Josefo, no Novo Testamento e na patrística.

BIBLIOGRAFIA

Casey, Maurice. “Some Anti-Semitic Assumptions in the” Theological Dictionary of the New Testament”.” Novum Testamentum 41.Fasc. 3 (1999): 280-291.