Concupiscência originária

O conceito de concupiscência originária refere-se à inclinação humana universal ao pecado, sem herança de culpa, enfatizando graça preveniente e responsabilidade pessoal.

Bill T. Arnold, em uma perspectiva wesleyana, prefere usar o termo “concupiscência originária” para se referir à queda, enfatizando uma compreensão do pecado original que se alinha à teologia wesleyana. Essa terminologia reflete aspectos importantes de sua estrutura teológica.

Arnold busca diferenciar sua visão da doutrina tradicional do pecado original, que frequentemente inclui a ideia de culpa herdada transmitida por Adão e Eva. Ao usar o termo “concupiscência originária”, ele destaca o conceito de uma propensão inata ao pecado, em vez de uma transferência direta de culpa. Isso se alinha à interpretação de John Wesley, que reconhece uma natureza corrupta na humanidade, mas rejeita a noção de que os indivíduos são eternamente condenados devido ao pecado de Adão.

Na visão de Arnold, embora a humanidade tenha uma tendência inerente ao pecado (concupiscência), isso não absolve os indivíduos da responsabilidade pessoal por suas ações. Ele afirma que cada pessoa é responsável por seus próprios pecados, alinhando-se à crença de Wesley de que carregamos nossa própria culpa e não estamos eternamente perdidos devido ao pecado herdado.

A perspectiva de Arnold incorpora o conceito de graça preveniente, enfatizado por Wesley como a graça de Deus que capacita os indivíduos a responder ao chamado de Deus para a salvação, apesar de sua natureza caída. Essa graça permite a possibilidade de arrependimento e relacionamento com Deus, mesmo diante da propensão da humanidade ao pecado.

Arnold interpreta Gênesis 1-3 de maneira a reconhecer a beleza e a bondade da criação, ao mesmo tempo em que reconhece a quebra introduzida pelas escolhas humanas. Ele argumenta que Gênesis não rotula explicitamente o evento como “a queda”, permitindo uma compreensão mais ampla da condição da humanidade e suas implicações para o pecado e a redenção.

A concupiscência originária, em vez de uma culpa herdada, implica uma tendência universal ao pecado, sem comprometer a responsabilidade individual e abrindo espaço para a ação da graça preveniente. Essa perspectiva wesleyana oferece uma interpretação mais otimista da condição humana após a queda, enfatizando o potencial para a restauração e o relacionamento com Deus.

Christian Fellowship Center

A Christian Fellowship Church (CFC) é uma comunhão de igrejas cristãs unidas por uma visão comum de fé e prática, marcada pela ênfase na santidade, na obediência às Escrituras e no amor sacrificial. Fundada em Bangalore, Índia, em 1975, a CFC expandiu-se internacionalmente, estabelecendo congregações em diversos locais, como Mumbai, Dubai, Cingapura, Londres, Dallas, Loveland (Colorado), Austin, Beaver Springs (Pensilvânia), Atlanta, Brisbane, Melbourne, Bahrein e Sri Lanka.

A origem da CFC remonta a encontros domésticos liderados por Zac Poonen, um ex-oficial da Marinha Indiana que ingressou no ministério em tempo integral em 1965. Inspirado pelo movimento Smith’s Friends durante sua estadia na Noruega em 1971, Poonen iniciou reuniões similares em Bangalore, que eventualmente deram origem à igreja formalmente registrada sob a Lei das Sociedades em 1975. A liderança da CFC caracteriza-se por um modelo de pluralidade de presbíteros, todos sustentados por empregos seculares, sem remuneração por parte da igreja. Essa abordagem reflete um compromisso com a pureza financeira e um serviço a Deus fundamentado no amor altruísta.

A teologia da CFC fundamenta-se em crenças cristãs clássicas, incluindo a aceitação da Bíblia como Palavra de Deus inspirada e infalível, a doutrina da Trindade, a divindade e humanidade de Cristo, sua vida sem pecado, morte expiatória, ressurreição e ascensão. A igreja ensina a salvação pela graça por meio da fé em Jesus Cristo, a regeneração pelo Espírito Santo e a importância do batismo nas águas e do enchimento do Espírito Santo. A escatologia inclui a ressurreição dos mortos e o juízo final.

As reuniões da CFC não seguem uma liturgia formal, mas são conduzidas com ordem e decência, permitindo espaço para a manifestação dos dons espirituais, como a profecia, desde que contribuam para a edificação da comunidade. A santificação e a obediência prática aos ensinamentos de Jesus, especialmente no Sermão da Montanha, são pilares fundamentais da vida cristã dentro da CFC.

Embora não se considere uma denominação, a CFC opera como uma irmandade de igrejas autônomas unidas por uma visão compartilhada. Historicamente, manteve relações com figuras e movimentos influentes, como Sigurd Bratlie e a Brunstad Christian Church (BCC), além de incorporar elementos da tradição batista, como o batismo do crente e a autonomia congregacional. Também há abertura para manifestações carismáticas, incluindo o falar em línguas, influenciada por líderes como Michael Harper e Harald Bredesen.

A música desempenha um papel significativo na vida da CFC. Cultos e eventos são enriquecidos por música congregacional e instrumental, frequentemente contando com a participação de bandas e orquestras, o que reflete o apreço pela adoração comunitária vibrante. Esse aspecto complementa a ênfase da igreja na espiritualidade prática e na comunhão entre os membros.

Cisternas

As cisternas eram câmaras subterrâneas destinadas ao armazenamento de água, fundamentais na vida cotidiana e religiosa das comunidades do antigo Oriente Próximo. Essas estruturas captavam e armazenavam água da chuva, garantindo o abastecimento em regiões áridas, especialmente durante os meses secos do verão, quando as nascentes e poços frequentemente diminuíam ou secavam. Em Jerusalém, onde a precipitação média anual era de cerca de 635 mm, as cisternas eram muitas vezes a única fonte de água nos períodos mais quentes do ano. A construção dessas cisternas era considerada um esforço digno de reconhecimento, como exemplificado pelo rei Uzias, que cavou muitas delas, conforme relatado em 2Crônicas 26:10. Algumas eram projetadas de maneira sofisticada para permitir a sobrevivência de cidades durante cercos prolongados, como mencionado em Jeremias 41:9.

No uso cotidiano, as cisternas eram associadas ao abastecimento doméstico, sendo mencionadas em textos como Provérbios 5:15, Isaías 36:16 e 2Reis 18:31. Além disso, tinham um papel no contexto religioso, já que, conforme Levítico 11:36, eram consideradas ritualmente puras, permitindo sua utilização dentro das práticas religiosas prescritas.

Simbolicamente, as cisternas aparecem em várias narrativas bíblicas, representando diferentes ideias teológicas e morais. Algumas vezes, elas eram associadas a refúgios ou prisões, sendo usadas tanto para esconderijos, como em 1Samuel 13:6, quanto como locais de morte, como no caso de Jeremias, que foi lançado em uma cisterna, mas posteriormente resgatado (Jeremias 38:6-13). Em outros contextos, elas simbolizavam bênçãos imerecidas, como descrito em Deuteronômio 6:11, onde cisternas prontas representam a graça divina. Também serviam como metáforas para infidelidade e inutilidade, exemplificado em Jeremias 2:13, onde “cisternas rachadas” simbolizam a futilidade da idolatria e do abandono de Deus. Por outro lado, a prosperidade e a riqueza eram associadas às cisternas em passagens como 2Crônicas 26:10 e Neemias 9:25, onde representam abundância e posse de terras férteis.

Um exemplo específico é a “Cisterna de Sirá”, mencionada em 2Samuel 3:26. Localizada próxima a Hebrom, ela desempenhou um papel estratégico na narrativa em que o mensageiro de Joabe trouxe Abner de volta para um encontro fatídico com Joabe. Esse episódio ilustra a relevância geográfica e estratégica dessas estruturas na história bíblica.

As cisternas, além de sua função prática como reservatórios de água, possuem um significado simbólico profundo nas Escrituras. Elas refletem bênçãos, infidelidades e a relação do povo com Deus, estando presentes tanto na vida cotidiana quanto nos ensinamentos espirituais. Sua presença nas narrativas bíblicas é um testemunho de sua importância multifacetada no mundo antigo.

Württemberg Confession

A Confissão de Württemberg, conhecida como Confessio Wirtembergica, é um documento teológico luterano elaborado em 1551 por Johannes Brenz ou Brentius, reformador no Ducado de Württemberg, no sudoeste da Alemanha, a pedido do Duque Christopher de Württemberg. Seria aprovada por comissões da Suábia, Estrasburgo, e outras localidades luteranas do sul da Alemanha. Apresentada ao Concílio de Trento em 1552, a confissão busca articular a fé luterana em diálogo com as questões debatidas durante a Reforma Protestante.

A confissão afirma a autoridade das Escrituras como a única fonte infalível de doutrina e prática cristã. As Escrituras são interpretadas à luz da compreensão histórica da igreja, especialmente conforme expressa nos credos ecumênicos. Nesse contexto, rejeita-se qualquer tradição ou ensino que contradiga a autoridade bíblica.

A doutrina da justificação pela fé ocupa posição central, enfatizando que a salvação é um dom da graça de Deus, recebido unicamente pela fé em Jesus Cristo. Obras humanas ou méritos não contribuem para a salvação, em contraste com as doutrinas defendidas pela Igreja Católica Romana na época.

A confissão descreve a igreja como uma comunhão espiritual de crentes unidos em Cristo, rejeitando a estrutura hierárquica e o poder político da igreja romana. O foco é a comunidade de fé, onde o Evangelho é pregado e os sacramentos são administrados em conformidade com os ensinos das Escrituras.

Diversos ensinamentos e práticas católicas são repudiados, incluindo a ideia da Missa como sacrifício, a doutrina do purgatório, a invocação de santos e a valorização da vida monástica como um estado espiritual superior. Cada uma dessas rejeições é fundamentada na crença de que tais práticas carecem de respaldo bíblico ou obscurecem a obra redentora de Cristo.

Sobre os sacramentos, a Confissão de Württemberg enfatiza o Batismo e a Ceia do Senhor como meios de graça essenciais para a vida cristã. No entanto, rejeita a doutrina da transubstanciação, ao mesmo tempo que sustenta a presença real de Cristo na Ceia, discernida espiritualmente por meio da fé.

A confissão também aborda o papel da autoridade civil, reconhecendo sua legitimidade para manter a ordem e a justiça. Contudo, insiste na separação entre igreja e estado, refutando as reivindicações de poder temporal da Igreja Católica Romana.

A Confissão de Württemberg contém 35 artigos que ampliam os temas presentes na Confissão de Augsburgo e refletem as tensões teológicas e eclesiológicas do século XVI. Reafirma os pilares centrais do luteranismo enquanto responde ao diálogo teológico entre luteranos e católicos no Concílio de Trento. Contudo, o Livro de Concórdia absorveu os temas e substituiu essa confissão como instrumento normativo.

Códice Bruce

O Códice Bruce, também conhecido como Bruce Codex ou Codex Brucianus, é uma coleção encadernada de manuscritos em copta, árabe e etíope que contém textos raros associados ao pensamento gnóstico, como os Livros de Jeú e um texto referido como Apocalipse sem título ou Texto Sem Título. O códice é mantido atualmente na Biblioteca Bodleiana, em Oxford, onde está catalogado como Bruce 96.

O códice foi adquirido em 1769 pelo viajante escocês James Bruce, que o comprou no Alto Egito. Segundo relatos, o manuscrito teria sido encontrado nas ruínas de um edifício que anteriormente abrigava monges egípcios. O códice originalmente consistia em 78 folhas soltas de papiro, escritas em ambos os lados, totalizando 156 páginas. No entanto, algumas dessas folhas foram perdidas ao longo do tempo, e o estado de conservação do manuscrito foi comprometido devido à sua antiguidade e ao manuseio.

Os textos presentes no Códice Bruce fornecem elementos significativos para o estudo do cristianismo primitivo e das crenças gnósticas. Os Livros de Jeú, por exemplo, apresentam visões esotéricas relacionadas à salvação e à estrutura cósmica, enquanto o Apocalipse sem título oferece uma perspectiva adicional sobre o pensamento gnóstico.

O códice despertou o interesse de estudiosos como Carl Gottfried Woide, que realizou transcrições de seu conteúdo. A partir do século XIX, começaram a surgir traduções e estudos mais aprofundados sobre o texto, influenciando de forma significativa o campo dos estudos sobre o gnosticismo. A aquisição e divulgação do manuscrito por Bruce enfrentaram ceticismo inicial na Europa, mas, com o tempo, consolidaram seu papel como parte importante da exploração acadêmica de textos antigos e do pensamento gnóstico.