Julian de Norwich

Julian ou Juliana de Norwich (1342 –c. 1416), uma anacoreta, mística e teóloga inglesa.

Autora de uma obra de reflexões devocionais e teológicas, Revelações do Amor Divino (Revelations of Divine Love, c. 1395), seria a primeira mulher a ser escritora em língua inglesa.

Ao sofrer uma doença que a deixou à beira da morte, recebeu várias visões, as quais compilou em um livro. Mais tarde, curada, escreveu explanações teológicas acerca das visões.

Sua teologia era otimista, orientada pela onibenevolência e amor de Deus em termos de alegria e compaixão. Como Isaías 49:15, equipara o amor divino com o amor materno. A reconciliação da humanidade com Deus foi mediante a encarnação quando compartilhou a “queda” humana no ventre de Maria. Ao encarnar-se, morrer e ressuscitar, Jesus experimentou em sua dupla natureza o nascimento, sofrimento e morte. Mas sendo divino, alterou para sempre a natureza humana.

Foi conselheira espiritual de sua comunidade. Recebeu visita de Margery Kempe.

Jugo

O jugo ou canga é um peça de madeira transversal para fazer que os bois puxassem juntos cargas pesadas.

Figurativamente, o jugo implica adversidade ou submissão. Jeremias prendeu-se a um jugo em volta do pescoço para indicar que Judá deveria se submeter à Babilônia (Jr 27: 2). Jesus disse de seu ‘jugo é suave’ (Mt 11: 29-30).

Justino Mártir

Justino (c. 100-165 dC) foi um apologista cristão durante o reinado de Antonino Pio. Morreu como mártir em Roma após sua condenação como um cristão, quando apresentou uma apologia pela fé cristã. Foi um dos primeiros filósofos cristãos.

No início de sua primeira apologia, informa que nasceu em Flavia Neapolis (a antiga Siquém em Samaria) de pais seguidores das religiões greco-romanas.

Embora vivesse em ambiente samaritano, não se interessou pela religião mosaica. Lista familiariedade com sete seitas judaicas (Trifo 80. 4). Depois de desapontar com a filosofia (Trifo 3) se converteu ao Cristianismo. Conhecia os estóicos e os platônicos dada sua educação em Éfeso.

Converteu-se ao cristianismo por volta do ano 130 e abriu uma pequena escola em Roma, onde escreveu suas Duas Apologias. Na primeira, escrita em c.155 defende o cristianismo contra a calúnia popular e o desprezo intelectual. Na segunda, escrita em c.162, responde à perseguição.

O aluno de Justino, Taciano, atribui sua morte à informação dada por Crescente, um rival cínico (Oratio 19).

Seu Diálogo com Trifo é a primeira grande obra da tipologia cristã, também um registro do embate entre o cristianismo e do nascente judaísmo rabínico. Nela, elabora sua doutrina do Logos, que, como Cristo, esteve presente em muitas epifanias do Antigo Testamento e garante a unidade da inspiração das escrituras. Por vezes, sua interpretação tipológica não faz juz ao texto citado. Acabou por influenciar o modo de recepção cristã do Antigo Testamento até o advento da exegese crítica.

Primeira e Segunda Apologias: argumenta que um ‘logos espermático’, idêntico a Cristo, instrui todo homem em sabedoria até mesmo os filósofos não cristãos prefiguraram a revelação de Cristo. Tenta demonstrar a lealdade dos cristãos às autoridades civis.

Justino menciona as “memórias” dos apóstolos as quais seriam chamadas de “evangelhos”. Seus escritos atestam que os quatros evangelhos estavam em uso e também alude ao Apocalipse. Notoriamente, não menciona Paulo ou seus escritos.

Jeú

Nome de cinco pessoas na Bíblia.

1. Jeú rei de Israel em Samaria entre c.841-c.814 a.C. e promoveu o culto a Yahweh.

Filho de Josafá e pertencente à família dos nimsitas, talvez fosse descendente de Omri, sendo assim referido no Obelisco Negro de Salmanaser III. Em seu longo reinado de vinte e oito anos restabelecu um pouco da hegemonia regional do Reino do Norte. Sua dinastia ainda durarira cinco gerações e noventa anos (2Rs 9-10; 2Rs 15:12).

Jeú subiu ao poder em um golpe sangrento quando matou Jeorão, rei de Israel, e ordenou a morte do aliado de Jeorão, o rei Acazias de Judá (843 v. 27), de Jezabel (vv. 30–37), de setenta filhos (2Rs 10: 1-10) e membros e associados da casa de Acabe (vv. 11, 17), quarenta e dois irmãos de Acazias (vv. 13-14) e todos os adoradores de Baal em Israel ( vv. 18-25). Jeú também ordenou a destruição do templo e dos ídolos de Baal (vv. 26–28).

Teria sido contemporâneo dos profetas Elias e Eliseu e adepto do culto de Yahweh conforme ensinado por esses profetas.

No Obelisco Negro um emissário (e possivelmente Jeú) aparece inclinando-se para Salmanaser III oferecendo prata, chumbo, ouro, caneca de ouro, taças de ouro, vasilhas de ouro, proteção para a mão do rei e dardos.

2 Jeú filho de Hanani e um profeta que profetizou contra Baasa (902–886 aC), rei de Israel (1Rs 16: 1-4; 1Rs 16: 7; 1Rs 16:12); ele repreendeu e elogiou Josafá (874–850 aC), rei de Judá (2Cr 19: 2-3). O cronista em 2Cr 20:34 atribui a autoria da história de Josafá a ele.

3 Jeú filho de Josibias e príncipe da tribo de Simeão (1Cr 4:35).

4 Jeú, um dos valentes de Davi de Anatote (1Cr 12: 3).

5 Jeú da tribo de Judá e descendente de Jará, um escravo egípcio (1Cr 2:38).

BIBLIOGRAFIA

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Bright, John. A History of Israel. 4th ed. With an Introduction and Appendix by William P. Brown. Louisville: Westminster John Knox, 2000.


Constable, Thomas L. “2 Kings.” The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures. Edited by John F. Walvoord and Roy B. Zuck. Wheaton, Ill.: Victor Books, 1985.


Hobbs, T.R. 2 Kings. Word Biblical Commentary 13. Edited by David A. Hubbard and Glenn W. Barker. Dallas Word, 1989.

João

João, em hebraico Yochanan (יוֹחָנָן‎) “Deus é gracioso” e em grego  Ἰωάννης, é umm nome comum entre os israelitas e vários personagens do Novo Testamento.

1. João Batista, uma figura ascética e profética tida como o precursor de Jesus, o Messias. Anuncia a vinda do reino de Deus e conclama ao arrependimento (Mt 3:1-12; Mc 1:4-8; Lc 3:1-20).

3. João, o Apóstolo, filho de Zebedeu e irmão de Tiago. Junto com Tiago, João foi chamado por Jesus para ser um dos Doze (Mateus 4:21-22; Marcos 1:19-20; Lucas 5:10-11). É frequentemente identificado com o Discípulo Amado (João 13:23; 19:26; 20:2; 21:7; 24:7).

4. João de Patmos, o visionário a autor do livro de Apocalipse.

5. Um membro da família do sumo sacerdote (Atos 4:6).

6. João pai de Pedro (João 1:42; 21:15-17).

Fora das escrituras canônicas o nome aparece em:

7. João, pai de Matatias (1Mc 2:1).

8. João, filho mais velho de Matatias (1Mc 2:2; 1Mc 9:35-42).

Queda de Jerusalém

A expressão “queda de Jerusalém” se refere aos eventos quando a cidade foi conquistada.

Dentre as mais notórias ocasiões estão a conquista e destruição de Jerusalém pelos Babilônios no século VI a.C. e pelos romanos em 70 d.C.

CONQUISTA BABILÔNICA

O Império Assírio progressivamente ganhou poder sobre o Antigo Oriente Próximo por volta do século VIII a.C. Depois da destruição de Samaria em 722 a.C e a campanha de Senaqueribe contra Judá em 701 a.C., Jerusalém e o reino de Judá era um estado vassalo dos assírios.

Com a destruição de Nínive, a capital assíria, pelos babilônios e medos em 612 a.C., Judá ficou subitamente fora do domínio assírio. Contudo, em 609, os egípcios correram para apoiar a Assíria em sua resistência final. Josias (640-609 a.C.), rei de Judá, ansioso para se livrar totalmente da Assíria, tentou bloquear a rota dos egípcios em Megido; mas os egípcios o mataram (2Re 23:29-30; 2Cr 35:20-24).

Com a queda de Nínive, a elite de Judá via uma potencial vantagem se aliar com os egípcios. Os egípcios, novos suseranos de Judá, trocaram a coroa de um filho de Josias, Jeoacaz, e o deram a outro, Jeoiaquim (governou 609-598 a.C.) (2Re 23: 33-35).

O profeta Jeremias recusou essa política. Em vez disso, pregou a submissão aos babilônios e a promessa de uma nova aliança e restauração — algo inédito no ambiente político e religioso do Antigo Oriente Próximo. Jeremias predisse a derrota militar resultando na destruição do templo (Jr 7, Jr 26) e no exílio. Além do Livro de Jeremias, as óstracas de Láquis registram a tensão que antecedeu a investida babilônica.

Quando Nabucodonosor derrotou os egípcios em 605 a.C. na batalha de Carquemis assumiu o controle de Judá. Em 598 a.C. os babilônios sitiaram Jerusalém para reprimir a rebelião de Jeoiaquim, que morreu antes que conseguissem tomar a cidade. Em 597 a.C., seu filho Joaquim e a elite de Judá, incluindo o profeta Ezequiel, foram levados ao exílio (2Re 24:12-16).

Nabucodonosor nomeou Zedequias, outro filho de Josias, como rei. Zedequias também se rebelou e o exército babilônico sitiou Jerusalém novamente e em 586 a.C. os babilônios destruíram a cidade, arrasaram seu templo e exilaram grande parte da população para a Babilônia (2Re 25; Jr 52). O livro das Lamentações e o Salmo 137 retratam a dor dessa perda. O livro de Habacuque é uma reclamação contra esse período violento.

DESTRUIÇÃO ROMANA

A Primeira Guerra Judaica-Romana de 66-73 d.C. foi uma rebelião do povo israelita contra sua ocupação romana. Depois do cerco de Jerusalém no ano 70 d.C. o exército romano capturou a cidade e destruiu-a e seu templo.

A revolta começou com protestos contra os pesados tributos romanos. Depois dos administratores romanos fugirem da cidade, o exército romano estacionado na Síria foi enviado para reprimir a revolta.

A Legião Síria foi emboscada e derrotada por rebeldes judeus na Batalha de Bete Horon com 6.000 romanos massacrados. Os rebeldes organizaram um governo provisório composto pelo ex-sumo sacerdote Ananus ben Ananus, José ben Gurion e Josué ben Gamla. José ben Mateus (Flávio Josefo) foi nomeado comandante da Galileia e Eleazar ben Hanania como comandante em Edom.

O general Vespasiano recebeu ordens de Nero de reprimir a revolta e, junto de seu filho Tito, invadiu a Galileia em 67. Tito cercou Jerusalém por sete meses. Os zelotas e sicários foram os últimos a lutarem dentro dos muros da cidade. O menorá (castiçal de sete braços) e a mesa do pão da proposição foram levados em triunfo para Roma. O templo foi queimado.

Os escritos de Flávio Josefo são os principais testemunhos desse período.

Judas

Judas é a versão grega do nome hebraico Judá. Na literatura bíblica esse nome comum refere-se a várias pessoas:

1 Judá ou Judas filho de Jacó (Mt 1:2-3).

2 Judas, um ancestral de Jesus (Lucas 3:30).

3 Judas Macabeu, o terceiro dos cinco filhos de Matatias, da família dos Macabeus.

4 Judas da Galileia, um líder de uma revolta contra Roma durante o censo de Quirino (Atos 5:37). Josefo credita a ele a fundação da seita dos zelotes.

5 Judas Iscariotes, um dos doze apóstolos, filho de Simão Iscariotes (João 6:71; 13:26), que traiu Jesus. Distinto do outro apóstolo chamado Judas (João 14:22).

6 Judas, filho de Tiago e um dos apóstolos (Lucas 6:16; Atos 1:13; João 14:22). Este é provavelmente Judas Tadeu (Mt 10:3; Mc 3:18).

7 Judas, um dos quatro irmãos de Jesus (Marcos 6:3), tradicionalmente identificado como o autor da Epístola de Judas.

8 Judas, um homem para cuja casa em Damasco o cego Saulo foi levado (Atos 9:11).

9 Judas Barsabás, emissário da igreja de Jerusalém escolhido junto com Silas para acompanhar Paulo e Barnabé de volta a Antioquia para comunicar o decreto apostólico (Atos 15:22-23). Talvez fosse irmão de José (Atos 1:23).

João Batista

Filho de Zacarias e Isabel. Parente de Jesus Cristo (Lc 1:36), embora não explicitamente denominado como primo. Pregavam o batismo para arrependimento dos pecados. Decapitado por Herodes Antipas a pedido de Salomé (Mc 1:14; Mc 6: 17-29).

Vestido asceticamente com uma dieta restrita (Mt 3: 4; Mc 1: 6), é retratado como um profeta que saiu do deserto para proclamar o advento do reino de Deus (Mt 3:1-12; Mc 1:4-8; Lc 3:1-20).

Descendente de sacerdotes, filho de Zacarias e Isabel (Lc 1:5-80; 3: 2), batizava e anunciova a vinda de alguém que seria maior do que ele e que batizaria com o Espírito. Assumiu um papel anti-tipo de Elias (Mt 11:7-15; Mt 17: 10-13; Mc 9: 11-13; Mal 4:5-6).

Os discípulos de João Batista em parte seguiram Jesus Cristo (como André e talvez o João do Evangelho) e em parte mantiveram uma existência distinta. Em Atos os cristãos encontram discípulos de João que foram recebidos na igreja. Priscila e Áquila encontram Apolo (At 18:24 -28), e Paulo encontrou doze desses discípulos, talvez associados com Apolo (At 19: 1-7).

Fontes adicionais sobre João Batista aparece em Josefo (Antiquidades 18.5.2) e a literatura pseudo-Clementina também contém informações sobre seus discípulos. Hoje a comunidade dos mandeus, baseada no Iraque e em diáspora, mantém o legado de João Batista, considerando-o como seu profeta maior.

Jafé

Jafé, em hebraico יֶפֶת, foi um dos três filhos de Noé.

Jafé aparece no relato do dilúvio (Gn 6-10). Elencado como o terceiro filho de Noé (Gn 5:32; 1 Cr 1:4). A família de Jafé repovoou a Terra junto com os outros filhos de Noé, Sem e Cão, mediante seus sete filhos e sete netos. Tais descendentes são mencionados de modo passageiro em Isaías e Ezequiel (Is 66:19; Ez 27:13; 32:26; 38:2-3, 6). 39:1, 6).