1 João

O tema dessa epístola joanina é a pessoa de Jesus Cristo possibilita o amor na  conduta cristã.

Depois de um prólogo que afirma uma fundamentação no testemunho da obra de Jesus (1:1-4), essa epístola apresenta o que seria verdadeira mensagem de Jesus: o amor recíproco (1:5-3:24). Convida a exercitar uma avaliação crítica daquilo e de quem se apresenta, (4:1-5:12), tendo o amor como o teste essencial (4:7-21). Encerra com um pós-escrito sobre pecados, perdão e doutrina correta (5:13-21).

Livro de Jeremias

Nos turbulentos anos que antecederam a queda do Reino de Judá, o profeta Jeremias apela para que depositem a confiança em Deus meio às desaventuras, não em alianças políticas ou nas forças militares. Também denuncia as falsas profecias que apregoavam uma prosperidade que Deus não prometeu.

Embora não haja uma organização estritamente cronológica ou temática no arranjo do livro de Jeremias, os seguintes blocos são discerníveis: vocação de Jeremias e profecias contra Judá e Jerusalém (1-24), juízo contra Jerusalém e as nações (25:1-14), o copo da ira (25:1-15–38), Jeremias lida com outros profetas (26-29), o livro da Consolação e oráculos da esperança (30-33), queda de Jerusalém e fuga ao Egito (34-35), juízo contra as nações (46-51), destruição de Jerusalém (52).

Livro de Juízes

O Livro de Juízes é uma coleção de narrativas sobre Israel no período dos juízes, após sua entrada na Terra Prometida sob Josué, antecedendo o período da monarquia.

Está estruturado em uma série de episódios com um padrão comum: Israel peca, é punido com a sujeição a um opressor estrangeiro, clama a Deus, tem um libertador enviado para expulsar o opressor.

Dois termos hebraicos são traduzidos como “juiz” em português. Um, dan, tem a conotação mais familiar em contextos jurídicos. Outro termo, sophet, implica em vingador, aquele que corrige as coisas. Esse termo reflete o papel do vingador em sociedades onde a vendetta (a vingança movida pelos parentes mais próximos da vítima) seja uma instituição jurídica. Assim, sophetim pode ser aplicado tanto a libertadores militares quanto a magistrados.

Apenas Débora é retratada como administradora da justiça nesse livro. Mais tarde, Samuel também é retratado perfazendo um circuito. Entretanto, no livro de juízes, a liderança militar e política são muito mais importantes.

Surpreendentemente, nenhum dos doze líderes de Israel são chamados de “juiz” após a introdução (2:16-19). Apesar disso, nove “julgaram” Israel, e o Senhor é chamado de “juiz” em 11:27.

Os ciclos narrativos cobrem o estabelecimento na Terra (1-3:6); os primeiros juízes Otniel, Eúde, Sangar (3:7-31); Débora e Baraque (4-5); o ciclo de Gideão e Abimeleque (6-9); os juízes Tolá, Jair, Jefté, Ibsã, Elom e Abdom (10-12); e a saga de Sansão (13-16). Termina com relatos de migração, idolatria e guerra civil (20-21).

O livro é anônimo. Uma tradição talmúdica o atribui a Samuel. Exames internos e linguísticos atestam ao menos duas redações, sendo uma provavelmente pré-exílica e outra exílica ou pós-exílica.

Josué

Josué refere-se tanto ao personagem que acompanhou Moisés na saída do Egito e participou da conquista de Canaã quanto ao livro que relata essa conquista.

O LIVRO DE JOSUÉ
Canonicamente, é o sexto livro do Antigo Testamento. É o primeiro livro classificado como Históricos no cânone cristão e o primeiro dos Profetas Anteriores do cânone judeu. Entre os gêneros literários contém narrativa, descrição topográfica e exortação. Tematicamente relata a ação de Deus em prol do povo de Israel em suas batalhas para a conquista da Terra Prometida condicionada pela fidelidade expressa por Josué, o sucessor de Moisés.

Estruturalmente, contém três grandes divisões. A primeira divisão discorre sobre a conquista da Terra Prometida (1-12), incluíndo a travessia do Jordão (3) e conquista de Jericó (6). A segunda parte discorre sobre a divisão da terra (13-22). Por fim, um epílogo (23-24) retrada o renovo da aliança das tribos de Israel em Siquém, as morte de Josué e do sacerdote Eleazar, por fim, o sepultamento dos ossos de José.

Jerônimo

Jerônimo (340-420 d.C.) foi um dos mais eruditos estudiosos das Escrituras de seu tempo, comissionado para produzir uma versão oficial em latim da Bíblia, a Vulgata.

Jerônimo nasceu perto de Aquileia, na província romana da Dalmácia, nos Balcãs. Viveu em Roma por um tempo e passou a maior parte de sua vida como monge na Síria e na Palestina.

Livro de Jó

O livro de Jó é uma série de discursos e diálogos que exploram as questões do sofrimento imerecido, o problema da teodiceia (por que há o mal no mundo), a natureza e o propósito da vida piedosa. A provação e restauração de Jó, bem como sua paciência, se tornaram proverbiais.

Está classificado na Bíblia Hebraica entre os Escritos (Ketuvim ou Hagiógrafos) e nas Bíblias protestantes como livro poético ou sapiencial, situado entre os livros históricos e proféticos.

COMPOSIÇÃO E CONTEXTO

É uma obra anônima. Uma nota final presente na Septuaginta referencia uma versão siríaca que localiza Uz em Edom e Jó como descendente de Esaú. Essa hipótese edomita tem apoio de materiais pseudepígrafos e do targum de Jó de Qumran. Autores recentes como Pfeiffer e Amzallag defendem essa hipótese. Edom era conhecido por sua sabedoria (Jeremias 49: 7; Obadias 8; 1 Reis 4:30).

Situar o tempo e cena da narrativa, bem como o local e época de sua composição ou textualização são tarefas conjecturais, dado a ausência de informações. As alusões na parte poética ao ferro como um material cotidiano (Jó 19:24; 20:24; 28:2; 40:18; 41:27) situa a narrativa na Idade do Ferro (1200–550 a.C.). Tal período é congruente com as alusões aos sabeus (Jó 1:15) que emergiram como povo entre 1200-800 a.C. e existiram como estado até 275 d.C. Embora a terra de Uz seja desconhecida, vários costumes (sacrifícios patriarcais, Jó 1: 5; agropastoralismo de oásis; as filhas receberem herança junto com os filhos, Jó 42:15) bem como ausência de menções aos israelitas, ambienta Jó em uma região fora do antigo Israel. Fora do livro, Jó é mencionado em Ezequiel 14:14–20 e Tiago 5:11.

A linguagem do livro é complexa e cheia de singularidades. Esse caráter excepcional de estilo e linguagem, com muitos termos desconhecidos levaram às hipóteses de serem aramaísmos, uma suposta tradução de outra língua, arcaísmos ou uma variante dialetal, sobretudo edomita. O prólogo e epílogo são em prosa, com uma linguagem equiparada à de outros livros da Hagiógrafa (Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Eclesiastes) do período persa, com uma notória ausência de aramaísmos. No epílogo há menção de uma unidade monetária, a quesitá (Jó 42:11), a qual aparece apenas em Gênesis 33:19 e Josué 24:32. Já na parte em poesia abundam linguagem peculiares e hapax legomena, especialmente nas falas de Deus. Foi sugerido que a obra teria sido escrita originalmente em um dialeto edomeu, árabe ou uma variante arcaica do hebraico e depois traduzida para o hebraico em sua forma canônica.

Outra tradição situa Jó no período patriarcal e atribui autoria a Moisés. Essa hipótese aparece de forma contraditória no Talmud (Bava Batra 14b-15a), com poucos biblistas contemporâneos (como Christensen ou Sarna) considerando plausível sua antiguidade anterior à Idade do Ferro.

I. Prólogo (em prosa): a calamidade de Jó (Jó 1-2)

II. Poema (Jó 3-42:6)

a. Solilóquio de abertura de Jó (Jó 3)

b. Diálogos com amigos (Jó 4-27)

1. Primeiro ciclo de diálogos (Jó 4-14)

2. Segundo ciclo de diálogos (Jó15-21)

3. Terceiro ciclo de diálogos (Jó 22-27)

c. Monólogos (Jó 28-37)

1. Meditação sobre a inacessibilidade da sabedoria (Jó 28)

2. O solilóquio final de Jó e alegações finais (Jó 29-31)

3.  O discurso de Eliú (Jó 32-37)

d. Diálogos com Deus (Jó 38: 1-42: 6)

1. A primeira resposta de Deus no redemoinho (Jó 38: 1-40: 2)

2. A primeira resposta de Jó (Jó 40: 3-5)

3. A segunda resposta de Deus (Jó 40: 6-41: 34)

4. A segunda resposta de Jó (Jó 42: 1-6)

III. Epílogo (em prosa): restauração de Jó (Jó 42: 7-17)

SAIBA MAIS

Amzallag, Nissim. Esau in Jerusalem: The Rise of a Seirite Religious Elite in
Zion in the Persian Period.
Cahiers de la Revue Biblique 85. Pendé, J.
Gabalda et Cie, 2015.

Bloom, Harold. The Book of Job. Chelsea House Publishers, 1988.

Christensen, Duane L. “Job and the age of the patriarchs in Old Testament narrative.” Perspectives in religious studies 13.3 (1986): 225-228.

Foster, Frank H. “Is the Book of Job a Translation from an Arabic Original?” The American Journal of Semitic Languages and Literatures, 49 (1932) 21–45.1932. p.651.

Hurvitz, Avi “The Date of the Prose-Tale of Job Linguistically Reconsidered,” HTR 67 (1974): 17–34.

Peiffer, Robert “Edomite Wisdom,” ZAW 44 (1926): 13-25.

Pfeiffer, Robert. Introduction to the Old Testament. New York: Harper & Brothers, 1941, p. 670.

Sarna, Nahum M. Understanding Genesis. Vol. 1. Heritage of Biblical Israel, 1966, p. 84.

Tur Sinai, Naphtali H. The Book of Job: A New Commentary. Jerusalem: Kiryath Sepher, 1967.


COMO REFERENCIAR

ALVES, Leonardo Marcondes (ed.). Livro de Jó. Círculo de Cultura Bíblica, 2021. Disponível em:  https://circulodeculturabiblica.org/2021/07/04/livro-de-jo/ Acesso em: 04 jul. 2021.


Inscrição de Khirbet er-Ra’i

A inscrição de Khirbet er-Ra’i, anunciada sua descoberta em 2021, constitui um exemplo de escrita paleo-hebraica ou proto-cananeia. São cinco letras somente, sendo proposto que signifique Yrb‘l ou Jerubaal, um dos nomes de Gideão (Jz 6:31–32).

Khirbet er-Ra’i é um sítio arqueológico na Sefelá, cerca de 4 km de Láquis.

BIBLIOGRAFIA

Christopher Rollston, Yosef Garfinkel, Kyle H. Keimer, Gillan Davis and Saar Ganor, 2021. The Jerubba‘al Inscription from Khirbet al-Ra‘i: A Proto-Canaanite (Early Alphabetic) Inscription. Jerusalem Journal of Archaeology 2: 1–15. https://doi.org/10.52486/01.00002.1; https://jjar.huji.ac.il