Musitas

Os musitas eram os descendentes de Musi, que era o segundo filho de Merari e, portanto, neto de Levi (Êxodo 6:19; Números 3:20; 1 Crônicas 6:1, 19). Merari foi o terceiro filho de Levi. Musi teve quatro filhos: Mali, Éder, Jerimote e um não nomeado (1 Crônicas 6:47; 23:21-23).

Como parte da família de Merari, os musitas tinham responsabilidades específicas no serviço do Tabernáculo durante as peregrinações no deserto. Eles eram encarregados do transporte das tábuas do Tabernáculo, suas barras, colunas, bases e todos os seus acessórios, bem como as colunas do pátio ao redor, suas bases, estacas e cordas (Números 3:36-37; 4:29-32). Essas tarefas eram essenciais para a montagem e desmontagem do santuário móvel de Israel.

Nos tempos do rei Davi, os descendentes de Musi foram organizados para diversas funções no serviço do Templo. Em 1 Crônicas 23:21-23, são mencionados os filhos de Musi e seus descendentes, indicando sua continuidade e seu papel nas tarefas levíticas.

O termo musita também aparece em contextos acadêmicos para se referir aos descendentes de Moisés.

Maacatitas

Os maacatitas eram um povo que habitava uma região ao norte da terra de Canaã, na área das colinas de Golã, fazendo fronteira com Gessur. Eles são frequentemente mencionados em conjunto com outros povos da região, como os gessuritas (Josué 12:5; 13:11, 13; 2 Samuel 10:6; 1 Crônicas 19:6). Em algumas passagens, são também referidos como mequeratitas (1 Crônicas 11:35).

Os israelitas não conseguiram expulsar os maacatitas de seu território, e eles continuaram a viver em meio ao povo de Israel (Josué 13:13). Essa situação era comum em várias áreas de Canaã, onde a conquista israelita não foi completa.

Durante o reinado de Davi, o rei de Maaca se aliou aos amonitas contra Davi, enviando tropas mercenárias para lutar ao seu lado (2 Samuel 10:6; 1 Crônicas 19:6-7). Isso demonstra que os maacatitas mantinham sua identidade e poder político mesmo após a chegada dos israelitas.

Gian Pietro Meille

Gian Pietro Meille (1817-1887) foi um pastor, teólogo e historiador valdense do século XIX, atuante na reorganização e expansão da Igreja Valdense na Itália após a emancipação de 1848.

Como professor na Faculdade Valdense de Teologia e autor de obras sobre a história e doutrina valdenses, Meille moldou gerações de pastores e fortaleceu a identidade teológica da igreja, com ênfase na autoridade das Escrituras e na justificação pela fé. Seu trabalho ajudou a definir o entendimento valdense de sua própria história e missão.

Embora falecido antes do Sínodo de 1894, que visou clarificar pontos da Confissão de Fé como os mencionados nos documentos fornecidos, o legado intelectual e teológico de Meille constituiu um pano de fundo essencial para essas deliberações posteriores.

Bartolomeo Malan

Bartolomeo Malan (1819-1874) foi uma ministro na Igreja Valdense durante um período crucial de sua história no risveglio do século XIX.

Nascido nos Vales Valdenses do Piemonte, Itália, Malan dedicou sua vida ao ministério pastoral e à liderança teológica dentro de sua comunidade. Ordenado pastor, serviu em diversas paróquias. Logo se destacou por sua erudição e comprometimento com a fé valdense. Sua influência cresceu, levando-o a ocupar posições de professor no Colégio Valdense (posteriormente Faculdade Valdense de Teologia, transferida para Florença) e, por múltiplos mandatos, a de Moderador da Távola Valdense, o órgão executivo da igreja.

A carreira de Malan coincidiu com a emancipação civil dos valdenses no Reino da Sardenha-Piemonte (1848) e com o movimento de avivamento espiritual conhecido como Réveil, que trouxe novas influências teológicas e missionárias.

Em seu pensamento, Malan representou uma voz importante na navegação entre a preservação da identidade histórica e confessional valdense e o engajamento com as correntes evangélicas mais amplas que chegavam à Itália. Esteve envolvido nos debates teológicos de sua época, buscando articular a fé valdense de maneira relevante para os novos tempos de liberdade religiosa e expansão missionária, ao mesmo tempo em que defendia a continuidade com a herança doutrinária reformada.

Metatron

Metatron, em aramaico מטטרון , em hebraico מטטרון e em grego Μετατρόν é uma figura enigmática na tradição mística judaica, conhecido como um anjo exaltado e mediador entre Deus e a humanidade.

Seu nome tem origens obscuras, com possíveis ligações a termos gregos que significam “aquele que está atrás do trono” ou “o que serve”. Na literatura rabínica e cabalística, Metatron recebe vários títulos, como “o Príncipe da Presença”, “o Anjo da Face” e até mesmo “o Menor YHWH” (Yahweh katan), indicando sua proximidade com o divino. Em algumas tradições, acredita-se que Metatron tenha sido originalmente o patriarca Enoque, transformado em anjo após sua ascensão ao céu. Como escriba celestial, ele registra as ações da humanidade e supervisiona o fluxo de energia divina no cosmos.

A literatura apócrifa, particularmente o 3 Enoque, descreve a experiência do rabino Ismael, que ascende ao céu e descobre que Enoque foi transfigurado em Metatron. Esse texto, datado entre os séculos V e VI d.C., apresenta Metatron como o mais elevado dos anjos, conferindo-lhe uma posição singular na hierarquia celestial. Na tradição rabínica, ele é descrito como secretário celestial e mensageiro divino, identificando-se com a figura de Moisés, que teria alcançado um estado angelical após sua morte. Esse conceito está ligado a interpretações midrásicas de passagens bíblicas, como êxodo 33:11, onde Moisés é descrito como aquele que “falava com Deus face a face”.

Embora Metatron não seja mencionado explicitamente na Bíblia Hebraica ou no Novo Testamento, sua figura se desenvolveu em contextos místicos, onde ele é visto como detentor de vasto conhecimento dos mistérios divinos. Associado à Merkabah, o “carro celestial” da visão profética de Ezequiel, ele guia aqueles que buscam ascender aos reinos celestiais por meio da meditação e do misticismo. Sua função de transmissor dos decretos divinos e de autoridade sobre outros anjos reforça sua posição de intermediário entre Deus e a humanidade. Além de sua função celestial, Metatron também é invocado em orações e rituais ligados à justiça e à misericórdia.

BIBLIOGRAFIA

Boyarin, Daniel. “Beyond Judaisms: Metatron and the Divine Polymorphy of Ancient Judaism.” Journal for the Study of Judaism in the Persian, Hellenistic, and Roman Periods, vol. 41, no. 3, 2010, pp. 323–365

Orlov, Andrei A. The Enoch-Metatron Tradition. Mohr Siebeck, 2005.