Beritas

Os beritas eram os habitantes da cidade de Abel-Bete-Maaca, localizada na região norte de Israel. Esta cidade possuía importância estratégica.

Durante o reinado de Davi, Abel-Bete-Maaca foi visitada por Joabe em perseguição a Seba, filho de Bicri, que havia se rebelado. A sabedoria de uma mulher da cidade evitou sua destruição, persuadindo os habitantes a decapitar Seba e jogá-lo pelas muralhas (2 Samuel 20:14-22). Abel-Bete-Maaca também é listada entre as cidades conquistadas por Ben-Hadade, rei da Síria, durante o reinado de Baasa de Israel (1 Reis 15:20; 2 Crônicas 16:4). Em um período posterior, durante o reinado de Peca, rei de Israel, Tiglate-Pileser III, rei da Assíria, conquistou Abel-Bete-Maaca e deportou seus habitantes (2 Reis 15:29). A referência aos “sábios de Abel” (2 Samuel 20:18) sugere que a cidade era conhecida por sua prudência e conhecimento.

Cadmoneus

 Os cadmoneus eram uma tribo cananeia. O termo Bnei Kedem (“Filhos do Oriente“) pode indicar que fossem da região nordeste da Palestina. Os cadmoneus são mencionados na lista das nações que habitavam a terra de Canaã e que foram prometidas aos descendentes de Abrão (Gênesis 15:19). No entanto, eles não são proeminentes em outras narrativas bíblicas e pouco se sabe sobre seus costumes, organização social ou história detalhada em comparação com outras tribos cananeias mais frequentemente mencionadas.

Templo de Tel Motza

O sítio arqueológico de Tel Motza, situado a poucos quilômetros a oeste de Jerusalém, revelou evidências significativas de um templo judaíta que funcionou durante o período pré-exílico entre os séculos IX e VII a.C.

Tel Motza está localizado no interior, nas colinas da Judeia. A distância aproximada em linha reta até o Mar Mediterrâneo é de cerca de 50 a 55 quilômetros. Tel Motza está muito próximo a Jerusalém, localizado a aproximadamente 7 quilômetros a oeste do centro antigo da cidade.

O sítio arqueológico de Motza é conhecido há mais tempo e teve investigações anteriores (por exemplo, por E. Eisenberg nos anos 1990 e início dos 2000). No entanto, a descoberta específica do complexo do templo ocorreu durante escavações de salvamento realizadas principalmente entre 2012 e 2013, antes da expansão da Rodovia 1 de Israel. As escavações mais extensas que revelaram o complexo do templo foram codirigidas por Shua Kisilevitz (Autoridade de Antiguidades de Israel – IAA), Oded Lipschits (Universidade de Tel Aviv) e Zvi Lederman (Universidade de Tel Aviv).

Escavações trouxeram à luz um complexo monumental com orientação leste-oeste, típico de templos da região, incluindo um pátio, um possível altar e estruturas adjacentes. A descoberta de artefatos cultuais, como estatuetas antropomórficas e zoomórficas (notavelmente cavalos), suportes de culto e vasos de oferenda, confirma a natureza religiosa do local. A existência e operação deste templo em Motza durante a monarquia judaíta, contemporâneo ao Primeiro Templo em Jerusalém, demonstra que não foi total a centralização do culto em Jerusalém, promovida pela reforma deuteronômica atribuída ao Rei Josias (descrita principalmente em 2 Reis 22-23).

Não foram encontradas inscrições no templo que nomeiem explicitamente as divindades veneradas. A arquitetura geral do templo é compatível com práticas de culto cananeias e israelitas, sugerindo que Yahweh, o Deus nacional de Judá, era a principal divindade cultuada, de forma análoga ao Templo de Jerusalém. Contudo, a presença significativa de figurinhas de barro, tanto antropomórficas (humanas, possivelmente representando uma deusa consorte como Asherah, ou outras figuras femininas associadas à fertilidade e ao culto) quanto zoomórficas (animais, incluindo notavelmente cavalos, cujo significado exato é debatido, podendo estar ligados a Yahweh, a um culto solar ou a outras crenças), indica que o culto no local refletia práticas religiosas populares coexistindo com o culto a Yahweh.

A presença de um centro de culto oficial e ativo fora de Jerusalém sugere que a vida religiosa de Judá era mais diversificada do que a focada na exclusividade do Templo de Jerusalém, poderia indicar, ou que a implementação da centralização foi um processo gradual ou menos absoluto do que tradicionalmente compreendido.

Gian Pietro Meille

Gian Pietro Meille (1817-1887) foi um pastor, teólogo e historiador valdense do século XIX, atuante na reorganização e expansão da Igreja Valdense na Itália após a emancipação de 1848.

Como professor na Faculdade Valdense de Teologia e autor de obras sobre a história e doutrina valdenses, Meille moldou gerações de pastores e fortaleceu a identidade teológica da igreja, com ênfase na autoridade das Escrituras e na justificação pela fé. Seu trabalho ajudou a definir o entendimento valdense de sua própria história e missão.

Embora falecido antes do Sínodo de 1894, que visou clarificar pontos da Confissão de Fé como os mencionados nos documentos fornecidos, o legado intelectual e teológico de Meille constituiu um pano de fundo essencial para essas deliberações posteriores.

Bartolomeo Malan

Bartolomeo Malan (1819-1874) foi uma ministro na Igreja Valdense durante um período crucial de sua história no risveglio do século XIX.

Nascido nos Vales Valdenses do Piemonte, Itália, Malan dedicou sua vida ao ministério pastoral e à liderança teológica dentro de sua comunidade. Ordenado pastor, serviu em diversas paróquias. Logo se destacou por sua erudição e comprometimento com a fé valdense. Sua influência cresceu, levando-o a ocupar posições de professor no Colégio Valdense (posteriormente Faculdade Valdense de Teologia, transferida para Florença) e, por múltiplos mandatos, a de Moderador da Távola Valdense, o órgão executivo da igreja.

A carreira de Malan coincidiu com a emancipação civil dos valdenses no Reino da Sardenha-Piemonte (1848) e com o movimento de avivamento espiritual conhecido como Réveil, que trouxe novas influências teológicas e missionárias.

Em seu pensamento, Malan representou uma voz importante na navegação entre a preservação da identidade histórica e confessional valdense e o engajamento com as correntes evangélicas mais amplas que chegavam à Itália. Esteve envolvido nos debates teológicos de sua época, buscando articular a fé valdense de maneira relevante para os novos tempos de liberdade religiosa e expansão missionária, ao mesmo tempo em que defendia a continuidade com a herança doutrinária reformada.