En-Eglaim

En-Eglaim (עֵין עֶגְלַיִם, Ein Eglayim) é um local geográfico mencionado apenas uma vez em Ezequiel 47:10. Nesta passagem profética, Ezequiel descreve uma visão de um rio vivificante que flui do Templo em Jerusalém e transforma o Mar Morto em água doce.

En-Eglaim é citada, juntamente com En-Gedi, como um local onde pescadores estenderão suas redes, indicando a abundância de peixes resultante da transformação. A localização exata de En-Eglaim é desconhecida e tem sido objeto de especulação. Alguns estudiosos sugerem uma possível identificação com ‘Ain Feshkha, na costa noroeste do Mar Morto, onde existem fontes de água doce, mas essa identificação permanece incerta. Outros propõem uma localização mais ao sul.

O nome “En-Eglaim” significa “Fonte dos Dois Bezerros” ou “Fonte das Duas Novilhas”, o que pode sugerir uma associação com a fertilidade e a abundância, temas presentes na visão de Ezequiel.

A falta de outras referências bíblicas ou extrabíblicas torna a identificação precisa de En-Eglaim um desafio, e seu significado reside principalmente em seu papel simbólico na visão escatológica de Ezequiel, representando a restauração e a vida abundante trazidas pela presença divina.

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Eglaim

Codex Babylonicus Petropolitanus

O Codex Babylonicus Petropolitanus, também conhecido como Códice dos Profetas de Petersburgo (designado como VP), é um manuscrito massorético fundamental da Bíblia Hebraica, preservado na Biblioteca Nacional da Rússia, em São Petersburgo. Datado do ano 916 d.C., o códice contém os Profetas Posteriores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze Profetas Menores), acompanhados da Massorá magna e parva.

Sua importância reside em ser um dos mais antigos manuscritos existentes que preservam o texto massorético com a vocalização babilônica, um sistema de sinais vocálicos e de acentuação distinto do sistema tiberiense, mais comum. O sistema babilônico, desenvolvido por comunidades judaicas na Babilônia, oferece uma perspectiva valiosa sobre a pronúncia e a interpretação textual da Bíblia Hebraica em um período e região específicos.

Karl Kertelge

Karl Kertelge (1926-2009) foi um teólogo católico alemão e estudioso do Novo Testamento.

Kertelge estudou teologia católica e filosofia em Paderborn e Munique. Foi ordenado sacerdote em 1952. Obteve seu doutorado em teologia em 1957, em Munique. Kertelge completou sua habilitação em 1967. Tornou-se professor de exegese do Novo Testamento na Universidade de Trier em 1968. Em 1973, Kertelge foi nomeado professor na Universidade de Münster, onde lecionou até sua aposentadoria em 1991.

Sua pesquisa concentrou-se na teologia paulina, eclesiologia do Novo Testamento e hermenêutica bíblica. Kertelge publicou livros e artigos. Serviu como editor e coeditor de periódicos acadêmicos e séries de comentários bíblicos. Foi membro de diversas sociedades teológicas.

Parácleto

Parácleto (παράκλητος, paraklētos; מֵלִיץ, melitz [equivalente funcional, não tradução direta]) é um termo grego encontrado exclusivamente nos escritos joaninos (Evangelho de João e 1 João) no Novo Testamento. A palavra é tradicionalmente traduzida como “Consolador”, “Advogado”, “Ajudador” ou “Intercessor”. O paraklētos é descrito como o Espírito Santo, enviado por Deus Pai e por Jesus Cristo para guiar, ensinar, consolar e defender os discípulos após a partida de Jesus (João 14:16, 26; 15:26; 16:7).

A função do Parácleto é multifacetada. Ele atua como um mestre, recordando aos discípulos os ensinamentos de Jesus (João 14:26); como uma testemunha de Cristo (João 15:26); como um acusador do mundo em relação ao pecado, à justiça e ao juízo (João 16:8-11); e como um guia para a verdade completa (João 16:13). Em 1 João 2:1, o próprio Jesus é chamado de paraklētos, atuando como advogado dos crentes perante o Pai.

Embora não haja um equivalente hebraico exato para paraklētos no Antigo Testamento, o conceito de um intercessor ou mediador celestial encontra paralelos em figuras como o anjo do Senhor e em conceitos como o Espírito de Deus. O termo melitz (מֵלִיץ), que significa “intérprete” ou “mediador”, como em Jó 16:20 e 33:23, pode ser considerado um equivalente funcional em alguns contextos. A compreensão do Parácleto como o Espírito Santo é fundamental para a teologia joanina e para a pneumatologia cristã.

Meribá

Meribá, que significa “contenda” ou “discussão” em hebraico (מְרִיבָה, merivah), é o nome dado a dois lugares distintos no Antigo Testamento, ambos associados a eventos em que o povo de Israel questionou Moisés e a provisão de Deus.

O primeiro Meribá, também chamado de Massá (“provação”), localiza-se próximo a Refidim, no deserto do Sinai (Êxodo 17:1-7). Ali, o povo, sedento, reclamou com Moisés sobre a falta de água. Moisés, por ordem de Deus, feriu uma rocha em Horebe com seu cajado, fazendo jorrar água para saciar a sede do povo. O local foi chamado de Meribá por causa da “contenda” do povo com Moisés e de Massá porque eles “provaram” o Senhor, duvidando de sua capacidade de suprir suas necessidades.

O segundo Meribá, perto de Cades, no deserto de Zim (Números 20:1-13), também foi palco de um evento similar. O povo, mais uma vez sedento, questionou Moisés e Arão. Deus ordenou a Moisés que falasse à rocha para que produzisse água, mas Moisés, irado, feriu a rocha duas vezes com seu cajado. A água jorrou, mas Deus repreendeu Moisés por sua desobediência e falta de fé, impedindo-o de entrar na Terra Prometida. Este local também foi chamado de Meribá devido à “contenda” do povo com Moisés e com Deus.

Os eventos em Meribá revelam a tendência do povo de Israel à murmuração e à desconfiança em Deus, mesmo após testemunhar milagres e livramentos.