Zoã

Zoã, em hebraico צֹעַן, tso’an, era uma cidade no nordeste do delta do Nilo, no Egito, perto da margem sul do Lago Menzalé. Hoje é a cidade de San el-Hagar e seu nome grego era Tanis.

Zoã estaria nas proximidades de Gosem, a região onde os israelitas viviam no Egito antes do êxodo. Salmo 78 identifica Zoã como o local das maravilhas no Egito (Sl 78:12, 43; cf. Êx 7:14–12:30), mas não é mencionada no livro de Êxodo. De acordo com Nm 13:22, Hebrom foi construída sete anos antes de Zoã.

A cidade foi a capital do faraó Sheshonq I (Sisaque), que atacou o reino do norte de Israel e recebeu tributo de Roboão do templo de Jerusalém (1 Rs 14:25-26; 2 Cr 12 :2–9). Nos juízos das nações, profetas condenaram a cidade (Is 19:13; Ez 30:14).

Erev Rav

Erev Rav era um grupo de povos diversos que se juntaram às tribos de Israel no Êxodo.

Diz em Êxodo 12:38 “E subiu também com eles uma mistura de gente, e ovelhas, e vacas, uma grande multidão de gado.” A versão ARC segue a Vulgata (vulgus promiscuum) e a Septuaginta (ἐπίμικτος) que dá uma ideia tanto de uma variedade de pessoas ou, como alguns intérpretes tardios, pessoas de origem étnicas mistas.

Seguindo esse termo da Septuaginta e Vulgata, em Números 11:4 diz que “E o vulgo, que estava no meio deles, veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e disseram: Quem nos dará carne a comer?” Este termo “vulgo” traduz o hebraico אֲסְפְּסֻף, asafsuf, o qual só aparece nessa passagem. Algumas versões aparece como “plebe, populacho”, dando uma dimensão de classe.

O termo erev também aparece em Neemias 13:3, onde é usado para se referir a não judeus.

Uma tradição rabínica associou essa população com idolatria e imoralidade, alimentando preconceitos de segmentos de comunidades israelitas contra povos estrangeiros ou israelitas de origem mestiça.

BIBLIOGRAFIA

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Greenwood, Daniel JH. “Partnership, Democracy, and Self-Rule in Jewish Law.” Touro L. Rev. 36 (2020): 959.

Inbari, Motti. Jewish radical ultra-orthodoxy confronts modernity, Zionism and women’s equality. Cambridge University Press, 2016.

Lee, Woo Min. “An Exilic and a Post-exilic Reading of ‘ērev rav in Exodus 12: 38: A Boundary-Making Marker for the Israelites and “Others”.” Canon&Culture 13.2 (2019): 109-137.

Magid, Shaul. “The Politics of (Un) Conversion: The” Mixed Multitude”(“‘Erev Rav”) as Conversos in Rabbi Hayyim Vital’s”‘Ets Ha-Da’at Tov”.” The Jewish Quarterly Review 95.4 (2005): 625-666.

Acsa

Acsa, em hebraico עַכְסָה. Filha de Calebe e esposa de Otniel depois da captura de Quiriate-Sefer (Js 15: 16–17). Acsa demandou e recebeu de Calebe terras no sul, pois havia fontes de água (Js 15: 18-19).

BIBLIOGRAFIA

Fewell, Danna Nolan, and Gale A. Yee. “Deconstructive criticism: Achsah and the (e) razed city of writing.” Judges and method. New approaches in biblical studies (1995): 119-145.

Fleishman, Joseph. “A Daughter’s Demand and a Father’s Compliance: The Legal Background to Achsah’s Claim and Caleb’s Agreement.” Zeitschrift Für Die Alttestamentliche Wissenschaft 118, no. 3 (2006): 354–73.

Klein, Lillian R. “Achsah: What price this prize?.” Judges (1999): 18-26.

Ratner, Tsila. “Playing the father’s games: The story of Achsah, daughter of Caleb, and the princess’s blank sheet.” Journal of Modern Jewish Studies 3.2 (2004): 147-161.

Moisés

Em hebraico מֹשֶׁ֔ה Moshê, em grego Μωυσῆς Moyses. Foi o líder da libertação dos israelitas do Egito e recipiente das instruções que constituem a Lei (Torá).

Irmão de Aarão e Miriam, era da tribo de Levi.

O significado incerto. A relação proposta em Êxodo 2:6, 10 para o nome não é clara. Foi sugerido que se deriva do verbo raro em hebraico mashah, que ocorre apenas em 2 Sm 22:17 e Sl 18:16. Pode ser derivado do egípcio ms que aparece como sufixo “filho” em vários nomes como por exemplo Tutemés ou Ramsés. Ainda outra possibilidade em egípcio seria mw-s (“filho da água”).

Êxodo

Êxodo, em grego “partida” ou “saída”, e refere-se à saída dos israelitas do Egito. O título hebraico é Ve-eleh shemoth, as primeiras palavras do libro “e estes são os nomes”.

Continua onde termina o livro de Gênesis: com os israelitas no Egito. Entretanto, o povo de Israel é reduzido à escravidão (1). Deus emprega Moisés para libertar Israel (2-4). Contudo, o Faraó resiste e Deus responde enviando pragas ao Egito que cuminam com a morte do primogênito (5-13). Israel se prepara para a libertação celebrando a Páscoa. Depois da passagem miraculosa pelo mar e um cântico de vitória, o povo de Israel viaja pelo Deserto do Sinai, murmurando ao longo do caminho (14-18). No monte Sinai, Israel recebe os Dez Mandamentos e forma uma relação de aliança com Deus (19-24). Enquanto Moisés está recebendo instruções adicionais, Israel se rebelou construindo o bezerro de ouro (32). O povo Israel então constrói o tabernáculo conforme as instruções recebidas (25-40).

SAIBA MAIS
Sarna, Nahum. Exploring Exodus: The Origins of Biblical Israel. New York: Schocken Books, 1986.

Aarão

Em hebraico אַהֲרֹן‎ e em grego Ααρών. Significado e etimologia incertos, talvez do egípcio “leão guerreiro” ou da raíz semítica hr “montanha”.

Sacerdote do período do êxodo, irmão de Moisés e Miriam.

Nos livros de Êxodo e Números é o colaborador de Moisés nos eventos da saída do Egito e peregrinação no Sinai. Aparece como um profeta (Êx 7:1) e porta-voz (Êx 4:16; Êx 16:9; 14:26-28). Frequentemente referido como sacerdote, aperece uma vez como Aarão, o levita (Êx 4:14).

Filho de Anrão e Joquebede (Êx 6:20), da tribo de Levi (1 Cr 6:1-3). Nasceu no Egito antes de seu irmão Moisés, e alguns anos depois de sua irmã Miriam (Êx 2:1,4; 7:7). Casou com Eliseba, filha de Aminadabe, da tribo de Judá. Seus quatro filhos foram Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar (Êx 6:23). Seria o ancestral dos aarônidas, linhagem de sacerdotes que ganhou proeminência em Jerusalém após o exílio (Êx 28:1; 6:22-27; Nm 8:1-7; 1 Cr 24:1-19).

A morte de Aarão, antes de os israelitas cruzarem o rio Jordão, teria sido no Monte Hor (Nm 20:23-29; 33:38) ou em Mosserá (Dt 10:6; 32:50). De acordo com uma tradição árabe, o túmulo de Aarão está em Jabal Harun (árabe “Montanha de Aarão”), perto de Petra, na Jordânia.

A vara de Aarão serviu para sinais prodigiosos no Egito, em vários episódios da peregrinação do Sinai, na confirmação de Aarão como sacerdote depois da rebelião de Corá (Nm 17:8-10). Teria sido depositada dentro da arca, junto das tábuas da Lei e um recipiente com o maná (Nm 17:10; Hb 9:4).

A barba de Aarão é aludida em Salmos 133:1-3 em um símile e paranomásia com o orvalho do Monte Hermon para conotar a união entre irmãos.


COMO REFERENCIAR

ALVES, Leonardo Marcondes (ed.). Aarão. Círculo de Cultura Bíblica, 2021. Disponível em:  https://circulodeculturabiblica.org/2021/07/02/aarao/ Acesso em: 04 jul. 2021.