Zeruia

Zeruia, cujo nome em hebraico é צְרוּיָה (Tseruyah), é a mãe de três figuras: Joabe, Abisai e Asael. Sua genealogia não é explicitamente detalhada nas Escrituras, embora seja presumido que ela tenha alguma ligação com a linhagem de Davi, já que seus filhos desempenharam papéis na corte e nos exércitos do rei.

Zeruia é mencionada em diversas passagens bíblicas, nos livros de Samuel e Crônicas. Sua presença nas narrativas, embora não proeminente, está associada com seus filhos. Joabe, em particular, tornou-se o comandante do exército de Davi. Abisai também se destacou como um guerreiro valente e leal a Davi, enquanto Asael era conhecido por sua velocidade e habilidade na perseguição.

Ferezeus

Ferezeus são um dos povos que habitavam Canaã antes da chegada dos israelitas. A etimologia do termo hebraico הַפְּרִזִּי (ha-perizzi) é incerta, com algumas sugestões ligando-o a “aldeia” ou “lugar aberto”, indicando talvez um estilo de vida mais estabelecido do que nômades.

Os ferezeus são frequentemente listados ao lado de outros grupos cananeus, como heteus, amorreus, cananeus, heveus e jebuseus, como em Êxodo 3:8 e Deuteronômio 7:1. Essa presença constante nas listas sugere que os ferezeus eram um grupo significativo na região, com sua própria identidade cultural e social.

A Bíblia não oferece muitos detalhes sobre a cultura, costumes ou organização social dos ferezeus. As narrativas bíblicas se concentram principalmente em seu relacionamento com os israelitas, especialmente no contexto da conquista de Canaã. Em várias passagens, como Josué 24:18 e Juízes 1:4, os israelitas são instruídos a destruir ou subjugar os povos cananeus, incluindo os ferezeus.

Mar Morto

O Mar Morto, corpo de água com alta salinidade localizado na região do Vale do Jordão, entre Israel e a Jordânia, é um dos lugares mais singulares do planeta. Sua superfície está situada aproximadamente 430 metros abaixo do nível do mar, tornando-o o ponto mais baixo da Terra em terra firme.

Na Bíblia, o Mar Morto é mencionado sob diferentes nomes, refletindo sua natureza e localização. É chamado de ים המלח (Yam HaMelah), “Mar de Sal” em hebraico (Números 34:3), devido à sua alta concentração de sal, que impede a proliferação de vida marinha. Também é conhecido como ים הערבה (Yam HaArava), “Mar da Arabá” (Deuteronômio 3:17), em referência à região do Vale do Arabá, onde está situado.

O Mar Morto é citado em diversas passagens bíblicas, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. No Antigo Testamento, é mencionado como limite da Terra Prometida (Números 34:3) e como local de eventos significativos, como a destruição de Sodoma e Gomorra (Gênesis 14). No Novo Testamento, o Mar Morto não é mencionado diretamente, mas sua região é associada a eventos como o ministério de João Batista, que pregava no deserto da Judeia, próximo ao Mar Morto (Mateus 3:1).

A alta salinidade do Mar Morto, cerca de 34%, torna-o inabitável para a maioria dos organismos, com exceção de alguns microorganismos halófilos. Essa característica peculiar contribuiu para sua designação como “morto”. Apesar da ausência de vida marinha convencional, o Mar Morto é uma fonte de minerais valiosos, utilizados em produtos cosméticos e terapêuticos.

Levirato

O Levirato, do latim levir (cunhado), é uma prática social presente em diversas culturas antigas, incluindo a hebraica, com registros em Deuteronômio 25:5-10 e exemplos em Gênesis 38 e Rute. A Lei do Levirato determinava que, caso um homem morresse sem deixar filhos, seu irmão deveria casar com a viúva, e o primeiro filho desse novo matrimônio seria considerado herdeiro do falecido, preservando a linhagem familiar e a propriedade.

A prática do Levirato tinha como objetivos principais a manutenção da linhagem familiar e a proteção da viúva, que, em muitas sociedades antigas, ficava em uma situação de vulnerabilidade social e econômica após a morte do marido. Ao casar com o cunhado, a viúva garantia sua segurança e a continuidade da linhagem do falecido.

Jubileu

O Jubileu, celebrado a cada cinquenta anos, constitui um ano sabático especial no antigo Israel, conforme detalhado em Levítico 25. A palavra hebraica יובל (yovel), frequentemente traduzida como “jubileu”, também se refere ao toque do shofar, o chifre de carneiro usado para anunciar o ano do Jubileu. Este ano era marcado por reparações sociais e econômicas significativas.

Durante o Jubileu, as terras herdadas eram restauradas às suas famílias originais, uma medida que visava prevenir a acumulação excessiva de riquezas e a mitigar as desigualdades sociais. Escravos hebreus eram libertados, tendo uma nova oportunidade de recomeço e liberdade. Adicionalmente, o Jubileu era um tempo de descanso para a terra, que não era cultivada.

O significado teológico do Jubileu possui vários aspectos. O ano de jubileu relembrava a fidelidade de Deus à sua aliança com Israel, demonstrando sua preocupação com a justiça social e a equidade. O Jubileu também aponta para a redenção e a libertação, tanto física quanto espiritual, oferecendo um novo começo para indivíduos e para a sociedade como um todo.

Embora a Bíblia não ofereça uma lista completa dos anos do Jubileu, o Seder Olam Rabbah, uma cronologia hebraica do século II d.C., registra e calcula as ocorrências de dois jubileus notáveis, que são frequentemente referenciados em discussões talmúdicas.

  1. Décimo Sexto Jubileu: Ocorreu no 18º ano do reinado do rei Josias.
  2. Décimo Sétimo Jubileu: Mapeado para o Dia da Expiação (Yom Kippur) mencionado em Ezequiel 40:1, ocorrido exatamente 49 anos após o Jubileu de Josias.

O Seder Olam Rabbah é a fonte primária para a cronologia judaica tradicional, atuando como a espinha dorsal sobre a qual o Talmude constrói suas discussões históricas e haláquicas (leis). O Talmude não é uma obra cronológica, mas sim uma compilação de debates e interpretações. Portanto, ao se referir a datas históricas, o Talmude (especialmente nos tratados Megillah 14b e Arakin 12a) frequentemente aceita e utiliza a estrutura temporal estabelecida pelo Seder Olam, considerando-a autoritativa.

O décimo sexto jubileu teria ocorrido no 18º ano do reinado do rei Josias. Este ano é historicamente significativo, pois foi o momento em que o sumo sacerdote Hilquias encontrou o “Livro da Lei” no Templo. A coincidência desse reavivamento espiritual com o ano do Jubileu é vista como um evento de profundo significado, um tempo de retorno à lei e à herança de Israel. O cálculo para esta data no Seder Olam parte de um ponto fixo posterior, o ano sabático do cerco de Jerusalém por Herodes, e conta os ciclos de 49 anos para trás, chegando precisamente ao 18º ano de Josias.

O décimo sétimo jubileu coincide com o Dia da Expiação (Yom Kippur) do ano em que o profeta Ezequiel teve sua visão detalhada do Templo e da restauração de Israel (Ezequiel 40:1). O texto bíblico especifica que a visão ocorreu no 14º ano após a destruição da cidade. Ao adicionar 49 anos à data calculada do Jubileu de Josias, o Seder Olam chega ao ano da visão de Ezequiel. Essa notável precisão é interpretada como um sinal divino de esperança e redenção.

A ideia de remissão de dívidas e restituição de terras não era exclusiva do antigo Israel. Práticas semelhantes existiam em outras culturas do Oriente Próximo, demonstrando uma preocupação regional com a estabilidade social e a prevenção da pobreza extrema.

Códigos de Leis Mesopotâmicos: Vários éditos reais e códigos de leis, como o Código de Hamurabi (c. 1754 a.C.) e o Código de Ur-Nammu (c. 2100 a.C.), incluíam disposições para o cancelamento de dívidas e a libertação de escravos sob certas circunstâncias. Esses atos, geralmente proclamados no início de um reinado, tinham como objetivo restaurar a ordem social e a prosperidade.

O Cântico de Remissão de Dívidas Hurriano: Um texto bilingue (hurriano e hitita) recém-traduzido, conhecido como “O Cântico de Remissão de Dívidas”, oferece um paralelo notável. Nele, uma divindade ordena a remissão das dívidas da cidade de Ebla. O texto promete prosperidade e vitória militar como recompensa pela obediência, e destruição como punição pela desobediência. Este paralelo mostra que a ideia de perdão de dívidas era um tema culturalmente compartilhado, embora a base teológica do Jubileu de Israel fosse distinta.