Av, em hebraico אָב, é quinto mês do calendário hebraico cai por volta de julho e agosto. Não é mencionado na Bíblia e seu nome veio do calendário babilônico. No judaísmo o nono dia do mês Av (Tish b’Av) é relembrado a destruição do templo de Jerusalém (tanto do primeiro quanto o segundo).
Categoria: Dicionário Bíblico
Ugarit
Ugarit foi uma cidade comercial estrategicamente localizada na costa norte da Síria. Esta cidade-estado floresceu entre 1800 e 1175 a.C..
Sua civilização possuiu uma literatura bem ampla. Há nos mitos e lendas ugaríticas menção do deus El, como senhor dos deuses e dos homens, bem como várias expressões poéticas paralelas a alguns poemas (Canção do Mar) e salmos bíblicos.
Fora da cidade, o uso do ugarítico aparece em inscrições cuneiformes sendo encontradas mais ao sul, em Beth Shemesh, Taanach e Monte Tabor. Na faixa entre o Jordão e o Mar Mediterrâneo, 97 textos cuneiformes foram encontrados dessa época, indicando um uso restrito da escrita, a qual seria limitada à administração pública.
A escrita de Ugarit era um sistema variante cuneiforme com 30 fonemas. Este cuneiforme alfabético foi usado para o ugarítico, uma língua semítica do noroeste.
Suas ruínas localizam-se em Tel Ras Shamra, cerca de dez quilômetros ao norte da moderna Latakia. As escavações arqueológicas francesas (e siro-francesas) desde 1929 (e que continuam até hoje) fornecem evidências de uma ocupação essencialmente contínua do local desde o Neolítico (8º milênio aC) até o final da Idade do Bronze (2º milênio aC).
A cidade foi destruída e nunca reocupada no início do século 12 aC.
Escrita
A escrita apareceu no Antigo Oriente Próximo por volta de cerca de 3200 a.C. na antiga Suméria, Mesopotâmia. Os hieróglifos egípcios apareceram não muito depois (cerca de 3100 aC). Hieróglifos egípcios e cuneiformes mesopotâmicos foram amplamente utilizados até o surgimento da escrita proto-alfabética, a partir da Idade do Bronze tardia (cerca de 1550–1200 aC).
A popularização da escrita ocorreu na Idade do Ferro (cerca de 1200–500 a.C.) com a escrita consonantal fenícia ou cananeia, também chamada de paleo-hebraica. Dessa escrita, empregada tanto em superfícies duras quanto em papiros e couros, vieram as variantes orientais propagada pelo aramaico e as variantes ocientais propagada pelo fenício. Consequentemente, no Mediterrâneo essa escrita foi adaptada para os alfabetos grego, etrusco, latino e, mais tarde, cirílico. Na vertente oriental, as escritas hebraica assurith, o árabe, o siríaco, as escritas da Índia e o pahlevi persa.
Cedo na Mesopotâmia e Egito se desenvolveu uma cultura escribal. A escrita era monopólio de uma classe letrada de escribas, profissão que geralmente se passava de pai para filho. Os escribas inicialmente trabalhavam em templos e na administração pública, mais tarde surigiram escritórios privados e escolas escribais.
Povos marginais assimilaram parcialmente a escrita, adaptando-as para suas necessidades, como as escritas lineares grega, o ugarítico, o persa, o elamita, as inscrições proto-alfabéticas do Sinai e da região limítrofe do Levante e do Deserto da Arábia.
Os suportes materiais variavam. Enquanto os egípicios escreviam em monumentos e papiros, os mesopotâmicos empregavam tabuletas de argila. O couro também era ocasionalmente empregado, mas seria popularizado com as técnicas de pergaminho desenvolvida durante o período helenístico. Cacos de cerâmicas (óstracas), paredes e rochas também atestam a atividade escrita, com registros epigráficos de grafiti e monumentos.
A Bíblia Hebraica foi composta provavelmente em escrita paleo-hebraica, como ainda hoje a utilizam os samaritanos. No período persa tardio ou no início do período helenista, por influência do aramaico, escribas judeus adotaram a escrita quadrada ou assurith. Alguns exemplos transicionais são encontrados em monumentos e em manuscritos do Mar Morto.
O Novo Testamento foi composto em grego. Os papiros tendem a serem cursivos e os grandes códices em unciais. As minúsculas surgiram a partir do século VIII d.C, permitindo uma cópia mais rápida dos manuscritos.
Apócrifo de Ester de Massada
Apócrifo de Ester de Massada (Mas1m) é pequeno manuscrito hebraico do Deserto da Judeia. Datado período herodiano, são quinze fragmentos remontados em duas colunas. Infelizmente, o manuscrito é tão fragmentário que é difícil entendê-lo.
Apesar de não parece haver muito conteúdo que o conecte com o Livro de Ester, há algumas fraseologia comum ao “eles enforcaram” (cf. Ester 7:10) e “favor aos seus olhos” (cf Ester 5:8; 7:3).
BIBLIOGRAFIA
Talmon, Shemaryahu. “Fragments of Scrolls from Masada.” Eretz Israel 20 (1989), 280. A publicação preliminar do Mas1m.
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Conto de Bagasraw
Manuscrito do Mar Morto 4Q550, Proto-Ester.
É um conjunto de seis fragmentos aramaicos encontrados em Qumran entre os Manuscritos do Mar Morto (c. 250 aC – 50 dC) publicado por J. T. Milik em 1992 e intitulado “4Q proto Aramaic Esther”.
Trata-se de uma “história da corte” que parece recontar as aventuras de um grupo de judeus na corte dos reis persas Dario e Xerxes. O protagonista é Bagasraw (Bagasro e Bagasrava), talvez filho de Patireza. Homem temente a Deus, Bagarasraw foi recompensado pelo rei persa por suas boas ações.
Outro membro da corte, Bagashe (ou Bagoshi) avisa Bagasraw sobre seus adversários.
No início do texto (conforme reconstrução), uma “princesa” também é mencionada.
A narrativa é ambientada na corte da Pérsia, com o final do texto menciona especificamente a Media, a Pérsia e a Assíria. O rei persa parece ser filho de Dario I, talvez mesmo rei em Ester, Assuero (Xerxes).
BIBLIOGRAFIA
https://www.deadseascrolls.org.il/explore-the-archive/manuscript/4Q550-1?locale=en_US
Cook, Edward M. “The Tale of Bagasraw.” Pages 437–39 in The Dead Sea Scrolls: A New Translation. Translated by Michael O. Wise, Martin G. Abegg, Jr. and Edward M. Cook. San Francisco: HarperOne, 1996.
Collins, John J., Deborah A. Green. “The Tales from the Persian Court (4Q550a–e) in Antikes Judentum und Frühes Christentum, pp. 39–50. Berlin, 1999.
Crawford, Sidnie White. “Has Esther Been Found at Qumran? 4Qproto-Esther and the Esther Corpus.” Revue de Qumrân 17 (1996), 307–325.
Milik, J. T. “Les modeles arameens du livre d’Esther dans la Grotte 4 de Qumran.” Revue de Qumran 15 (1992): 321–406.
VanderKam, James C. and Peter Flint. The Meaning of the Dead Sea Scrolls: Their Significance for Understanding the Bible, Judaism, Jesus, and Christianity. New York: HarperCollins, 2002.
Wechsler, Michael G. “Two Para-Biblical Novellae from Qumran Cave 4: A Reevaluation of 4Q550.” Dead Sea Discoveries 7 (2000): 130–72.
