Salmo 151

O Salmo 151 é um salmo normalmente considerado apócrifo em várias tradições ocidentais e judias com base no Texto Massorético, mas parte do cânone ortodoxo e presente entre os manuscritos do Mar Morto e em algumas edições da Vulgata.

O Salmo 151 tem uma sobrescrição davídica e é situado no evento de Davi e Golias.

Pela sua ausência no Texto Massorético, imaginou-se por muito tempo que seria uma composição originalmente em grego. No entanto, aparece junto com vários salmos não canônicos no Rolo dos Grandes Salmos” (1QPsalmsa), o qual demonstrou que na realidade a versão da Septuginta é uma tradução abreviada desse salmo em hebraico.

1. Eu era pequeno entre meus irmãos
e o mais novo na casa de meu pai;
Eu cuidava das ovelhas do meu pai.

2 Minhas mãos fizeram uma harpa;
meus dedos formaram uma lira.

3 E quem dirá ao meu Senhor?
O próprio Senhor; é ele quem ouve.

4 Foi ele quem enviou seu mensageiro
e me tirou das ovelhas de meu pai
e me ungiu com o seu óleo de unção.

5 Meus irmãos eram bonitos e altos,
mas o Senhor não se agradou deles.

6 Saí ao encontro do estrangeiro,
e ele me amaldiçoou por seus ídolos.

7 Mas eu desembainhei sua espada;
Eu o decapitei e removi a desgraça do povo de Israel.

Guerra dos Filhos da Luz Contra os Filhos das Trevas

A Guerra dos Filhos da Luz Contra os Filhos das Trevas ou Regra da Guerra, Regra da Guerra e Manuscrito da Guerra é um manual militar com conteúdo apocalíptico descoberto entre os Manuscritos do Mar Morto.

O documento é formado por vários rolos e fragmentos, incluindo 1QM e 4Q491–49.

Trata-se de uma descrição apocalíptica da guerra entre os Filhos da Luz e os Filhos das Trevas. É centrado nas batalhas escatológicas dos Filhos da Luz.

A guerra é descrita em duas fases distintas, a primeira é a Guerra contra os Quitim. Os Filhos da Luz, composta pelos filhos de Levi, os filhos de Judá e os filhos de Benjamim, e os exilados dos deserto enfrentarão Edom, Moabe, os filhos de Amom, os amalequitas e a Filístia e seus aliados, os Quitim de Assur (referidos coletivamente como o exército de Belial).

A segunda parte da guerra ou a Guerra das Divisões será quando os Filhos da Luz, agora as doze tribos unidas de Israel, conquistando as nações da vaidade, durante quarenta anos de combate..

Essas duas guerras guerras aparecem no início do documento. Depois seguem instruções litúrgicas, rituais e apotropaicas para as flâmulas, trombetas, dardos. Por fim, descreve a batalha em sete etapas, liderada pelos sacerdotes, entre a Luz e as Trevas, a Guerra contra os quitim. A batalha é finalmente vencida por intervenção divina.

Comentário de Habacuque

Comentário de Habacuque, pesher Habakkuk, 1QpHab é um dos primeiros manuscritos do Mar Morto a ser descoberto e publicado. O comentário utiliza o texto do Livro de Habacuque para interpretar eventos contemporâneos. Argumenta que há um Mestre da Justiça que conhece o verdadeiro significado das Escrituras e está em comunhão com Deus. Tal mestre tem como oponentes o Sacerdote Mau e o Homem das Mentiras.

1QS – Regra da Comunidade

O manuscrito 1QS ou Regra da Comunidade (anteriormente Manual de Disciplina) é um dos primeiros encontrados nas cavernas do Mar Morto.

Era um documento importante da Comunidade de Qumran, pois instruía nas normas de admissão e pertencimento ao grupo

Possui quatro partes.

Inicia com instruções para a admissão de novos membros e para um festival anual de renovação do pacto.

A segunda parte expõe a doutrina dos dois espíritos: concepção dualista dos espíritos e filhos da luz contra os espíritos das trevas ou filhos da maldade.

Seguem as regras para a ordem da comunidade, incluíndo um catálogo de punições.

Termina com instruções para a oração e um salmo.

Documento de Damasco

O Documento da Nova Aliança na Terra de Damasco, também chamado de Fragmentos Zadoquitas, é uma escritura importante para a Comunidade de Qumran. São oriundos de duas descobertas, uma parte dos Manuscritos do Mar Morto e outra entre os materiais da geniza do Cairo,

O Documento de Damasco poussi duas seções principais.

A “exortação” apresenta o ensino religioso da comunidade, enfatizando a fidelidade à aliança de Deus com Israel e a estrita observância do sábado e de outros dias santos. Também discorre sobre um enigmático líder, o Mestre da Retidão, oposto pelo Sacerdote Ímpio e sendo perseguido e exilado.

A segunda seção contém uma lista de estatutos que tratam de votos e pureza ritual, diretrizes para assembleias comunitárias, a seleção de juízes e os deveres do Guardião, que controlava a admissão e instrução de novos membros.

Hodayot

Em hebraico הוֹדָיוֹת, ação de graças. Refere-se aos manuscritos e ao gênero poético encontrado nos Manuscritos do Mar Morto, no qual se rende graças a Deus.

O Pergaminho de Ação de Graças foi um dos primeiros sete Pergaminhos do Mar Morto descobertos em 1947, bem como outros encontrados tanto na caverna 1 quanto na caverna 4 em Qumran. O maior dos documentos foi encontrado na caverna 1 (1QHa), bem como uma segunda cópia dos hinos que estava em pior estado (1QHb). A Caverna 4 incluiu seis documentos considerados associados aos Hinos de Ação de Graças.

O Pergaminho de Ação de Graças é uma antologia de cerca de 30 textos poéticos. Neles, Deus é louvado como o salvador e o revelador de segredos. Estilisticamente, há duas vozes: os textos dos “cânticos do Mestre” ou “cânticos do Maskil” (colunas X-XIX) e os “cânticos congregacionais” (colunas I-VIII e XX-XXVI).

Em alguns hodayot, o Maskil reivindica a posse do espírito divino e de um conhecimento profundo, no caso, uma interpretação sectária das escrituras.

Os hodayot indicam uma recitação coletiva e litúrgica. Aparecem paralelos nos Salmos, nos Salmos de Salomão, no Benedictus e o Magnificat (Lc 1) e o Prólogo de João 1.

Apócrifo de Gênesis

Literatura parabíblica que expande o livro de Gênesis. Sobrevive em fragmentos dos manuscritos aramaicos descobertos no Mar Morto (1QapGen ou 1Q20).

Datado de entre 250 aC e 50 dC, o Apócrifo de Gênesis reconta as narrativas de Enoque, Noé e Abraão ao estilo de midrash.

O Apócrifo de Gênesis tenta retratar os patriarcas com um tom moralmente melhor e dar uma interpretação teológica de suas vidas.

O livro é uma fonte importante para o aramaico palestiniano médio e é um dos mais antigos testemunhos que cita o livro de Gênesis.

BIBLIOGRAFIA

García Martínez, Florentino; Tigchelaar, Eibert J. C. . The Dead Sea Scrolls: Study Edition. 2 vols. Grand Rapids: Eerdmans, 1997.

Manuscrito de Nahal Arugot

Em 2004, alguns beduínos encontraram quatro fragmentos de couro inscritos em uma pequena e inacessível caverna em Nachal Arugot, próximo a Engedi.

Contém Lv 23:40-44 e Lv 24:16-19, sendo datados provavelmente da mesma época dos manuscritos do Mar Morto.

Próximo a essa região foi encontrado outro manuscrito de Levítico, mas medieval e proto-massorético, o EGLev.

Manuscritos de Wadi Murabba⁠ʿat

Os Manuscritos de Wadi Murabba⁠ʿat foram encontrados no deserto da Judeia, ao sul de Jerusalém, em 1952. Consiste de fragmentos escondidos por refugiados da Primeira e Segunda guerras judaicas (68-72 d.C. e 132-135 d.C.).

São manuscritos em grego, hebraico e aramaico, escritos em papiro e couro. Contém cópias de Deuteronômio, Profetas Menores, fragmentos de Gênesis, Êxodo e Número, além de filactérios, mezuzá

Manuscritos de Nahal Hever 

O riacho temporário Nahal Hever ou Wadi al-Khabat abriga em suas margens algumas cavernas nas quais foram descobertos manuscritos no deserto da Judeia.

No século II d.C., vários fugitivos por ocasião da Revolta de Bar Cosiba trouxeram consigo documentos como manuscrito 8HevXII gr. Antes de morrerem, enterram esses manuscritos nas cavernas das Cartas e dos Horrores.

O manuscrito 8HevXII gr é uma versão grega (Old Greek) dos profetas menores, datada do século I d.C. Em 2021 outros fragmentos foram encontrados na Caverna dos Horrores.

O arquivo de Babatha é uma coleção de documentos familiares de uma mulher judia de alto status social.

Junto dos manuscritos do Mar Morto, descobertos também na mesma região, são chamados de Manuscritos do Deserto da Judeia.