Textos de  Wadi Murabba’āt

 Os textos de Wadi Murabba’āt, em Naḥal Ḥever, um riacho intermitente a oeste do Mar Morto e a sudeste de Belém, no Deserto da Judeia, Cisjordânia, são fragmentos de mais de uma centena de documentos datando entre o século II a.C. e o XI d.C.

Entre pergaminhos, palimpsetos, filactérios e óstracas estão textos bíblicos, cartas e documentos de transações contratuais. É uma importante fonte para documentar o período da Revolta de Bar-Cosiba, de quem há cartas.

Há também restos de cerâmicas, moedas e armas desde o período calcolítico, mas como predominância do período romano.

Hodayot

Em hebraico הוֹדָיוֹת, ação de graças. Refere-se a um gênero poético encontrado nos Manuscritos do Mar Morto, no qual se rende graças a Deus.

O Pergaminho de Ação de Graças foi um dos primeiros sete Pergaminhos do Mar Morto descobertos em 1947, bem como outros encontrados tanto na caverna 1 quanto na caverna 4 em Qumran. O maior dos documentos foi encontrado na caverna 1 (1QHa), bem como uma segunda cópia dos hinos que estava em pior estado (1QHb). A Caverna 4 incluiu seis documentos considerados associados aos Hinos de Ação de Graças.

O Pergaminho de Ação de Graças é uma antologia de cerca de 30 textos poéticos. Neles, Deus é louvado como o salvador e o revelador de segredos. Estilisticamente, há duas vozes: os textos dos “cânticos do Mestre” ou “cânticos do Maskil” (colunas X-XIX) e os “cânticos congregacionais” (colunas I-VIII e XX-XXVI).

Em alguns hodayot, o Maskil reivindica a posse do espírito divino e de um conhecimento profundo, no caso, uma interpretação sectária das escrituras.

Os hodayot indicam uma recitação coletiva e litúrgica. Aparecem paralelos nos Salmos, nos Salmos de Salomão, no Benedictus e o Magnificat (Lc 1) e o Prólogo de João 1.

Manuscrito de Nahal Arugot

Em 2004, alguns beduínos encontraram quatro fragmentos de couro inscritos em uma pequena e inacessível caverna em Nachal Arugot, próximo a Engedi.

Contém Lv 23:40-44 e Lv 24:16-19, sendo datados provavelmente da mesma época dos manuscritos do Mar Morto.

Próximo a essa região foi encontrado outro manuscrito de Levítico, mas medieval e proto-massorético, o EGLev.

Manuscritos de Massada

Na antiga fortaleza herodiana de Massada, no deserto da Judeia, foram encontrados manuscritos que remontam das guerras judaicas (68-72 d.C. e 132-135 d.C.).

Entre eles estão um manuscrito de Gênesis, dois manuscritos de Levítico, um de Deuteronômio, dois de Salmos e um de Ezequiel, Apócrifo do Gênesis, Siraque, Apócrifa de Josué, Cântico do Sacrifício para o Sábado, uma obra semelhante aos Jubileus e uma obra litúrgica identificada como Samaritana.

Manuscritos de Wadi Murabba⁠ʿat

Os Manuscritos de Wadi Murabba⁠ʿat foram encontrados no deserto da Judeia, ao sul de Jerusalém, em 1952. Consiste de fragmentos escondidos por refugiados da Primeira e Segunda guerras judaicas (68-72 d.C. e 132-135 d.C.).

São manuscritos em grego, hebraico e aramaico, escritos em papiro e couro. Contém cópias de Deuteronômio, Profetas Menores, fragmentos de Gênesis, Êxodo e Número, além de filactérios, mezuzá

Manuscritos de Nahal Hever 

O riacho temporário Nahal Hever ou Wadi al-Khabat abriga em suas margens algumas cavernas nas quais foram descobertos manuscritos no deserto da Judeia.

No século II d.C., vários fugitivos por ocasião da Revolta de Bar Cosiba trouxeram consigo documentos como manuscrito 8HevXII gr. Antes de morrerem, enterram esses manuscritos nas cavernas das Cartas e dos Horrores.

O manuscrito 8HevXII gr é uma versão grega (Old Greek) dos profetas menores, datada do século I d.C. Em 2021 outros fragmentos foram encontrados na Caverna dos Horrores.

O arquivo de Babatha é uma coleção de documentos familiares de uma mulher judia de alto status social.

Junto dos manuscritos do Mar Morto, descobertos também na mesma região, são chamados de Manuscritos do Deserto da Judeia.

Manuscritos do Mar Morto

Manuscritos do Mar Morto é uma coleção de textos religiosos escritos entre o século II a.C. e o I d.C., em uma comunidade sectária contemporânea ao Novo Testamento. Antes da descoberta desses manuscritos, as mais antigas cópias da Bíblia Hebraica eram textos massoréticos dos séculos IX e X d.C.

Os membros eram provavelmente ex-sacerdotes que rejeitaram o Templo e Jerusalém como impuros e fugiram para o deserto após perderem seus cargos depois da vitória dos macabeus sobre Antíoco IV.

Os textos incluem tanto a própria literatura da comunidade e textos bíblicos e não bíblicos. Os Manuscritos do Mar Morto faz parte de um corpus mais amplo, os Manuscritos do Deserto da Judeia. A região árida e remota ajudou a preservar muitos materiais escritos em suportes flexíveis (papiro e pergaminho).

Qumran era um assentamento na costa noroeste do Mar Morto. Foi ocupado de aproximadamente 100 a.C. a 68 d.C., quando foi destruída pelo exército romano.

O consenso inicial era que seria a ascética seite essênia. Vários textos referem à comunidade como o verdadeiro Israel, os “Filhos da Luz”, os herdeiros diretos do povo eleito de Deus. Contudo, nenhum texto encontrado identifica a comunidade como essênia.