Dízimo

O dízimo, uma prática com raízes no Antigo Testamento, consistia na entrega de 10% da produção agrícola, e possivelmente de outros bens, para fins religiosos e sociais. A palavra “dízimo” traduz diferentes termos hebraicos e gregos, cada um com nuances específicas:

  • מַעַשֵׂר (ma’aser): Geralmente traduzido como “dízimo”, esse termo hebraico se refere à décima parte da produção agrícola destinada aos levitas e à manutenção do santuário (Números 18:21, 24).
  • עָשַׂר (asar): Verbo hebraico traduzido como “dizimar”, usado em Deuteronômio 14:22-27 para descrever a prática de separar o dízimo para celebrar festividades religiosas.
  • ἀποδεκαταω (apodekataō): Verbo grego traduzido como “dizimar”, usado no Novo Testamento em Mateus 23:23 e Lucas 11:42 para criticar a hipocrisia dos fariseus em relação ao dízimo.
  • δεκατοω (dekatoō): Verbo grego traduzido como “dizimar”, usado em Hebreus 7:5 para descrever a prática do dízimo no Antigo Testamento.
  • δεκατη (dekatē): Substantivo grego traduzido como “décima parte”, usado em Hebreus 7:4 para se referir ao dízimo dado a Melquisedeque por Abraão.

No Antigo Testamento, o dízimo servia para o sustento dos levitas, que não possuíam terras (Números 18:21-24), para a realização de festividades religiosas (Deuteronômio 14:22-27) e para a assistência aos pobres (Deuteronômio 14:28-29). Além do dízimo, as primícias, ou seja, os primeiros frutos da colheita, também eram ofertadas como forma de gratidão a Deus (Levítico 27:30; Deuteronômio 18:3-18; Êxodo 23:19; 1 Samuel 25:18; 2 Samuel 16:1–2).

Após o exílio, o dízimo ganhou força para sustentar as atividades religiosas e sociais. Aparece na obra pós-exílica de Crônicas, quando o rei Ezequias de Judá restabeleceu o dízimo como parte de suas reformas religiosas e reorganização sacerdotal (2 Crônicas 31:2-12). Em Neemias 10:32-39 e 12:44-45, o povo se compromete a retomar a prática do dízimo, reconhecendo sua importância para o funcionamento do Templo e o sustento dos levitas. No entanto, o texto especifica que os levitas seriam responsáveis por coletar os dízimos e levá-los ao Templo, diferindo da prática anterior.

O profeta Malaquias, por sua vez, denuncia o abuso do dízimo por parte dos sacerdotes e levitas, que se apropriavam de uma parte maior do que a devida (Malaquias 3:8-12). Essa crítica demonstra que a prática do dízimo, embora restaurada, enfrentava desafios e desvios de seu propósito original.

No Novo Testamento, Jesus critica a observância legalista do dízimo pelos fariseus, enfatizando a importância da justiça e da misericórdia (Mateus 23:23; Lucas 11:42).

Em geral, exegetas e teólogos reconhecem a importância da generosidade e doação na vida cristã, mas consideram que a prática do dízimo como descrita no Antigo Testamento não deve ser interpretada como vinculante aos cristãos de hoje. Embora o Antigo Testamento forneça um contexto histórico e princípios importantes sobre a doação, a atitude cristã em relação à generosidade baseia-s pelos ensinamentos de Jesus e pelas exortações de Paulo no Novo Testamento. Adicionalmente, o sacerdócio universal de todos os crentes e o fim do sacerdócio levítico tornaram impraticáveis a prática do dízimo bíblico em contextos contemporâneos. Em outras palavras, a ênfase não recai sobre a quantia específica de 10%, mas sim em uma atitude de generosidade e amor que se manifesta em doações voluntárias e proporcionais aos recursos de cada um.

A Reforma Radical, e em particular os anabatistas, rejeitou a prática do dízimo obrigatório. Influenciados por sua leitura do Novo Testamento e buscando uma separação radical da igreja estatal, eles argumentavam que a doação deveria ser voluntária, motivada pelo amor e pela generosidade, e não por uma lei imposta. Os anabatistas enfatizavam a importância da comunidade cristã como um corpo unido onde os bens eram compartilhados livremente entre os membros, de acordo com a necessidade de cada um. Essa visão contrastava com a prática do dízimo institucionalizado que sustentava a igreja oficial e seus líderes. A ênfase anabatista na doação voluntária e no compartilhamento comunitário refletia sua busca por uma igreja mais autêntica e centrada no exemplo de Cristo e da igreja primitiva.

BIBLIOGRAFIA

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Köstenberger, Andreas and David A. Croteau. “ ‘Will a Man Rob God?’ (Malachi 3:8): A Study of Tithing in the Old and New Testaments.” Bulletin for Biblical Research 16, no. 1 (2006): 53–77.

Rio Giom

O Rio Giom, mencionado em Gênesis 2:13 como um dos quatro rios que nascem no Jardim do Éden, permanece um mistério geográfico. A Bíblia o descreve como “o que circunda a terra de Cuxe”, uma região geralmente associada à Etiópia ou ao Sudão. No entanto, a localização exata de Cuxe e do Rio Giom tem sido objeto de debate entre estudiosos.

Existem várias teorias sobre a possível localização do Jardim do Éden e dos rios bíblicos. Alguns estudiosos sugeriram que ele poderia estar situado na Mesopotâmia, perto dos rios Tigre e Eufrates, mas essas hipóteses não são amplamente confirmadas por evidências arqueológicas ou imagens de satélite recentes.A especulação sobre onde poderiam estar os rios Pisom e Giom continua entre os estudiosos. Embora algumas teorias sugiram locais na África ou outras partes da Ásia para esses rios bíblicos, não há consenso claro sobre sua localização exata.

Rio Tigre

O Rio Tigre, em hebraico חִדֶּקֶל (Hidequel) e em grego Τίγρις (Tigris), é o terceiro rio mencionado na narrativa bíblica do Jardim do Éden (Gênesis 2:14). Nasce nos montes Taurus, na Turquia, e segue em direção sudeste, percorrendo aproximadamente 1.900 km até se unir ao Eufrates, próximo a Al Qurna, no sul do Iraque. A partir dessa confluência, forma-se o canal de Shatt al-Arab, que deságua no Golfo Pérsico.

Assim como o Eufrates, o Tigre foi importante no desenvolvimento das civilizações da Mesopotâmia, proporcionando água para irrigação e fertilizando as terras que viram florescer cidades e impérios. Apesar de sua importância histórica, o Tigre é menos referenciado na Bíblia do que o Eufrates. Sua menção em Gênesis o coloca como parte da geografia sagrada do Éden, um lugar de abundância e vida.

O livro de Daniel também menciona o rio Hidequel, descrevendo-o como um local de visões proféticas (Daniel 10:4).

Sisaque

Sisaque I, também conhecido como Sheshonq I, foi um faraó do Egito que governou no século X a.C., fundador da XXII dinastia. Ele é conhecido por sua campanha militar contra o Reino de Judá, registrada na Bíblia em 1 Reis 14:25-26 e 2 Crônicas 12:2-9.

De acordo com o relato bíblico, Sisaque invadiu Judá durante o reinado de Roboão, filho de Salomão, e saqueou o templo de Jerusalém, levando consigo os tesouros do templo e do palácio real. Essa invasão ocorreu aproximadamente cinco anos após a divisão do reino de Israel, e é interpretada como um julgamento divino sobre a idolatria do povo.

A campanha de Sisaque também é documentada em registros egípcios, com destaque para uma inscrição no templo de Karnak, que lista as cidades conquistadas durante sua campanha na Palestina. Essa inscrição confirma a narrativa bíblica e fornece detalhes adicionais sobre a extensão de suas conquistas.

Rio Eufrates

O Rio Eufrates, com seus 2.780 km de extensão, é um dos rios mais importantes do Oriente Médio, formando, juntamente com o Tigre, a região da Mesopotâmia. Esta região é conhecida como o berço de antigas civilizações como sumérios, babilônios e assírios.

O Eufrates nasce na Turquia a partir da confluência dos rios Kara (Eufrates Ocidental) e Murat (Eufrates Oriental), atravessa a Síria e o Iraque até desembocar no Golfo Pérsico.

Em Gênesis 2:10-14, o Eufrates é mencionado como um dos quatro rios que fluem do Jardim do Éden; especificamente em Gênesis 2:14 se refere ao rio “Tigre” ao lado do rio “Eufrates”. Além disso, em Apocalipse 16:12 há um registro de que as águas do Eufrates secariam para preparar caminho para os reis do Oriente.