Baal-Berite

Baal-Berite, que significa “Senhor da Aliança” ou “Senhor do Pacto”, era uma divindade cananeia venerada em Siquém (Jz 8:33). Após a morte de Gideão, os israelitas, influenciados pelas práticas religiosas dos povos vizinhos, passaram a adorar Baal-Berite, construindo um templo em sua homenagem (Jz 9:4). O nome “Baal-Berite” sugere que essa divindade era invocada para garantir a proteção e o cumprimento de acordos e alianças. No entanto, a adoração a Baal-Berite representou uma ruptura com a fidelidade a Yahweh, o único Deus de Israel, e levou à condenação dos profetas e à destruição do templo (Jz 9:46)

Bul

Bul, o oitavo mês do calendário civil judaico, corresponde ao período entre outubro e novembro, marcando o outono no hemisfério norte. Embora não haja festas religiosas importantes associadas a Bul, ele é mencionado na Bíblia em relação a um evento significativo: a conclusão da construção do Templo de Salomão em Jerusalém. Segundo 1 Reis 6:38, Salomão finalizou a obra no oitavo mês, Bul, do décimo primeiro ano de seu reinado, após sete anos de trabalhos. Essa informação revela a importância de Bul na história de Israel, associando-o à consagração do primeiro Templo e ao apogeu do reino davídico. A construção do Templo representou a consolidação da fé em Yahweh e a centralização do culto em Jerusalém.

El-Betel

Betel, que significa “Casa de El” ou “Casa de Deus”, além da localidade seria também uma divindade cultuada em diversas culturas do antigo Oriente Médio.

Textos assírios, aquemênidas e helenísticos mencionam Betel como um deus ou um aspecto de uma divindade, associado à proteção e à benção. Em alguns casos, Betel aparece vinculado a outros deuses, como Anat-Betel, indicando uma possível função como consorte ou manifestação complementar. O culto a Betel parece ter se intensificado durante o Império Neobabilônico, com evidências em textos egípcios e papiros aramaicos. Nesses documentos, surgem variantes do nome divino, como Eshembethel (“Nome de Betel”) e Ḥerembethel (“Santuário de Betel”). Na comunidade israelita de Elefantina, Betel aparece em nomes teofóricos como “Ashim-Bethel” e “Herem-Bethel”. Sanchuniathon (em uma citação de Filon de Biblos por Eusébio) descreve Betel como um irmão dos irmãos El, Ashera, Astarte, Baaltis, Dagon e um deus identificado com o Atlas grego.

Na Bíblia Hebraica, o termo “Betel” gera debate se as referências se dirigem a um deus ou a um lugar. Em Jeremias 48:13, a menção a “Betel, sua confiança” pode ser interpretada como uma alusão ao deus Betel ou à cidade de Betel como metáfora para a apostasia. A maioria dos estudiosos, no entanto, considera Betel como um topônimo, com base em passagens como Gênesis 28:19 e 35:1-7, que narram a experiência de Jacó no local.

Betel

Betel, cujo nome significa “Casa de Deus”, são duas cidades no Antigo Testamento, além de uma possível designação para Deus. (veja El-Betel). Os betelitas eram os habitantes de Betel, uma cidade de grande importância histórica e religiosa na Bíblia Hebraica, sendo a segunda mais citada, superada apenas por Jerusalém. Localizada na região de Samaria, aproximadamente 20 km ao norte de Jerusalém, Betel possuía um significado ancestral como um santuário.

  1. Betel, originalmente chamada Luz (Gn 28:19), Betel está localizada a cerca de 20 km ao norte de Jerusalém. É o local onde Jacó teve um sonho com uma escada que ia até o céu e recebeu a confirmação da aliança de Deus com ele e seus descendentes (Gn 28:10-22). O nome Betel, que significa “casa de Deus” em hebraico, deriva do relato da visão de Jacó de uma escada que ligava o céu à terra e do seu encontro com Deus naquele local (Gênesis 28:10-22). Em memória desse evento, Jacó ergueu uma coluna e chamou o lugar de Betel. Conquistada pelas tribos de José, Betel tornou-se parte do território de Efraim e um importante centro religioso e político, chegando a abrigar a Arca da Aliança (Jz 20:18-28). Séculos depois, Jeroboão, o primeiro rei do Reino do Norte (Israel), construiu um templo em Betel, na tentativa de rivalizar com o templo de Jerusalém e consolidar seu poder (1 Reis 12:29-33). Esse ato foi condenado pelos profetas como uma forma de idolatria. Após a divisão do reino, Jeroboão I transformou Betel em um santuário rival ao de Jerusalém, erigindo um bezerro de ouro (1 Reis 12:26-33), ato condenado como idolatria. Durante o reinado de Josias, o santuário de Betel foi destruído (2 Reis 23:15-20), mas a cidade continuou existindo. Profetas como Amós e Oseias denunciaram as práticas idólatras em Betel (Amós 5:5-6; Oseias 10:15). Apesar de sua história complexa, Betel manteve sua identidade como um local de significado religioso e é mencionada em diversos outros contextos bíblicos, como em Josué 7:2; 12:16; 18:13; Juízes 4:5; 1 Samuel 7:16; 10:3; 2 Reis 2:2-3, 23; 17:28; 23:4, 15, 19; 1 Crônicas 7:28; Esdras 2:28; Neemias 7:32; 11:31; Jeremias 48:13.As ruínas da antiga Betel, localizadas na moderna Beitin. Betel é mencionada diversas vezes no Antigo Testamento em contextos variados, desde narrativas sobre os patriarcas até relatos de guerras e reformas religiosas.
  2. Betel no sul de Judá (1Sm 30:27), mencionada em Josué 19:4 como Betul e em 1 Crônicas 4:30 como Betuel.