Zedequias

Zedequias, cujo nome original era Matanias, foi o último rei de Judá antes da destruição de Jerusalém pelos babilônios em 586 a.C. (2 Rs 24:17). Nomeado rei por Nabucodonosor II, Zedequias assumiu o trono aos 21 anos e reinou por 11 anos, marcados por instabilidade política e desobediência a Deus (2 Cr 36:11-12).

Apesar dos alertas do profeta Jeremias, Zedequias rebelou-se contra o domínio babilônico, o que culminou no cerco e na queda de Jerusalém (2 Rs 25:1-7; Jr 52:4-11). Após testemunhar a morte de seus filhos, Zedequias foi cegado e levado cativo para a Babilônia, cumprindo a profecia de Jeremias (Jr 39:6-7).

Tipologia das Misericórdias

Agostinho, em sua obra “A Cidade de Deus”, identifica sete perspectivas sobre a salvação que circulavam na Igreja primitiva. Ele as chama de “misericordi nostri” – “nossos compassivos” – por sua ênfase na misericórdia divina. Com exceção da visão de Orígenes, Agostinho não as condena como heréticas, mas as analisa e debate com respeito.

Essas visões, embora diversas, compartilham a crença na abrangência da salvação, diferindo quanto a quem seria salvo e como. Algumas defendem a salvação universal de todos os seres, incluindo o diabo (De Civitate Dei 21.17, 23), enquanto outras limitam a salvação aos humanos (De Civitate Dei 21.17, 23).

A intercessão dos santos (De Civitate Dei 21.18, 24; Enchiridion 29), a participação nos sacramentos (De Civitate Dei 21.19, 25) e a Eucaristia (De Civitate Dei 21.20, 25) também são apresentadas como meios de salvação. Outras perspectivas enfatizam a necessidade da fé e das obras (De Civitate Dei 21.21, 26; Defide et operibus 15; Enchiridion 18; De octo Dulcitii quaestionibus 1) ou das obras de misericórdia (De Civitate Dei 21.22, 27; Enchiridion 19-20).

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PerspectivaDescriçãoReferência Bíblica
Visão de OrígenesTodos os seres, incluindo o diabo e seus anjos, eventualmente seriam salvos após passarem por punições purgatórias.De Civitate Dei 21.17 e 21.23
Salvação para Todos os HumanosTodos os seres humanos, mas não os demônios, experimentarão a salvação após passarem por punições de durações variadas.De Civitate Dei 21.17 e 21.23
Intercessão dos SantosTodos os seres humanos, excluindo os demônios, seriam salvos por meio da intercessão dos santos no Dia do Juízo, poupando-os de qualquer punição no inferno.De Civitate Dei 21.18 e 21.24; Enchiridion 29 (112)
Participação nos SacramentosTodos que participam dos sacramentos cristãos, incluindo os hereges, alcançarão a salvação.De Civitate Dei 21.19 e 21.25
Eucaristia CatólicaTodos que participam da Eucaristia Católica serão salvos.De Civitate Dei 21.20 e 21.25
Fé e Obras CatólicasAqueles que permanecem na Igreja Católica (mantendo a fé católica) serão salvos, embora aqueles que viveram de maneira ímpia passem por punições temporárias.De Civitate Dei 21.21 e 21.26; Defide et operibus 15 (24-26); Enchiridion 18 (67-69); De octo Dulcitii quaestionibus 1
Obras de MisericórdiaAqueles que realizam obras de misericórdia serão salvos.De Civitate Dei 21.22 e 21.27; Enchiridion 19-20 (70-77)

Agostinho, em resposta, apresenta sua própria compreensão da salvação, baseada na graça divina e na predestinação. Ele reconhece a importância da misericórdia, mas a equilibra com a justiça e a soberania divinas. Sua análise das “misericordi nostri” revela a diversidade de pensamentos na Igreja primitiva e contribui para o debate sobre a salvação que perdura até hoje.

BIBLIOGRAFIA

  • Agostinho. A Cidade de Deus. De Civitate Dei XXI.17-25
  • Richard Bauckham, O Destino dos Mortos (1998), pp. 150-151.

Três vias

A teologia cristã desenvolveu diferentes abordagens para descrever a natureza de Deus, reconhecendo a transcendência divina e as limitações da linguagem humana. Três vias clássicas se destacam: a via eminentiae, a via negativa e a via causalitatis.

A via eminentiae (via da eminência) atribui a Deus qualidades em grau superlativo, baseando-se na perfeição divina. Deus é descrito como onisciente (Sl 139:1-4), onipotente (Jr 32:17) e sumamente bom (Sl 100:5). Essa via enfatiza os atributos divinos de forma positiva, afirmando a grandeza e majestade de Deus.

A via negativa (via da negação) busca definir Deus pelo que Ele não é, negando limitações e imperfeições humanas. Deus é descrito como incorruptível (1 Tm 1:17), imutável (Ml 3:6) e infinito (1 Rs 8:27). Essa via reconhece a incapacidade humana de compreender plenamente a Deus, ressaltando sua alteridade e mistério.

A via causalitatis (via da causalidade) relaciona os efeitos observados no mundo à sua causa primeira, Deus. A criação (Gn 1:1), a providência divina (Mt 6:26) e a redenção (Ef 1:7) são vistas como manifestações do poder e do amor de Deus. Essa via busca compreender Deus através de suas ações no mundo.

Embora distintas, essas três vias se complementam, oferecendo diferentes perspectivas sobre a natureza de Deus. A via eminentiae celebra a glória divina, a via negativa preserva o mistério transcendente, e a via causalitatis reconhece a ação de Deus na história.

VEJA TAMBÉM

Teologia dos atributos

Midot

Zanzumins

Os zanzumins, mencionados em Deuteronômio 2:20, eram um povo de gigantes que habitava a região a leste do rio Jordão, conhecida como terra dos amonitas. Segundo o texto bíblico, eles eram descendentes dos refains, uma raça de pessoas de grande estatura, e foram despojados de suas terras pelos amonitas.

A Bíblia descreve os zanzumins como um povo numeroso e forte, semelhante aos anaquins, outra tribo de gigantes que habitava a região sul de Canaã (Nm 13:33).

Declaração de Barmen

A Declaração de Barmen, redigida em 1934, foi um manifesto teológico de resistência ao nazismo, elaborado por cristãos alemães, liderados por Karl Barth, que se opunham à ideologia do “cristianismo alemão”. Essa declaração reafirmava a soberania de Cristo sobre a Igreja e rejeitava qualquer tentativa de subordinação ao Estado ou ideologia política.

O documento condenava a interferência do regime nazista nos assuntos da igreja, a manipulação da teologia para fins políticos e a perseguição aos judeus. A Declaração de Barmen enfatizava que a Igreja deve sua lealdade somente a Jesus Cristo e que sua missão é proclamar o Evangelho, independentemente das pressões do governo.

A Declaração de Barmen inspirou a formação da Igreja Confessante, um movimento de resistência dentro da Igreja Protestante Alemã, que se opôs ativamente ao nazismo. Esse documento histórico continua sendo uma referência para a reflexão teológica sobre a relação entre Igreja e Estado, e um testemunho da importância da fidelidade a Cristo em tempos de perseguição e opressão.