Quiriate-Jearim

Quiriate-Jearim, cujo nome significa “cidade das florestas”, era uma cidade cananeia situada na região montanhosa de Judá, a noroeste de Jerusalém.

Inicialmente habitada pelos gibeonitas (Js 9:17), a cidade foi posteriormente incorporada ao território da tribo de Judá (Js 15:60). Quiriate-Jearim é mais conhecida por ter abrigado a Arca da Aliança por duas décadas após seu retorno dos filisteus (1Sm 6:21-7:2).

A Arca, símbolo da presença de Deus entre os israelitas, permaneceu na casa de Abinadabe, na colina, sob os cuidados de seu filho Eleazar (1Sm 7:1). Esse período marca um momento significativo na história de Israel, com Quiriate-Jearim se tornando um centro de peregrinação e adoração. A presença da Arca na cidade demonstra a importância de Quiriate-Jearim como local sagrado e sua conexão com a identidade religiosa de Israel.

O rei Davi, posteriormente, transferiu a Arca de Quiriate-Jearim para Jerusalém, com o objetivo de estabelecer a cidade como capital religiosa e política do reino unido (2Sm 6:2-19; 1Cr 13:5-14). Apesar da transferência da Arca, Quiriate-Jearim continuou sendo uma cidade importante na história de Judá, mencionada em diversos eventos bíblicos.

Concordância:

  • Josué 9:17
  • Josué 15:60
  • 1 Samuel 6:21-7:2
  • 1 Samuel 7:1
  • 2 Samuel 6:2-19
  • 1 Crônicas 13:5-14

Querube

Tel-Melá, Tel-Harsa, Querube, Adom e Imer são cidades mencionadas em Neemias 7:61 como o local de origem de um grupo de pessoas que retornaram a Jerusalém após o exílio babilônico. O texto bíblico não fornece detalhes sobre a localização exata dessas cidades, mas o fato de seus habitantes não poderem comprovar sua linhagem israelita sugere que se tratavam de cidades fora de Judá, possivelmente na Mesopotâmia ou em outras regiões do Império Persa.

É provável que essas pessoas fossem descendentes de grupos que haviam sido deportados para o exílio com os israelitas, ou que se juntaram a eles durante o cativeiro. Ao retornarem a Jerusalém, eles se integraram à comunidade judaica, mesmo sem ter uma clara identidade tribal.

Alguns estudiosos associam esses indivíduos aos netineus, um grupo de servidores do Templo que realizavam tarefas auxiliares no culto.

Quadriga

A quadriga, ou método quádruplo de interpretação, é uma abordagem hermenêutica que surgiu na Antiguidade Tardia ocidental e foi popular Idade Média. Este método foi, em sua plenitude, desenvolvido por João Cassiano (cerca de 360-435 d.C.), que expandiu a teoria anterior do sentido triplo da Escritura, proposta por Orígenes. A quadriga consiste em quatro sentidos principais: literalalegóricotropológico e anagógico.

Os Quatro Sentidos da Quadriga

  1. Literal (ou Histórico): Este é o sentido mais básico e refere-se ao significado direto das palavras do texto. É a interpretação que considera os eventos e o contexto histórico e cultural em que as Escrituras foram escritas.
  2. Alegórico (ou Doutrinal): Este sentido busca entender os eventos bíblicos como prefigurações de verdades espirituais ou doutrinais. Por exemplo, a travessia do Mar Vermelho é vista como uma prefiguração do batismo cristão.
  3. Tropológico (ou Moral): Refere-se ao ensinamento moral que pode ser extraído das Escrituras. Este sentido é voltado para a aplicação prática da fé na vida cotidiana dos crentes, orientando-os sobre como viver de acordo com os princípios cristãos.
  4. Anagógico (ou Místico): O sentido anagógico aponta para as realidades futuras e esotéricas, ligando os textos bíblicos às esperanças escatológicas. Este sentido ajuda os fiéis a contemplar as promessas de Deus sobre a vida eterna e o Reino dos Céus.

A quadriga foi fundamental para a formação do pensamento teológico medieval, pois ofereceu uma estrutura abrangente para a interpretação das Escrituras. Os teólogos medievais utilizavam esta metodologia para explorar as múltiplas dimensões dos textos sagrados, permitindo que cada leitura revelasse aspectos diferentes. Uma famosa rima latina que resume os quatro sentidos é:

“Litera gesta docet; quid credas allegoria; moralis quid agas; quo tendas anagogia.”

Essa rima destaca como cada sentido contribui para a compreensão global das Escrituras: o literal ensina sobre ações passadas, o alegórico sobre crenças, o moral sobre comportamentos e o anagógico sobre esperanças futuras.

Declínio e Legado

Com o advento da Reforma no século XVI, o uso da quadriga começou a declinar em favor de métodos mais simplificados de interpretação bíblica. No entanto, os reformadores mantiveram algumas preocupações do método quádruplo, especialmente no que diz respeito à relevância direta do texto para a Igreja1. A quadriga continua a ser estudada e apreciada por aqueles que buscam uma compreensão mais profunda das Escrituras dentro da tradição cristã.