Ramessés

Ramessés foi uma cidade egípcia localizada na região nordeste do Delta do Nilo. Sua construção foi iniciada pelo faraó Seti I, o segundo governante da XIX dinastia, e concluída por seu filho, Ramessés II, que reinou entre 1290 e 1224 a.C.

A cidade serviu como capital durante esta dinastia, um período de poder e expansão do Egito. Escavações arqueológicas e estudos textuais têm identificado Ramessés com a moderna Qantir. Suas evidências mostram a importância estratégica da cidade como centro político, religioso e militar do império egípcio durante o reinado de Ramessés II.

A cidade é mencionada com a permissão dada por José, filho de Jacó, para que sua família habitasse na “terra de Ramessés” (Gênesis 47:11). Já no Êxodo seria um dos pontos de partida dos israelitas em sua jornada para fora do Egito. (Êxodo 1:11, 12:37, Números 33:3, 5).

Rio Giom

O Rio Giom, mencionado em Gênesis 2:13 como um dos quatro rios que nascem no Jardim do Éden, permanece um mistério geográfico. A Bíblia o descreve como “o que circunda a terra de Cuxe”, uma região geralmente associada à Etiópia ou ao Sudão. No entanto, a localização exata de Cuxe e do Rio Giom tem sido objeto de debate entre estudiosos.

Existem várias teorias sobre a possível localização do Jardim do Éden e dos rios bíblicos. Alguns estudiosos sugeriram que ele poderia estar situado na Mesopotâmia, perto dos rios Tigre e Eufrates, mas essas hipóteses não são amplamente confirmadas por evidências arqueológicas ou imagens de satélite recentes.A especulação sobre onde poderiam estar os rios Pisom e Giom continua entre os estudiosos. Embora algumas teorias sugiram locais na África ou outras partes da Ásia para esses rios bíblicos, não há consenso claro sobre sua localização exata.

Rio Tigre

O Rio Tigre, em hebraico חִדֶּקֶל (Hidequel) e em grego Τίγρις (Tigris), é o terceiro rio mencionado na narrativa bíblica do Jardim do Éden (Gênesis 2:14). Nasce nos montes Taurus, na Turquia, e segue em direção sudeste, percorrendo aproximadamente 1.900 km até se unir ao Eufrates, próximo a Al Qurna, no sul do Iraque. A partir dessa confluência, forma-se o canal de Shatt al-Arab, que deságua no Golfo Pérsico.

Assim como o Eufrates, o Tigre foi importante no desenvolvimento das civilizações da Mesopotâmia, proporcionando água para irrigação e fertilizando as terras que viram florescer cidades e impérios. Apesar de sua importância histórica, o Tigre é menos referenciado na Bíblia do que o Eufrates. Sua menção em Gênesis o coloca como parte da geografia sagrada do Éden, um lugar de abundância e vida.

O livro de Daniel também menciona o rio Hidequel, descrevendo-o como um local de visões proféticas (Daniel 10:4).

Rio Eufrates

O Rio Eufrates, com seus 2.780 km de extensão, é um dos rios mais importantes do Oriente Médio, formando, juntamente com o Tigre, a região da Mesopotâmia. Esta região é conhecida como o berço de antigas civilizações como sumérios, babilônios e assírios.

O Eufrates nasce na Turquia a partir da confluência dos rios Kara (Eufrates Ocidental) e Murat (Eufrates Oriental), atravessa a Síria e o Iraque até desembocar no Golfo Pérsico.

Em Gênesis 2:10-14, o Eufrates é mencionado como um dos quatro rios que fluem do Jardim do Éden; especificamente em Gênesis 2:14 se refere ao rio “Tigre” ao lado do rio “Eufrates”. Além disso, em Apocalipse 16:12 há um registro de que as águas do Eufrates secariam para preparar caminho para os reis do Oriente.

Bíblia Rorigo

A Bíblia Rorigo, atualmente preservada na Bibliothèque nationale de France como MS Latin 3, é uma Bíblia latina produzida em Tours por volta do ano 835 d.C., durante o auge das reformas carolíngias.

Composta em um único volume, possui 409 fólios, distribuídos em texto de duas colunas com 51 ou 52 linhas por página. Sua decoração inclui títulos e rubricas em prata ou ouro sobre fundos púrpura, além de iniciais pintadas e tabelas canônicas, refletindo a sofisticação artística da época. Fechada, a Bíblia mede 49,5 centímetros de altura por 38 centímetros de largura, sendo considerada um exemplar típico de volume de púlpito.

A produção da Bíblia Rorigo está intrinsecamente ligada ao contexto das reformas promovidas por Carlos Magno e seus sucessores, que enfatizavam a correctio, ou seja, a correção de erros textuais e a preservação da doutrina correta. O texto, baseado na Vulgata, foi cuidadosamente revisado para garantir sua exatidão, incluindo divisões por capítulos e marcas de kephaleia (κεφάλαια), elementos que evidenciam a preocupação com a organização e a clareza do texto sagrado.

A Bíblia recebeu esse nome devido à sua doação pelo conde Rorigo, um nobre franco que restaurou a abadia de Saint-Maur-de-Glanfeuil, próxima ao rio Loire, na década de 830. Conforme anotação do século X no manuscrito, Rorigo entregou pessoalmente o volume ao abade Gauzfred, seu irmão e monge da abadia de Saint-Maur-des-Fossés, pedindo orações por sua alma. Com a invasão viking no vale do Loire em 868, a comunidade de Glanfeuil transferiu-se para Saint-Maur-des-Fossés, levando a Bíblia consigo.

No século XVII, após o fechamento da abadia de Saint-Maur-des-Fossés, o manuscrito foi transferido para Saint-Germain-des-Prés, sobrevivendo à dissolução dessa abadia em 1789, durante a Revolução Francesa. Desde então, encontra-se preservado na Bibliothèque nationale de France.

A Bíblia inclui um acréscimo posterior de um caderno com dezesseis fólios contendo a Vida de São Mauro, fundador de Glanfeuil, e uma história da abadia.