Roma

Roma, capital do império romano.
Os primeiros cristãos estabeleceram em poucas décadas após a morte de Jesus. Foi visitada por Paulo, a quem escreveu sua epístola. A tradição ocidental diz que Paulo e Pedro foram mortos em Roma durante uma perseguição movida por Nero.
Inicialmente era uma igreja judia e gentia de língua grega até que no final do século II começam a realizar seus cultos em latim. Seus locais de culto nas catacumbas são importantes para arqueologia e história do cristianismo.

Raqia

Raqia expansão, extensão ou firmamento era a abóboda celeste na cosmologia da Antiguidade. Os povos da Antiguidade imaginavam que o céu era coberto por redoma côncava que retinha as águas celestes.

Na Bíblia Hebraica aparece em Gn 1:6-8, 14-20; Sl 19:1; 150:1; Ez 1:22-26; 10:1; Dn 12:3.

Outras culturas da época possuíam semelhante cosmovisão:

  • Os antigos egípcios pensavam que o céu era um telhado sustentado por pilares.
  • Os sumérios acreditavam que o céu era uma abóboda de estanho.
  • O céu de Homero é um hemisfério de metal que cobre uma terra redonda, plana, semelhante a um disco, cercada por água. Na Odisséia e a Ilíada a abóbada celeste é mencionada alternativamente como feita de bronze ou de ferro.
  • Para Anaxímenes e Empédocles as estrelas estão encravadas em uma cúpula celeste cristalina.
  • Platão se refere à “abóbada do céu” e ao “céu acima do céu” (Fedro 247)
  • A abóboda celeste aparece nos escritos medievais de Nachmanides (Ramban), Comentário sobre a Torá, vol. 1, pp. 33, 36.

Recensão

Em filologia e crítica textual recensão refere-se (1) a fase de seleção,
após o exame de todo o material disponível, das mais confiáveis
evidências para prosseguir com a emendatio; (2) ao produto do filólogo, a edição revisada de um texto sob critérios críticos ou ecdóticos; e (3) ao conjunto ou família de manuscritos com características semelhantes.

Rabi

Rabi no hebraico para “meu mestre”. É uma designação quase formal, rabino, para os intérpretes da Torá oral. Os rabinos, que têm suas raízes nas práticas religiosas dos fariseus, surgiram originalmente como um pequeno movimento de escribas e mestres religiosos, especialmente no norte de Israel (região da Galiléia). Jesus também é chamado de “rabi” (ver Mt 26:49; Mc9: 5; Jo 1:38).

Regeneração

Regeneração sob o termo grego παλιγγενεσία, palingenesia, aparece apenas duas vezes no Novo Testamento (Mateus 19:28 e Tito 3:5) para referir-se à recriação e ao renascimento espiritual. Tematicamente há duas outras alusões à regeneração (re: novamente; generatio: nascimento) como novo nascimento (João 3:3-8; 1 Pedro 1:3).

Desde o Antigo Testamento, a esperança da regeneração está ligada à fé no Criador. Deus como autor da nova criação regenera pelo poder de sua Palavra e pela obra do seu Espírito.

A passagem de Mateus 19:28 indica escatologicamente a restauração de todas as coisas, inclusive a renovação do indivíduo. Em Tito 3:5 há uma conotação individual. Já em João e 1 Pedro expressam a novidade de vida que o Espírito Santo efetua individualmente.

Rebeca

Rebeca, em hebraico רִבְקָ֣ה, em grego, Ῥεβέκκα, é uma das matriarcas. Aparece em Gênesis em dois ciclos narrativos (Gn 24–27) . Um é o romance do matrimônio com Isaque. Outro ciclo é sua relação com seus filhos e sua preferência por Jacó.

O significado do nome Rebeca é incerto. Uma sugestão é que seja cognato com o árabe, rabqat, corda de amarrar para animais ou um laço. Figurativamente, indicaria uma beleza cativante.

O primeiro ciclo narrativo começa quando Abraão enviou seu servo Eleazar à Padã-Arã para arranjar o casamento para Isaque. O servo acaba por encontrar-se com Rebeca. É peculiar a linhagem identificada por linha materna. Rebeca diz a Eleazar que é filha de Betuel, filho de Milca e Naor (Gn 24:24) e irmã de Labão, o arameu (Gn 25:20). Rebeca é um raro caso de monogamia nas narrativas patriarcais e aparece em uma relação de jocosa amizade com seu esposo.

No segundo ciclo narrativo, Rebeca é a mãe dos gêmeos Esaú e Jacó. Iniciamente, o casal não teve filhos e é atribuída a esterilidade a Rebeca, mas Deus atende a oração de Isaque para que tenham filhos (Gn 25:21). Rebeca favorece o filho mais jovem. Não só a matriarca dá instruções a seu filho Jacó para enganar Isaque como depois instrui sua fuga e início de vida própria.

À época da partida de Jacó Rebeca e Isaque ficaram em Berseba (Gn 26:23) no Poço Laai-Roi (Gn 25:11), Manre, depois em Quiriate-Arba que é Hebrom (Gn 35:27).

À sua morte, Rebeca foi sepultada em Macpela (Gn 49:31).

Sua única menção fora de Gênesis aparece em Rm 9:10.

BIBLIOGRAFIA

DE ANDRADE, Altamir Celio. “Sobre rostos e distâncias: deslocamentos nas narrativas bíblicas de Sara e Rebeca.” Soletras 38 (2019): 72-88. DOI: https://doi.org/10.12957/soletras.2019.43412

HAVRELOCK, Rachel. “The Myth of Birthing the Hero: Heroic Barrenness in the Hebrew Bible.” Biblical Interpretation 16, no. 2 (2008): 154-78.

PERRY, Menakhem. “Counter-Stories in the Bible: Rebekah and Her Bridegroom, Abraham’s Servant.” Prooftexts 27, no. 2 (2007): 275-323.

QUESADA, Jan Jaynes. “Rebekah: Model Matriarch.” Review and Expositor (Berne) 115, no. 4 (2018): 559-64.

SASSON, Jack M. “The Servant’s Tale: How Rebekah Found a Spouse.” Journal of Near Eastern Studies 65 (2006): 241-265. https://www.jstor.org/stable/10.1086/511101

SCHLÜTER, Margarete. “Bible and Midrash: The Story of “The Wooing of Rebekah” (Gen. 24).” Journal for the Study of Judaism in the Persian, Hellenistic, and Roman Period 38, no. 3 (2007): 431-33.

TSYMBALYUK, Oleg M,; MELNIK, Valery V. “Rediscovering the Ancient Hermeneutic of Rebekah’s Character.” Hervormde Teologiese Studies 76, no. 1 (2020): 1-8.  DOI: https://doi.org/10.4102/hts.v76i1.5526

Raquel

Raquel, em hebraico רָחֵל‎, ovelha, em grego Ῥαχήλ, filha mais nova de Labão, irmã de Leia e segunda esposa de Jacó. Aparece no ciclo de Jacó (Gn 29-35) como sua esposa amada. Seria a mãe de José e Benjamim.

Jacó enamorou-se de Raquel (Gn 29), mas é engando a casar-se com sua irmã mais velha, Leia. Mais sete anos Jacó serviu ao sogro Labão para ter Raquel como esposa.

Quando a família de Jacó foge de Labão, Raquel rouba os terafim de seu pai (Gn 31:19).

Raquel, como Sara e Rebeca, não conseguia engravidar. Então, Raquel tornou-se mãe de Dã e Naftali mediante sua serva Bila.

Raquel é o primeiro caso relacionado de morte na gravidez na Bíblia, morrendo no nascimento de Benjamim. Foi sepultada em um lugar próximo a Belén, diferente de outros patriarcas e matriarcas sepultados em Macpela. (Gn 35:16-20).

Fora de Gênesis, Raquel aparece quatro vezes na Bíblia. Em Rute 4:11, Raquel é mencionada com Leia como as matriarcas do povo de Israel. Em 1 Sm 10:2, Samuel unge Saul e o instrui a encontrar dois homens perto do túmulo de Raquel. Em Jer 31:15 é retratada chorando pelo destino de seus filhos, os descendentes perdidos de Efraim, filho de José – as 10 tribos do norte dizimadas pelos assírios. Em Mateus 2:18, a alusão de Raquel chorando por seus filhos de Jer 31:15 refere-se ao massacre dos inocentes por Herodes.

BIBLIOGRAFIA

BELLIS, Alice Ogden. “A Sister Is a Forever Friend: Reflections on the Story of Rachel and Leah.” The Journal of Religious Thought 55, no. 2 (1999): 109.

CLAASSENS, Juliana. “Reading Trauma Narratives : Insidious Trauma in the Story of Rachel, Leah, Bilhah and Zilpah (Genesis 29-30) and Margaret Atwood’s The Handmaid’s Tale.” Old Testament Essays 33, no. 1 (2020): 10-31.

SCHNEIDER, Tammi. Mothers of Promise: Women in the Book of Genesis. Grand Rapids: Baker Academic, 2008.

WOLOWELSKY, Joel B. “Rachel’s Burial.” The Jewish Bible Quarterly 35, no. 2 (2017): 111-14.

Re’em

O termo hebraico re’em, רֶאֵם (Strong H7214; BDB 910), cognato árabe é rim refere-se a um animal mencionado nove vezes na Bíblia, mas seu significado permance incerto, sendo traduzido como unicórnio, búfalo, boi selvagem, rinoceronte e órix.

É plausível que o cognato árabe, o órix, seja o animal bíblico. O órix pertence a três famílias de grandes antílopes (gênero Oryx, família Bovidae, ordem Artiodactyla) vivendo em rebanhos em desertos e planícies secas da África e da Península Arábica. Os órixes possuem constituição forte e peitoral largo, com pescoços curtos, chifres retilíneos e membros longos. Adaptado ao deserto, é capaz de viver em um habitat sem água, quente e com ventos fortes.

A confusão de re’em com unicórnio surgiu a partir das traduções da Septuaginta, na qual o termo monoceros (μoνoκερως) foi utilizado.

CONCORDÂNCIA

Números 23:22: Deus os tirou do Egito; as suas forças são como as do unicórnio.
Números 24:8: Deus o tirou do Egito; as suas forças são como as do unicórnio; consumirá as nações, seus inimigos, e quebrará seus ossos, e com as suas setas os atravessará.
Deuteronômio 33:17: Ele tem a glória do primogênito do seu boi, e as suas pontas são pontas de unicórnio; com elas ferirá os povos juntamente até às extremidades da terra; estes, pois, são os dez milhares de Efraim, e estes são os milhares de Manassés.
Jó 39:9-10: Querer-te-á servir o unicórnio ou ficará na tua cavalariça? Ou amarrarás o unicórnio ao rego com uma corda, ou estorroará após ti os vales?

Salmos 29:6: Ele os faz saltar como a um bezerro; ao Líbano e Siriom, como novos unicórnios.
Salmos 22:21-23: Salva-me da boca do leão; sim, ouve-me desde as pontas dos unicórnios.
Isaías 34:7 E os unicórnios descerão com eles, e os bezerros, com os touros; e a sua terra beberá sangue até se fartar, e o seu pó de gordura se encherá.

O chifre de um animal selvagem frequentemente aparece como uma metáfora para a força física ou militar. A expressão “exaltar/erguer o chifre da buzina” significa vitória militar, por exemplo em 1 Sm 2:10; Sl 75:10; Sl 89:24; Sl 92:10; Lm 2:17.

Epístola aos Romanos

Paulo apresenta à igreja em Roma a doutrina que prega: que na justificação pela fé a confiança em Cristo Jesus seria suficiente para a salvação (10:9) do povo de Deus, a qual ocorre sem depender de adesão às normas ou de pertencimento a grupo religioso.

UM PANORAMA DA EPÍSTOLA AOS ROMANOS

A mais teologicamente complexa epístola de Paulo revela um desacordo entre cristãos judeus e gentios que ameaçavam a unidade da igreja. O imperador Cláudio expulsou os judeus de Roma (At 18:2) em alguma data entre 41 e 53 d.C. Com o retorno dos judeus, a Igreja em Roma passava agora contar com uma parte gentia mais estabelecida e um influxo migrante de cristãos judeus.

Essas diferenças teriam levado às tensões entre os dois grupos quanto às práticas cultuais e requisitos de salvação, tais como a observância da circuncisão e das restrições alimentares. A questão subjacente nessa tensão entre os dois grupos seria “o que é ser justo diante de Deus”?

A questão já havia sido tratada por Paulo na epístola aos Gálatas. Paulo, que na ocasião não tinha ainda estado em Roma, apresenta seu evangelho: ser justo diante de Deus não depende de adesão às normas rituais ou pertencimento a grupos. Isso porque a justiça para Deus foi obtida pela obra de Cristo.

Como é Deus quem proporciona essa justiça, Paulo defende a tolerância às diferença, especialmente aos “fracos” (15:1) que se apegavam às normas judaicas como segurança para salvação. Assim, deixando o cumprimento dessas normas à liberdade de consciência, cristãos judeus e gentios viveriam unidos pela fidelidade/confiança (pistis) comum em Jesus. Essa reconciliação proporcionada em Cristo Jesus implica em considerar uns aos outros fraternalmente.

A epístola serve de carta de apresentação de Paulo e de sua mensagem. Sendo a Igreja na cidade central do império, era importante o apoio dela para sua missão. Escrita durante sua estada em Corinto (c.57-58 d.C.), Paulo se hospedava na casa de Gaio (Rm 16:23) e empregou o trabalho de um redator ou amanuense, Tércio (Rm 16:22). De lá a carta seria levada pela diaconisa Febe (Rm 16:1).

A epístola aos Romanos constitui o mais detalhado tratamento da relação entre Israel e a Igreja no Novo Testamento. Também revela o caráter proeminente das mulheres na Igreja em Roma.

ESBOÇO ESTRUTURADO

  1. Introdução (1:1-17).
  2. Israel e os gentios compartilham a esperança de salvação (1:18-8:37)
    1. Condenação comum de Israel e dos gentios (1:18-3:19)
    2. Justificação em Cristo serve tanto a Israel quanto aos gentios (3:20-5:21)
    3. Santificação (6:1-7:25)
    4. Glorificação (8:1-37).
  3. O povo de Israel na obra de Jesus Cristo (9:1-11:32).
  4. Doxologia (11:33-36) – transição
  5. Efeitos da justiça de Deus na vida cotidiana dos crentes (12:1-15:13).
    1. A vida em Cristo é o sacrifício requerido (12)
    2. O amor recíproco (13)
    3. A coexistência tolerante (14)
  6. Conclusão
    1. Planos de viagem (15:14-29)
    2. Conclusão (15:30-33)
    3. Pós-escrito com recomendações, saudações, advertência contra falsos mestres (16:1-23)
    4. Encerramento (16:25-27).

BIBLIOGRAFIA

Barth, Karl. Carta aos Romanos. Fonte Editorial, 2019.

Haldane, Robert. Epistle to the Romans. London: The Banner of Truth, 1847.

Keener, Craig. Comentário de Romanos. Reflexão, 2019.

Stott, John. A mensagem de Romanos. ABU/Ultimato, 2007.