Natron

Natron (do grego νίτρον, nítron, derivado do hebraico נֶתֶר, neter) refere-se, em contextos bíblicos e antigos, principalmente ao carbonato de sódio decahidratado, um sal natural encontrado em depósitos em regiões áridas. Diferencia-se do sal de cozinha comum (cloreto de sódio).

Embora a palavra moderna “natron” especifique o composto decahidratado, o termo bíblico neter e seu equivalente grego nitron podem ter abrangido uma gama mais ampla de sais alcalinos, incluindo o carbonato de sódio anidro e outros minerais relacionados.

Algumas traduções antigas, como a versão de João Ferreira de Almeida, traduziram erroneamente neter como “salitre” em Provérbios 25:20 e Jeremias 2:22. Essa tradução imprecisa gerou a confusão, pois o nitrato de potássio (salitre verdadeiro) não reage com vinagre da forma descrita em Provérbios, nem é conhecido por suas propriedades de limpeza da maneira mencionada em Jeremias.

No Antigo Testamento, neter é mencionado em apenas dois versículos. Provérbios 25:20 compara o cantar canções para um coração aflito com o efeito de vinagre sobre neter, uma reação efervescente que sugere incompatibilidade ou agravamento da situação. Jeremias 2:22 usa neter no contexto da purificação: “Ainda que te laves com neter, e amontoes potassa, a tua iniquidade estará gravada diante de mim, diz o Senhor DEUS”. Aqui, neter representa um agente de limpeza potente, mas insuficiente para remover a culpa moral.

A Septuaginta traduz neter como νίτρον (nítron). Não há menção explícita de nitron no Novo Testamento grego canônico.

O natron tinha diversos usos na antiguidade, incluindo a fabricação de vidro, a preservação de alimentos (especialmente na mumificação egípcia), a limpeza e, possivelmente, usos medicinais. A referência em Jeremias sugere seu uso como um detergente forte.

Sardônia

A sardônia (em hebraico, אֹדֶם, ‘odem, e em grego, σάρδιον, sárdion, em algumas versões, e σαρδόνυξ, sardónyx, em outras) é uma pedra preciosa mencionada na Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Em Êxodo 28:17 e 39:10, ‘odem é a primeira pedra da primeira fileira do peitoral do sumo sacerdote, representando uma das doze tribos de Israel. A identificação precisa de ‘odem é debatida, com algumas traduções optando por “rubi” ou “cornalina”. A Septuaginta traduz como σάρδιον (sárdion), uma pedra geralmente avermelhada. Em Ezequiel 28:13, ‘odem também aparece entre as pedras preciosas que adornavam o rei de Tiro.

No Novo Testamento, Apocalipse 4:3 apresenta aquele que está sentado no trono com a aparência de jaspe e de σαρδίῳ (sárdion), novamente sugerindo uma tonalidade avermelhada. Já em Apocalipse 21:20, a quinta camada dos fundamentos da Nova Jerusalém é descrita como σαρδόνυξ (sardónyx), que é uma variedade de ônix com camadas vermelhas e brancas. A distinção entre σάρδιον e σαρδόνυξ nem sempre é clara nos textos antigos, e ambas podem se referir a variedades de calcedônia com tons avermelhados.

Sacrifício

O sacrifício, um ato ritualístico central em diversas religiões, incluindo o antigo Israel, envolve a oferenda de algo valioso a uma divindade.

Na Bíblia, o sacrifício abrange desde oferendas vegetais até o sacrifício de animais, e assume variadas funções, como purgação de pecados, demonstração de gratidão, comunhão com a divindade e súplica. A prática sacrificial no Antigo Testamento é detalhadamente regulamentada na Torá, especialmente em Levítico, especificando os tipos de ofertas, os procedimentos rituais e os participantes. O sistema sacrificial israelita possuía um complexo simbolismo teológico, apontando para a santidade de Deus, a gravidade do pecado e a necessidade de reconciliação.

A interpretação do sacrifício evoluiu ao longo da história judaico-cristã, com o Novo Testamento apresentando a morte de Jesus Cristo como o sacrifício supremo e definitivo, que supera e cumpre os sacrifícios do Antigo Testamento.

No período do Segundo Templo e no judaísmo rabínico, a destruição do Templo de Jerusalém (70 d.C.) e a subsequente impossibilidade de realizar os sacrifícios prescritos levaram a uma reinterpretação da prática. A oração, o estudo da Torá e as boas ações passaram a ser vistos como formas de sacrifício espiritual, substituindo a oferenda material em muitas vertentes do judaísmo.

Na filosofia e na cultura ocidental, o conceito de sacrifício expandiu-se ainda mais. A renúncia a desejos e prazeres pessoais em prol de um bem maior, a dedicação a uma causa, o heroísmo que implica risco de vida e a abnegação em favor do próximo passaram a ser compreendidos como formas de sacrifício. Essa ampliação semântica reflete a internalização e a moralização do conceito original, agora desvinculado do ritual religioso específico, mas ainda carregado de valor moral e espiritual. O sacrifício, assim, tornou-se sinônimo de esforço, renúncia e entrega em nome de um ideal, seja ele religioso, moral, político ou pessoal.

Sisaque

Sisaque I, também conhecido como Sheshonq I, foi um faraó do Egito que governou no século X a.C., fundador da XXII dinastia. Ele é conhecido por sua campanha militar contra o Reino de Judá, registrada na Bíblia em 1 Reis 14:25-26 e 2 Crônicas 12:2-9.

De acordo com o relato bíblico, Sisaque invadiu Judá durante o reinado de Roboão, filho de Salomão, e saqueou o templo de Jerusalém, levando consigo os tesouros do templo e do palácio real. Essa invasão ocorreu aproximadamente cinco anos após a divisão do reino de Israel, e é interpretada como um julgamento divino sobre a idolatria do povo.

A campanha de Sisaque também é documentada em registros egípcios, com destaque para uma inscrição no templo de Karnak, que lista as cidades conquistadas durante sua campanha na Palestina. Essa inscrição confirma a narrativa bíblica e fornece detalhes adicionais sobre a extensão de suas conquistas.

Inteira Santificação

A Inteira Santificação, também conhecida como perfeição cristã ou santidade bíblica, é uma doutrina teológica central para o Metodismo e algumas denominações pentecostais. Desenvolvida por John Wesley, enfatiza a possibilidade de o crente, após a justificação, alcançar um estado de amor perfeito a Deus e ao próximo, sendo libertado da escravidão do pecado.

Diferente da justificação, que retifica a relação do crente como justo perante Deus, a Inteira Santificação é uma obra subsequente da conversão, realizada pelo Espírito Santo. Não implica ausência de falhas ou erros, mas sim a purificação das intenções e motivações, capacitando o crente a viver em santidade. Não significa que a pessoa não possa pecar, mas que não terá prazer no pecado.

A doutrina não é consensual entre os cristãos. Críticos questionam sua base bíblica e a possibilidade de sua realização plena nesta vida. Defensores, por outro lado, apontam para passagens bíblicas que falam sobre perfeição e santidade, argumentando que a Inteira Santificação é um processo contínuo de crescimento espiritual, alcançável pela graça divina.

BIBLIOGRAFIA
Fletcher, John. Checks to Antinomianism.

Palmer, Phoebe. The Promise of the Spirit.

Wesley, John. “A Plain Account of Christian Perfection.”