Sunamitas

Os sunamitas eram os habitantes de Suném, uma cidade localizada no norte de Canaã, no fértil vale de Jezreel. Mencionada diversas vezes no Antigo Testamento, Suném é lembrada como o local onde o exército filisteu se acampou antes da batalha do Monte Gilboa, na qual Saul e seus filhos morreram (1Sm 28:4).

Suném também é conhecida como a cidade da mulher sunamita que acolheu o profeta Eliseu em sua casa (2Rs 4:8-10). Essa mulher, cujo nome não é revelado na Bíblia, demonstrou grande hospitalidade e fé, sendo recompensada com o nascimento de um filho e, posteriormente, com a ressurreição desse filho por Eliseu (2Rs 4:

Serafim

Serafins, mencionados em Isaías 6:2-7 e Apocalipse 4:6-8, são seres celestiais de alta ordem, associados à presença e ao serviço de Deus. Descritos como tendo seis asas, com duas cobrem o rosto, com duas cobrem os pés e com duas voam, os serafins clamam “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória!” (Is 6:3).

Em Isaías 6, um serafim purifica os lábios do profeta com uma brasa viva do altar, preparando-o para sua missão profética. Essa ação sugere que os serafins desempenham um papel na mediação entre Deus e os humanos, purificando e consagrando aqueles que são chamados a servir.

No Apocalipse, os serafins estão ao redor do trono de Deus, adorando-o e proclamando sua santidade sem cessar. Sua presença intensifica a imagem da majestade e da glória divina, criando uma atmosfera de reverência e adoração.

Suquitas

Os suquitas, mencionados em 2 Crônicas 12:3 como parte do exército do faraó Sisaque que invadiu Judá no reinado de Roboão, são um povo de origem incerta. Embora a Bíblia não forneça detalhes sobre sua identidade, talvez os suquitas fossem de origem líbia, o que os associaria a povos norte-africanos.

A invasão de Sisaque a Judá ocorreu no quinto ano do reinado de Roboão (1Rs 14:25), e a participação dos suquitas nesse exército indica sua relevância como força militar na época.

A Bíblia relata que Sisaque e seus aliados, incluindo os suquitas, conquistaram diversas cidades em Judá, saquearam o tesouro do templo e do palácio real em Jerusalém, e impuseram pesadas condições a Roboão (2Cr 12:2-12).

Sátiros

A palavra hebraica שְׂעִירִים (se’irim), aparece traduzida como “sátiros” em algumas versões da Bíblia. Sátiros, criaturas mitológicas da Grécia antiga, são traduzidos com esses termos em duas passagens da Almeida Revista e Corrigida em Isaías 13:21 e 34:14 como habitantes de lugares desolados e em ruínas.

Na mitologia grega, os sátiros eram seres híbridos, com corpo de homem e características de bode, conhecidos por sua natureza lasciva e selvagem.

Nessas passagens, os sátiros representam o caos e a desordem que se instalam em lugares abandonados por Deus e pelos homens. Em Isaías 13:21, os sátiros habitarão as ruínas da Babilônia, outrora poderosa e gloriosa, mas agora destruída e deserta.

Em Isaías 34:14, os sátiros se encontrarão com as criaturas da noite em Edom, terra devastada pelo juízo divino. A presença dessas criaturas simboliza a ausência de vida e de civilização, o triunfo da desolação e do medo.

Uma das possíveis traduções para se’irim é “seres peludos” ou “demônios-bode”. Esse entendimento enfatiza o aspecto bestial e selvagem das criaturas, vinculando-as ao mundo do deserto, considerado na mentalidade do antigo Oriente Próximo como um espaço liminar e caótico, habitado por forças incontroláveis e hostis. A figura do bode em si tinha conotações ambíguas na cultura israelita antiga, sendo usado tanto em rituais expiatórios (como o bode emissário em Levítico 16) quanto como símbolo de elementos potencialmente ameaçadores.

Outra interpretação sugere que se’irim poderia se referir a “demônios” ou “espíritos malignos”. Essa abordagem se alinha ao caráter sobrenatural do termo em seu contexto bíblico, onde se’irim parecem ser entidades associadas ao medo e ao isolamento. Essas criaturas poderiam ser vistas como símbolos de uma presença maligna ou como personificações de forças espirituais que habitam os locais desolados, criando uma sensação de terror na imaginação dos leitores antigos.

Uma terceira possibilidade considera se’irim como uma referência literal a “cabras selvagens” ou “criaturas do deserto”. Nesse caso, a menção ao termo nas passagens bíblicas destacaria a desolação e o abandono dos lugares descritos. O deserto, sendo o domínio de animais selvagens, reforçaria o contraste entre o caos desses espaços e a ordem associada à presença de Deus ou à habitação humana.

Sivan

Sivan ou Sivã, o terceiro mês do calendário religioso judaico e o nono do calendário civil, corresponde ao período entre maio e junho, marcando o final da primavera no hemisfério norte. Após o exílio babilônico, o nome “Sivan” substituiu a antiga designação numérica “terceiro mês”, como se observa em Ester 8:9. É um mês de transição, com o calor do verão se aproximando e a colheita do trigo em pleno andamento (Rt 1:22). Sivan também marca o início da estação seca em Israel, que se estende até meados de outubro. No dia 6 de Sivan, os judeus celebram Shavuot, a Festa das Semanas, que comemora a entrega da Torá no Monte Sinai (Êx 19:1).