Teófilo de Antioquia

Teófilo de Antioquia (c. 2º século) foi um bispo ativo de aproximadamente 169 a 182 aC.

Embora pouco se saiba sobre sua vida pessoal, seus escritos sobreviventes fornecem informações valiosas sobre suas contribuições intelectuais e teológicas. Nascido não cristão perto do Tigre e do Eufrates, Teófilo se converteu ao cristianismo depois de estudar as Sagradas Escrituras, principalmente os livros proféticos. Sua obra mais notável, a Apologia a Autólico, oferece uma defesa da fé cristã contra as críticas externas e destaca sua experiência em literatura cristã, polêmica, exegética e apologética. Eusébio elogia seu zelo no combate aos hereges, principalmente seus esforços contra Marcião.

Denys Turner

Denys Alan Turner (nascido em 1942) é um filósofo e teólogo americano nascido na Grã-Bretanha.

Turner fez contribuições à teoria política, teoria social e pensamento medieval, com foco particular na teologia mística e no misticismo cristão.

Turner ocupa a cátedra Horace Tracy Pitkin Professor emérito de Teologia Histórica na Universidade de Yale, tendo passado por universidades britânicas e americanas.

Seus escritos acadêmicos investigam a intrincada relação entre a teoria política e social e a teologia cristã, ao mesmo tempo em que exploram os domínios da teologia mística e a inefabilidade de Deus. Trabalhos notáveis de Turner incluem “The Darkness of God: Negivity in Christian Mysticism” e “The Darkness of God: Language, Faith, and the Challenge of Barth”, que examinam o papel da teologia negativa e as limitações da linguagem humana ao lidar com realidades divinas.

Tributos na Bíblia

A tributação na Antiguidade era em espécie, trabalho ou moedas. Há diferenças nas formas de tributação entre o período pré-exílico (idades do Bronze e do Ferro) e o período imperial do Segundo Templo.

Em todo o Antigo Oriente Próximo os santuários ocupavam muito da função do Estado e do mercado. Eram responsáveis para ajuntar e redistribuir o excedente da produção agrícola. Davam ofertas voluntárias, socialmente incentivadas ou compulsórias de metais preciosos (moeda surge bem mais tarde), bens, animais e produção agricolas em sacrifício ou como tributos de louvor. Cabia aos sacerdotes e outros funcionários do templo parte das ofertas. Não havia separação entre o que era tributo ao Estado e que era destinado ao culto, servindo para coletar diferentes formas de tributos.

Um imposto sobre rendimentos cobria políticas públicas, redistribuição ou manutenção dos santuários. Em Betel, Jacó comprometeu a dar 10% de seus ganhos (Gn 28:20–22). José instituiu um imposto de 20% sobre a produção egípcia (Gênesis 47:20-26).

Entre os israelitas houve o Dízimo, 10% das produções agrícolas para manutenção dos santuários e levitas (Nm 18:21, 24), apoiar as festividades (Dt 14:22-27) e redistribuição aos pobres (Dt 14:28, 29). Parte da renda, as Primícias, também era coletada (Lev 27:30; Dt 18:3–18; Ex 23:19; 1 Sm 25:18; 2 Sm 16:1–2). Ainda havia mekhes (espólios) tributo pago aos sacerdotes com parte dos despojos de guerra (Nm 31:28, 37–41).

O mas, halakh era pedágio ou imposto de importação para o trânsito de mercadorias, nomades e importações. Era pago em dinheiro nos portões da cidade, portos, mercados, feiras de aldeias e postos de pedágio ao longo das rotas comerciais (1 Rs 10:15; Es 4:13, 20; 7:24). O dízimo pago por Abraão ao sacerdote-rei Melquisedeque (Gn 14:18-20) foi esse tributo ou o tributo sobre espólios de guerra.

Tributos de vassalagem garantia a paz com estados mais poderosos. O nagas, tributos exigidos por conquistadores, como Menaém e Jeoiaquim pagaram (2 Rs 15:19–20; 23:35), e Davi cobrou dos vizinhos (2 Sm 8:1-15). Nagas significa opressão.

A corveia é o tributo pago com trabalho. Salomão recrutou 30.000 homens de Israel para trabalhar em suas obras(2 Sm 20:24;1 Rs 5:13–16; 9:20–22; 2 Rs 12:6–15). Também instituiu um tributo per capita, bem como um imposto de renda pago em farinha, farinha, gado, ovelhas, aves e outras provisões.

Pesados ​​impostos levaram à divisão do reino em Israel e Judá em 880 aC. quando as tribos do norte se rebelaram contra Roboão (1 Cr 10).

Os Tributos da Era do Segundo Templo. Pagamentos para os dominadores, governo israelita e templo.

  • Tributum soli: tributos sobre propriedade rural (ou sua produção) ou urbana.
  • Tributum capitis ou apographe (recenseamento) por indivíduo, cobrado nos censos, (Lc2:1-5; At 5:37), fixado em um denário ou na moeda chamada kenso (censo) (Mt 22:19), equivalente a uma diária.
  • Os judeus pagavam anualmente o Imposto do templo (Ne 10:32-33): meio siclo em prata. Equivalia a dois dracmas gregos ou dois denários romanos, cerca de duas diárias (Tobias 5:15; Mt 20:2).
  • Após a destruição do templo em 70 EC, Vespasiano converteu-o em fisco judeu pago a Roma.

No geral, a carga tributária era pesada. Os governantes estrangeiros, dos selêucidas em diante, exigiam 1/3 dos grãos, ½ de dos frutos e uma parte do Imposto do Templo. A carga tributária anual dos israelitas podia chegar a 40% da renda total.

A prebenda era um sistema de franquia para arrecadação. O coletor de impostos comprava o direito de cobrar tributos em determinada área. Levi, discípulo de Jesus (Mc 2:13-17; Lc 5:27-32) chamado Mateus Mt 9:9-13) e Zaqueu (Lc 19:1-10) eram coletores. A pesada tributação, corrupção e aliança com o poder estrangeiro tornaram os cobradores de impostos (publicanos) odiados entre os israelitas.

Os textos cristãos, canonizados após a queda de Jerusalém, preconizava o pagamento de impostos. (Mt 17:24-27; 22:17-21; Romanos 13:6-7).

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William Tyndale

William Tyndale (c. 1494–1536) foi uma figura central na Reforma Protestante, conhecido principalmente por sua tradução da Bíblia para o inglês. Sua obra estabeleceu as bases para traduções posteriores e influenciou o desenvolvimento da língua inglesa.

Nascido em Gloucestershire, Inglaterra, Tyndale recebeu educação na Universidade de Oxford e posteriormente em Cambridge, onde entrou em contato com acadêmicos humanistas e familiriou-se com as ideias de Martinho Lutero, que destacavam a importância das Escrituras na língua vernácula e a interpretação pessoal da Bíblia.

Em 1523, Tyndale solicitou permissão ao bispo Cuthbert Tunstall para traduzir a Bíblia para o inglês, mas teve seu pedido recusado. Determinado a prosseguir, mudou-se para a Alemanha em 1524, onde completou a tradução do Novo Testamento diretamente dos textos gregos em 1525. Essa tradução foi impressa em Worms e contrabandeada para a Inglaterra, sendo uma das primeiras Bíblias em inglês baseadas nos idiomas originais, em vez da Vulgata latina. A obra foi imediatamente proibida na Inglaterra, e cópias foram publicamente queimadas, mas sua circulação persistiu.

Além de suas traduções, Tyndale escreveu tratados teológicos defendendo reformas na Igreja. Em The Obedience of a Christian Man, argumentou pela autoridade das Escrituras sobre as tradições eclesiásticas, ideia que influenciou a decisão de Henrique VIII de romper com Roma.

Tyndale foi traído por Henry Phillips e preso em Antuérpia em 1535. Após mais de um ano de detenção, foi julgado por heresia e, em 6 de outubro de 1536, executado por estrangulamento antes de seu corpo ser queimado. Suas últimas palavras registradas foram uma oração para que Deus “abrisse os olhos do rei da Inglaterra.”

As traduções de Tyndale serviram de base para versões posteriores da Bíblia em inglês. Seu trabalho foi essencial para tornar as Escrituras acessíveis aos falantes de inglês e promoveu a alfabetização entre os leigos.

Teologia sistemática

A teologia sistemática é uma disciplina dentro da teologia cristã que organiza e apresenta as doutrinas de maneira coerente e sistemática. Envolve o estudo abrangente e a síntese de vários tópicos teológicos, doutrinas e temas para construir uma estrutura unificada e lógica da crença cristã.

A teologia sistemática visa fornecer uma compreensão abrangente da fé cristã, examinando as doutrinas de Deus, Cristo, o Espírito Santo, a criação, a salvação, a igreja e a escatologia, entre outras. Procura explorar as inter-relações entre essas doutrinas e suas implicações para a crença e prática cristãs.

Na Europa continental, teologia sistemática é referida como teologia dogmática. Contudo, o termo teologia dogmática também se refere a uma disciplina teológica específica, focada nos ensinamentos oficiais ou dogmas de uma determinada tradição ou denominação religiosa. A teologia dogmática está preocupada com as crenças e doutrinas autorizadas que são proclamadas e afirmadas por uma comunidade religiosa específica. Ele normalmente se baseia em fontes como credos, confissões, declarações oficiais e os ensinamentos de teólogos reconhecidos dentro dessa tradição.

Nem todas as tradições teológicas possuem o costume de sistematizar sua teologia. Boa parte da cristandade conceitua sua teologia de forma diversa, sobretudo pela teologia vivida. Na tradição ortodoxa oriental a teologia é encontrada principalmente na liturgia, enquanto nas igrejas livres (pentecostais, anabatistas e outros) no mundo ocidental e majoritário, o culto e a vida devocional são as principais fontes para a teologia. Nesses casos, a sistematização é secundária, tendo mais caráter didático que relevância denominacional.

Os principais tópicos ou loci da teologia, da teologia sistemática, podem variar dependendo da tradição, abordagem ou sistema teológico. No entanto, existem várias áreas comuns de estudo que geralmente são consideradas fundamentais para a investigação teológica. Aqui estão alguns dos principais tópicos ou loci da teologia:

  • Prolegômena: ou o estudo dos métodos e meios de se alcançar o conhecimento teológico.
  • Teologia própria ou teo-ontologia: O estudo de Deus, incluindo conhecimento relacional, trindade, atributos, natureza e existência. Também fundamenta o entendimento acerca da revelação divina, inclusive do papel da Bíblia (bibliologia) na fé cristã.
  • Cristologia: O estudo da pessoa e obra de Jesus Cristo, incluindo sua encarnação, vida, morte, ressurreição e ascensão.
  • Pneumatologia: O estudo do Espírito Santo, incluindo seu papel na vida dos crentes, da igreja e do mundo.
  • Antropologia (teológica): estuda a humanidade, incluindo tópicos como a natureza humana, o pecado (hamartiologia) e a dignidade humana.
  • Demonologia: inclusive satanologia, com intersecções com teodiceia (problema do mal), ponerologia (problema da maldade), pecado (hamartiologia) e angeologia.
  • Soteriologia: O estudo da salvação, incluindo a obra de Cristo na redenção da humanidade, justificação, regeneração, santificação e glorificação.
  • Eclesiologia: O estudo da igreja, incluindo sua natureza, missão, estrutura, sacramentos e ministério. Também lida com o ecumenismo, relações e diálogos interreligioso, a questão da pluralidade e salvação, dentre outros. A herisiologia também é um ramo.
  • Escatologia: O estudo das últimas coisas ou do fim dos tempos, incluindo tópicos como morte, ressurreição, julgamento, céu, inferno e a segunda vinda de Cristo.

A teologia sistemática pode ser auxiliada por disciplinas como:

  • Estudos Bíblicos ou Ciências Bíblicas: O estudo da Bíblia, incluindo hermenêutica (interpretação), linguagens bíblicas, crítica textual e o contexto histórico dos textos bíblicos.
  • Ética: O estudo dos princípios e valores morais, incluindo tomada de decisão ética, ética social, bioética e ética cristã.
  • Filosofia da Religião: O estudo de questões filosóficas relacionadas à religião, como a existência de Deus, experiência religiosa, fé e razão, os limites do conhecimento (epistemologia) e da linguagem religiosa, o problema do mal.
  • Liturgia: estudo do culto cristão.
  • Apologética: a defesa da fé e modo de vida cristão.
  • Estudos pastorais, formação ministeriais, teologia prática ou teologia aplicada.