Zanoá

Zanoá ou Zanoah (זָנוֹחַ) é o nome de duas cidades distintas mencionadas na Bíblia Hebraica, ambas localizadas no território da tribo de Judá.

O nome “Zanoah” pode derivar de uma raiz hebraica que significa “rejeitar” ou “abandonar”, o que poderia refletir algum aspecto histórico ou geográfico das localidades. A existência de duas cidades com o mesmo nome dentro da mesma tribo de Judá pode ser um tanto incomum, mas é um fenômeno que ocorre em outras partes da Bíblia. A distinção entre elas geralmente é feita pelo contexto geográfico em que são mencionadas.

  1. Uma cidade na Sefelá (planície baixa) de Judá: Esta Zanoá é mencionada em Josué 15:34 entre outras cidades da região da Sefelá. Após o exílio babilônico, ela foi uma das cidades novamente habitadas pelos exilados que retornaram (Neemias 11:30). Os habitantes de Zanoá participaram da reconstrução dos muros de Jerusalém, especificamente na reparação da Porta do Vale sob a liderança de Hanum (Neemias 3:13). Esta cidade é geralmente identificada com a moderna Khirbet Zanu’ (ou Horvat Zanoah), localizada a cerca de 5 km a sudeste de Bete-Semes.
  2. Uma cidade na região montanhosa de Judá: A outra Zanoá é listada entre as cidades da região montanhosa de Judá em Josué 15:56-57. Em 1 Crônicas 4:18, menciona-se que Jecutiel foi o “pai” de Zanoá , o que pode indicar que ele foi o fundador ou uma figura importante desta cidade. A localização exata desta Zanoá é menos certa, mas tem sido provisoriamente identificada com Khirbet Beit Amra, cerca de 10 km a sudoeste de Hebrom.

Zalmuna

Zalmuna foi um dos dois reis midianitas, juntamente com Zeba, mencionado no livro de Juízes, na opressão dos midianitas sobre os israelitas e a subsequente libertação liderada por Gideão.

Zalmuna e Zeba lideraram as forças midianitas que invadiram e saquearam as terras de Israel, causando grande sofrimento ao povo. Gideão, com um pequeno exército, perseguiu e derrotou os midianitas, capturando Zeba e Zalmuna (Juízes 8). Zeba e Zalmuna foram finalmente mortos por Gideão em retribuição pela morte de seus irmãos (Juízes 8:18-21).

Zoelete

A palavra hebraica Zoheleth (הַזֹּחֶלֶת, ha-zoḥeleṯ) significa provavelmente “a que rasteja” ou “serpente”. Na Bíblia, refere-se a uma pedra específica localizada perto de En-Rogel, uma fonte de água ao sul de Jerusalém, na fronteira entre as tribos de Judá e Benjamim.

A principal menção a Zoheleth ocorre em 1 Reis 1:9: “E Adonias matou ovelhas, e bois, e bezerros cevados, junto à pedra de Zoelete, que está perto de En-Rogel; e convidou todos os seus irmãos, os filhos do rei, e todos os homens de Judá, servos do rei.”

Este versículo descreve como Adonias, um dos filhos de Davi, realizou um sacrifício e se proclamou rei perto desta pedra, em uma tentativa de usurpar o trono enquanto Davi ainda estava vivo. A escolha deste local para a sua proclamação pode ter tido algum significado simbólico ou estratégico, dada a sua proximidade a uma importante fonte de água e a sua localização fora dos muros da cidade.

Zoelete poderia ter sido um local de significado religioso ou cerimonial pré-israelita, possivelmente associado a rituais cananeus. A sua menção no contexto da tentativa de Adonias de tomar o poder pode indicar um esforço para obter apoio popular ou legitimidade através de um local conhecido.

A localização exata da pedra de Zoelete hoje é desconhecida, mas a sua associação com En-Rogel a situa na área ao sul da antiga Jerusalém, provavelmente no vale do Cédron ou próximo a ele. Algumas identificações modernas foram propostas, mas nenhuma é conclusiva.

Profetas de Zwickau

Os Profetas de Zwickau ou os Abecedarianos, um movimento religioso radical do início do século XVI, emergiram da cidade têxtil de Zwickau, na Saxônia, notórios por uma postura anti-intelectual e anti-teologia acadêmica.

Liderados por Nikolaus Storch, Thomas Dreschel e Markus Stübner, o movimento foi influenciado por Thomas Müntzer, embora a relação exata seja disputada, com alguns historiadores sugerindo que Storch influenciou a radicalização de Müntzer.

Os Profetas de Zwickau defendiam uma “igreja de membros cheios do Espírito”, priorizando revelações diretas do Espírito Santo sobre a autoridade escritural. Acreditavam que a verdade divina era acessível até aos mais ignorantes, rejeitando a necessidade de educação formal ou estudo bíblico, o que lhes valeu o apelido de “Abecedarianos”. Essa ênfase na revelação direta era acompanhada pela crença em um apocalipse iminente e pela defesa do batismo de crentes, embora não tenham instituído a prática do batismo adulto. Também apoiavam a eleição congregacional de pastores e criticavam a institucionalização da igreja, refletindo uma abordagem restauracionista.

Suas origens remontam à influência de Thomas Müntzer, um pregador luterano que serviu em Zwickau de 1520 a 1521. Embora a associação de Müntzer com o grupo seja complexa, com alguns historiadores sugerindo que Storch influenciou a radicalização de Müntzer, os Profetas de Zwickau desenvolveram suas próprias posições teológicas distintas. Em 1521 tentaram avançar seu programa de Reforma em Zwickau, sendo expelidos pelos magistrados locais.

Exilados de Zwickau, Storch, Dreschel e Stübner chegaram a Wittenberg em 1521, onde ganharam apoio de reformadores como Andreas Karlstadt. No entanto, sua presença causou agitação, levando Philipp Melanchthon a buscar a intervenção de Martinnho Lutero, que retornou a Wittenberg em 1522 e pregou contra os “Schwärmer” (fanáticos), suprimindo o radicalismo crescente. Após um confronto com Lutero, onde se recusaram a autenticar suas reivindicações com um milagre, denunciaram Lutero e deixaram Wittenberg.

Após sua partida, os Profetas se dispersaram. Storch continuou sua agitação em vários lugares, enquanto Stübner permaneceu mais tempo em Wittenberg, ganhando seguidores, incluindo Gerhard Westerburg e Martin Borrhaus antes de desaparecer dos registros históricos. Storch pode ter liderado uma seita anabatista na Francônia, e possivelmente retornou a Zwickau. Embora não tenham estabelecido uma igreja ou movimento duradouro, os Profetas de Zwickau deixaram uma marca significativa na paisagem religiosa da Reforma, desafiando a autoridade estabelecida e enfatizando a revelação espiritual.

A relação entre os Profetas e o anabatismo é controversa e não provada. Exceto a rejeição teórica do batismo infantil, não há conexões atestadas entre os dois movimentos.

BIBLIOGRAFIA

Burnett, Amy Nelson. “Karlstadt and the Zwickau Prophets: A Reevaluation” Archiv für Reformationsgeschichte – Archive for Reformation History, vol. 114, no. 1, 2023, pp. 105-128. https://doi.org/10.14315/arg-2023-1140106

Zenas

Zenas (em grego: Ζηνᾶς) é um personagem mencionado na Epístola de Paulo a Tito (Tito 3:13), um provável jurista.

Em Tito 3:13, Paulo instrui Tito a ajudar Zenas, o “intérprete da lei”, e Apolo em sua viagem, providenciando para que nada lhes falte. Essa passagem sugere que Zenas era um homem instruído e respeitado na comunidade cristã, possivelmente um estudioso da lei que se converteu ao cristianismo.

A designação de Zenas como “intérprete da lei” (νομικός) indica que ele possuía conhecimento e habilidade na interpretação da lei. Essa informação é relevante, pois mostra que o cristianismo primitivo não rejeitava o conhecimento e a erudição, mas os colocava a serviço do Evangelho. O nome é tipicamente grego, o que leva a uma ambiguidade sobre qual ordenamento legal seria Zenas um especialista. A considerar somente seu nome, a maior probabilidade é que seria um jurista das leis greco-romanas. Contudo, sua associação com Apolo, um judeu com nome helenista, leva à possiblidade de que era um mestre na lei mosaica.

A colaboração de Zenas com Apolo, outro personagem importante do Novo Testamento, também é digna de nota. Apolo era um judeu de Alexandria, conhecido por sua eloquência e conhecimento das Escrituras (Atos 18:24-25). A união de Zenas e Apolo em uma missão demonstra a diversidade de talentos e habilidades presentes na comunidade cristã primitiva, e como cada um contribuía para o avanço do Evangelho.

A ajuda solicitada por Paulo a Tito para Zenas e Apolo em sua viagem sugere que eles estavam envolvidos em alguma missão ou trabalho itinerante.