Eberhard Jüngel

Eberhard Jüngel (nascido em 1934) é um teólogo alemão, com foco na teologia da cruz e a relação entre fé e razão, além de discussões acerca da teologia de Martinho Lutero e Karl Barth.

Proponente de um “realismo teológico” que se concentrou na relação da ação divina para na vida humana. Seu trabalho salienta “o mistério de Deus no mundo” — Deus que entra no mundo o renova e o transforma segundo a necessidade da cultura e do tempo.

Maurice Wiles

Maurice Wiles (1923-2005) foi um teólogo e filósofo britânico que realizou trabalhos sobre cristologia.

Wiles, teólogo anglicano e Professor Regius de Divindade na Universidade de Oxford, foi expoente o liberalismo teológico britânico através de uma produção acadêmica centrada na revisão das estruturas dogmáticas do cristianismo. Sua premissa fundamental estabelecia que a teologia deve submeter-se à investigação histórica crítica e aos pressupostos da ciência, rejeitando qualquer cisão entre as conclusões da razão e as afirmações da fé.

Wiles formulou o método da crítica doutrinária para avaliar como as formulações herdadas, embora historicamente condicionadas, poderiam ainda servir ao propósito de fomentar o amor e a vida cristã. Em obras como The Making of Christian Doctrine (1967) e The Remaking of Christian Doctrine (1974), ele argumentou que as doutrinas são construções humanas em resposta ao divino, e não verdades proposicionais reveladas.

Sua contribuição para o simpósio The Myth of God Incarnate (1977) consolidou seu questionamento da ortodoxia de Calcedônia. Wiles sustentou que a encarnação, entendida como a união metafísica de duas naturezas em uma pessoa divina pré-existente, constitui uma estrutura mitológica do mundo antigo sem correspondência literal na realidade contemporânea. Para ele, Jesus foi um ser humano plenamente responsivo a Deus, cujo valor reside no exemplo e no ensino, e não em uma singularidade ontológica. Essa revisão estendeu-se à expiação, na qual rejeitou teorias de substituição penal em favor de uma visão de reconciliação inspirada pela obediência de Jesus, e à ressurreição, interpretada não como reanimação biológica, mas como a vindicação divina da vida de Cristo através de encontros transformadores.

Quanto à natureza de Deus e da providência, Wiles propôs uma ação divina não coercitiva que opera exclusivamente por meio das leis naturais e da agência humana, o que o levou a descartar milagres como intervenções que suspendem a ordem física. O dogma trinitário foi redefinido como um modelo para compreender o engajamento diversificado de Deus com a criação, priorizando a Trindade econômica sobre a immanente. A autoridade das Escrituras foi preservada apenas como testemunho primário de experiências religiosas e fonte de paradigmas para a fé. Wiles defendeu que a unidade da Igreja deve repousar no discipulado compartilhado e na ética, e não na uniformidade doutrinária, mantendo a honestidade intelectual como o critério final para a profissão de fé.

James Barr

James Barr (1924-2006) biblista escocês especializado Antigo Testamento.

Barr lecionou na Universidade de Oxford e na Universidade de Glasgow. Seus estudos se concentravam no contexto histórico e linguístico do Antigo Testamento, incluindo o estudo do hebraico bíblico e sua gramática, especialmente a semântica. Contribuiu para o desenvolvimento da crítica literária em estudos bíblicos. Foi um proeminente crítico do fundamentalismo.

Como especialista em semântica e pragmática hebraica, Barr propôs várias rítica de certas falácias semânticas na interpretação bíblica. Por exemplo, em sua avaliação do Theologisches Wörterbuch zum Neuen Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento ou TDNT), uma obra de vários volumes que fornece uma análise aprofundada dos principais termos teológicos do Novo Testamento, Barr apontou muitos problemas interpretativos :

  1. Metodologia: Barr criticou a metodologia usada no TDNT, por sua análise etimológica e filológica por vezes descontextualizada, especulativa ou obsoleta em vez de considerar o uso real e o contexto dos termos em questão. Ele também sugeriu que o trabalho estava muito focado na identificação de significados distintamente cristãos para as palavras, em vez de explorar seu contexto cultural e histórico mais amplo.
  2. Tendências teológicas: Barr demonstrou que autores do TDNT retroverterem o significado das palavras do Novo Testamento conforme suas tendências teológicas. Notou vieses de um confessionalismo luterano.
  3. Confusão entre semântica e pragmática: os autores do TDNT pressupunham uma “mentalidade” grega subjacente que permitira entender melhor as palavras em contraposição a outras mentalidades (por exemplo, semítica ou judia). Barr, com base na linguística e antropologia, demonstrou que a semântica não é circunscrita a uma única mentalidade, variando diacronicamente, bem como pervasiva a outros sentidos devido ao contexto da comunicação.
  4. Antijudaísmo: o TDNT perpetua atitudes antijudaicas e contribuiu para a história do antissemitismo cristão. Por exemplo, sem critérios históricos o TDNT retratava o judaísmo como legalista, ritualístico e desprovido de graça, e que contribuía para a visão de que o judaísmo era uma religião inferior.
  5. Dependência de estudos anteriores: o TDNT era muito dependente de estudos anteriores de modo acrítico e não se envolveu suficientemente com desenvolvimentos mais recentes no campo dos estudos do Novo Testamento.

Em sua crítica semântica, Barr também avaliou abordagens teológicas. Por exemplo, quando Cullmann afirmou que para os gregos (e consequentemente para a teologia do Novo Testamento) havia dois conceitos de tempo chronos e kairos. No entanto, Barr mostrou, a língua grega não mostra contraste absoluto entre os dois, sendo mais nuances dentro do contexto de uso da linguagem que propriamente uma dicotomia.

BIBLIOGRAFIA

Barr, James. The Semantics of Biblical Language. Wipf and Stock , 2004 [1961].

Barr, James. Comparative Philology and the Text of the Old Testament. Eisenbrauns, 1968.

Barr, James. The Bible in the Modern World. SCM Press, 1973.

Barr, James. Fundamentalism. SCM Press, 1977.

Barr, James. The Scope and Authority of the Bible. SCM Press, 1980.

Barr, James. Escaping from Fundamentalism (titled Beyond Fundamentalism in the United States). SCM Press, 1984.

Barr, James. The Variable Spellings of the Hebrew Bible (Schweich Lectures for 1986). Oxford: for the British Academy by the Oxford University Press, 1989.

Barr, James. Biblical Faith and Natural Theology (Gifford Lectures for 1990–91). Oxford: Clarendon Press, 1992.

Barr, James. The Concept of Biblical Theology: an Old Testament perspective. SCM Press, 1999.

Barr, James. History and Ideology in the Old Testament: biblical studies at the end of a millennium. Oxford University Press, 2005.

C. H. Dodd

C. H. ou Charles Harold Dodd (1884-1973) foi um biblista britânico especializado no Novo Testamento.

Nascido no País de Gales e estudou na Universidade de Oxford. Dodd serviu como professor de Estudos do Novo Testamento na Universidade de Manchester de 1930 a 1953. Dedicou-se ao estudo do Evangelho de João, das Parábolas de Jesus e da história da Igreja Primitiva.

Foi o proponente de uma “escatologia realizada” para compreender a mentalidade neotestamentária e da formação do Novo Testamento pela kerigma — a pregação da mensagem cristã.

Kirk R. MacGregor

Kirk R. MacGregor é um historiador da religião, teólogo e filósofo.

Educado na Universidade de Iowa, ele é anabatista (Igreja dos Irmãos) e molinista. Leciona na Radford University.

BIBLIOGRAFIA

MacGregor, Kirk R. A Molinist-Anabaptist systematic theology. Lanham, MD: University Press of America, 2007.

MacGregor, Kirk R. A Central European Synthesis of Radical and Magisterial Reform: The Sacramental Theology of Balthasar Hubmaier. University Press of America, 2006.