Por ocasião da convenção anual da Igreja Cristã da América do Norte (na época, com a sigla CCNA) em 1953, um de seus moderadores, Michele Palma (1884–1963), anunciou o falecimento de Rosina Balzano Francescon. Palma, amigo de longa data de Rosina, redigiu este obituário, que foi publicado no volume 15, número 9, do periódico do movimento pentecostal ítalo-americano Il Faro.
Categoria: Biografia
Dorothee Sölle
Dorothee Sölle (1929-2003) foi uma teóloga e escritora protestante alemã, ativista pela paz.
Sölle nasceu em Colônia em 1929 como Dorothee Nipperdey. Educada em uma família protestante de classe média que valorizava a arte e a filosofia. A família escondeu uma judia no sótão por um tempo e foi forçada a evacuar durante o bombardeio de Colônia. Um dos irmãos mais velhos de Sölle foi mobilizado e morreu no cativeiro.
Estudou línguas clássicas e filosofia em Colônia e Freiburg, mas dois anos depois passou a estudar alemão e teologia em Göttingen. Apesar de não se identificar como religiosa, possuir uma atitude nominal e secular em relação à Igreja Evangélica Alemã. Não se deixou impressionar pela neo-ortodoxia que insistia em que Deus “completamente diferente”.
Após sua formatura em 1954, tornou-se professora de religião no ensino médio. Casou-se com o artista Dietrich Sölle, com quem teve três filhos. O casamento duraria dez anos.
Começou a escrever sob contratos esporáticos e a participar de programas de rádio, falando principalmente sobre história da arte.
Apesar das dificuldades, Sölle escreveu sua fundamentação teológica em Stellvertretung (1965). Entrelaçou a visão cristológica clássica de Cristo representando os humanos diante de Deus com uma noção mais incomum: Cristo também representa Deus entre nós, o Deus ausente e invisível que muitos percebem como “morto”. Além disso, Sölle acreditava que a humanidade representaria Cristo aos outros até o retorno definitivo de Cristo. Isto despertou resistência entre os teólogos eclesiásticos, considerando o seu trabalho demasiado liberal. A mudança de Sölle para a teologia política, entrelaçada com sua vida pessoal, casando-se com Fulbert Steffensky. Ela defendeu a responsabilidade política dos cristãos, o que lhe valeu o rótulo de “socialista cristã”.
Sölle escreveu sobre teologia da libertação, filosofia marxista e teologia feminista. A teologia de Sölle centrava-se em agir contra a injustiça e a opressão no mundo. Escrevia para um público mais amplo, traduzindo conceitos de uma teologia política altamente engajada com uma atitude mística de fé.
Foi uma teóloga da controvérsia e da contradição. O caráter fragmentário de sua obra torna difícil de sistematizar seu pensamento e classificá-lo em grandes correntes.
BIBLIOGRAFIA
Sölle, Dorothy. “Theology for Skeptics” (1968)
Sölle, Dorothy. “Mysticism and Resistance” (1997).
Francesco Turrettini
Francisco Turrettini, Francesco Turrettini, François Turrettin (1623–1687) foi um teólogo da escolástica protestante.
Nasceu em Genebra em 1623 de uma família protestante, com seu avô sendo Giovanni Diodati. Teve atividades acadêmicas em Leiden, Utrecht, Paris, Saumur, Montauban e Genebra. Como pároco em Genebra, também se encarregou dos cuidados pastorais da comunidade italiana.
Turrettini sucedeu a Theodor Tronchin na cátedra de teologia da Academia de Genebra, onde acabou se tornando reitor.
Fervoroso defensor de uma visão calvinista mais estrita, Turrettini se opôs às visões calvinistas associadas à Academia de Saumur. Participou ativamente do Consenso Helvético, defendendo as formulações de predestinação do Sínodo de Dort.
A principal obra de Turrettini, “Institutio Theologiae Elencticae” (3 partes, Genebra, 1679-1685), exemplifica a escolástica reformada. Abordou várias questões controversas, defendendo a noção da Bíblia como a palavra inspirada de Deus, o infralapsarianismo e a teologia federal. Suas obras, incluindo “De Satisfactione Christi disputationes” (1666) e “De necessaria secessione nostra ab Ecclesia Romana et impossibili cum ea sincretismo” (publicado em 1687), abordavam assuntos teológicos críticos.
A influência de Turrettini sobre os puritanos e teólogos posteriores ganharam reconhecimento. Suas obras eram os manuais didáticos de vários seminários, incluindo o de Princeton.
A sua doutrina da liberdade, rejeitando a noção de indiferença, enfatizava a soberania de Deus e a espontaneidade racional da vontade humana.
Francisco Xavier de Oliveira
Francisco Xavier de Oliveira, dito Cavaleiro de Oliveira (1702–1783) foi um escritor estrangeirado português, apologista do protestantismo.
Nascido em Lisboa, era o filho mais velho de José de Oliveira e Sousa, figura que serviu como Balcão de as Contas Reais e Secretário de D. João Gomes da Silva, Conde de Tarouca. A mãe de Francisco Xavier de Oliveira era Isabel da Silva Neves.
Aos 14 anos, em 1716, Francisco Xavier de Oliveira foi admitido no Tribunal dos Contos do Reino, provavelmente pelos serviços prestados pelo seu pai à instituição. Em 1729, aos 27 anos, foi nomeado cavaleiro da Ordem de Cristo e, em 1730, casou-se com Ana Inês de Almeida. Ana Inês faleceu em 1734, deixando duas filhas falecidas na infância e um filho chamado José Anastácio.
Em 1734, Francisco Xavier de Oliveira foi nomeado para a embaixada de Portugal em Viena, sucedendo ao seu pai. Durante a sua missão diplomática, teve conflitos com o embaixador e desenvolveu uma estreita relação com os Príncipes da Valáquia. Em 1739, casou-se com Maria Euphrosine de Punchberg, que faleceu apenas nove meses depois.
Após um período de viagens, mudanças e mudanças de casamentos, Francisco Xavier de Oliveira fixou residência em Londres em 1740. Seus escritos, como “Carta ao Senhor Isaac de Sousa Brito” (1741) e “Mémoires de Portugal” (1741), ganharam atenção, mas a Inquisição em Portugal proibiu a sua distribuição em 1741 e 1742. “Opúsculos Contra o Santo Ofício” (1742), constituem alguns dos ataques mais veementes contra a Inquisição, responsabilizando-a pelo aparente atraso de Portugal. Em 1746, converteu-se oficialmente ao protestantismo.
Francisco Xavier de Oliveira enfrentou problemas financeiros e prisão por dívidas entre 1746 e 1748. Publicou obras como “Discours pathétique au sujet des calamités” (1756) após o terremoto de Lisboa de 1755.
Em 1761, foi condenado pela Inquisição e sentenciado à revelia, o que levou à queima de sua efígie em auto-de-fé. Continuou a criticar a Inquisição e as práticas católicas, publicando obras como “Reflexões de Félix Vieira Corvina dos Arcos” (1767) e um manuscrito inédito intitulado “Tratado do Princípio, Progresso, Duraçam, e Ruína do Reinado do Anti-Christo”. “
Francisco Xavier de Oliveira, ora é caracterizado como um homem do mundo e defensor da liberdade, ora sua sinceridade na adoção do protestantismo é questionada.
Felice Lisanti
Felice Lisanti (1889-1964) foi um ministro pentecostal ítalo-canadense e missionário na Itália.
Felice Lisanti nasceu em Matera, no sul da Itália. De família pobre, teve pouca educação formal. Aprendeu sozinho a ler e escrever.

Em 1913 migrou ao Canadá. Estabeleceu-se em Toronto, onde conheceu o evangelho por meio dos metodistas, quando fazia cursos em uma missão. Lisanti trabalhou tanto no comércio quanto na construção civil.
Em 1914, os primeiros crentes pentecostais ítalo-canadenses de Hamilton, Ontário, enviaram Carlo Pavia, Ferdinando Zaffuto e Frank Rispoli a Toronto para divulgar a mensagem da obra do Espírito Santo. Depois de alguns meses, já no começo de 1915, os metodistas Felice Lisanti e Luca di Marco foram os primeiros na cidade a aceitar essa mensagem.
Em 1917, Felice casou-se com Catarina Piedimonte de Holly, Nova York. Junto com seu concunhado, Luigi Ippolito, passaram a ministrar nas igrejas italianas como ancião em Toronto, além de atenderem Saint Catherines, Welland, Hamilton e Thorold. Nessa época, frequentou aulas noturnas no Eastern Pentecostal Bible College, em Toronto. Seu trabalho seria embrionário tanto na formação da Italian Pentecostal Church of Canada, hoje Canadian Assemblies of God, quanto na Christian Congregation in Canada.
Lisanti em 1921 retornou à sua nativa Matera, onde um missionário proveniente de Chicago (ou Nova Iorque), Antonio Plasmati, tinha iniciado a igreja. A missão de Lisanti provou-se frutífera, com um grande número de convertidos. Felice adquiriu e preparou um lugar de culto numa gruta. Logo, foi registrada a Chiesa Cristiana Evangelica, a qual seria uma das primeiras a ter uma declaração de fé dentro do movimento da obra pentecostal italiana.
Lisanti também proporcionava apoio (inclusive arranjos de casamento) para crentes da Basilicata. Além disso, providenciava conexões que resultavam em migrações, especialmente para o Canadá. Dentre essas famílias, destacam-se os Manafò em Montreal e os Susca no Brasil.
Esteve na Itália em missões por cinco vezes. Depois da 2a Guerra Mundial, foi à Itália junto com seu sobrinho Daniele Ippolito, atendendo principalmente a região de Matera e organizando as primeiras escolas dominicais estruturadas nas igrejas da região. Por ocasião dessa viagem, em 1948 batizou 25 pessoas em Matera.
Depois do desligamento de Francescon da CCNA em 1948-1949, Lisanti manteve sua comunhão com a Congregazione Cristiana de Chicago, embora se mantivesse filiado à Italian Pentecostal Church of Canada. Contudo, nos anos 1950 houve uma divisão na igreja italiana de Toronto. E em 1962 Felice Lisanti foi o principal condutor do grupo que organizou a Congregazione Pentecostale Italiana (Italian Pentecostal Congregation), em plena comunhão com a rede informal ligada à Congregazione Cristiana de Chicago. Receberiam visitas do Brasil, como João Finotti, Miguel Spina e Victório Angare. Dessa igreja, viria depois formar a Christian Congregation in Canada- Toronto e a Weston Road Pentecostal Church. Dois anos depois, Lisanti faleceu.
BIBLIOGRAFIA.
Bracco, Roberto. Il Risveglio Pentecostale in Italia. Roma: ADI, 1956.
Castiglione, Miriam. I Neo-Pentecostali in Italia : (Dal Jesus Movement Ai Bambini Di Dio). Claudiana, 1974.
DeGregorio, A. Lisanti – notas.
Episcopo, Joseph. Comunicação pessoal, 2007.
Fernandes, Lucas. Comunicação pessoal, 2023.
Lisanti, F. Testimonianza. Toronto, s.d.
Manafò, Joseph. Comunicação pessoal, 2001.
