Francescon. Circular de 1939

Circular emitida em 1939 por Louis Francescon. Esclarece questões sobre a controvérsia do consumo de sangue de 1925, a organização das igrejas da Itália e Brasil em 1929 e 1936. Salienta sua oposição contra organizações e autoridade supra igreja local.

https://zenodo.org/record/5196638#.YRaiF4gzY2w

Joaquim Alves

Joaquim Alves (1910? – 1967), ministro do evangelho e missionário da Congregação Cristã no Brasil. Atuou principalmente no Paraná e na Bolívia, com missões adicionais no Paraguai, Província de Misiones (Argentina), Chile, Santa Catarina e no território do atual Mato Grosso do Sul.

Joaquim, Jovelina Alves e seus filhos.

Nascido sob o nome de Alceu Camargo em Pitangui, na bacia do alto Rio São Francisco em Minas Gerais, sua data de nascimento é incerta, seria 1910 ou 1914.

Os motivos que o levaram a sair de sua casa aos quatorze anos com seu irmão Alcino Camargo, um pouco mais velho que ele, são obscuros. Nessa ocasião, seus empregadores em uma fazenda registram-no com o nome Joaquim Alves.

Como muitos jovens mineiros de sua geração, Joaquim saiu de casa na adolescência, oferecendo seus serviços nas fazendas no caminho rumo às áreas cafeeiras de São Paulo e Paraná.

Aprendeu leitura, matemática, a dirigir e a usar equipamentos de topografia. Sua inteligência compensava a limitada educação formal. Sociável e perspicaz, aprendeu a cantar e a tocar piano, violão e corne inglês. Aprenderia ainda a marcenaria e a fotografia – inclusive processo de revelar fotos. Mais tarde, aproveitaria suas viagens a São Paulo para adquirir livros de assuntos variados, de medicina a teologia.

No início dos anos 1930 chegou ao Norte Velho do Paraná separado de seu irmão Alcineu e perdeu contato com ele. Estabeleceu-se em Lajeado, então uma região rural de Santo Antônio da Platina. Nessa localidade, que depois seria o município de Abatiá, havia vários mineiros e paulistas trabalhando na derrubada da mata e no plantio do café.

Casou-se com Ernestina Maria Alves (Pereira era o nome de solteira, nascida em Carlópolis) e tiveram os filhos Josué, Geni, Daniel e Sara. Passou a trabalhar com agrimensura, marcenaria e fotografia.

Certo dia, doente naquele sertão sem recursos, temeu pela vida. Então um homem irreligioso, pediu a visita de um pregador. O pregador apareceu bêbado, para ira e desapontamento de Joaquim, que o enxotou. Tempos depois, apareceu uma vizinha. A dona Maria Teresa Fernandes era paulista e a pouco se estabelecera com seu esposo em Santo Antônio da Platina. Maria Teresa anunciava uma religião nova a Joaquim. Era sobre um Deus que salvava e até mesmo curava. Como resultado de sua fé, Joaquim foi curado e passou a frequentar as reuniões daquele grupo em Lajeado e na área vizinha em Santo Antônio da Platina.

Em pouco tempo, Joaquim se converteu e experimentou o batismo no Espírito Santo com sinal de falar em novas línguas. Foi batizado nas águas junto com sua esposa pelo ancião de Santo Antônio da Platina, Alfredo de Souza. 

Entusiasmado, Joaquim passou a evangelizar seus conhecidos. Aproveitava sua aptidão musical para tocar e cantar os hinos que aprendera. As reuniões de Lajeado ficaram maiores e colocaram a Joaquim como o encarregado de culto.

Apesar de novo no evangelho, Joaquim Alves sentiu um chamado para uma missão na fronteira agrícola.

Na época, o norte do Paraná era um sertão fechado ao oeste do Rio Tibagi, com alguns povoados de safristas – camponeses que criavam os porcos soltos nas florestas de araucária e roçados de milho para engorda de invernadas e os vendiam nas feiras do caminho do Viamão.  Com dois carroções, as famílias de Joaquim Alves, Maria Teresa Fernandes e outra família de crentes cruzaram o caudaloso Rio Tibagi e foram até Marilândia do Sul. Sem ser o lugar da visão, Joaquim deixou as famílias nesse povoado e foi com um companheiro procurar serviços em um povoado vizinho, São Roque, mais tarde emancipado como Tamarana.

Em São Roque, então uma povoação do município de Tibagi, cerca de 400 pessoas viviam em terras que um médico ou dentista de São Paulo comprara o título e oferecia meação. Nesse sistema, o lavrador trabalhava na terra e dividia os lucros com o proprietário.

Peculiarmente nesse povoado havia uma comunidade evangélica sem denominação. No começo da década de 1930, um dos safristas, José Aleixo, viajou a Itararé com varas de porcos para vender ao frigorífico Matarazzo e se encontrou com uns evangélicos. Eram membros da Igreja Batista do Sétimo Dia de Itararé. Aleixo retornou a São Roque com duas Bíblias e começou a evangelizar. Sua casa tornou-se um ponto de culto. Alguns anos se passaram, um bom número de crentes havia ao seu redor que reunia para ler a Bíblia e orar, mas ficaram sem líder quando ele morreu.

Esses evangelizados ouviram falar que havia mais “crentes na Bíblia” em Mauá da Serra. Uma comissão visitou uma comunidade pentecostal que surgia na região serrana e em resultado, passaram por uma experiência de batismo no Espírito Santo. Com a chegada de Joaquim Alves aceitaram sua orientação.

Em alguns meses, no final de 1938, viajaria a Santo Antônio da Platina para se comunicar com Alfredo de Sousa. Foi feito o primeiro batismo nas águas e cerca de 120 pessoas obedeceram a esse mandamento. Joaquim ficou como o encarregado de culto.

Alguns meses depois, em 1939 ou 1940, Alfredo de Souza viria para outro batismo. Desta vez foram 80 almas que desceram às águas. Por ocasião do final do batismo, dirigiu à congregação: “voltem aqui a dois dias, que temos uma novidade para contar para vocês”. Passados os dois dias, vieram de roçados e sítios distantes aqueles quase 200 crentes. Alfredo de Sousa anunciou: “O Senhor preparou o irmão Joaquim Alves para ser ancião de vocês, estão contentes?” Com a confirmação da igreja, se procedeu à ordenação daquele jovem adulto de 24 anos.

Naquele tempo se usava ungir os anciãos e mal acabara de descer o óleo da cabeça de Joaquim Alves quando se formou um tumulto do lado de fora da igreja.

Os habitantes do povoado, incomodados com a fé alheia, cercaram a casa de oração empunhando armas. Gritavam insultos contra os crentes. Ameaçavam-nos de morte. A noite só não acabou em tragédia porque apareceu Mathuzalém Marcondes, um rapaz de 16 anos, acompanhado de peões e intimidou os desordeiros. Entretanto, o inspetor de quarteirão local decidiu fechar a igreja por “perturbar a ordem pública” e intimou os membros mais proeminentes da igreja, dentre Benedito “Tomé” de Souza Domingues, Sebastião Caetano, João Batista Pinto, Virgílio de Carvalho, Teodomiro Mendes de Carvalho a comparecerem ao posto policial em Londrina.

Dias depois, os convocados selaram seus animais e foram prestar contas ao Capitão Pimpão em Londrina. O chefe da polícia depois de ver as mãos calejadas de trabalhadores liberou-os, mas não permitiu que abrissem a igreja.

Por cerca de dois meses a igreja permaneceu fechada, mas a perseguição só reforçou a fé. Os cultos eram feitos nas casas, se oravam nos matos. Como fogo, aquele fervor se alastrou. Mais conversões houve e muitos sitiantes e trabalhadores rurais começaram a sair de São Roque para pregar as boas–novas a seus familiares nas regiões vizinhas.  Na região serrana, às margens do Tibagi surgiam mais grupos de crentes como em Ortigueira, Serra da Pequira, onde se converteu a família Mendes de Moraes.

Cerca de dois anos depois, Joaquim Alves se mudou para Apucarana. No distrito de Pirapó evangelizou uma colônia, dentre os quais se converteram Fiore Fernandes, Mario Catarin, Antônio e José Valério, dentre outros.

De Pirapó e São Roque (Tamarana) a Congregação Cristã expandiu-se para diversos povoados do Paraná, centro-oeste, Sul e Paraguai. O parâmetro era o seguinte: algum trabalhador rural convertido se mudava para alguma nova localidade e compartilhava sua fé. Meses depois vinha Joaquim Alves para dar instruções na doutrina, organizar a igreja e fazer o batismo. Nesse processo, pelos próximos vinte anos Joaquim Alves e sua família mudaram e se estabeleceram em várias localidades do Paraná e Bolívia. Os outros dois anciãos que existiam no Estado atendiam o Norte Pioneiro enquanto Joaquim Alves ficou responsável pelo resto do estado.

Em 1947 enviuvou-se enquanto estava vivendo em Apucarana. Contraiu segunda núpcias com Jovelina Alves (1928-2019), com quem teve os filhos Izabel, Noemi, Jonas e Izaías.

Nos início dos anos 1950 foi para a província de Santa Cruz, Bolívia, onde alguns crentes tinham escutado o evangelho e se convertido em Cruz Soleto, ao norte Santa Cruz de la Sierra. Depois de fazerem o batismo nessa localidade, mudou-se com os novos crentes para a cidade maior, onde fez ele, sua esposa Jovelina e filhos o prédio para a casa de oração.

Em retorno ao Brasil, foi comissionado para organizar o movimento de descentralização administrativo e de gestão espiritual da Congregação Cristã no Estado do Paraná. Para tal, coordenou a construção de uma grande casa de oração situada na Avenida Munhoz da Rocha em Apucarana, ordenou novos ministros (desses, 44 anciãos) e iniciou nesse estado a assembleia anual (reunião geral de ensinamentos) sob sua presidência. Ao ser ordenado havia cerca de meia-dúzia de congregações no estado do Paraná, ao falecer contava-se com mais de 500 congregações.

Continuou a exercer seu ministério itinerante pelo estado. Em uma dessas ocasionais mudanças, retornou à Apucarana. Enfermo, ainda que relativamente jovem, estava no quarto dia em sua casa nova, quando se sentiu mal. Foi orar e faleceu. Seu funeral reuniu uma grande multidão e causou expressão de comoção por várias pessoas e autoridades.

Em sua homenagem, foi nomeada uma rua na cidade de Apucarana.

Descrito como tendo um caráter afável e humilde, em seu ministério pode testemunhar vários eventos miraculosos. Sua voluntariedade — ainda que onerosa a seus parcos recursos e a sua família — permitiu a fundação e consolidação dessa igreja em várias localidades.

ANCIÃOS ORDENADOS POR JOAQUIM ALVES

  • Aluísio Nunes Costa
  • Amador Luciano da Silva
  • Antonio Ângelo Zani
  • Antonio Campanholi
  • Antonio Garcia Gomes
  • Antonio José Fernandes
  • Antonio Ziroldo
  • Ari Ferreira dos Reis
  • Benedito Paulino
  • Delmiro Rodrigues Lopes
  • Edmundo Ribeiro Sales
  • Eronildes Alves Santos
  • Francisco Nogueira
  • Jair Mendes de Moraes
  • Jayme dos Santos
  • João Paulino de Souza
  • João Ramos
  • João Rodrigues de Almeida
  • Joaquim Lopes de Oliveira
  • Joaquim Pedro Zanotto
  • Joaquim Pinto dos Santos
  • Joaquim Santiago
  • José Furquim
  • José Izidoro de Oliveira
  • José João de Souza
  • José Mazini
  • José Xavier de Freitas Filho
  • Josias Alves Soares
  • Júlio Cirilo de Souza
  • Lázaro Teixeira Bastos
  • Marcílio Brocco
  • Messias Ferreira Coutinho
  • Pedro de Oliveira
  • Pedro Gonçalo dos Santos
  • Petronilo José da Silva
  • Santino Gomes da Rocha
  • Sebastião Mendes de Moraes
  • Sebastião Pinto
  • Sebastião Thomaz Affonso
  • Sebastião Vieira da Silva
  • Vicente Subtil de Oliveira
  • Vítor Martins Bueno
  • Wilson Diogo de Araújo
  • Zirde Giatti

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Fé e Regra da Congregação Cristã de Chicago

Este documento é o estatuto da Congregação Cristã de Chicago originalmente elaborado em 1926 e suplementado em 1955. Foi composto pelos anciãos e administradores dessa igreja e assinado por Louis Francescon.

Christian Congregation Church. Fede e regole delle Congregazione Cristiana di Chicago, Illinois. Chicago, 1936, 1955. DOI https://doi.org/10.5281/zenodo.5102765

Francescon. Carta de Santo Antonio da Plantina, 1910

Esta escrita durante sua estada em Santo António da Platina entre 20 de abril e 20 de junho de 1910, de certa forma, constitui a ata de nascimento da Congregação Cristã no Brasil.

Francescon, Louis. Lettera da Santo Antonio da Platina a Rosina Francescon. [Editado por Alves, Leonardo Marcondes. Círculo de Cultura Bíblica, 2021]. S.d. Santo Antônio da Platina, 1910. DOI 10.5281/zenodo.5102715

Francescon. Congregação Cristã (denominada pentecostal) breves considerações sobre sua organização

Este documento foi preparado e impresso por Louis Francescon por ocasião da segunda assembleia geral das igrejas na Itália em 1929. Serviu como estatuto das igrejas na Itália até o início da perseguição em 1935. É citado por Francescon em sua circular de 1939.

Francescon, Louis. Congregazione Cristiana (Denominata Pentecostale): brevi cenni sull’organizzazione della medesima. [Editado por Alves, Leonardo Marcondes. Círculo de Cultura Bíblica, 2021]. Roma, 1929. DOI https://doi.org/10.5281/zenodo.5102731

Conteúdo comum dos evangelhos

Se extrair dos quatro evangelhos somente as frases comuns (sem considerar total coincidência vocabular nem temas compartilhados) teremos o seguinte texto:

[as boas-novas de Jesus Cristo]

  1. João veio a batizar no deserto,
  2. e a pregar o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. 
  3. E toda a província da Judeia e todos os hierosolimitanos saíam até ele; e eram batizados
  4. por ele no rio Jordão, confessando seus pecados. 
  5. E aconteceu que, naqueles dias, Jesus de Nazaré da Galileia veio, e foi batizado por João no Jordão. 
  6. Jesus veio para a Galileia,
  7. entrou na sinagoga e começou a ensinar. 
  8. “Levanta-te, toma o teu leito, e anda”? 
  9. E logo ele se levantou, tomou o leito, e saiu na presença de todos,
  10. E foram-se a um lugar deserto à parte. 
  11. Mas aos viram ir, e muitos o reconheceram. Então correram para lá a pé de todas as cidades, chegaram antes deles. 
  12. Quando saiu, viu uma grande multidão, e começou a lhes ensinar muitas coisas. 
  13. E quando já era tarde, os seus discípulos vieram a ele, e disseram: O lugar é deserto, e a hora já é tarde. 
  14. Despede-os, para eles irem aos campos e aldeias circunvizinhos, e comprarem comida
  15. Mas ele respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer.
  16. disseram: Cinco, e dois peixes. 
  17. E mandou-lhes que fizessem sentar a todos em grupos
  18. E sentaram-se repartidos de cinquenta em cinquenta. 
  19. Ele tomous os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou, e partiu os pães, e os deu aos discípulos, para que os pusessem diante deles. E os dois peixes repartiu com todos. 
  20. Todos comeram e se saciaram. 
  21. E dos pedaços de pão e dos peixes levantaram doze cestos cheios.
  22. Saiu Jesus com seus discípulos para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e no caminho perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu?
  23. Eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Um dos profetas.
  24. Ele lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que sou eu? Respondeu-lhe Pedro: Tu és o Cristo.
  25. Ordenou-lhes Jesus que a ninguém falassem a respeito dele.
  26. E quando chegaram perto de Jerusalém,
  27. E trouxeram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele suas roupas, e sentou-se sobre ele. 
  28. E muitos estendiam suas roupas pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. 
  29. E os que iam adiante, e os que seguiam, clamavam: Hosana, bendito o que vem no Nome do Senhor! 
  30. Bendito o Reino
  31. E vieram a Jerusalém; e entrando Jesus no Templo, começou a expulsar aos que vendiam dizendo-lhes: Não está escrito: Minha casa será chamada casa de oração? Mas vós a tendes feito esconderijo de assaltantes! 
  32. E estando ele em Betânia, em casa de Simão o Leproso, sentado, veio uma mulher, que tinha um vaso de alabastro, de óleo perfumado de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso de alabastro, derramou-o sobre a cabeça dele. 
  33. E houve alguns que se irritaram em si mesmos, e disseram: Para que foi feito este desperdício do óleo perfumado? 
  34. Porque isto podia ter sido vendido por mais de trezentos dinheiros, e seria dado aos pobres. E reclamavam contra ela. 
  35. Porém Jesus disse: Deixai-a; por que a incomodais? Ela tem me feito boa obra. 
  36. Porque pobres sempre tendes convosco; e quando quiserdes, podeis lhes fazer bem; porém a mim, nem sempre me tendes. 
  37. Esta fez o que podia; se adiantou para ungir meu corpo, para sepultura. 
  38. Em verdade vos digo, que onde quer que em todo o mundo este Evangelho for pregado, também o que esta fez será dito em sua memória. 
  39. E Pedro lhe disse: Ainda que todos se ofendam, não porém eu. 
  40. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo, que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, me negarás três vezes. 
  41. Mas ele muito mais dizia: Ainda que me seja necessário morrer contigo, em maneira nenhuma te negarei. E todos diziam também da mesma maneira. 
  42. E vieram ao lugar, cujo nome era Getsêmani, e seus discípulos
  43. E logo veio Judas e com ele uma grande multidão, com espadas e bastões, da parte dos chefes dos sacerdotes, e dos escribas, e dos anciãos. 
  44. E um dos que estavam presentes ali puxando a espada, feriu ao servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha. 
  45. E respondendo Jesus, disse-lhes: Como a assaltante, com espadas e bastões, saístes para me prender? 
  46. Todo dia convosco estava no Templo ensinando, e não me prendestes;
  47. E levaram Jesus ao sumo sacerdote; e juntaram-se a ele todos os chefes dos sacerdotes, e os anciãos, e os escribas. 
  48. E Pedro o seguiu de longe até dentro da sala do sumo sacerdote, e estava sentado juntamente com os trabalhadores, e esquentando-se ao fogo. 
  49. E os chefes dos sacerdotes, e todo o tribunal buscavam testemunho contra Jesus, para o matarem, e não achavam. 
  50. Porque muitos testemunhavam falsamente contra ele; mas os testemunhos não concordavam entre si. 
  51. E levantando-se uns testemunhava falsamente contra ele, dizendo: 
  52. Nós o ouvimos dizer: Eu derrubarei este templo feito de mãos, e em três dias edificarei outro, feito sem mãos. 
  53. E nem assim era o testemunho deles concordante. 
  54. E levantando-se o sumo sacerdote no meio, perguntou a Jesus, dizendo: Não respondes nada? Que testemunham estes contra ti? 
  55. Mas ele calava, e nada respondeu. O sumo sacerdote voltou a lhe perguntar, e disse-lhe: Tu és o Cristo, o Filho do bendito? 
  56. E Jesus disse: Eu sou; e vereis ao Filho do homem sentado à direita do poder, e vir nas nuvens do céu. 
  57. E o sumo sacerdote, rasgando suas roupas, disse: Para que mais necessitamos de testemunhas? 
  58. Tendes ouvido a blasfêmia; que vos parece? E todos o condenaram por culpado de morte. 
  59. E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto; e a dar-lhe de socos, e dizer-lhe: Profetiza. E os trabalhadores lhe davam bofetadas. 
  60. E estando Pedro embaixo na sala, veio uma das servas do sumo sacerdote; 
  61. E vendo a Pedro, que se sentava esquentando, olhou para ele, e disse: Também tu estavas com Jesus o Nazareno. 
  62. Mas ele o negou, dizendo: Não conheço, nem sei o que dizes: E saiu-se fora ao alpendre; e cantou o galo. 
  63. E a serva vendo-o outra vez, começou a dizer aos que ali estavam: Este é um deles. 
  64. Mas ele o negou outra vez. E pouco depois disseram os que ali estavam outra vez a Pedro: Verdadeiramente tu és um deles; pois também és galileu,
  65. E ele começou a amaldiçoar e a jurar: Não conheço a esse homem que dizeis.
  66. E logo ao amanhecer, os sumos sacerdotes tiveram conselho com os anciãos, e com os escribas, e com todo o tribunal; e amarrando a Jesus, levaram e entregaram a Pilatos. 
  67. E perguntou-lhe Pilatos: És tu o Rei dos Judeus? E respondendo ele, disse-lhe: Tu o dizes. 
  68. E os chefes dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas,
  69. Mas Jesus nada mais respondeu;
  70. E na festa lhes soltava um preso, qualquer que eles pedissem. 
  71. E havia um chamado Barrabás,
  72. E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que vos solte? 
  73. a multidão, para que, ao invés disso, lhes soltasse a Barrabás. 
  74. e entregou a Jesus para que fosse crucificado. 
  75. e o vestiram de suas próprias roupas, e o levaram fora, para o crucificarem. 
  76. E forçaram que levasse sua cruz. 
  77. E o levaram ao lugar de Gólgota, que traduzido é: o lugar da caveira. 
  78. E havendo o crucificado, repartiram suas roupas, lançando sortes sobre elas, quem levaria cada uma. 
  79. E crucificaram com ele dois ladrões, um à sua direita, e outro à esquerda. 
  80. encheu de vinagre uma esponja, e pondo-a em uma cana, dava-lhe de beber,
  81. E Jesus, dando uma grande voz, expirou. 
  82. E vinda já a tarde, porque era a preparação, que é o dia antes de sábado; 
  83. Veio José de Arimateia, honrado membro do conselho, que também esperava o Reino de Deus, e com ousadia foi até Pilatos, e pediu o corpo de Jesus. 
  84. E havendo sido explicado pelo centurião, deu o corpo a José. 
  85. O qual comprou um lençol fino, e tirando-o, envolveu-o no lençol fino, e o pôs em um sepulcro escavado em uma rocha, e revolveu uma pedra à porta do sepulcro. 
  86. E Maria Madalena, e Maria de José, olhavam onde o puseram.
  87. E passado o sábado, Maria Madalena, e Maria de Tiago, e Salomé, compraram especiarias, para virem e o ungirem. 
  88. E manhã muito, o primeiro dia da semana, vieram ao sepulcro, o sol já saindo. 
  89. Porque era muito grande. E observando, viram que já a pedra estava revolta 
  90. E entrando no sepulcro, viram um rapaz sentado à direita, vestido de uma roupa comprida branca; e se espantaram. 
  91. Mas ele lhes disse:
  92. dizei a seus discípulos e a Pedro,
  93. E elas, saindo apressadamente, fugiram do sepulcro; porque o temor e espanto as tinha tomado.