Clipping: Milagres do Espírito Santo

Em fevereiro e março de 1908 o jornal La Parola dei Socialisti em Chicago publicou duas reportagens sobre os cultos da missão pentecostal italiana de West Grand Avenue. Trata-se de um testemunho importante, ainda que em tons de polêmica, da vida comunitária e de culto.

Bertelli, Giuseppe (ed.), & Alves, Leonardo Marcondes. (2022). Miracles of the Holy Ghost–Apostolic Larceny– and Swindling of Imbeciles. Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.6481412

https://doi.org/10.5281/zenodo.6481412

Katharine Bushnell

Katharine Bushnell (1855-1946) foi uma feminista cristã, missionária, tradutora, biblista e pioneira da defesa dos direitos das mulheres.

Katharine Bushnell

Nascida em um lar metodista em Peru, Illinois, estudou na Northwestern University. Juntou-se à Frances Willard, deã da Faculdade das Mulheres na Northwestern University em Chicago. Lá, Bushnell envolveu-se na Women’s Christian Temperance Union (WCTU), movimento de reforma social liderado por Willard. Estudou grego, latim e medicina.

Em 1879 foi como missionária metodista para a China, onde fundou um hospital pediátrico em Shangai.

Acompanhando uma colega em estado terminal, Bushnell voltou aos Estados Unidos em 1882, estabelecendo-se em Denver por um tempo, onde abriu uma clínica.

Engajada no movimento de santidade interno ao metodismo e de reforma social, mudou-se para Chicago para assumir o cargo de National Evangelist of the Social Purity Department. Junto de Elizabeth Andrew, fundou o Anchorage Mission in Chicago, um abrigo que acolhia 5.000 mulheres anualmente. Fez campanhas contra e investigou a escratura de mulheres para prostituição.

Como biblista, denunciou as traduções bíblicas enviesadas contra as mulheres tanto em chinês quanto em inglês. Em 1908 produziu o God’s Word to Woman, um estudo por correspondência que fazia um panorama de personagens femininas e passagens bíblicas distorcidas. O curso tornou-se um livro em 1923.

BIBLIOGRAFIA
Bushnell, Katharine C. God’s Word to Women. 1923.

Bushnell, Katharine C. Heaven on Earth and How it will Come. London: Marshall Brothers, 1914.

Bushnell, Katharine C. Plain Words to Plain People. [S.l. 1918?].

Bushnell, Katharine. Take Warning! [S.l., 1910?].

Bushnell, Katharine Caroline e Elizabeth Wheeler Andrew. Heathen Slaves and Christian Rulers. Oakland, CA: Messiah’s Advocate, 1907.

Bushnell, Katharine; Andrew, Elizabeth. The Queen’s Daughters in India. London: Morgan and Scott, 1899.

Du Mez, Kristin Kobes. “The Forgotten Woman’s Bible: Katharine Bushnell, Lee Anna Starr, Madeline Southard, and the Construction of a Woman-Centered Protestantism in America, 1870-1930.” Ph.D. diss., University of Notre Dame, 2004.

Hardwick, Dana. Oh Thou Woman That Bringest Good Tidings: The Life and Work of Katharine C. Bushnell. Morris Publishing and Christians for Biblical Equality, 1995.

Kroeger, Catherine C. “The Legacy of Katherine Bushnell: A Hermeneutic for Women of Faith.” Priscilla Papers, Fall 1995.

O derramar do Espírito Santo: 15 de setembro de 1907

“O inesquecível 15 de setembro”– Louis Francescon
“Dia de sagrada memória” – Peter Ottolini

Local da “Igreja dos Toscanos” na W. Grand Avenue, cenário do avivamento de 1907.

Em uma manhã de domingo no final do viçoso verão de Chicago, o jovem Jean Etienne Perrou caminhou pela agitada e populosa colônia italiana no melhor de seus trajes domingueiros até uma porta comercial localizada na 1139 W. Grand Avenue. Entre mercearias, lojas e moradias apertadas aquele estabelecimento parecia deslocado. As duas vidraças tapadas com cortinas não revelavam muito do que se passava no interior daquele endereço. Na vidraça, a única indicação do propósito desse lugar aparecia pintada em letras brancas em italiano: “Reunidos em Nome do Senhor Jesus”.

Nascido em Marselha, na Côte D’azur, filho de pais italianos francófonos, Jean era chamado Giovanni para seus compatriotas e John para os americanos. O garçom magro e alto que há pouco migrara para a América teve acolhida entre seus correligionários valdenses em Chicago, mas não ficou muito tempo entre eles. O rapaz de vinte anos preferia a ordem de culto com mais liberdade daquele ajuntamento sem denominação da Grand Avenue. Ali se tinha liberdade para chamar cânticos, orar, testemunhar, ler e exortar pela Bíblia conforme o crente sentisse movido pelo Espírito Santo.

Perrou chegou e ajoelhou-se para sua oração privada. Súbito e inesperadamente foi tomado pelo Espírito Santo e manifestava em novas línguas. Os membros da igreja, espantados e maravilhados, não compreendiam o que se passava. Outros presentes também manifestavam da mesma forma. Um dos dois anciãos daquela igreja, Ottolini narra o que se seguiu:

Vendo essa manifestação, senti de chamar a Francescon. Encarreguei G. Marin de ir dizer a Francescon que o Senhor o queria no meio de nós. Quando Marin chegou em casa, não encontrou ninguém e escreveu um bilhete que dizia: ‘o Senhor está manifestando o seu poder na nossa igreja de Grand Avenue, a gente gostaria que fosse lá.’ E passou o bilhete por baixo da porta. Quando Francescon retornou à casa leu o aviso, foi a DiCicco, que morava na vizinhança, mostrou-lhe o bilhete ajuntando: ‘Pois que o Senhor está manifestando seu poder na igreja dos toscanos e nos tem pedido nossa presença, seria bom irmos.’ Francescon chegou cerca das 14:00 e encontrou um grande número dos presentes revestidos do poder de Deus. Nesse dia o Senhor batizou Pietro Menconi, Esterina Giometti e Caterina Gardella. Durante a terceira reunião daquele dia, o Espírito do Senhor me ordenou dizer: ‘o Senhor enviou o irmão Francescon aqui para que por meio dele possamos escutar a palavra de Deus, até que perdure as circunstâncias de agora.’ O irmão Francescon hesitava a aceitar o convite, mas o Senhor revestiu-o de um poder sobrenatural. Se levantou e disse: ‘agora estou seguro que o Senhor falou por meio do irmão Ottolini’, então deu uma mensagem poderosa. As bênçãos daquele dia foram inúmeras, não é possível contar cronologicamente os batizados (no Espírito Santo). Uma coisa pode ser dita, parecia que o dia de Pentecoste reapareceu e Chicago se tornara o centro dessa obra divina a qual estava destinada a distribuir bênçãos especiais ao povo italiano. (Ottolini. Storia della Opera Italiana. 1945).


Francescon narra os eventos desse dia com algumas variações de detalhes:

No inesquecível dia 15 de setembro do mesmo ano, na casa de oração da W. Grand Av. 1139, o Senhor se manifestou no irmão A. Lencioni, e muitos dos presentes, julgando que ele não se encontrasse em si, formaram um ambiente confuso, por não discernirem a Obra de Deus. Dois dos presentes (P. Menconi e Luigi Garrou) vendo isto, vieram me chamar, dizendo-me que fosse depressa onde eles se encontravam reunidos; antes de sair, orei ao Senhor que me determinou ir. Ao entrar naquele local, o Senhor me abriu a boca para falar-lhes do poder do sangue do concerto eterno e que só por ele se pode permanecer em pé na presença de Deus e obter as suas fiéis promessas. Imediatamente, o Senhor se manifestou com sua presença, selando os irmãos P. Menconi, A. Andreoni, A. Lencioni e outros, e as maravilhas de nosso Senhor e de seu grande poder foram conhecidas e manifestadas a todos quantos vinham para vê-las e o Senhor convencia e os selava, jovens e velhos (na fé) e entre esses os irmãos G. Marin e Umberto Gazzari. Quando voltei à Congregação da W. Grand Ave, o irmão P. Ottolini abria o serviço e P. Menconi presidia. No terceiro serviço que tivemos, sucedeu que enquanto o irmão P. Menconi subia ao púlpito, o irmão P. Ottolini (guiado pelo Espírito Santo), deu um salto e falou em alta voz: “Irmão Menconi! Pare; o Senhor me disse que enviou em nosso meio o irmão Louis Francescon para nos exortar”. E o irmão P. Menconi foi confirmado pelo Senhor para ficar sentado no momento, depois também Deus servir-se-ia dele. E foi assim, que, novamente, ocupei o lugar de ancião nessa igreja até 29 de junho de 1909 (Francescon. Fedele Testimonianza. 1952).


A congregação toda fora tomada e transformada pelo poder do alto. Vários crentes foram confirmados pelo Espírito Santo com seus dons, com falar de novas línguas e profecias que viriam em breve se cumprirem. Aquela glória continuou por todo o dia até à tarde da noite. Anos mais tarde, Francescon relembrava “o inesquecível 15 de setembro” e Ottolini o “dia de sagrada memória” tendo-o como a data inicial dessa Obra. Em um documento estatutário escrito anos mais tarde, Francescon reflete sobre o impacto do derramar do Espírito Santo:

Cremos nos dons de Deus pelos quais essa obra começou entre o povo italiano em Chicago. Essa obra começou no ano de 1907. Depois de poucos meses, alguns do povo guiados pelo Espírito Santo levaram o testemunho desta obra de Deus a diversas localidades da América do Norte, Itália e América do Sul. Deus acompanhou-os com suas maravilhas e a obra cresceu e esparramou miraculosamente. Isso se cumpriu no espaço de três anos, o que serviu para confirmar-nos que devíamos deixar o Senhor realizar Sua Obra e que devíamos tão somente escutá-Lo e segui-Lo. Essa é a única razão que nunca consentimos usar outro método humano de fazer a obra de Deus, métodos os quais são contrários aos pensamentos e caminhos do Senhor (Isa 55:8) e ao testemunho do Novo Testamento. (Francescon. Fede e Regola Congregação Cristã de Chicago, agosto de 1955).

FONTE

ALVES, Leonardo Marcondes. Congregação Cristã na América do Norte: sua origem e culto. 2011. pp. 4-5

Susanna Colantonio

Susanna Maria Antonietta Colantonio Lewen (1891-1980), também chamada Susie Colantonio, foi evangelista e pregadora ítalo-americana. Foi uma das primeiras pessoas após o avivamento de Chicago partir para a Itália e formar um núcleo de crentes batizados pelo Espírito Santo.

Nascida em Chicago do casal de abruzzenses Michele Colantonio (1857 – 1949) e Fiorangela “Florence” Balzano (1872-1917). Sua família converteu-se a Cristo e participava da Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, da qual sua tia Rosina Balzano Francescon, irmã de Fiorangela, ocupava funções de liderança.

A família retornou para a Itália, quando Susanna tinha 15 ano. Duas vilas, Castel San Vincezo e Castellone al Volturno, província de Isérnia, Molise, no sul da Itália, foram evangelizadas pela família. Na região foi formada uma igreja ligada aos valdenses.

Após seu retorno a Chicago, Susanna estranhou as mudanças em sua igreja e começou a frequentar a escola dominical na missão North Avenue de William Durham e a Congregação Italiana então sem nome reunida na West Grand Avenue. Depois de experimentar a efusão no Espírito Santo com diversos sinais, seus pais presbiterianos proibiram-na de congregar.

Em casa, continuou a buscar os dons do Espírito Santo, quando teve seu batismo com sinal de falar em novas línguas. A partir disso, seus pais decidiram voltar para a Itália, o que aconteceu por volta do início de 1908.

No sítio da família em Castellone al Volturno ela começou a pregar Atos 2 sobre o derramamento do Espírito Santo nos últimos dias. Depois de alguma resistência paterna, toda a família aceitou seu testemunho e começaram a realizar cultos. Alguns dias depois Susanna batizou várias pessoas em um riacho do sítio.

Susie permaneceu por quatro anos pastoreando ovelhas na fazenda da família. Mantinha sua fé pela leitura da Bíblia e cânticos. Testemunhou vários milagres de atendimento de necessidade de alimentos e curas.

Tendo já esquecido a língua inglesa e rejeitado seu repatriamento  aos EUA por razões médicas, compareceu ao consulado americano. Nessa ocasião, teve sua habilidade de falar inglês fluentemente renovada.

Retornou sozinha aos Estados Unidos e conheceu um ex-monge franciscano. Após conduzi-lo a Cristo, casaram-se em 1914 no Michigan. Seu marido John Dean Lewen (Lewan ou Lewandowski) (1895-1951) trabalhava como gráfico e depois tornou-se ministro do evangelho. O casal viajou muito pelo Estados Unidos dando testemunho e exortando as congregações pentecostais.

BIBLIOGRAFIA

FamilySearch
Colantonio Lewen, Susanna M., The Story of My Life, Chicago: s.d.

Dwight L. Moody

Dwight L. Moody (1837-1899) foi um evangelista em Chicago. Deixou uma influência doutrinária no avivamento pentecostal italiano.

Moody era um vendendor de uma loja em Boston antes mudar-se para Chicago. Em 1856, após sua conversão, abriu uma escola dominical em Chicago. Como das muitas crianças educadas por ele no evangelho depois de adultas continuavam a frequentar suas reuniões, Moody começou a fazer cultos não denominacionais. Multidões se reuníam para as cultos de avivamento para vê-lo pregar.

Moody começou a viajar pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha fazendo reuniões de evangelização em auditórios, acompanhado pelo músico Ira David Sankey.

Com mensagem simples e propondo uma leitura intensiva e tópica da Bíblia, Moody levou o evangelho a milhares de almas. Apesar de ser bem popular, recusava o culto de personalidade. Por vezes, pedia para que os convertidos não viessem às suas reuniões para dar lugar aos não crentes.

Moody fundou o North Side Tabernacle (renomeado depois de sua morte como “The Moody Memorial Church”), o Moody Bible Institute (fundado em 1886, como Chicago Evangelization Society), além outras escolas pelo país.

Suas reuniões livres de treinamento bíblico atraíam vários pioneiros como Rosina Francescon e seu trabalho na Associação Cristã nos Moços permitiu que essa organização apoiasse o trabalho de evangelização entre os italianos da cidade.

Com um de seus colaboradores, o britânico Henry Moorhouse (1840-1880), Moody aprendeu o Método de Leitura Bíblica. Moorhouse, influenciado por Spurgeon e pelos Irmãos de Plymouth, valorizava uma leitura imediata (isto é, sem mediação de comentaristas ou teólogos) da Bíblia. Assim, Moody adotou esse método, estimulando a memorização e uma leitura tópica com auxílio de concordâncias.

Moody era proponente da chamada Soteriologia de Keswick, no qual enfatizava o revestimento do poder do Espírito Santo subsequente à salvação. Moody sumarizava a mensagem do evangelho em “Três Erres”: ruína, redenção e regeneração. A ruína pelo pecado afetava a vida espiritual, social e material do ser humano enquanto a redenção pelo poder do sangue de Jesus permitia regeneração pela obra do Espírito Santo.

Seu princípio de “unidade sobre credo”, “comunhão sobre confissão”, a centralidade do sangue de Cristo para a salvação em Moody e seus métodos evangelísticos geram dificuldades de interpretar sua teologia. Por exemplo, sobre a expiação há interpretações divergentes de qual seia sua teologia. A centralidade da mensagem de Moody era a oferta universal do perdão divino. Como na parábola do filho pródigo, o pecado humano não afetou o amor do pai; assim, Deus amava tanto o pecador quanto o redimido de igual modo e ofereceria salvação a todos. Alguns biógrafos enxergam nele a adesão uma teoria de influência moral (Findlay 2007, pp. 232-234). A obra de Jesus Cristo na cruz visaria principalmente alterar a atitude da humanidade para com Deus, em vez da inclinação de Deus para a humanidade (Findlay, 2007, pp. 232–234). Outros biógrafos afirmam que os temas de lei, punição consequente, ira divina, dívida, substituição e satisfação possuiriam um arcabouço da teoria de substituição (Gundry, 1999, pp. 103-109, 116). Por sua vez, o avivalismo de Moody entre luteranos e igrejas livres escandinavas produziu uma rejeição da doutrina da substituição penal, pois passou a ser entendido que em termos de reconciliação foi o sangue dos sacrifícios do Antigo Testamento que efetuava a expiação em vez da própria morte do animal. Essa posição de influência moral foi abraçada por P.P. Waldenström e pelas igrejas livres da aliança sueca e escandinavo-americana que, por sua vez, influenciaram Moody (Gustafson, 1999). Entretanto, a teoria de Waldenström foi veementemente condenada por R.A. Torrey, sucessor de Moody. Por dar igual ênfase no amor de Deus e no sangue sacrificial de Cristo, talvez seja razoável a afirmação de que havia aspectos da influência moral (Deus disposto a perdoar) e substituição (o sangue de Cristo derramado) em sua soteriologia (Bebbington, 2005, pp. 47–48).

Suas campanhas evangelísticas eram acompanhadas de vários músicos. Consequentemente, houve um florescimento na hinódia avivalista, especialmente por músicos como Ira D. Sankey. A contribuição desses músicos ligados a Moody foi indelével nos hinários que vieram a ser adotados pelas igrejas pentecostais italianas e na Congregação Cristã no Brasil.

BIBLIOGRAFIA

Bebbington, David W. The Dominance of Evangelicalism: The Age of Spurgeon and Moody. Downers Grove, Ill.: 2005.

Curtis, Richard K. They Called Him Mister Moody. Grand Rapids: Eerdmans, 1962.

Evensen, Bruce J. God’s Man For the Gilded Age: D. L. Moody and the Rise of Modern Mass Evangelism. Oxford: Oxford University Press, 2003.

Findlay, James F. Dwight L. Moody: American Evangelist, 1837-1899. Wipf and Stock Publishers, 2007.

George, Timothy (ed.). Mr. Moody and the Evangelical Tradition. London/New York: T & T Clark, 2004.

Gundry, Stanley N. Love Them In: The Life and Theology of D. L. Moody. Chicago: Moody Press, 1999.

Gustafson, David M. “J.G. Princell and the Waldenströmian View of the Atonement,” Trinity Journal, 20, No. 2, (Fall, 1999) 191–214.

Quiggle, Gregg William. An analysis of Dwight Moody’s Urban Social Vision. PhD thesis The Open University, 2010.

Giacomo Lombardi

Giacomo Lombardi (alternativamente James Joseph Lombardi), foi um missionário do início do avivamento italiano. Ordenado ancião em Chicago, esteve em missões em várias localidades da América do Norte, Argentina, Brasil, Itália, Eritreia e Oriente Médio.

Cronologia extraída de diversos documentos e fontes primárias.

1862- Nasce a 3 de outubro no povoado de Prezza, L’Aquila, Itália com o nome Giacomo Giuseppe Lombardi.

Começa a trabalhar jovem como jornaleiro (trabalhador braçal no campo).

1870s – Mais tarde se torna ferroviário especializado. Talvez foi nesa época que teve educação formal como geômetra (topógrafo) ou técnico de engenharia ferroviária.

1888 – Casa-se com Annunziata Colella.
1892 – Emigra para os Estados Unidos, onde acha trabalho braçal.
1894 – Chega a Chicago. Evangelizado provavelmente por Alberto diCicco e M. Nardi, torna-se membro da First Italian Presbyterian Church.
1907- Final do ano: participa dos cultos da congregação italiana de W. Grand Avenue e é curado milagrosamente.
1907- 8 de dezembro: batizado no Espírito Santo.
1908 – Janeiro: batizado nas águas, provavelmente por William H. Durham.
1908 – Fevereiro: ordenado ancião em Chicago.

1908  – Com seis filhos, deixa seu trabalho para realizar atividades missionárias.
1908 – 15 de julho. Primeira viagem missionária com Louis Francescon a St. Louis e Los Angeles.
1908 – Setembro: deixa a Califórnia para ir em missão à Itália.
1908 – Dezembro: inicia a igreja em Roma.
1909 – Janeiro: Inicia outra igreja na Itália em La Spezia, Ligúria. Nesta cidade Umberto Gazzari já tinha evangelizado alguns parentes e encaminhando-os à Igreja dos Irmãos. Lombardi acha-os por revelação divina e eles recebem o batismo do Espírito Santo. Retorna à Chicago.
1909 –  Setembro: viagem com Francescon e Lucia Menna à Argentina.
1909 – 9 de Outubro. Chegam a Buenos Aires.
1909 –  Novembro:  vão a Tres Arroyo e San Cayetano, província de Buenos Aires.
1909 – 28 de novembro:  Batismo do Espírito Santo entre os crentes em Tres Arroyos
1909 – Dezembro: Francescon e Lombardi presos e expulsos de Tres Arroyos, vão para o Tigre e evangelizam a família Pietrini.
1910 – 8 de março: deixam a Argentina.
1910 – 10 de março: Francescon e Lombardi chegam a São Paulo.
1910 – 18 de abril: Lombardi deixa Francescon no Brasil, enquanto faz uma breve estada em Buenos Aires [não há registro migratório desta viagem] e depois retorna aos Estados Unidos.
1912– 11 de abril: parte com Francescon e Terragnoli para a Europa no navio Carpathia, mas ocorre o naufrágio do Titanic e o navio  no qual viajavam presta socorro.
1912 – Final de abril: Lombardi vai sozinho à Eritreia, então colônia italiana no nordeste da África.
1912 – Maio: Lombardi tenta pregar a mensagem do Espírito Santo na missão valdense e em uma missão adventista escandinava em Asmara. Sem sucesso.
1912 – 26 de maio:  Lombardi batiza um certo barão Amedeo Sarli em Asmara. Um adventista norueguês [Anol Grundsent? E.J. Lorentz?] também aceita o batismo do Espírito Santo.
1912 –7 de junho: Lombardi deixa Asmara.
1912 – 17 de junho: Lombardi chega a Gênova. Visita os crentes em Roma.
1913– Outono: Lombardi parte para Acre. Evangeliza em vários pontos da Palestina.
1913 – Dezembro: por um mês visita e prega a uma dúzia de crentes já batizados pelo Espírito Santo que viviam em Jerusalém, provavelmente a missão iniciada em 1908 por Lucy Leatherman, Charles Leonard e Anna Elizabeth Brown.
1914 – Fevereiro: Lombardi retorna à Itália.
1914 – Março: chega a Milão onde atende a igreja até novembro.
1914 – Novembro: retorno aos Estados Unidos e passa a ocupar o ministério de ancião na congregação que assume o nome de Assemblea Christiana ao inaugurar o prédio na 1350-52 West Erie Street em Chicago.
1917– Verão: visita todas as congregações da Itália.
1919 – Lombardi passa o ano todo na Itália evangelizado e atendendo as igrejas. Evangeliza e inicia igrejas principalmente na Calábria. Aluga e reforma a sala que seria a primeira casa de oração aberta ao público em Roma, na via Principe Amedeo.
1923 – Última viagem missionária. Lombardi passa quase dois anos na Itália. Visita todas as igrejas da época.
1924 – Final do ano: Lombardi retorna a Chicago.
1925 – Lombardi alinha-se com Francescon na questão do sague. Assim, torna-se ancião na igreja que assume o nome de Congregazione Cristiana di Chicago quando essa é formada.
1927– Lombardi participa da primeira convenção das igrejas italianas da América do Norte em Niagara Falls, NY.

1932 – Por um breve período ocorre um desentendimento entre Lombardi e os anciãos da Unorganized Italian Christian Churches of North America, mas logo há uma reconciliação.
1934 – 24 de julho. Lombardi morre em Chicago.

Apesar de descrito como um “un popolano senza istruzione”, um homem simples e sem instrução, na verdade possuía formação técnica de ferroviário. Mantinha jeitos rústicos de camponês e uma franqueza, principalmente para evangelizar e proclamar mensagens intuídas pelo Espírito Santo. Era amigável e brincalhão com as crianças.

Revestido de poder do alto, passou por curas miraculosas e pregava com uma assertividade conforme autorizado pelo Espírito Santo.

Anciãos ordenados por Lombardi:

Foi casado com com Annunziata Colello Lombardi, com a qual teve seis(?) filhos: Giovanni, Enrico, Antonio, Alfredo, Vito e [desconhecido?].

1908-Roma. Michele di Napoli.

1919-Bruzzano Zeffirio. Antonino Praticò.
1919-Badia di Samo. Luigi Maisano.
1919-Gissi. Domenico Pagano.
1923-Roma. Ettore Stappaveccia.
1924-Messina. Carmelo Crisafulli.

BIBLIOGRAFIA

Fontes primárias, publicadas:

(Francescon 1952; Ottolini 1945; Bracco 1956)

Fontes secundárias, publicadas:

(Toppi 1998; Celenta 2011)


COMO REFERENCIAR

ALVES, Leonardo Marcondes. Giacomo Lombardi. Círculo de Cultura Bíblica, 2021. Disponível em: https://circulodeculturabiblica.org/2021/07/21/giacomo-lombardi/. Acesso em: 04 jul. 2021.


Louis Francescon

Louis (originalmente Luigi) Francescon (1866-1964), ancião, pioneiro pentecostal e missionário ítalo-americano.

Nascido em Cavasso Nuovo. A aldeia então em território austro-húngaro, mas que seria incorporado ao Reino da Itália nesse mesmo ano. Sua família era de etnia furlana.

Acompanhou o irmão mais velho a Budapeste para aprender o ofício de mosaísta. Após servir o exército italiano, migrou aos Estados Unidos, estebelecendo-se em Chicago.

Foi evangelizado na Missão Nardi, onde esse evangelista ensinava inglês utilizando a Bíblia, quando se converteu. Junto com os evangelizados e algumas famílias valdenses, integrou a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, na qual ocupou cargos de secretário, diácono e ancião. Nessa igreja conheceu e casou-se com Rosina Balzano, a superintendente da escola musical.

Questionava sua admissão à fé evangélica sem ter sido voluntariamente batizado e por imersão. Em 1903, junto com outros de mesmo entendimento, foi batizado por Giuseppe Beretta. Em seguida, deixou a Igreja Presbiteriana e o grupo constituiu uma congregação livre adenominacional. No entanto, Francescon deixaria esse mesmo grupo por sua convição na guarda do domingo.

Informado sobre o movimento pentecostal, passou a frequentar a Missão do Evangelho Pleno (Full Gospel Mission), liderada por William Durham. Ele e mais alguns italianos que o acompanhavam receberam os dons do batismo no Espírito Santo, com o sinal de falar em novas línguas.

Em 15 de setembro de 1907, a congregação italiana livre da qual ele tinha feito parte passou por uma avivamento. No terceiro serviço de culto naquele dia, Francescon foi reinstalado como ancião.

Vocacionado para levar o evangelho com o poder do Espírito Santo aos italianos, Francescon viajou pelas colônias italianas na América do Norte. Viajaria ainda à Itália, Argentina, Brasil, Panamá e Cairo.

O Brasil seria o local onde desenvolveria mais intensamente seu ministério fora de casa. Viria dez vezes ao país, a primeira em 1910 e a última em 1948. Presidiu a segunda reunião geral da Congregazione Cristiana Pentecostale em Roma em 1929.

Entre 1925-1929, Francescon esteve meio a uma controvérsia quanto a atualidade da vedação do consumo de sangue. Essa controvérsia gerou a uma cisão na Assemblea Cristiana, nome assumido pela congregação livre italiana de Chicago quando iniciou os procedimentos para adquirir um imóvel próprio. Assim, junto com outros de igual entendimento, formaram uma congregação separada sob o nome de Congregazione Cristiana (Christian Congregation) em Chicago.

Na segunda fase desse avivamento, quando a consolidação das igrejas locais levou à formação de denominações, de suas missões formaram a Congregação Cristã no Brasil, as Asambleas Cristianas na Argentina, a Congregazione Cristiana Pentecostale na Itália, a Igreja Cristã Italiana Inorganizada na América do Norte. Mais tarde, desse movimentos emergeriam a Assemblee di Dio in Italia, a International Fellowship of Christian Assemblies, a Asamblea Cristiana de Villa Lynch (hoje Congregação Cristã na Argentina), a Iglesia Cristiana Biblica na Argentina, dentre outras denominações. No entanto, Francescon opô-se à formação de uma burocracia denominacional com autoridade acima da igreja local. Desse modo, em 1949 ele se retirou nas assembleias anuais da Igreja Cristã (Italiana) da América do Norte, passando a manter comunhão com indivíduos e congregações que aceitavam seu posicionamento. Sua congregação local em Chicago, a Christian Congregation Church, acompanhou-o nessa decisão, bem como uma dezena de igrejas na América do Norte.

A partir da década de 1950, viúvo e cego, foi morar com a filha Hellen Carrieri. Apesar de ativo em seu ministério, gradualmente passou as reponsabilidades a outros anciãos, principalmente a Nicola de Gregório, na Christian Congregation de Chicago. Um correspondente ávido, continuou a orientar indivíduos e as denominações em comunhão com ele até a sua morte.

Stefano Cereghino

Stefano Cereghino foi um menestrel e violinista, animador dos mercados e feiras do norte da Itália, além de evangelista.

Em uma de suas viagens como músico itinerante em 1849 adquiriu uma Bíblia Diodati, a qual leu para sua família, residente na aldeia de Favale di Malvaro, na Ligúria.

Seus familiares passaram a fazer reuniões para a leitura da Bíblia, mas encontraram a oposição do pároco católico.

Pouco tempo depois, em suas viagens Stefano Cereghino chegou a Torre Pellice, centro da comunidade valdense no Piemonte. Lá participou pela primeira vez de um culto evangélico, quando se converteu ao Senhor.

Diante da conversão de Cereghino, os valdenses enviaram Paolo Geymonat para Favale para auxiliar os novos crentes.

Stefano estudou no Colégio Valdense de Torre Pelice, saiu como professor e evangelista. Em 1855 ele se casou com Caterina Malan e fundou a igreja valdense em Favale.

Stefano continou suas atividades itinerantes, mas agora como colportor de literatura evangélica e na distribuição de bíblias. Foi um dos primeiros evangelistas na Sicília, bastião sob controle dos reacionários Bourbons. Foi um dos primeiros membros e responsável pelo depósito da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira na Itália.

Os Cereghinos migraram em massa para Chicago na década de 1890, formando a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago.

Michele Nardi

Michele Nardi (1850-1914) evangelista cuja obra missionária e social atendeu imigrantes italianos nos Estados Unidos e várias cidades na Itália no final do século XIX e início do XX.

Nascido em uma família de classe média de Savignano Sul Rubicone, província de Foli na Itália central, Nardi se engajou nas grandes causas de sua época, primeiro pela unidade Itália, depois pelo Evangelho. Ele lutou ao lado de Garibaldi na batalha de Mentana antes de ir para Florença para aprender sobre o comércio de antiguidades.

Depois de fazer amizade com expatriados americanos e britânicos, Nardi aprendeu a falar inglês fluentemente e ficou interessado em se mudar para os Estados Unidos.

Uma vez nos Estados unidos, Nardi começou um empreendimento como empreiteiro de ferrovias e, mais tarde, se tornou um investidor em ações. Ao conhecer um cristão americano durante uma viagem à Europa, Nardi teve seu primeiro contato com a Bíblia. Em uma viagem de negócios à Filadélfia, esse amigo americano deu mais uma vez o testemunho de Cristo. Então Nardi foi ao seu quarto de hotel e leu João 1:12. Nardi aceitou imediatamente a Cristo como seu salvador. Então ele ouviu o chamado de Deus para deixar tudo e segui-lo.

Tão profunda foi a transformação que Deus operou em seu coração, que ele vendeu seu negócio e decidiu consagrar sua vida para pregar a Cristo.

Nardi mudou-se para Nova York, onde frequentou a Missionary School, uma iniciativa de formação ministerial de A.B. Simpson e da Christian & Missionary Alliance. Naquela escola, Nardi conheceu e se casou com Blanche Phillips, uma jovem evangelista.

Adeptos da teologia da Santidade, mas sem subscrever nenhuma estrutura denominacional, Nardi e sua esposa tornaram-se evangelistas em tempo integral. Seu modus operandi consistia em pregar nas esquinas, realizar reuniões domésticas, evangelizar de porta em porta e, em seguida, alugar missões em portas comerciais para pregar e fornecer serviços sociais aos imigrantes italianos nas cidades industriais.

Em 1889, os Nardis chegaram a Chicago. Nesta cidade, Nardi reuniu um grupo de cristãos valdenses de Favale di Malvaro, uma cidade na Ligúria, e levou outros italianos a Cristo. Conforme o trabalho se desenvolvia, a Távola Valdense e o Presbitério de Chicago organizariam a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana em 1892 e enviariam o pastor Filippo Grill da Itália para ajudá-los. Esta igreja seria o primeiro lar espiritual para Louis Francescon e Rosina Balzano Francescon, Albert diCicco e Dora diCicco, Nicolas Moles e sua esposa. Depois que a congregação se estabilizou, Nardi continuaria sua missão, espalhando o evangelho em Spring Valley, Mo; São Francisco, Ca; Vinland, NJ; Cidade de Nova York e Itália, onde morreu em Rapallo.

De seu período de missão em Chicago, o Presbitério de Chicago registra:

“O trabalho entre os italianos em nosso próprio presbitério tem dois centros principais, a igreja italiana na rua West Ohio, 73, perto de Halsted, e a missão Nardi na rua West Taylor, 148. Esta última foi nomeada em homenagem ao Signor Nardi, que foi um dos primeiros a inaugurar o trabalho missionário protestante entre os italianos em Chicago. A narrativa das experiências do Signor Nardi desde que veio a este país é em si muito interessante.
Bem educado e um artista notável, ele veio para a América para ser um crítico de arte. Chegando na cidade de Nova York, sua atenção foi atraída pela aflição entre seus compatriotas em Five Points e em torno dele, e ele imediatamente começou a estudar como melhorar sua condição. Quanto mais investigava, mais entusiasmado ficava e finalmente decidiu abandonar a arte por enquanto. Ele submeteu um plano a uma das ferrovias do leste para obter um contrato para a construção de seu leito usando apenas italianos como trabalhadores, ele mesmo supervisionando a obra. Sua proposta foi aceita; e embora tenha criado um grande furor entre os trabalhadores irlandeses e americanos, como muitos se lembrarão, foi executado com sucesso. Naquela época, ele recusou todas as religiões, mesmo a de sua pátria mãe, e só alguns meses depois ele aceitou a Cristo e seus ensinamentos. Depois de estudar sob a direção do Rev. AB Simpson da cidade de Nova York, o Sr. Nardi e sua esposa, também uma estudante do Dr. Simpson, começaram o trabalho evangelístico, vindo para Chicago em 1889. Sr. e Sra. Nardi juntamente com trabalhadores da Sociedade Bíblica de Chicago realizavam reuniões domésticas, nas esquinas das ruas, ou visitavam de casa em casa, pregando o evangelho aos italianos sempre que surgia a oportunidade, a sociedade bíblica fornecia folhetos e porções das Escrituras para distribuição. Na primavera seguinte, Nardi garantiu um quarto na rua South Clark, 505, e organizou uma escola dominical.
Mais ou menos na mesma época, a Associação Cristã dos Moços cedeu seu salão perto da ponte da rua Kinzie para outra escola dominical. Foi neste último lugar que o primeiro serviço de comunhão entre os protestantes italianos foi realizado, e o interesse crescente logo se concentrou naquele distrito. Havia um elemento valdense que formava o núcleo de uma igreja, e a bênção de Deus se manifestava em conversões frequentes. No inverno seguinte, alguns amigos ficaram interessados ​​no andamento do trabalho, e entre eles estava a sempre lembrada amiga da Missão Nardi, a Sra. S. G. Hubbard, cujos devotados esforços pelos italianos ainda continuam. Em 1893 o presbitério de Chicago erigiu permanentemente uma igreja e pediu ao Sr. Nardi para se tornar seu pastor regular, mas ele recusou, acreditando que Deus o havia chamado para o trabalho evangelístico. Uma chamada foi feita ao pastor atual, o Rev. Filippo Grilli, que começou seu pastorado no início do outono de 1890, com 58 membros da igreja. Em 1894, o atual edifício de tijolos substancial na rua Ohio foi erguido, em grande parte devido à generosidade do Sr. Henry Willing. Em 1891, o Sr. Nardi abriu a terceira missão, que teve início na rua Desplaines e continuou lá até que um prédio e local mais adequados fossem garantidos na rua Taylor, agora chamada de Missão Nardi.
O trabalho iniciado na rua South Clark foi posteriormente mesclado com o da Missão Metodista, e um excelente trabalho está sendo realizado. O pastor Grilli prega e continua o trabalho na igreja italiana e na Missão Nardi. A Sra. Grilli é uma ajudante muito competente, assim como a Sra. R. Francesconi, que é superintendente da escola dominical na igreja italiana. Além dos cultos regulares de pregação, sempre realizados em italiano, há uma esplêndida escola dominical, escola de costura, reunião de mães e uma aula bíblica sob a liderança da Sociedade Bíblica. O trabalho é um encorajamento contínuo para aqueles que estão prestando seus serviços, e o que é surpreendente é que esses italianos levaram sua igreja e missão a um nível de sucesso com tão pouco dinheiro. Membros da igreja que voltaram para a Itália iniciaram círculos lá visando a organização de uma igreja.
A igreja evangélica da Itália, que é a união de todas as igrejas protestantes na península, relatou cinco novas igrejas adicionadas ao seu rol durante 1897, dando um total de trinta igrejas protestantes. Cerca de 1.000 pessoas passaram a ter comunhão íntima no ano passado. “
–E. Dryer, Chicago. In Simpson 1916: 32-36.
FONTES

Bisceglia, John. Italian Evangelical Pioneers. Kansas City, Mo, 1948.

Francescon, Louis. Faithful Testimony. Chicago, 1952.

Simpson, A.B.  Michele Nardi: The Italian Evangelist, His Life and Work. New York, 1916.

Toppi, Francesco. Michele Nardi: Il Moody d’Italia. Rome: ADI-Media, 2002.

Umberto Gazzari

Alternativamente chamado de Roberto Gazzeri, pioneiro pentecostal do avivamento de Chicago.

Umberto Gazzari nasceu em La Spezia, Ligúria, em 1879. Casou-se com Dionisia Carniglia, também de origem lígure. Umberto imigrou aos Estados Unidos, ficando por um tempo em Nova Iorque para depois se mudar para Chicago.

Em seu primeiro dia em Chicago não conhecia ninguém. Passeando pela colônia italiana foi atraído pelos cânticos de hinos em uma igreja na Ohio Street. O pastor, Filippo Grilli, acolheu-o e apresentou-lhe o evangelho, levando à sua imediata conversão.

No avivamento de setembro de 1907 foi um dos que recebeu os dons na igreja de Grand Avenue. No próximo batismo nas águas, presidido por Durham e Beretta, desceu às águas.

Em 1908 estava entre os primeiros evangelizadores a sair de Chicago rumo à Itália. Evangelizou alguns parentes em La Spezia, os quais encaminhou a uma igreja evangélica local até que anos mais tarde surgiria uma congregação própria.

Em 1910 foi chamado ao ministério de ancião em Chicago. Começou a evangelizar as comunidades italianas de Rockford, Illinois em 1913 e Milwaukee, Wisconsin, em 1916. Suas atividades evangelísticas levaram a boa-nova à família Zolezzi, dentre os quais Emil Zolezzi foi ancião por muitos anos da Christian Assembly de Chicago.

Os anciãos de Chicago o enviaram a Erie, Pennsylvania, em resposta a uma carta de John Perrou para batizar os novos convertidos. Iniciou a obra italiana em Ellwood City em 1913, de onde esparramou para o Oeste da Pennsylvania, West Virginia e Ohio.

Foi instrumental para o início da congregação de Corona-Flushing, no Queens, na região metropolitana de Nova Iorque.

Em 1917-1919 voltou em missão à Itália, visitando La Spezia e Gissi.

Faleceria em 1924 em razão de uma pneumonia dupla.

SAIBA MAIS

Contato pessoal com Emil Zollezzi (2004).

BonGiovanni, Guy. Pionners of the Faith. Farrell, PA, 1971.

FamilySearch.org

Toppi, Francesco. E mi sarete testimoni. Roma: ADI-Media, 1999.


COMO REFERENCIAR

ALVES, Leonardo Marcondes (ed.). Umberto Gazzari. Círculo de Cultura Bíblica, 2021. Disponível em: https://circulodeculturabiblica.org/2021/07/19/umberto-gazzari/. Acesso em: 04 jul. 2021.