Livro de Daniel

O livro de Daniel contém uma série de episódios que relatam os desafios dos exilados judeus nas cortes da Babilônia e Pérsia, bem como várias visões para a esperança futura. Em comum, apresenta Deus sempre permanecendo fiel e verdadeiro, contrabalançando um convite para que Lhe permaneça fiel, ainda que sob pressão.

O recebe o nome de seu protagonista. A política imperialista de criar filhos dos inimigos conquistados para serem intermediários nas cortes, nos serviços público e militar, bem como servirem de intérpretes e reféns, começou entre os mesopotâmios e foi praticada pelo otomanos até o início do século XIX. Daniel seria um desses judeus deportados para a Babilônia e educado na corte.

O livro combina gêneros de contos da corte e literatura apocalíptica. No cânon hebraico localiza-se entre a hagiógrafa ou Kethuvim, os Escritos compilados por último na Bíblia Hebraica. Em Daniel também ocorre a tradição da sabedoria. Daniel tem o dom do discernimento de Deus. A sabedoria humana (representada pelos “mágicos e encantadores” da Babilônia) é ridicularizada, enquanto Deus revela coisas ocultas aos servos hebreus.

Ambientada no século VI a.C., sua composição final é estimada ter ocorrido entre o século V a.C. e o período dos macabeus.

Os capítulos 1-6 contam as provações e triunfos do sábio Daniel e seus três companheiros, bem como o discernimento de sonhos alheios.

Os capítulos 7-12 contém visões prometendo libertação e glória aos judeus nos dias que viriam. As grandes nações do mundo antigo levantaram-se em vão contra o Senhor; seu reino derrubará os poderes existentes e durará para sempre; no final, os mortos serão ressuscitados para recompensa ou punição.

A versão Grega de Daniel contém os episódios acrescentados de Susana, Bel e o Dragão, uma Oração intercalada em 3:24-90, entre  3:23-24.

Habacuque

O livro de Habacuque pertence aos Doze, a coleção dos Profetas Menores. O livro de Habacuque é um debate com Deus acerca da violência e da injustiça, mas finaliza com um hino de esperança.

Seu nome em hebraico é חֲבַקּוּק, mas não se sabe exato o significado. A raiz da palavra é relacionada com o verbo “abraçar”. Pouco se sabe de sua vida, seria provavelmente um profeta público.

Fontes extra-bíblicas adicionaram lendas sobre o profeta. A porção apócrifa adicional ao Livro de Daniel, chamado de Bel e o Dragão, menciona Habacuque trazendo comida a Daniel quando esse estava na cova dos leões. O Talmude identifica-o com o filho da viúva ressuscitado por Eliseu (2 Re 4). Tuiserskan, cidade na antiga região de Ecbatana (noroeste do Irã), possui um mausoléu onde a tradição reivindica que esteja sepultado o profeta.

Escrito por volta do ano 620-610 a.C., quando o Império Caldeu (neobabilônico) levantou-se. Os babilônios derrotaram a aliança assiro-egípcia, tornando-se a potência da região. Foi escrito em Judá e nesse tempo o Reino do Norte, Israel já havia sido conquistado e dispersado pelos assírios. Habacuque seria um profeta pré-exílico, contemporâneo de Jeremias e talvez de Naum e Sofonias.

ESTRUTURA E TEMAS

São dois diálogos e um salmo. Existe a possibilidade de que o Primeiro Diálogo tenha sido escrito logo após o reinado de Josias, quando o reino de Judá se corrompeu sob influência de Joaquim (2 Re 23:36-24:7). Direcionado ao Reino de Judá, anuncia a vinda dos caldeus para punir sua iniquidade. O Segundo Diálogo teria sido às vésperas da invasão Babilônica, cuja violência foi demonstrada na Batalha de Carquemis e na conquista de Nínive. No segundo diálogo dá esperança de restauração futura e punição da violência babilônica.

O manuscrito mais antigo foi encontrado na caverna de ‘ain Feshka, no Mar Morto, contendo os capítulos 1 e 2. Outro manuscrito de Habacuque encontrado lá contém uma peshat, comentário ao estilo mishnaico, datado do século I a.C.

TEMAS

Deus pode parecer não estar atuando, mas está. O Senhor tem um propósito maior. Deus pune a injustiça. Deus escuta e responde as orações, embora as respostas não possam ser aquilo que se esperava. Deus é justo, santo e poderoso. A vida do justo deve ser fundamentada na fidelidade.

Habacuque, ao contrário dos outros profetas que voltavam suas profecias contra as nações, apresenta um diálogo entre o profeta e Deus. Trata-se de uma teodiceia, um enfrentamento da questão dos motivos para o mal, como o Livro de Jó.

Livro de Jeremias

Nos turbulentos anos que antecederam a queda do Reino de Judá, o profeta Jeremias apela para que depositem a confiança em Deus meio às desaventuras, não em alianças políticas ou nas forças militares. Também denuncia as falsas profecias que apregoavam uma prosperidade que Deus não prometeu.

Embora não haja uma organização estritamente cronológica ou temática no arranjo do livro de Jeremias, os seguintes blocos são discerníveis: vocação de Jeremias e profecias contra Judá e Jerusalém (1-24), juízo contra Jerusalém e as nações (25:1-14), o copo da ira (25:1-15–38), Jeremias lida com outros profetas (26-29), o livro da Consolação e oráculos da esperança (30-33), queda de Jerusalém e fuga ao Egito (34-35), juízo contra as nações (46-51), destruição de Jerusalém (52).

Livro de Isaías

Livro profético sobre os perigos, queda e restauração da nação israelita, conclama confiar em Deus. O Senhor resgatará e renovará um povo fiel e obediente para si mesmo, das cinzas do fracasso e exílio de Israel, por meio da vinda de seu Rei Servo (o Messias).

Em uma série de profecias e algumas narrativas, Isaías denuncia corrupção moral e idólatra. Diante da ameça assíria promete esperança em um futuro transformado por Deus (1–39, também chamado de Primeiro Isaías). Anuncia o fim do exílio e a libertação do povo israelita mediante a intervenção do rei da Pérsia (40-55, outra nomenclatura para essa seção é Deutero-Isaías). Critica a vida sem arrependimento, o faccionalismo pelo controle do Templo (55-56, conhecido em círculos acadêmicos como Trito-Isaías).

Lamentações

Séries de poemas de lamentos acerca da queda de Jerusalém. Apesar de seu desesperador, renova esperanças de uma restauração vindicada por Deus.

Na homilética, uma frase resume o livro: “em sua justa ira, ó Senhor, lembre-se da misericórdia!”

Tradicionalmente atribuído a Jeremias, seu teor e linguagem é semelhante aos escritos da escola jeremíada, como o apócrifo livro de Baruque. No cânone hebraico, no entanto, é listado entre a hagiógrafa ou ketuvim (Escritos).