Beemote

Beemote, em hebraico בהמות, criatura colossal mencionada em Jó 40:15-24. O texto bíblico o descreve como um animal de força extraordinária, com ossos como barras de bronze e membros como barras de ferro. Sua dieta consiste em grama, e ele habita rios e pântanos.

Alguns intérpretes associam o Beemote a um hipopótamo, enquanto outros o veem como uma criatura mitológica, um símbolo do poder indomável da criação. Na literatura judaica extrabíblica, como o Livro de Enoque e o Apocalipse de Baruque, o Beemote é retratado como um monstro terrestre invencível, criado por Deus no quinto dia.

Em algumas tradições, o Beemote e o Leviatã (monstro marinho) serão mortos e servidos como banquete para os justos no final dos tempos.

BIBLIOGRAFIA

Ansell N (2017) Fantastic Beasts and Where to Find The(ir Wisdo)m: Behemoth and Leviathan in the Book of Job. In van Bekkum J, et al. (eds) Playing with Leviathan: Interpretation and Reception of Monsters from the Biblical World. Leiden: Brill, pp. 90-114.

Batto BF (1999) Behemoth. In van der Toorn K, Becking B, van der Horst PW (eds) Dictionary of Deities and Demons in the Bible. Leiden: Brill, pp. 165-169.

asno

O asno desempenhava papel crucial na vida cotidiana do antigo Oriente Próximo. Domesticado há tempos, era utilizado para transporte, carga e trabalho agrícola. A Bíblia menciona diferentes tipos de asnos, cada um com suas características e funções específicas.

A fêmea, ‘athon em hebraico, era valorizada por sua resistência e utilizada para procriação e transporte de pessoas e bens. O macho, chamado hamor, caracterizava-se pela cor avermelhada e empregado em tarefas mais pesadas, como lavoura e transporte de cargas. A Bíblia proibia o uso conjunto de bois e asnos para arar, provavelmente para evitar ferimentos aos animais devido à diferença de força e ritmo.

O jumento, ‘air em hebraico, era o animal jovem, ainda não amadurecido para o trabalho. Símbolo de humildade e mansidão, foi o animal escolhido por Jesus para sua entrada triunfal em Jerusalém, cumprindo a profecia de Zacarias 9:9.

Além dos asnos domésticos, a Bíblia menciona espécies selvagens, como o ‘arod, conhecido por sua velocidade, e o pere, que habitava regiões desérticas e era admirado por sua agilidade e liberdade. A imagem do asno selvagem simbolizava independência e resistência à domesticação, como na comparação de Ismael a um “asno selvagem entre os homens” em Gênesis 16:12.

Embora considerado animal impuro pela lei mosaica por não ruminar, o asno desempenhava papel fundamental na economia e cultura do povo de Israel. Representava riqueza, meio de transporte essencial e símbolo de humildade, persistência e adaptação ao ambiente. Sua presença constante nas Escrituras reflete a importância desse animal na vida cotidiana e na construção da identidade cultural do povo bíblico.

Algumas das principais passagens que mencionam o asno:

  1. Transporte e bens:

Gênesis 12:16; 30:43; 45:23: O asno como símbolo de riqueza e meio de transporte para Abraão, Jacó e José.
Números 22:21-34: A jumenta de Balaão, que fala com o profeta, advertindo-o sobre o perigo.
1 Samuel 9:3: Saul em busca dos asnos perdidos de seu pai, encontrando Samuel e sendo ungido rei.
2 Samuel 16:1-4: Davi foge de Jerusalém montado em um asno durante a rebelião de Absalão.
2 Reis 4:22-24: A sunamita vai ao encontro de Eliseu montada em um asno.

  1. Trabalho e agricultura:

Gênesis 49:14: Issacar comparado a um “jumento forte”, representando trabalho e persistência.
Deuteronômio 22:10: Proibição de juntar boi e asno para arar, demonstrando preocupação com o bem-estar animal.
Juízes 10:4; 12:14: Os filhos de Jair e Abdom cavalgando jumentos, símbolo de status e poder.

  1. Simbolismo e profecia:

Jó 6:5; 11:12; 39:5-8: O asno selvagem como símbolo de liberdade e instinto indomável.
Isaías 1:3: O boi e o asno conhecem seus donos, mas Israel se esquece de Deus.
Isaías 30:6, 24: Profecias sobre o uso de asnos para transporte em tempos de paz e prosperidade.
Zacarias 9:9: Profecia da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém montado em um jumento, cumprida em Mateus 21:1-11.

  1. Humildade e mansidão:

Mateus 21:1-11; Marcos 11:1-11; Lucas 19:28-40; João 12:12-15: Jesus entra em Jerusalém montado em um jumento, cumprindo a profecia e demonstrando humildade.

Abutre

O abutre, ave de rapina conhecida por se alimentar de carniça, é mencionado na Bíblia em contextos que evocam imagens de julgamento, desolação e provisão divina.

Em Levítico 11:13-19 e Deuteronômio 14:12-18, o abutre é listado entre as aves impuras, proibidas para consumo. Essa classificação pode estar relacionada aos seus hábitos alimentares e à associação com a morte e a decomposição.

Em Mateus 24:28 e Lucas 17:37, Jesus usa a imagem dos abutres se reunindo ao redor de um cadáver como uma metáfora para a inevitabilidade do julgamento e a consequência da desobediência a Deus. A presença dessas aves indica a presença da morte e a decadência espiritual.

Por outro lado, em Jó 39:27-30, o abutre é descrito como uma criatura majestosa, cuja capacidade de voar alto e encontrar alimento em lugares remotos ilustra a providência divina que sustenta todas as criaturas.

O abutre, portanto, assume diferentes significados na Bíblia. Ele pode representar a impureza, o julgamento e a morte, mas também a provisão e o cuidado de Deus para com sua criação.

Animais puros e impuros

Os textos bíblicos de Levítico 11 e Deuteronômio 14 apresentam diretrizes detalhadas para classificar animais como “puros” (permitidos para consumo) ou “impuros” (proibidos). Essas classificações faziam parte da Lei Mosaica dada aos israelitas e possuíam significados tanto dietéticos quanto rituais.

No caso dos animais terrestres, eram considerados puros aqueles que possuíam cascos fendidos (completamente divididos) e que ruminavam, como bovinos, ovelhas, cabras, cervos e gazelas. Animais que não possuíam essas características eram classificados como impuros, como porcos, coelhos, camelos, cavalos, cães e gatos. Entre os animais aquáticos, os considerados puros precisavam ter nadadeiras e escamas, como a maioria dos peixes comuns, incluindo salmão, atum e bacalhau. Aqueles que não apresentavam essas características, como mariscos, enguias e bagres, eram considerados impuros.

Quanto às aves, a maioria era classificada como pura, exceto por aquelas descritas como aves de rapina ou carniceiras. Exemplos de aves puras incluíam galinhas, pombas e rolas, enquanto águias, abutres, falcões, corujas e corvos eram mencionados como impuros. Em relação aos insetos, apenas certos tipos de gafanhotos, grilos e esperanças eram considerados puros, com a característica específica de possuírem pernas articuladas acima dos pés que lhes permitiam saltar. A maior parte dos demais insetos era classificada como impura.

As razões para essas classificações não são explicitamente mencionadas nos textos bíblicos, mas várias teorias foram propostas. Uma delas sugere que as leis tinham o objetivo de promover higiene e saúde, proibindo o consumo de animais mais propensos a transmitir doenças ou parasitas. Outra hipótese aponta para um significado simbólico, associando os animais puros à pureza e proximidade com Deus, enquanto os impuros representariam impureza ou elementos a serem evitados. Também se propõe que as leis dietéticas tinham uma função de formação espiritual, ensinando obediência e autodisciplina aos israelitas, além de diferenciá-los como um povo santo.

No Novo Testamento, Jesus declara que todos os alimentos são puros (Marcos 7:19), e o apóstolo Pedro recebe uma visão que indica que as leis dietéticas não são mais obrigatórias (Atos 10:9-16). Apesar disso, alguns cristãos optam por seguir essas diretrizes por razões pessoais ou de saúde, mantendo as práticas associadas às classificações bíblicas originais.

Besta

Em hebraico חַי, simplesmente animal ou ser vivente, ou em grego θηρίον thērion, besta, animal selvagem, denota animais grandes e muitas vezes perigosos. 

A palavra pode um sentido genérico de animal (Gn 1:24; Lv 11:2,27,47), ainda especificamente, animais selvagens e perigosos (Ap 6:8). 

Aparece como um termo pejorativo para pessoas (Tito 1:12). 

A palavra besta também denota seres míticos ou símbolos alegóricos. Em Daniel 7 quatro bestas diferentes simbolizam quatro reinos. Em Apocalipse, a besta do mar convencionalmente é entendida como simbolizando o Império Romano (Ap 13:1) enquanto a besta vinda da terra representa os poderosos da província da Ásia (Ap 13:11), por fim, uma besta do abismo retrata o antogonista de Cristo (Ap 11:7, Ap 17:8).