Erev Rav

Erev Rav era um grupo de povos diversos que se juntaram às tribos de Israel no Êxodo.

Diz em Êxodo 12:38 “E subiu também com eles uma mistura de gente, e ovelhas, e vacas, uma grande multidão de gado.” A versão ARC segue a Vulgata (vulgus promiscuum) e a Septuaginta (ἐπίμικτος) que dá uma ideia tanto de uma variedade de pessoas ou, como alguns intérpretes tardios, pessoas de origens étnicas mistas.

Seguindo esse termo da Septuaginta e Vulgata, em Números 11:4 diz que “E o vulgo, que estava no meio deles, veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e disseram: Quem nos dará carne a comer?” Este termo “vulgo” traduz o hebraico אֲסְפְּסֻף, asafsuf, o qual só aparece nessa passagem. Algumas versões aparece como “plebe, populacho”, dando uma dimensão de classe.

O termo erev também aparece em Neemias 13:3, onde é usado para se referir a não judeus.

Uma tradição rabínica associou essa população com idolatria e imoralidade, alimentando preconceitos de segmentos de comunidades israelitas contra povos estrangeiros ou israelitas de origem mestiça.

BIBLIOGRAFIA

Brzezicka, Barbara. “The rabbles, the peoples and the crowds: a lexical study.” Praktyka Teoretyczna 36.2 (2020).

Greenwood, Daniel JH. “Partnership, Democracy, and Self-Rule in Jewish Law.” Touro L. Rev. 36 (2020): 959.

Inbari, Motti. Jewish radical ultra-orthodoxy confronts modernity, Zionism and women’s equality. Cambridge University Press, 2016.

Lee, Woo Min. “An Exilic and a Post-exilic Reading of ‘ērev rav in Exodus 12: 38: A Boundary-Making Marker for the Israelites and “Others”.” Canon&Culture 13.2 (2019): 109-137.

Magid, Shaul. “The Politics of (Un) Conversion: The” Mixed Multitude”(“‘Erev Rav”) as Conversos in Rabbi Hayyim Vital’s”‘Ets Ha-Da’at Tov”.” The Jewish Quarterly Review 95.4 (2005): 625-666.

Gentio

Gentios, em grego ἔθνη, ethne; em hebraico גּוֹיִם, goyim, seriam os membros das nações. Os não israelitas a partir do período do Segundo Templo passaram a receber essa designação.

No Antigo Testamento, goyim geralmente se refere a outros povos em contraste com Israel, o povo escolhido por Deus. O termo, em si, não possui uma conotação inerentemente negativa, mas o contexto pode implicar diferença religiosa, cultural e, por vezes, hostilidade.

No Novo Testamento, ethne mantém esse significado geral de “nações” ou “povos”, mas adquire uma dimensão teológica específica no contexto da missão cristã. Os “gentios” passam a ser o alvo da pregação do Evangelho, e a inclusão dos gentios na comunidade cristã torna-se um tema central, especialmente nas cartas de Paulo. A distinção entre judeus e gentios, embora reconhecida, é superada em Cristo, em quem “não há judeu nem grego” (Gálatas 3:28). A Igreja, portanto, é formada tanto por judeus quanto por gentios que creem em Jesus.