Abnegação

Abnegação pode ser hoje entendida como desprendimento e altruísmo. Abnegar implica na superação das tendências egoísticas da personalidade, sendo conquistada em benefício de uma pessoa, causa ou princípio. Biblicamente, é o imperativo de negar a si mesmo na busca de uma vida dedicada a Cristo.

É um ensino que aparece nos evangelhos sinóticos. Em Mateus 16:24-25, Jesus instrui seus seguidores, afirmando: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. a vida por minha causa o encontrará.” Passagens paralelas em Marcos 8:34-37 e Lucas 9:23-24 ecoam esse chamado à abnegação no discipulado de Jesus.

O termo grego aparneomai (ἀπαρνέομαι) usado em Marcos 8:34 enfatiza o ato de renunciar ou renegar a si mesmo em prol de uma vocação superior. Remete a Isaías 30:7, quando os israelitas infiéis que, após a derrota pelos assírios, deixaram de lado os ídolos de ouro e prata que haviam criado.

Gálatas 2:19-20 ilustra a abnegação de Paulo: “Já estou crucificado com Cristo. Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E a vida que agora vivo no carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Isto resume a essência da abnegação com uma identificação completa com a morte sacrificial de Cristo e uma vida transformadora vivida em devoção a Ele.

A noção de participar do sofrimento de Cristo por causa da Igreja é articulada em Colossenses 1:24: “Agora me alegro nos meus sofrimentos por causa de vocês e, na minha carne, preencho o que falta nas aflições de Cristo por causa de do seu corpo, isto é, a igreja”. Esta prontidão sacrificial para vários deveres cristãos e apostólicos é vista como participação na morte de Cristo, que em última análise conduz à vida (2 Coríntios 4:10-12).

A abnegação é uma norma positiva e negativa, incitando os crentes à alta perfeição. Do lado positivo, envolve separar-se do mundo (Gálatas 6:14), crucificar as próprias paixões com Cristo (Gálatas 5:24; Colossenses 3:5) e abandonar o velho eu para abraçar o novo eu na graça (Efésios 4:22-24; Colossenses 3:9).

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Perfeição Evangélica ou Conselho de Perfeição

Pedro

Chamado de Simão e Cefas (forma aramaica de Pedro, “rocha”), foi um dos mais proeminentes discípulos de Jesus e um dos apóstolos.

Originalmente um pescador da Galileia, confessou que Jesus era o messias de Israel (Mt 16: 16-23), mas negou Jesus três vezes antes da crucificação (Mt 26: 69-75; Mc 14: 66-72; Lc 22: 54-62; Jo 18: 25-27). Todavia, teve uma conversa com Jesus após sua ressurreição (Jo 21:15-17).

Ocupou uma posição de líderança da igreja primitiva de Jerusalém, onde fez discursos evangelísticos públicos (At 2–4). Participou da conversão de Cornélio (At 10). Esteve na assembleia em Jerusalém que discutiu as obrigações dos convertidos gentios (At 15). Duas epístolas, 1 e 2 Pedro, recebem seu nome. Um corpus de literatura petrina pseudoepígrafa e apócrifa elabora sobre a vida e ensinos de Pedro.

Não há registros neotestamentários ou históricos sobre o final de sua vida.

A tradição registrada a partir de 160 d.C. de que Pedro esteve em Roma não é corroborada por textos anteriores da igreja em Roma (1 Clemente, Justino Mártir, Ignácio de Antioquia, literatura marcionita, Papias, por exemplo). No entanto, no final do século II e início do século III surge essa tradição de sua estada e morte em Roma (Irineu de Lyon, Dionísio de Corinto, Clemente de Alexandria). Detalhes lendários sobre sua morte aparecem no Bellum Judaicum, uma paráfrase de Josefo escrita em latim no século IV e atribuída a certo Hegésipo, com relatos de uma perseguição em Roma movida por Nero na qual teria morrido Pedro.

Outra tradição diz que Pedro esteve em Antioquia e colocou seus sucessores lá. (Teodoreto. “Dial. Immutab.1, 4, 33a; João Crisóstomos. Homilia sobre Santo Ignácio, 4. 587). Essa versão é viva nas igrejas de tradições bizantinas e siríacas. Uma terceira tradição, a da Igreja do Oriente (erroneamente chamada Nestoriana) argumenta que Pedro passou seus últimos dias na Babilônia, de onde escreveu suas epístolas (Mar Odisho, Livro de Maranitha – A Pérola: Sobre a verdade do Cristianismo. 1298).

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