Interpretação histórico-redentora

O método histórico-redentivo é uma abordagem teológica que interpreta a Escritura considerando-a como uma narrativa unificada que revela a obra de redenção de Deus ao longo da história.

Essa perspectiva busca entender os textos bíblicos em seus contextos históricos e culturais, conectando-os ao tema central da redenção culminada em Cristo. Sidney Greidanus, um dos principais representantes dessa abordagem, defende que cada passagem bíblica deve ser interpretada como parte de um plano redentivo que aponta para Cristo. Greidanus propõe que essa conexão pode ser estabelecida por meio de elementos como tipologia, promessa e cumprimento, entre outros.

Greidanus, um especialista em homilética, critica a pregação exemplarista, que foca em lições morais a partir de personagens bíblicos, argumentando que essa prática não considera adequadamente a dimensão redentiva da Escritura. Para ele, os textos devem ser interpretados dentro de sua integridade histórica e conectados ao plano de redenção revelado nas Escrituras. Sua abordagem prioriza a unidade entre Antigo e Novo Testamentos, destacando como o tema da redenção permeia toda a narrativa bíblica.

Oscar Cullmann, em sua proposta da história da salvação, enfatiza a sequência de atos divinos ao longo do tempo, culminando na figura de Jesus Cristo. Para Cullmann, a história da salvação é vista como uma série de eventos históricos que demonstram a ação salvadora de Deus. Essa abordagem costuma ser apresentada em uma estrutura cronológica que sublinha os eventos históricos como manifestações da redenção.

O conceito de Heilsgeschichte, amplamente utilizado na teologia alemã, refere-se ao tema geral da obra redentiva de Deus ao longo da história. Embora compartilhe do enfoque na ação divina na história, não estabelece necessariamente uma conexão direta e sistemática entre os textos do Antigo Testamento e seu cumprimento no Novo Testamento. Greidanus, ao enfatizar a relação direta entre os Testamentos, oferece um método que busca integrar o significado histórico dos textos com a narrativa mais ampla da redenção.

Heptágono Teológico Pentecostal

O Routledge Handbook of Pentecostal Theology editado por Wolfgang Vondey lista sete fontes para a reflexão teológica pentecostal. Similar ao trilátero de Lutero e ao Quadrilátero Wesleyano, a “teologização” pentecostal combina várias fontes para expressar seu entendimento. Contudo, como fonte normativa e de autoridade, as Escrituras permanecem com primazia.

  • Revelação: A teologia pentcostal centra-se na compreensão da revelação como narrativa bíblica e experiência existencial pessoal.
  • Escrituras: a interpretação e aplicação da Bíblia pelos pentecostais, segue um caráter narrativo e com o papel do Espírito Santo na orientação da interpretação.
  • Razão e racionalidade na teologia pentecostal, apesar de às vezes serem retratados como anti-intelectuais, é expressa em modos complexos de raciocínio e persuasão.
  • Experiência: pessoal na teologia pentecostal, particularmente a experiência do Espírito Santo, é vital. Todo o entendimento é subjetivamente processado. As corretas afeições e práticas (ortopatia e ortopraxia) são aliadas da ortodoxia.
  • Tradição: A tradição na teologia pentecostal caracteriza-se por continuidade quanto da adaptação.
  • Cultura: Há uma complexa relação entre pentecostalismo e cultura, entre eles aspectos disruptivos e acomodativos da teologia pentecostal em diferentes contextos culturais.
  • Culto (liturgia): A centralidade da adoração na teologia pentecostal reflete uma natureza corporificada e participativa da adoração pentecostal.

BIBLIOGRAFIA

Vondey, Wolfgang. The Routledge handbook of Pentecostal theology. Routledge, 2020.