Ensinamentos de Silvano

Os Ensinamentos de Silvano é uma obra não canônica, encontrada na Biblioteca de Nag Hammadi contendo uma série de ditos de “sabedoria”. Os ensinamentos são atribuídos sob pseudônimo a certo “Silvano”, talvez uma sugestão que fosse Silas, companheiro de viagem de Paulo.

Os Ensinamentos de Silvano foram descobertos em 1945 em um manuscrito datado do século IV. Contudo, a composição do texto, compilado por vários autores remonta de 165 a 350 d.c. Menciona três evangelhos, o corpus paulino, 1 e 2 Pedro como Escrituras. Aparentemente são notas pessoais ou notas didáticas.

Apesar de alguns elementos e temas gnósticos, os Ensinamentos em sua totalidade não refletem uma doutrina gnóstica. Ainda mais, há elementos anti-gnósticos. São duas partes, reflentindo autorias diferentes. Na parte incial há influências judaicas, principalmente da Sabedoria de Salomão, filosofias estoicas e platônicas, além de paralelos com Clemente de Alexandria. Na parte tardia há elementos origenistas, discute a relação entre o Pai e o Filho, além de uma teologia do Logos.

Gregório Magno

Gregório Magno ou o Grande (c. 540 – 604), foi bispo de Roma e papa do catolicismo romano (590-604). Sua obra teológica, cuidado pastoral, o trabalho missionário e as reformas litúrgicas impactaram a cristandade ocidental.

Deve-se a Gregório Magno grande parte da promoção da autoridade do papado como instituição. Contribuiu para o fortalecimento da influência da Igreja Romana nos assuntos seculares e a promoção do monaquismo papal. Adicionalmente, Gregório enfatizou a importância da caridade e do serviço aos pobres, para quem “Os pobres são os tesouros da Igreja”. Influenciou na formação da liturgia cristã ocidental, com seu canto gregoriano em sua homenagem. Realizou reformas administrativas e incentivou missões entre povos do norte europeu. Sua contribuição teológica avançou uma concepção penal-sacramental baseada no agostinianismo.

Novaciano

Novaciano (c. 200 – c. 258), também conhecido como Νοβατιανός em grego e Novatianus em latim, foi um estudioso, sacerdote teólogo e autor patrístico romano. Seria o primeiro autor cristão de Roma a utilizar o latim em seus escritos.

É considerado pela Igreja Católica como antipapa entre 251 e 258. Durante sua atuação, foi central em debates sobre a reintegração de cristãos que haviam renunciado à fé durante perseguições e sobre a prática da penitência.

Poucos detalhes de sua vida são conhecidos. Segundo relatos, foi um homem com formação literária e erudição. Segundo a narrativa de seus opositores, como o papa Cornélio, Novaciano seria alguém que, antes de sua conversão ao cristianismo, enfrentou possessão demoníaca e foi batizado por afusão em seu leito de enfermidade. Após sua recuperação, não recebeu a confirmação episcopal, gerando questionamentos sobre a validade de sua ordenação sacerdotal, que foi realizada posteriormente sob a aprovação do Papa Fabiano.

Durante a perseguição promovida pelo imperador Décio, após o martírio do bispo Fabiano em 250, o bispado de Roma permaneceu vaga por cerca de um ano. Nesse período, Novaciano assumiu papel de destaque na administração da Igreja. Adotou uma postura rigorista em relação à readmissão de cristãos que haviam renunciado à fé, defendendo que tais indivíduos poderiam se submeter à penitência perpétua, mas somente Deus poderia oferecer o perdão final. Essa posição o colocou em oposição a Cornélio, eleito bispo de Roma em 251. Novaciano foi consagrado bispo por três outros bispos e reivindicou a liderança da Igreja, levando à sua excomunhão em um concílio convocado por Cornélio no mesmo ano.

A visão rigorista de Novaciano não era completamente inédita, sendo influenciada por pensadores como Tertuliano e, em certa medida, Hipólito de Roma. Contudo, ele rejeitava explicitamente a autoridade da Igreja para conceder absolvição em casos de apostasia, o que foi criticado por Cipriano de Cartago. Cipriano o acusava de cismático e considerava que sua postura comprometia a unidade da Igreja.

Após sua excomunhão, Novaciano fundou um movimento que veio a ser conhecido como novacianismo, cujos seguidores adotavam práticas rigoristas e se recusavam a reconhecer a autoridade dos bispos das igrejas majoritárias. Esse movimento persistiu por vários séculos, sendo documentado em várias regiões do Império Romano.

Novaciano foi autor de tratados teológicos, incluindo De Trinitate, onde defendeu a doutrina trinitária contra heresias contemporâneas. Morreu possivelmente durante as perseguições do imperador Valeriano, no mesmo ano em que Cipriano, seu principal opositor, foi martirizado.

Cipriano de Cartago

Táscio Cecílio Cipriano ou Cipriano de Cartago (c.200-258), foi um teólogo, bispo e mártir do Norte da África.

Cipriano nasceu em uma família pagã abastada em Cartago, na atual Tunísia. Recebeu uma educação esmerada em retórica, direito e literatura, tornando-se um renomado orador e professor. Durante sua juventude, viveu cercado de luxo e profundamente imerso na cultura pagã da época.

Por volta de 246, aos 45 anos, experimentou uma conversão dramática ao cristianismo, sob a influência do presbítero Ceciliano, que se tornou seu mentor espiritual. Cipriano descreveu sua conversão como uma libertação das trevas e um renascimento espiritual, realizado por meio do batismo, experiência que ele relata em sua obra Ad Donatum. Após sua conversão, abraçou uma vida ascética, vendendo boa parte de suas posses para ajudar os pobres e dedicando-se ao estudo das Escrituras e da teologia cristã.

Rapidamente, Cipriano destacou-se entre os cristãos de Cartago devido à sua inteligência, liderança e dedicação. Apenas dois anos após sua conversão, foi ordenado sacerdote e, em 248 ou 249, eleito bispo de Cartago, uma posição de grande influência na Igreja norte-africana.

A ascensão de Cipriano ao episcopado coincidiu com a perseguição aos cristãos decretada pelo imperador Décio. O edito imperial obrigava todos os cidadãos a sacrificar aos deuses romanos como demonstração de lealdade ao Império, o que gerou grande sofrimento entre os cristãos. Muitos foram presos, torturados ou executados, enquanto outros cederam e renunciaram à fé, obtendo certificados de sacrifício.

Durante essa perseguição, Cipriano fugiu para o exílio, de onde continuou a liderar sua comunidade por meio de cartas pastorais. Este período produziu um rico corpo de correspondências que documentam as dificuldades enfrentadas pela Igreja.

Após o fim da perseguição de Décio, surgiu um intenso debate sobre a reintegração daqueles que haviam apostatado, conhecidos como lapsi. Cipriano defendeu uma posição moderada: embora fosse possível reconciliá-los, isso deveria ocorrer após um período de penitência pública. Ele se opôs tanto aos novacianistas, que exigiam exclusão permanente, quanto aos que defendiam a readmissão imediata. Sua visão, que destacava a autoridade episcopal e a disciplina eclesiástica, prevaleceu no Ocidente.

Outro tema polêmico foi a validade do batismo realizado por hereges e cismáticos. Cipriano sustentava que o batismo só era válido se conferido dentro da Igreja Católica. Em oposição, o bispo de Roma, Estevão, afirmava que a validade do batismo dependia da fórmula trinitária, independentemente do ministro. Este embate evidenciou tensões entre a autoridade dos bispos locais e a primazia romana.

Em sua obra De Ecclesiae Catholicae Unitate, Cipriano enfatizou a unidade da Igreja como corpo indivisível de Cristo, sustentado pelo episcopado. Para ele, a comunhão com o bispo era essencial para a comunhão com a Igreja e com Deus. Sua famosa frase, “Não pode ter Deus como Pai quem não tem a Igreja como Mãe”, reflete sua visão da Igreja como mediadora indispensável da salvação.

Sob a perseguição do imperador Valeriano, Cipriano foi preso e julgado pelo procônsul Galério Máximo. Recusando-se a renegar sua fé, foi condenado à decapitação. Em 14 de setembro de 258, em Cartago, enfrentou sua execução com serenidade e coragem, tornando-se um exemplo de fidelidade para os cristãos. Sua memória foi imediatamente venerada como mártir e santo.

Cipriano foi um autor prolífico. Entre suas obras, destacam-se:

  • Tratados teológicos: Ad Donatum, sobre sua conversão; De Ecclesiae Catholicae Unitate, sobre a unidade da Igreja; De Lapsis, sobre a reconciliação dos lapsi; e De Dominica Oratione, uma exegese do Pai Nosso.
  • Cartas: Suas 81 cartas oferecem valiosos relatos sobre as perseguições e os desafios pastorais da época.

Teologicamente, Cipriano contribuiu significativamente para a eclesiologia, defendendo a centralidade da Igreja e do episcopado. Enfatizou a autoridade sacramental da Igreja e considerou o martírio a mais alta expressão de fé. Sua visão de unidade eclesial moldou profundamente a tradição cristã e permanece uma referência essencial para a teologia.

Atenágoras de Atenas

Atenágoras de Atenas (ca. 133 — 190 d.C.) foi um apologista cristão e filósofo platônico.

Convertido por volta do ano 160, talvez tenha lecionado em uma escola catequética em Atenas e naquela de Alexandria. Apresentou um dos mais antigos uso do termo trias, trindade.

Teria escrito Legatio pro Cristianis e De Resurrectione destinada aos imperadores Marco Aurélio e Cômodo.