André

André, um dos doze apóstolos de Jesus, destaca-se nos Evangelhos como uma figura que, apesar de não ter protagonizado grandes eventos, desempenhou um papel fundamental na formação do grupo apostólico e na difusão da mensagem cristã. Irmão de Simão Pedro, André era natural de Betsaida, uma vila de pescadores na Galileia, onde trabalhava com seu irmão e seus sócios Tiago e João. Sua história, entrelaçada com a de Pedro e de outros discípulos, revela a importância dos laços familiares e comunitários na experiência do discipulado.

A narrativa bíblica apresenta André como um seguidor de João Batista antes de encontrar Jesus. Ao ouvir o Batista anunciar Jesus como o “Cordeiro de Deus”, André, movido por uma profunda intuição espiritual, decide segui-lo. Seu primeiro ato como discípulo é partilhar a descoberta com seu irmão Simão, levando-o a Jesus. Esse gesto, aparentemente simples, revela a disposição de André em compartilhar a fé e o seu papel como “ponte” entre as pessoas e Jesus.

André demonstra sensibilidade às necessidades do próximo, como no episódio da multiplicação dos pães, quando apresenta a Jesus um menino com cinco pães e dois peixes, iniciando o milagre que alimentaria a multidão. Ele também se mostra atento aos anseios espirituais das pessoas, como quando intermedeia o encontro de alguns gregos com Jesus, demonstrando sua capacidade de conectar pessoas de diferentes culturas à mensagem do Evangelho.

Embora os Evangelhos não detalhem o ministério de André após a ascensão de Jesus, a tradição cristã o identifica como um incansável missionário, pregando o Evangelho em diversas regiões, como a Grécia e a Ásia Menor. A tradição também associa sua morte a um martírio por crucificação em Patras, na Grécia, em uma cruz em forma de “X”, conhecida como “Cruz de Santo André”.

Azarias

Azarias, em hebraico  עֲזַרְיָ֖הוּ, עֲזַרְיָ֔ה, é um nome comum no Antigo Testamento, traduzido de Azariah, Azaryah ou Azaryahu, que significa “Javé ajudou”. Abaixo, uma descrição de cada indivíduo identificado com este nome nas Escrituras:

  1. Azarias, rei de Judá
    Conhecido também como Uzias, foi rei de Judá e é mencionado em diversos textos (2 Reis 14:21; 15:1, 6-8, 17, 23, 27; 1 Crônicas 3:12). Governou com notável prosperidade, mas sofreu as consequências de sua presunção ao tentar realizar funções sacerdotais.
  2. Azarias, filho de Zadoque
    Sacerdote durante o reinado de Salomão (1 Reis 4:2; 1 Crônicas 6:10).
  3. Azarias, filho de Natã
    Oficial na corte de Salomão e possivelmente sobrinho do rei (1 Reis 4:5).
  4. Azarias, filho de Etã
    Descendente da tribo de Judá (1 Crônicas 2:8).
  5. Azarias, filho de Jeú
    Outro descendente de Judá mencionado em genealogias (1 Crônicas 2:38, 39).
  6. Azarias, filho de Aimaás
    Sacerdote na corte de Salomão, cujo pai, Aimaás, foi amigo de Davi (1 Crônicas 6:9; 2 Samuel 15:36; 17:17).
  7. Azarias, filho de Joanã
    Neto do sacerdote Aimaás e parte da linhagem sacerdotal (1 Crônicas 6:10).
  8. Azarias, filho de Hilquias
    Sacerdote durante o exílio babilônico (1 Crônicas 6:13, 14; 9:11).
  9. Azarias, filho de Sofonias
    Outro sacerdote mencionado nas genealogias (1 Crônicas 6:36).
  10. Azarias, filho de Odede
    Profeta durante o reinado de Asa que exortou o rei a destruir ídolos e renovar a adoração no templo (2 Crônicas 15:1-15).
  11. Azarias, filho de Josafá
    Filho do rei Josafá, foi morto por seu irmão Jeorão ao suceder ao trono de Judá (2 Crônicas 21:2, 4).
  12. Azarias, filho de Jeroão
    Comandante no exército de Judá durante o reinado de Atalia, participou do golpe que colocou Josias no trono (2 Crônicas 23:1).
  13. Azarias, filho de Obede
    Outro comandante que participou do golpe ao lado do Azarias anterior (2 Crônicas 23:1).
  14. Azarias, sumo sacerdote no reinado de Uzias
    Protestou contra Uzias ao tentar realizar funções sacerdotais e teve papel importante também no reinado de Ezequias (2 Crônicas 26:17, 20; 31:10).
  15. Azarias, líder em Efraim
    Intercedeu pelos judeus capturados pelo exército de Efraim, alimentando-os e libertando-os (2 Crônicas 28:12).
  16. Azarias, coatita
    Mencionado em uma lista de levitas (2 Crônicas 29:12).
  17. Azarias, filho de Jealelel
    Outro levita listado entre os restauradores do templo (2 Crônicas 29:12).
  18. Azarias, sumo sacerdote sob Ezequias
    Provavelmente o mesmo que o número 14, teve um papel significativo na restauração religiosa (2 Crônicas 31:10, 13).
  19. Azarias, avô de Esdras
    Descendente de Hilquias, é mencionado na genealogia do escriba Esdras (Esdras 7:1; 1 Crônicas 9:11).
  20. Azarias, filho de Meraiote
    Outro ancestral de Esdras (Esdras 7:3).
  21. Azarias, filho de Maaseias
    Cidadão de Jerusalém que ajudou na reconstrução do muro sob Neemias (Neemias 3:23).
  22. Azarias, companheiro de Zorobabel
    Participou do retorno do exílio babilônico (Neemias 7:7).
  23. Azarias, levita com Esdras
    Ajudou a interpretar a Lei para o povo durante a leitura pública da Torá (Neemias 8:7).
  24. Azarias, signatário da aliança de Neemias
    Aparece como um dos que assinaram o pacto de renovação (Neemias 10:2).
  25. Azarias, participante da dedicação do muro reconstruído
    Tomou parte na celebração pela reconstrução do muro de Jerusalém (Neemias 12:32).
  26. Azarias, filho de Hosaías
    Integrante do grupo que se opôs aos conselhos do profeta Jeremias (Jeremias 42:1; 43:2).
  27. Azarias, companheiro de Daniel
    Renomeado Abednego, foi um dos jovens levados à corte de Nabucodonosor e lançado na fornalha ardente por se recusar a adorar uma estátua de ouro (Daniel 1:6, 7, 11, 19; 2:17; 3:12-30).

Amom

Amom ou Amon denota pessoas, povos e um deus na Bíblia.

1. Amom é o filho incestuoso de Ló com sua filha mais nova (Gn 19:38). Ele se torna o ancestral epônimo dos amonitas, um povo que habitava a região leste do rio Jordão e que manteve uma relação complexa com os israelitas, oscilando entre conflitos e alianças.

2. Amom foi um administrador em Samaria. 1Rs 22.15-28.

3 .Amom foi o décimo quinto rei de Judá, sucessor de seu pai Manassés (2Rs 21:18-26). Seu reinado, breve e marcado pela idolatria, terminou com seu assassinato por seus próprios servos.

4. Amom é mencionado como o deus egípcio de Nô, uma cidade que representa a arrogância e a idolatria do Egito (Jr 46:25).

Amnom

Amnom, filho primogênito do rei Davi com Ainoã, a jezreelita, ocupa um lugar sombrio na história bíblica devido ao seu ato de violência sexual contra sua meia-irmã Tamar e sua morte subsequente às mãos de Absalão. A narrativa de Amnom em 2 Samuel 13 revela as consequências devastadoras do abuso de poder, da paixão desenfreada e da vingança dentro da própria família real.

Amnom é retratado como um personagem dominado por uma paixão obsessiva por Tamar, descrita como uma jovem bela e virtuosa. Incapaz de controlar seus desejos, Amnom elabora um plano ardiloso para atrair Tamar a seus aposentos, onde a estupra. Esse ato de violência sexual quebra o laço familiar e desencadeia uma série de tragédias que abalarão o reino de Davi.

O estupro de Tamar não é apenas um crime hediondo em si, mas também uma violação da lei e da ordem social. Amnom, como primogênito de Davi, era o herdeiro presuntivo do trono e, portanto, deveria ter sido um exemplo de justiça e retidão. No entanto, ele abusa de seu poder e status para satisfazer seus desejos egoístas, causando dor e sofrimento à sua própria família.

A reação de Davi ao crime de Amnom é ambígua e tem sido objeto de debate entre os estudiosos. Embora o texto bíblico afirme que Davi ficou “muito irado” (2 Samuel 13:21), ele não toma nenhuma ação punitiva contra Amnom. Essa aparente passividade pode ser interpretada como uma falha de liderança, uma incapacidade de lidar com a crise familiar ou uma relutância em punir seu próprio filho.

Absalão, irmão de Tamar, assume o papel de vingador, planejando e executando o assassinato de Amnom durante um banquete. Esse ato de vingança, embora compreensível à luz da cultura da época, perpetua o ciclo de violência e desencadeia uma nova crise no reino, com a rebelião de Absalão contra Davi.

BIBLIOGRAFIA

  • Alter, Robert. The David Story: A Translation with Commentary. New York: W. W. Norton & Company, 2000.
  • Fokkelman, J. P. Narrative Art and Poetry in the Books of Samuel: A Full Interpretation Based on Stylistic and Structural Analyses. Assen: Van Gorcum, 1981.

Amasa

1. Amasa, figura militar durante o reinado de Davi, com papel ambíguo na rebelião de Absalão e trágico fim nas mãos de Joabe. Filho de Itra, um israelita, e Abigail, irmã de Davi, Amasa era, portanto, primo do rei. Essa relação familiar, contudo, não impediu que Amasa se juntasse à revolta de Absalão contra o próprio tio.

As razões que levaram Amasa a trair Davi e aliar-se a Absalão permanecem obscuras e são objeto de debate entre os estudiosos. Alguns sugerem que Amasa, talvez motivado por ambição pessoal ou por ressentimentos não explicitados na narrativa bíblica, viu na rebelião uma oportunidade de ascensão ao poder. Outros argumentam que Amasa poderia ter se sentido injustiçado por Davi em algum momento, ou que tenha sido influenciado por laços de lealdade com seu pai, Itra.

Independentemente de suas motivações, Amasa demonstrou habilidade militar ao liderar as tropas rebeldes. Absalão, reconhecendo sua competência, nomeou-o comandante do exército em lugar de Joabe, o experiente general de Davi. Essa substituição pode ter gerado ressentimentos em Joabe, que via em Amasa um rival e uma ameaça à sua posição.

Após a derrota de Absalão e a restauração do reinado de Davi, Amasa recebeu perdão real e foi nomeado comandante do exército no lugar de Joabe. Essa decisão de Davi, possivelmente motivada por um desejo de reconciliação e de apaziguar os ânimos após a rebelião, demonstra a complexidade política da situação e a habilidade de Davi em lidar com as diferentes facções dentro do reino.

No entanto, a nomeação de Amasa como comandante teve consequências trágicas. Joabe, movido por ciúmes e ressentimento, aproveitou-se de um encontro com Amasa para assassiná-lo a traição, fingindo um abraço de reconciliação. Esse ato brutal revela a crueldade e a ambição desmedida de Joabe, que não hesitou em eliminar um rival, mesmo que isso significasse desobedecer ao rei e manchar sua própria reputação.

A figura de Amasa, marcada pela ambiguidade e pela tragédia, representa um personagem complexo na narrativa bíblica. Sua história levanta questões sobre lealdade, ambição, perdão e as consequências da violência. A morte de Amasa, vítima da traição e da ambição de Joabe, serve como um alerta sobre os perigos do poder e a importância da justiça e da reconciliação na construção de uma sociedade justa e pacífica.

2. Amasa, um efraimita mencionado em 2 Crônicas 28:12, distingue-se por sua compaixão e senso de justiça. Quando o rei Peca de Israel derrotou o rei Acaz de Judá, levando numerosos cativos, Amasa se colocou contra a opressão de seu próprio povo e liderou um movimento para resgatar os judeus cativos.