Eliú

Eliú (אֱלִיהוּא, “meu Deus é Ele”), nome teofórico que designa diferentes personagens na narrativa bíblica.

  1. Eliú filho de Semaías é um porteiro levita durante o reinado de Davi, incumbido de guardar o tesouro do templo. 1 Crônicas 26:7.

2. Eliú, filho de Baraquel, o buzita, em Jó 32:2-6 surge como um personagem intrigante no drama de Jó. Mais jovem que os demais debatedores, ele intervém com fervor e eloquência, criticando tanto a autojustificação de Jó quanto as respostas insatisfatórias de seus amigos. Sua teologia, centrada na soberania e justiça divinas, oferece uma nova perspectiva sobre o sofrimento humano (Jó 33:14-30; 36:8-12).

3. Eliú, mencionado em 1 Crônicas 12:20-21, é um guerreiro da tribo de Manassés que se junta ao exército de Davi em Ziclague, contribuindo para sua ascensão ao trono.

Buzita

Buzita (בּוּז), termo enigmático que aparece apenas em Jó 32:2 e 6, designa Eliú, filho de Baraquel, o buzita, um dos quatro amigos que visitam Jó em seu sofrimento. A identidade e a linhagem de Eliú são obscuras, gerando diversas interpretações. O termo “buzita” (בּוּזִי) pode indicar sua descendência de Buz, sobrinho de Abraão (Gn 22:21), o que o ligaria à linhagem aramaica, ou pode se referir a uma localização geográfica desconhecida.

Eliú, descrito como “da família de Ram” (Jó 32:2), irrompe no diálogo com Jó e seus amigos após um longo silêncio. Sua juventude (Jó 32:6) contrasta com a idade avançada dos outros debatedores, e sua fala é marcada por fervor e eloquência. Eliú critica tanto Jó por sua autojustificação quanto os três amigos por sua incapacidade de oferecer respostas satisfatórias ao sofrimento de Jó.

Embora se apresente como um observador imparcial, Eliú demonstra uma teologia distinta, enfatizando a soberania divina e a justiça de Deus. Ele argumenta que o sofrimento pode ser um meio de Deus disciplinar e purificar o ser humano (Jó 33:14-30; 36:8-12).

A intervenção de Eliú, apesar de extensa, não recebe resposta direta de Jó nem de seus amigos. O discurso de Deus que se segue (Jó 38-41) parece endereçar as questões levantadas por Eliú, embora não o mencione explicitamente.

Neelamita

Neelamita (נְהֶלְיָמִ, neḥelāmî), termo que aparece apenas em Jeremias 29:24,32, designa o falso profeta Semaías. A origem e o significado do termo são incertos.

Alguns sugerem que “Neelamita” se refira à cidade de origem de Semaías, mas nenhum local com esse nome é conhecido. Outros propõem que a expressão seja uma variação de “Neelão”, tornando a tradução “o neelamita” equivalente a “o de Neelão”.

Há também a hipótese de que Jeremias esteja fazendo um jogo de palavras com o hebraico ḥha-lām (“sonho”), ironizando as profecias de Semaías.

Semaías, que se opôs a Jeremias e profetizou falsamente em nome de Deus (Jr 29:24-32), foi condenado pelo profeta à punição divina.

Belsazar

Belsazar (בֵּלְשַׁאצַּר, Bēlšaʾṣṣar; Βαλτάσαρ, Baltasar), cujo nome em acádio significa “Bel proteja o rei”, foi o último rei do Império Neobabilônico, governando como corregente com seu pai, Nabonido (Dn 5:1). Neto de Nabucodonosor (Dn 5:2,11,18,22), Belsazar é retratado em Daniel 5 como um monarca arrogante e idólatra, que profana os vasos sagrados do templo de Jerusalém durante um banquete (Dn 5:3-4).

Em meio à festa, uma mão misteriosa escreve na parede uma mensagem enigmática (Dn 5:5). Daniel, chamado para interpretar a escrita, repreende Belsazar por sua idolatria e orgulho, e anuncia a queda iminente de Babilônia (Dn 5:18-28).

Naquela mesma noite, o Império Babilônico cai diante dos persas, e Belsazar é morto (Dn 5:30) durante a captura da Babilônia por Dario, o medo, em 539 a.C. (Dn 5:30; 7: 1).

Apesar de Nabucodonosor ser citado como o pai de Belsazar em Dn 5:11, 18, tal indicação aparenta ser a invocação do ancestral de maior prestígio, como ocorria na fórmula Bīt-PN, como, por exemplo, “Filho ou Casa de Davi”.

Gade

  1. Gade (גד, Gad; Γάδ, Gad), sétimo filho de Jacó e primeiro com Zilpa, serva de Lia (Gn 30:11), deu origem à tribo israelita que leva seu nome. O nome “Gade”, que significa “sorte” ou “tropa”, prenunciava a natureza guerreira e o papel crucial da tribo na história de Israel.

Acampados a sul do tabernáculo durante a jornada no deserto (Nm 2:14), os gaditas se destacaram por sua bravura e habilidade militar (1Cr 12:8). Estabelecidos a leste do Jordão, em terras propícias à pecuária (Nm 32:1-5), defenderam suas fronteiras com coragem, sendo comparados a leões em ferocidade (1Cr 12:8).

Participaram ativamente da conquista de Canaã (Js 4:12) e, no tempo de Davi, se uniram ao rei em Ziclague (1Cr 12:8-15), demonstrando lealdade em sua luta contra Saul.

2. Gade, o profeta, que aconselhou Davi em momentos decisivos (1Sm 22:5; 2Sm 24:11-19).