Midiã

Midiã era uma região antiga localizada no noroeste da Arábia ou sul do Levante, habitada pelos midianitas, os descendentes de Midiã, filho de Abraão por meio de sua concubina Quetura (Gn 25:1-6).

Comparado com outros povos do antigo Oriente Próximo, o conhecimento sobre Midiã e os midianitas é limitado.

A localização geográfica exata do território dos midianitas é desconhecida. Tradicionalmente Midiã aparece situado a leste do Golfo de Aqaba, na Transjordânia e leste da península do Sinai. Ptolomeu (Geografia, 7.7) menciona um lugar chamado Modiana, na costa da Arábia; talvez seja a mesma Madyan dos geógrafos árabes.

A datação cronológica também é imprecisa. As referências bíblicas aos midianitas se concentram nas histórias do Êxodo, Juízes. Eles não são mencionadas nas fontes neo-assírias.

Outros povos bíblicos localizados a leste e sudeste do antigo Israel (Amon, Moabe e Edom) tiveram informações acrescidas pela arqueologia. Já para os midianitas, o que se sabe sobre eles deriva-se quase exclusivamente da Bíblia ou de tradições tardias quando eles já não existiam.

As evidências bíblicas e arqueológicas indicam que a adoração a Yahweh era corrente em Midiã, mas isso não impediu confrontos militares entre israelitas e midianitas. Moisés refugiou-se entre os midianitas (Ex 2:21-22, 18:2-5), casando-se com Zípora, filha de Jetro (Jeter ou Hobabe), sacerdote de Yahweh.

Em Nm 10, Moisés pede a Hobabe que guie os israelitas em sua jornada para a terra de Canaã. Apesar da recusa deste último, Moisés o exorta a atender ao seu pedido, prometendo-lhe uma porção no bem futuro que Deus tem reservado para o Seu povo. Nesse ponto, porém, a narrativa é interrompida.

Outro notável incidente com os midianitas é registrado em Números 25:1–18, na apostasia de Baal-Peor. Também é aludida em Sl 106, Js 22 e Os 9:10. O casamento misto e a prostituição diante de Baal-Peor resulta na intervenção de Fineias e depois em guerra (Nm 31:7-18).

No período dos juízes, os midianitas teriam dominado Israel por seis anos. Após o ciclo de Gideão (Jz 6-8), os midianitas foram subjugados diante dos filhos de Israel (Jz 8:28). Somente em alusões a essa vitória – Sl 83, Is 9:4; 10: 6, e Hc 3: 7 – que Midiã volta a ser mencionada na Bíblia.

Achados arqueológicos dos séculos 13 e 12 a.C. indicam uma cultura material que possivelmente seria midianita. A cerâmica associada a esta cultura é denominada “cerâmica midianita” ou “Qurayyah”.

Os sítios arqueológicos em Timna, ao norte de Eilat, coincide com as antigas minas de cobre sob controle egípcio e um templo para a deusa egípcia da mineração, Hathor. Na segunda metade do século XII a,C, com o enfraquecimento do poder egípcio, supostamente os midianitas dominaram a região. Indícios de uma tenda de culto foi encontrada e o templo egípcio de Hathor foi remodelado. A mutilação do rosto de Hathor e o resto dos objetos destruídos encontrados entre os penhascos ​​de Timna poderiam indicar o possível culto a Yahweh de forma aniconista.

VIDE
Hipótese Midianita

Queneus

Recabitas

Filisteus

Os filisteus são parte dos povos do mar que migraram da bacia do Egeu e outras áreas para a costa sul de Canaã no início do século XII a.C. Como retratados na Bíblia, os filisteus viriam ser um dos principais rivais dos israelitas durante a Idade do Ferro.

Restaram poucas inscrições da Filistia. O que sabemos sobre os filisteus deriva de fontes assírias e babilônicas e de narrativas bíblicas, bem como de registros arqueológicos. De sua literatura nada restou e de sua língua somente alguns nomes próprios.

Filistia, o território controlado pelos filisteus, era uma fértil planície costeira do sudeste do Mar Mediterrâneo. Seus limites se estende do “Rio do Egito” até Ecrom. Consistia em cinco cidades ou Pentápolis: Asdode, Asquelom, Gaza, Ecrom e Gate. O território atual compreende a área entre a moderna Tel Aviv e a Faixa de Gaza.

Não se sabe qual seria a organização política dos filisteus. Suas cidades poderiam ter sido independentes ou talvez possuíssem uma organização política maior.

Os filisteus são contados entre as nações que o Senhor deixou em Canaã para testar Israel (Js 13:2-3, Jz 3:1-3).

Detentores da tecnologia do ferro, a potência militar dos filisteus aparecem no ciclo de Sansão (Jz 13-16) e pela guerra em que a Arca foi capturada (1Sm 4-6; Sl 78: 56-66; Jr 7:12-14). O estabelecimento da monarquia com um exército permitiu Saul de alcançar algumas vitórias contra os filisteus (1Sm 13-14), incluindo a luta de Davi contra o gigante Golias (1Sm 17:41-54). Todavia, Davi refugiou-se com o rei filisteu de Gate, Aquis, e tornou-se um de seus vassalos (1Sm 21:1-28:2). A morte de Saul fez com que Davi rompesse sua aliança com os filisteus e lutasse contra eles (2Sm 1:1-2:11; 2Sm 5:17-25; 2Sam 8:1). Embora os filisteus continuassem a resistir à expansão de Israel (2Sm 21: 15-22; 2Sm 23:8-39), já não eram mais uma grande ameaça. O último rei israelita que teve contato com os filisteus foi Ezequias. Em seu reinado entre c.729 e 687 a.C., o reino de Judá realizou campanhas bem-sucedidas contra eles (2Rs 18:8).

Após a destruição de Gate pelo rei arameu Hazael por volta de 830 a.C., as outras quatro cidades continuaram a prosperar. Contudo, a destruição de Gate permitiu que o reino de Judá começasse a se expandir nessa direção. Durante o período neo-assírio (meados do século VIII a meados do século VII a.C.), a Filistia prosperou. Asquelom tornou-se um porto importante e Ecrom tornou-se o maior produtor de azeite do Mediterrâneo oriental.

Na conquista da Filistia pela Babilônia por volta de 604 a.C. todas as cidades restantes foram destruídas e seus habitantes exilados. Terminou, assim, a existência dos filisteus como cultura distinta.

Os filisteus não são aparentados da população cananeia nativa desta região. Por muito tempo se pensou que vieram algum local ainda não identificado no Egeu, Caftor, tendo migrado em massa e repovoado ao longo da planície costeira do sul de Canaã. Dados arqueológicos revelam uma história mais complexa.

A cultura material dos primeiros filisteus indica que as origens dos filisteus são diversas, de várias áreas do Egeu, Chipre, sul da Anatólia e até mesmo dos Bálcãs. Poderiam ser populações levantinas que se deslocaram em massa após a queda da hegemonia hitita (Ben-Dor Evian, 2017). As evidências arqueológicas mostram que a população e a cultura cananeia local coexistiram com os filisteus, sendo eventualmente assimilados.

A cerâmica filisteia é distinta e serve para mapear a mudança da cultura material dos filisteus. A cerâmica do início da Idade do Ferro inclui modelos micênicos feita localmente. Mais tarde na Idade do Ferro a cerâmica filisteia também muda, desenvolvendo seus próprios estilos. O último estágio (utensílios de Asdode), durante a Idade do Ferro IIA, combina formas e decorações filisteias e fenícias.

A alimentação dos filisteus distingue-os de outras culturas cananeias. A maioria, mas não todos, dos sítios arqueológicos filisteus indica uma preferência por carne de porco e cachorro. A cinofagia (consumo de cachorros) parece ter tido também uma função ritual. Os utensílios de cozinha (jarras) e instalações (lareiras) também são diferentes.

BIBLIOGRAFIA
Ben‐Dor Evian, Shirly. “Ramesses III and the ‘Sea‐peoples’: Towards a New Philistine Paradigm.” Oxford Journal of Archaeology 36.3 (2017): 267-285.

Garbini, Giovanni. I filistei: gli antagonisti di Israele. Brescia: Paideia, 2012.

Feldman, Michal; Daniel M. Master; Raffaela A. Bianco; Marta Burri; Philipp W. Stockhammer; Alissa Mittnik; Adam J. Aja; Choongwon Jeong; Johannes Krause. “Ancient DNA sheds light on the genetic origins of early Iron Age Philistines” Science Advances (2019). DOI:10.1126/sciadv.aax0061

Stockhammer, Philipp W. “From hybridity to entanglement, from essentialism to practice.” Archaeological Review from Cambridge 28.1 (2013): 11-28.

Caftoritas

Caftoritas ou caftorim seriam um povo originário de Caftor. Caftor, em hebraico כַּפְתּוֹר‎, é referido em Dt 2:23; Am 9:7 como região de origem dos filisteus. Jeremias se refere aos filisteus como “o remanescente das costas de Caftor” (Jr 47:4).

A localização de Caftor é incerta. Os locais possíveis seriam Creta, Chipre ou a costa da Cilícia. Menções provenientes de Ugarit, Mari e Egito indicam ser uma região conhecida e com recorrentes contatos na Idade do Bronze.

Os caftoritas (Gn 10: 13-14; 1 Cr 1: 11-12) seriam descendentes de Cam, filho de Noé, por meio de Mizraim (Egito), sendo identificados com os filisteus.

Os caftoritas migraram e desapropriaram a terra dos heveus, na costa sul de Canaã.

Canaã

1. Nome de um dos filhos de Cam e neto de Noé. Aparece pela primeira vez no perícope da embriaguez de Noé (Gn 9: 18-27), depois na Tabela das Nações (Gn 10: 6; Gn 15-20: 6) como irmão de Pute (Líbia), Cuche (Etiópia) e Egito.

2. Território ocupado pelos descendentes do epônimo Canaã, no Líbano e entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo. Os limites de Canaã aparecem como termos de Sidon a Gerar, perto de Gaza, e do leste, até Sodoma, Gomorra, Admapa e Zeboim até Lassa (Gn 10:19).

Vistos como inimigos e idólatras na conquista israelitas (Dt 20: 16-18), várias comunidades parecem ter sobrevivido junto dos hebreus, além dos fenícios da costa. Em (Mt 15:22), Jesus encontra uma mulher cananeia.

A civilização sírio-cananeia ou semítica ocidental deixou vários legados culturais, como a escrita alfabética.

VEJA TAMBÉM

Citas

Citas ou Asquenaz (Gn 10:3; 1 Cr 1:6; Jr 51:27) eram um povo nômade do Cáucaso e arredores do Mar Negro.

Os citas ameaçaram o Império Assírio e depois o Império Persa. No NT eles exemplificam um contraste aos povos helenizados, ou seja, como bárbaros (Cl 3:11).

No ano 644 a.C. os cimérios (provavelmente parte dos citas) atacaram Sardes, a capital da Lídia, e as cidades gregas jônicas como Éfeso, Esmirna e Magnésia. É possível que tenham passado perto do local de Colossos, o que explica a alusão paulina.

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