Zilpa

Zilpa, em hebraico: זִלְפָּה, de significado incerto.

Uma das servas de Labão, dada a sua filha Leia. Depois de Leia ter tido quatro filhos deu Zilpa a Jacó como concumbina. Zilpa foi mãe de Gade e Aser, patriarcas dessas tribos em Israel.

Zilpa aparece exclusivamente no livro de Gênesis 29:24; 30:9–13, 18; 31:33; 32:22; 33:1–2, 5–6; 35:26; 37:2; 46:18.

BIBLIOGRAFIA

Juliana Claassens, L. “Reading Trauma Narratives: Insidious Trauma in the Story of Rachel, Leah, Bilhah and Zilpah (Genesis 29-30) and Margaret Atwood’s The Handmaid’s Tale.” Old Testament Essays 33.1 (2020): 10-31.

Reiss, Moshe; Zucker, David J.. “Co-opting the secondary matriarchs: Bilhah, Zilpah, Tamar, and Aseneth.” Biblical interpretation 22, no. 3 (2014):307-324.

Leia

Leia ou Lia, em hebraico לֵאָ֔ה e em grego Λεία, era irmã mais velha de Raquel, filhas de Labão (Gn 29:16). Aparece em Gn 29-31 dentro do ciclo de Jacó em relação de disputa com sua irmã.

O significado de seu nome é incerto. É especulado que signifique impaciente ou seja cognato do acadiano littu, vaca selvagem.

Leia é descrita como de olhos ternos, talvez implique em estrabismo (Gn 29:17). Ela foi contrastada com sua irmã que era bonita.

Jacó se enamorou por Rachel e sujeitou-se a sete anos de servidão para pagar o preço da noiva. No entanto, Labão enganou Jacó para se casar com Leia (Gn 29:23-24). Depois, Jacó concordou em trabalhar mais sete anos para ter Raquel como segunda esposa. Assim, Leia foi a primeira esposa de Jacó, de quem também era prima, pois sua mãe, Rebeca, era irmã de Labão (Gn 29:12-13).

Teve quatro filhos com Jacó: Rubem, Simeão, Levi e Judá. Mediante sua serva Zilpa foi mãe de mais dois: Gade e Asser (29:32; 30:10, 12).

Enquanto foi enterrada perto de Belém, Leia foi sepultada em Macpela, onde Jacó seria sepultado (49:31).

A única menção a Leia fora de Gênesis ocorre em Rute 4:11, no qual Leia é celebrada como uma das que edificaram a casa de Israel.

E todo o povo que estava na porta e os anciãos disseram: Somos testemunhas; o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Leia, que ambas edificaram a casa de Israel; e há-te já valorosamente em Efrata e faze-te nome afamado em Belém.

BIBLIOGRAFIA

BELLIS, Alice Ogden. “A Sister Is a Forever Friend: Reflections on the Story of Rachel and Leah.” The Journal of Religious Thought 55, no. 2 (1999): 109.

CAMÕES, Lúis de. “Sete anos de pastor”. Lírica. Introdução e notas de Aires da Mata Machado Filho. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1982

CHWARTS, Suzana. “Dá-me filhos senão estou morta: a concepção na Bíblia Hebraica.” Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG 2.2 (2008):135-138.

CLAASSENS, Juliana. “Reading Trauma Narratives : Insidious Trauma in the Story of Rachel, Leah, Bilhah and Zilpah (Genesis 29-30) and Margaret Atwood’s The Handmaid’s Tale.” Old Testament Essays 33, no. 1 (2020): 10-31.

JEFFRESS, Jean. “Three’s Company Too: A Midrash on Everyday Misogyny, Leah, Rachel, Jacob, and the Comedy of Errors of This Hebrew Bible Dysfunctional Family.” Review and Expositor (Berne) 115, no. 4 (2018): 572-76.

JENSEN, Aaron Michael. “The Appearance of Leah.” Vetus Testamentum 68, no. 3 (2018): 514-18.

RABOW, Jerry. The Lost Matriarch : Finding Leah in the Bible and Midrash. Lincoln: JPS, 2014.

SEELENFREUND, Morton H, and Stanley Schneider. “Leah’s Eyes.” The Jewish Bible Quarterly 25, no. 1 (1997): 18-22.

STARR‐MORRIS, Ashley. “Leah and Hagar.” Cross Currents (New Rochelle, N.Y.) 69, no. 4 (2019): 384-401.

Iscá

Iscá, em hebraico יִסְכָּה e em grego: Ἰεσχά, é uma filha de Harã, irmão de Abraão. É mencionada uma única vez em Gn 11:29

E tomaram Abrão e Naor mulheres para si; o nome da mulher de Abrão era Sarai, e o nome da mulher de Naor era Milca, filha de Harã, pai de Milca e pai de Iscá.

A tradição rabínica especulou se Iscá seria outro nome para Sara, posição dada no Targum Pseudo-Jonathan.

Essa menção seria a possível fonte do nome “Jéssica”. A personagem na peça de William Shakespeare filha de Shylock em O Mercador de Veneza possui semelhança com as rendições das bíblias de Tyndale (Iisca), Wycliffe (Jescha), Mattheq (Iesca).

Vale de Sidim

O vale de Sidim,עֵ֖מֶק שִׂדִּים ‘emeq haś-Śiddim, identificado com o “Mar Salgado” em Gênesis 14:3, chamado de “mar da Arabá” em Deuteronômio 3:17, ou m “Mar Morto”. A localização atual é incerta.

É uma localidade mencionada em Gênesis: “E o vale de Sidim estava cheio de poços de betume” (Gênesis 14:3, 8, 10) como cenário da batalha do vale de Sidim, quando Quedorlaomer derrotou os reis de Sodoma e das cidades da planície.

Apócrifo de Gênesis

Literatura parabíblica que expande o livro de Gênesis. Sobrevive em fragmentos dos manuscritos aramaicos descobertos no Mar Morto (1QapGen ou 1Q20).

Datado de entre 250 aC e 50 dC, o Apócrifo de Gênesis reconta as narrativas de Enoque, Noé e Abraão ao estilo de midrash.

O Apócrifo de Gênesis tenta retratar os patriarcas com um tom moralmente melhor e dar uma interpretação teológica de suas vidas.

O livro é uma fonte importante para o aramaico palestiniano médio e é um dos mais antigos testemunhos que cita o livro de Gênesis.

BIBLIOGRAFIA

García Martínez, Florentino; Tigchelaar, Eibert J. C. . The Dead Sea Scrolls: Study Edition. 2 vols. Grand Rapids: Eerdmans, 1997.

Abel

  1. Abel é o filho de Eva e Adão (Gn 4:1-15), pastor de ovelhas morto por seu irmão Caim, enciumado pela aceitação da oferta de seu irmão. A oferta das primícias de seu seu rebanho (cf. Números 18:17) foi recebida como justiça (Mt 23:35; Hb 11:4). Seu irmãos Caim, enciumado, o matou (Gn 4:8; 1 Jo 3:12). No Novo Testamento o sacrífico e oferta de Abel são exemplos de justiça (Mt 23:35; Lc 11:51; Hb 11:4; Hb 12:24; 1 Jo 3:12). A palavra abel הֶבֶל em hebraico significa fôlego, em grego Ἅβελ. No entanto, como nome próprio seu significado permanece obscuro.
  2. Em um sentido obscuro a palavra abel aparece como uma pedra no local que os filisteus devolveram a arca (1 Sm 6:18).

Matusalém

Em hebraico: מְתוּשֶׁלַח , ; em grego: Μαθουσάλας Mathousalas, um patriarca bíblico cuja vida foi a mais longa da Bíblia, 969 anos de acordo com o Texto Massorético e com a Septuaginta, embora apareça com “meros” 720 anos no Pentateuco Samaritano e no Livro de Jubileus. Irrespectivo de qual recensão, teria morrido no ano do dilúvio.

Matusalém era filho de Enoque, pai de Lameque e avô de Noé. É mencionado nas genealogias em 1 Crônicas e no Evangelho de Lucas.

A Lista de Reis Sumérios menciona um personagem chamado Ubara-Tutu com paralelos a Matusalém. Ubara-tutu (ou Ubartutu) de Shuruppak foi o último rei antediluviano da Suméria e teria reinado por 18.600 anos (5 sars e 1 ner). Ele era filho de En-men-dur-ana, uma figura mitológica suméria comparada a Enoque, pois não teria morrido.

Alguns comentadores (Donald V. Etz; Ellen Bennet) argumentam que os anos da genealogia de Gênesis 5, consequentemente a idade de Matusalém, foram interpretadas erroneamente. Sugerem que os termos traduzidos por anos nos seriam, então, estações ou outras unidades, o que reduziriam a idade de Matusalém de 78 a 96 anos, conforme o comentador.

BIBLIOGRAFIA

Etz, Donald V., “The Numbers of Genesis V 3-31: a Suggested Conversion and Its Implications”, Vetus Testamentum, Vol. 43, No. 2, 1994, pages 171–187.

Suméria

Os sumérios foram uma civilização no sudeste do atual Iraque, cujo desenvolvimento de centros urbanos ocorreu anos 5.000 e 4.000 e atingiu o pico por volta de 2.000 a.C.

Inicialmente, a civilização suméria formou-se em torno de de templos, os quais eram centros administrativos e comerciais. Dentre elas estavam Kish (Tell el-Oheimir), Kid Nun (Jemdet Nasr), Nippur (Niffer), Lagash (Telloh), Eridu (Abu Shahrain), Shuruppak (Fara), Larsa (Senkere ) e Umma (Jocha), Uruk (Warka), Ur ou Ereque (Tell Muqayyir) — as duas últimas mencionadas na Bíblia.

Deve ser creditado aos sumérios a invenção progressiva da escrita. Passaram de sinais contábeis inscritos em argila para um sistema complexo de escrita chamado cuneiforme. No século XIX sua escrita cuneiforme foi decifrada e a arqueologia dos anos 1910 ao 1930 produziu tais descobertas fascinantes. Na década de 1950, com a publicação desse materal, ficou demonstrado que as raízes da cultura europeia e semítica remontavam à literatura da Idade do Bronze – ao Egito, à Anatólia, à Mesopotâmia e sobretudo da Suméria.

Na Bíblia, a Suméria é chamada de Sinar. Em Gn 10:10, o reino de Nimrode compreende Babel (Babilônia), Ereque (Uruk), Acade e Calné, na terra de Sinar. O rei Anrafel aparece como senhor de Sinar (Gn 14:1,9). Outras menções aparecem em Js 7:21; Is 11:11; Dn 1: 2; e Zc 5:11