Listra

Listra, em grego Λύστρα, era uma cidade da Licaônia. No século I passou a fazer parte do sul da província romana da Galácia, região central da Anatólia.

Paulo e Barnabé pregaram na cidade. Depois de uma cura miraculosa, o povo quis adorá-los pela manhã. No entanto, depois de algumas horas tentou apedrejá-lo, na mesma noite (Atos 14:6-21).

Diatribe

Figura de linguagem e tática retórica de representar as ideias ou falas de um interlocutor para discutí-los de modo agressivo para censura, ridicularização ou refutação.

No diatribe o orador presume a presença de um oponente. Sem permissão para responder, a posição do oponente é indicada por declarações ou perguntas retóricas colocadas em sua boca pelo orador.

Serve para fazer objeções hipotéticas e conclusões falsas ou redução ad absurdum.

Notoriamente, Rudolf Bultmann fez sua dissertação doutoral sobre o tema relacionado à retórica paulina. Essa obra padrão apresenta o diálogo imaginário na diatribe. As respostas do oponente são frequentemente tolas e são sumariamente rejeitadas pelo orador.

Nos escritos paulinos aparece notavelmente em Rm 1-11; 1 Cor 6: 12-20; 15:29-41; Gal 3:1-9, 19-22. Outro livro recheado de diatribes é a epístola de Tiago. Há frequentes indícios de diatribes de Jesus com seus interlocutores, principalmente os fariseus (cf. Lc 7:34).

Nos textos paulinos algumas frases indicam a diatribe “de modo algum”, “de modo algum”, “de fato não ”, ou “de forma alguma”. Geralmente são precedidos por peguntas retóricas ou declarações que depois serão disputadas pelo próprio Paulo.

Tradicionalmente fazia parte da oratória popular de filósofos cínicos e estóicos.

BIBLIOGRAFIA

Bultmann, Rudolf Karl. Der Stil der paulinischen Predigt und die kynisch-stoische Diatribe. 1910.

Burk, Denny. “Discerning Corinthian Slogans through Paul’s Use of the Diatribe in 1 Corinthians 6:12–20.” Bulletin for Biblical Research 18, no. 1 (2008): 99-121.

Schmeller, T. “Paulus und die ‘Diatribe’,” NTA 19, Münster, Aschendorff, 1987.

Stowers, Stanley K. The Diatribe and Paul’s Letter to the Romans. SBLDS 57; Chico Ca.: Scholars Press, 1981.

Epístolas pastorais

Três cartas atribuídas a Paulo – 1 e 2 Timóteo e Tito – abordando questões pastorais, boa governança e responsabilidades éticas na Igreja e destinadas aos seus colaboradores Timóteo e Tito.

Paulo teria conhecido Timóteo na Galácia durante sua segunda viagem missionária. Tinha uma boa reputação (At 16: 1). Era filho de mãe judia e pai gentio, criado com conhecimento das Escrituras (1 Tm 3:15). Foi circuncidado para evitar contendas entre os judeus (At 16:3). Timóteo passou a viajar com Paulo e Silas e seria o amanuense ou coautor das epístolas de 2 Coríntios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses e Filémom.

Tito era grego e tratado como companheiro de Paulo (2 Co 8:23), a quem se dirigia como “meu filho leal na fé” (Tt 1:4). Não é mencionado em Atos. Paulo o enviou a Corinto como mensageiro (2 Co 2:13; 7: 6-14; 12:18). Ajudou a arrecadar a oferta para a igreja em Jerusalém (2 Co 8:4) e acompanhou Paulo e Barnabé àquela cidade (Gl 2:1).

Há várias datas estimadas e modelos de composição. Se considerar essas epístolas como de autoria imediata de Paulo, elas teriam sido redigidas de Roma entre 64 a 67 d.C. ao mais tardar ou 60 a 64 d.C. como limite inicial. Seriam, então, os últimos escritos preservados de Paulo. Outras teorias de composição datam essas epístolas mais tarde: hipótese fragmentária de Harrison (até 110 d.C.); hipótese de pseudonímia de Fiore, Holmes (c.80-90 d.C.) e hipótese de alonímia de Marshall (67-80 d.C.).

O manuscrito mais antigo contendo material das Cartas Pastorais é o P32. Esse papiro data de c.200 d.C. e contém apenas Tito 1:11-15; 2:3-8. Manuscritos paulinos anteriores, como P46, indicam serem coleções de cartas para igrejas e podem não ter incluído as cartas para Timóteo e Tito. O status canônico varia. Policarpo alude a 1 e 2 Timóteo, mas não menciona Tito. Marcion rejeitava-nas, mas praticamente todo autor patrístico e recensões a partir do Cânone de Muratori, Irineu, Clemente e Tertuliano aceitaram as cartas pastorais sem disputa. Somente no século XIX, críticos textuais alemães passaram a disputar a autoria paulina devido ao estilo linguístico e conteúdo divergente do resto do corpus paulino

Tematicamente, vários elementos são comuns nessas três cartas. Um deles é a paraenesis, ou motivos literários de instrução ou conselho, incluindo listas de vícios e virtudes, Haustafeln e exemplos tanto positivos quanto reprováveis. Outros temas incluem a exortação a uma vida moral (1 Tm 6:3; Tt 1), qualificação dos ministros, exortações de manter a sã doutrina (1 Tm 1:3-4; 4:6; 2 Tm 1:13; Tt 2:1) e evitar especulações (1 Tim 1:4; 4:7; 2 Tm 2:14, 16-18; Tt 1:14).

Filipos

Filipos, em grego Φίλιπποι, cidade na Macedônia (atual Grécia), onde Paulo plantou sua primeira igreja na Europa (At 16)

Filipos recebeu o nome de Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande (356 a.C.). Filipos tornou-se uma colônia romana quando veteranos receberam terras depois da batalha de 42 a.C. da guerra civil entre partidários de Marco Antônio e Otávio contra os partidários do senado no final da república romana. A cidade tinha uma biblioteca e recebia várias encenações de teatro. Isso faz supor que a cidade era relativamente rica. Paulo escreveu sua epístola aos filipenses, além de a cidade ser mencionada. É mencionada em At 16:12; 20:6; Fp 1:1; 1 Ts 2:2.

Hoje é um sítio arqueológico com várias representações artísticas da vida na Antiguidade.

Antioquia da Pisídia

Antioquia da Pisídia, em grego Ἀντιόχεια τῆς Πισιδίας, era uma cidade no sudoeste da Ásia Menor (atual Turquia) e foi visitada por Paulo e Barnabé (At 13:13-52). Depois de alguma oposição, Paulo partiu para Icônio (At 14). É possível que a epístola aos Gálatas tenha sido destinada aos cristãos dessa região (Hipótese Sulista). Em 2 Tm 3:11 há alusões a essas perseguições.

Herodes Agripa II

Herodes Agripa II (Marcus Julius Agrippa) (c.28-c.92 d.C.). O último rei da dinastia herodiana. Educado em Roma, tornou-se rei em 50, ocupando uma sucessão efêmera de cargos-clientes. Quando a revolta judaica estourou, Agripa II tentou em vão dissuadir os judeu. Agripa se juntou aos romanos e lutou contra os judeus. Exilado em Roma, continuou com o título nominal de rei. Fornceu documentos a Flávio Josefo.

Conforme At 25:13-26:32 Paulo apresentou sua defesa diante de Agripa e sua irmã Berenice (com quem teria tido um relacionamento incestuoso) em Cesareia Marítima (c. 59 ou 60).

BIBLIOGRAFIA
Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, 19.360-362; 20.9-12, 104, 135-140, 189-203, 211-214.
Flávio Josefo, Guerra Judaica, 2.220-223, 245-247, 335-407, 523-526; 3.56-57. Flávio Josefo, Vida de Flávio Josefo, 34-39, 74, 114, 340-367, 381-398.

Éfeso

Éfeso era a cidade grega mais importante da Ásia Menor jônica, cujas ruínas ficam perto da moderna vila de Selçuk, no oeste da Turquia.

Era um importante centro comercial, localizado perto de um porto na foz do rio Cayster, em um vale longo e fértil. Tinha um famoso anfiteatro, o maior do mundo, possivelmente acomodando até 50.000 espectadores. Também abrigou o grande templo de Ártemis, ou Diana, construído em 550 aC, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

Um grupo de discípulos vivia nessa cidade, discipulados por Apolo, mas depois instruídos por Priscila e Áquila (Atos 18). Paulo esteve em Éfeso durante sua segunda viagem missionária e ficou lá por dois anos (Atos 19), depois seria endereçada a essa igreja uma carta hoje chamada de Epístola aos Efésios. Aí iniciou Timóteo seu ministério (1 Timóteo 1:3).

Há uma tradição de que o apóstolo João e Maria, mãe do Senhor, viveram nessa cidade.

Foi direcionada a Éfeso uma das sete cartas de Apocalipse (Apocalipse 2:1–7).

Corinto

Uma grande cidade grega economicamente importante, no Peloponeso, na Grécia, na qual Paulo fundou a igreja.

No período helenista, a cidade era um importante centro cultual a Afrodite. Contudo, a cidade foi destruída pelos romanos em 146 a.C. Quase um século depois, em 44 a.C., uma cidade de mesmo nome foi construída nas imediações do sítio da anterior, sendo a capital da região de Acaia.

A suposição de que Corinto seria um centro de prostituição durante o período paulino não tem corroboração histórica.