Epístolas pastorais

Três cartas atribuídas a Paulo – 1 e 2 Timóteo e Tito – abordando questões pastorais, boa governança e responsabilidades éticas na Igreja e destinadas aos seus colaboradores Timóteo e Tito.

Paulo teria conhecido Timóteo na Galácia durante sua segunda viagem missionária. Tinha uma boa reputação (At 16: 1). Era filho de mãe judia e pai gentio, criado com conhecimento das Escrituras (1 Tm 3:15). Foi circuncidado para evitar contendas entre os judeus (At 16:3). Timóteo passou a viajar com Paulo e Silas e seria o amanuense ou coautor das epístolas de 2 Coríntios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses e Filémom.

Tito era grego e tratado como companheiro de Paulo (2 Co 8:23), a quem se dirigia como “meu filho leal na fé” (Tt 1:4). Não é mencionado em Atos. Paulo o enviou a Corinto como mensageiro (2 Co 2:13; 7: 6-14; 12:18). Ajudou a arrecadar a oferta para a igreja em Jerusalém (2 Co 8:4) e acompanhou Paulo e Barnabé àquela cidade (Gl 2:1).

Há várias datas estimadas e modelos de composição. Se considerar essas epístolas como de autoria imediata de Paulo, elas teriam sido redigidas de Roma entre 64 a 67 d.C. ao mais tardar ou 60 a 64 d.C. como limite inicial. Seriam, então, os últimos escritos preservados de Paulo. Outras teorias de composição datam essas epístolas mais tarde: hipótese fragmentária de Harrison (até 110 d.C.); hipótese de pseudonímia de Fiore, Holmes (c.80-90 d.C.) e hipótese de alonímia de Marshall (67-80 d.C.).

O manuscrito mais antigo contendo material das Cartas Pastorais é o P32. Esse papiro data de c.200 d.C. e contém apenas Tito 1:11-15; 2:3-8. Manuscritos paulinos anteriores, como P46, indicam serem coleções de cartas para igrejas e podem não ter incluído as cartas para Timóteo e Tito. O status canônico varia. Policarpo alude a 1 e 2 Timóteo, mas não menciona Tito. Marcion rejeitava-nas, mas praticamente todo autor patrístico e recensões a partir do Cânone de Muratori, Irineu, Clemente e Tertuliano aceitaram as cartas pastorais sem disputa. Somente no século XIX, críticos textuais alemães passaram a disputar a autoria paulina devido ao estilo linguístico e conteúdo divergente do resto do corpus paulino

Tematicamente, vários elementos são comuns nessas três cartas. Um deles é a paraenesis, ou motivos literários de instrução ou conselho, incluindo listas de vícios e virtudes, Haustafeln e exemplos tanto positivos quanto reprováveis. Outros temas incluem a exortação a uma vida moral (1 Tm 6:3; Tt 1), qualificação dos ministros, exortações de manter a sã doutrina (1 Tm 1:3-4; 4:6; 2 Tm 1:13; Tt 2:1) e evitar especulações (1 Tim 1:4; 4:7; 2 Tm 2:14, 16-18; Tt 1:14).

Antioquia da Pisídia

Antioquia da Pisídia, em grego Ἀντιόχεια τῆς Πισιδίας, era uma cidade no sudoeste da Ásia Menor (atual Turquia) e foi visitada por Paulo e Barnabé (At 13:13-52). Depois de alguma oposição, Paulo partiu para Icônio (At 14). É possível que a epístola aos Gálatas tenha sido destinada aos cristãos dessa região (Hipótese Sulista). Em 2 Tm 3:11 há alusões a essas perseguições.

Herodes Agripa II

Herodes Agripa II (Marcus Julius Agrippa) (c.28-c.92 d.C.). O último rei da dinastia herodiana. Educado em Roma, tornou-se rei em 50, ocupando uma sucessão efêmera de cargos-clientes. Quando a revolta judaica estourou, Agripa II tentou em vão dissuadir os judeu. Agripa se juntou aos romanos e lutou contra os judeus. Exilado em Roma, continuou com o título nominal de rei. Fornceu documentos a Flávio Josefo.

Conforme At 25:13-26:32 Paulo apresentou sua defesa diante de Agripa e sua irmã Berenice (com quem teria tido um relacionamento incestuoso) em Cesareia Marítima (c. 59 ou 60).

BIBLIOGRAFIA
Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, 19.360-362; 20.9-12, 104, 135-140, 189-203, 211-214.
Flávio Josefo, Guerra Judaica, 2.220-223, 245-247, 335-407, 523-526; 3.56-57. Flávio Josefo, Vida de Flávio Josefo, 34-39, 74, 114, 340-367, 381-398.

Corinto

Uma grande cidade grega economicamente importante, no Peloponeso, na Grécia, na qual Paulo fundou a igreja.

No período helenista, a cidade era um importante centro cultual a Afrodite. Contudo, a cidade foi destruída pelos romanos em 146 a.C. Quase um século depois, em 44 a.C., uma cidade de mesmo nome foi construída nas imediações do sítio da anterior, sendo a capital da região de Acaia.

A suposição de que Corinto seria um centro de prostituição durante o período paulino não tem corroboração histórica.

Tessalônica

Cidade portuária da antiga Macedônia, situada no norte da Grécia moderna com o nome de Salônica. Paulo fundou uma igreja aqui, presumivelmente composta apenas de gentios.

A cidade foi fundada sobre uma vila anterior em c. 316 a.C, pelo general macedônio Cassandro, que lhe deu o nome de sua esposa Tessalônica, filha de Filipe II da Macedônia.

Em 168 aC, meio a conflitos entre estados helenistas, Tessalônica requisitou o protetorado de Roma. A partir disso, Tessalônica passou ser uma cidade controlada pelos romanos, embora com autonomia para seus próprios assuntos. Com status de cidade livre e capital efetiva da Macedônia romana, Tessalônica prosperou, atraíndo pessoas como Cícero para morar nela, como faria mais tarde o imperador Galério.

No Novo Testamento aparece como uma igreja prominente e ligada ao ministério de Paulo (At 17:1-13; 20:4; 27:2; 1Ts, 2Ts, Fp 4:16; 2Tm 4;10).

Em sua segunda viagem missionária Paulo, junto de Silas e Timóteo, vieram de Filipos para Tessalônica (Atos 17). Paulo pregou na sinagoga da cidade e estabeleceu a igreja. Quando Paulo enfrentou uma perseguição popular, fugiu para Bereia (Atos 17: 13-14).

As duas epístolas de Paulo, provavelmente entre os textos mais antigos do Novo Testamento, foram direcionadas à igreja dessa cidade.

VEJA TAMBÉM

1 Tessalonicenses

2 Tessalonicenses

Colossos

Uma cidade do interior da Ásia Menor. Localizada perto de cidades maiores e mais importantes. Junto com Hierópolis (Cl 4:13), um centro terapêutico, e Laodiceia (Cl 2: 1; 4: 13-16; Ap 3: 14-22), um centro político e comercial, Colossos constituía uma área de três cidades, mas com menor importância.

Embora não há registro de que Paulo tenha visitado a cidade, há a carta paulina dirigida à igreja em Colossos. Estima-se que houvesse uma significante presença judia na região.

Haustafeln

Haustafeln (alemão tabelas da casa). A origem do termo é atribuída a Martinho Lutero e refere-se ao gênero textual sobre conselhos das relações domésticas.

Esse tipo de conselhos para maridos, esposas, filhos e servos ocorrem vagamente em autores estóicos como Sêneca, Plutarco e Epiteto e entre judeus helenistas, como Filo.

Aparece distintivamente como um gênero textual altamente desenvolvido nos escritos do Novo Testamento.

Lembrando que as igrejas primitivas eram instituições domésticas, não havia distinção entre Igreja e a Casa. É possível que Paulo, Pedro ou Tiago apresentam uma apologia: o senhorio de Cristo já não colocavam os cristãos sob o controle da Lei, mas isso não significava uma imoralidade libertina. Antes havia um senhorio universal dos quais todos os crentes seriam partícipes e conviviam entre si com uma ética do amor e confiança na mesma Casa (domus ou domínio).

Entre escritos cristãos do século II, alguns atos apócrifos ou as epístolas de Inácio, retratam de modo menos elaborado os cristãos em uma relação de comensalidade., demonstram que os cristão eram boas pessoas e honrando a família, não o povo esquisito que os detratores queriam apresentar. Não eram libertinos (vide o Satiricon de Petrônio para constatar o clima dos banquetes romanos), nem misteriosos como os cultos iniciáticos ou associações mortuárias. É uma evidência e ideal de como oristianismo primitivo se via como uma irmandade, sob o pater familias que seria Cristo.

Os principais textos desse gênero são:

Ef 5:22-6:9, com paralelos em Cl 3:18-4:1.

Aparições menos explícitas ocorrem em 1 Tm 2:1-8; 3:1; 5:17; 6:1; Tt 2:1-10; 1 Pe 2:13-3:7.