Correspondência entre Paulo e Sêneca

A correspondência entre Paulo e Sêneca é um conjunto de cartas apócrifas, geralmente datadas do final do século IV d.C., que pretendem ser uma troca de correspondências entre o apóstolo Paulo e o filósofo estoico romano Sêneca. Apesar de sua popularidade em certos períodos históricos, a correspondência é atualmente considerada espúria pela maioria dos estudiosos bíblicos.

As cartas, oito de Sêneca e seis de Paulo, abordam temas como a natureza de Deus, a virtude e a vida moral. Embora a linguagem e o estilo das cartas se assemelhem superficialmente aos escritos de Paulo e Sêneca, várias inconsistências históricas e teológicas levaram à rejeição de sua autenticidade. Por exemplo, as cartas retratam Sêneca com um conhecimento do cristianismo que ele provavelmente não possuía em vida, e Paulo com uma familiaridade com a filosofia estoica que não é evidente em seus escritos autênticos.

A correspondência de Paulo e Sêneca provavelmente surgiu em um contexto de crescente interesse pelo cristianismo entre intelectuais romanos. A figura de Sêneca, conhecido por sua sabedoria e vida virtuosa, era atraente para os primeiros cristãos, que buscavam estabelecer conexões entre sua fé e a filosofia greco-romana. A falsificação de cartas entre Paulo e Sêneca serviu para promover a imagem do cristianismo como uma filosofia respeitável e atrair convertidos entre a elite romana.

Tersorium

Tersorium ou xylospongium seria uma vara com uma esponja utilizada para limpeza. Seria a antecessora de escovas de limpeza e vassoras.

Uma menção por Sêneca (Epistulae morales 8. 70.20) associa o tersorium a limpeza do corpo após defecar. Segundo Sêneca, um gladiador germânico cometeu suicídio em um anfiteatro enfiando uma esponja em sua garganta após defecar entre gregos e romanos. Apesar disso, não há explicação explícita de seu uso. É inferido que seria para limpar as nádegas, embora tal interpretação seja disputada (Wiplinger 2012).

Alguns intérpretes associaram o termo com Marcos 15:36; Lucas 23:36; João 19:28-30 quando deram vinagre a Jesus crucificado. Embora seja uma interpretação possível, não há dados que corroborem tal identificação.

A palavra grega traduzida como “vinagre” na ARC é oxos, vinho ácido ou vinagre. A LXX usa o termo em Números 6:3 e Rute 2:14 como bebida com a qual o povo simples saciava sua sede. Tal perícope seria uma alusão ao Salmo 69:21.

BIBLIOGRAFIA

Gilbert Wiplinger: Der Gebrauch des Xylospongiums – eine neue Theorie zu den hygienischen Verhältnissen in römischen Latrinen. In: SPA . SANITAS PER AQUAM. Tagungsband des Internationalen Frontinus-Symposiums zur Technik – und Kulturgeschichte der antiken Thermen Aachen, 18. – 22. März 2009. Frontinus-Gesellschaft e.V. & Peeters, Leiden 2012