Transcendência do tempo

Entre as teorias do estado pós-morte há uma perspectiva de que pessoa transcende o tempo humano e vai diretamente para o tempo de Deus, quando então experimentará a ressurreição. Portanto, não haveria o estado intermediário.

O avanço da física moderna que demonstrou que o tempo não segue a mesma velocidade em diferentes contextos do cosmo faz dessa perspectiva uma solução para várias questões do estado pós-vida. As bases bíblicas para as diferenças entre o tempo de Deus e do ser humano são algumas: Jó 11:17; Salmos 39:5; 89:47; 2 Pedro 3:8; Eclesiastes 3:11.

Essa perspectiva não é a mesma coisa que presentismo, a teoria que somente o presente existe.

Dois expoentes, influenciados pelo existencialismo e fenomenologia, são Johann Nepomuk Maier e Karl Jaspers. Esses autores abordam a transcendência do tempo após a morte a partir de perspectivas distintas. Maier baseia-se em relatos de experiências místicas e na teoria da relatividade para sugerir que, após a morte, a alma entra em uma dimensão onde tempo não segue uma linearidade convencional, aproximando-se de um “tempo divino”. Jaspers, por outro lado, analisa a questão dentro de sua filosofia existencial, argumentando que a transcendência do tempo não pode ser empiricamente comprovada, mas apenas intuída por meio de símbolos e experiências-limite, como a morte. Enquanto Maier busca evidências fenomenológicas e científicas para sustentar sua visão, Jaspers vê a noção de eternidade como um horizonte existencial, acessível apenas através da abertura do ser humano ao mistério da existência. Ambos convergem na ideia de que a experiência temporal após a morte não pode ser reduzida à continuidade da temporalidade terrena.

BIBLIOGRAFIA

Cullmann, Oscar. Immortality of the Soul or Resurrection of the Dead?: The Witness of the New Testament. Wipf & Stock, 2000.

Jaspers, Karl. Chiffren der Transzendenz. Universität Basel. Vier-Türme-Verlag, 1970.

Maier, Johann Nepomuk. Transzendenz-Erfahrungen jenseits von Zeit & Raum. Osiris, 2019.