Anfilóquio de Icônio

Anfilóquio de Icônio: bispo e teólogo do século IV. Defendeu o credo Niceno e manteve oposição ao arianismo.

Anfilóquio era um jurista e pertencia às classes aristocráticas. Seria parente de Gregório de Nazianzo e amigo de Basílio de Cesareia. Foi bispo de Icônio na Galácia de 373 a 394 d.C. Sua obra, embora extensa, é conhecida hoje principalmente por fragmentos e poemas, tal como Iâmbicos para Seleuco, anteriormente atribuído a Gregório de Nazianzo.

Neste poema didático, Anfilóquio delineia um cânon bíblico que reflete o debate em curso na época. Reconhece o Antigo Testamento protocanônico, com a exceção de Ester, considerado antilegômena. No Novo Testamento, aceita 22 dos 27 livros, classificando 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse como antilegômena. A obra de Anfilóquio, portanto, oferece um vislumbre valioso da formação do cânon bíblico no século IV.

Teodoro de Mopsuéstia

Teodoro de Mopsuéstia (c. 350 – 428 dC) foi um autor patrístico, filólogo e biblista na Igreja primitiva.

Foi bispo da cidade de Mopsuéstia, na Cilícia. Dentro da tradição interpretativa de Antioquia, desenvolveu um método de crítica bíblica. Em sua exegese preocupava-se como gênero e propósitos do autor, o qual pressupunha como historicamente situado. Enfocava no sentido geral das obras, e não em versos individuais; evitando a atomização. Ao contrário do que é normalmente dito, Teodoro (e a Escola Antioquena em geral) não enfocava em aspectos históricos ou literários, mas sim retóricos e redacionais.

Sua concepção de cânone é tácita, mas com conteúdo similar aos cânones síriacos orientais, mas com inclusão da Sabedoria de Salomão e Eclesiástico, e possível exclusão de Rute e Jó, além da usência de 2 Pedro, 2-3 João, Judas e Apocalipse no Novo Testamento.

Em uma época quando a doutrina do pecado original emergia em sua formal ocidental, Teodoro rejeitou-a, pois acreditava que os humanos foram criados bons, mas eram propensos ao pecado. Defendia o conceito de salvação universal, que ensinava que todos os humanos acabariam se reconciliando com Deus.

BIBLIOGRAFIA

Bultmann, Rudolf. Die Exegese des Theodor von Mopsuestia. [Habilitationsschrift Marburg, 1912] Stuttgart: Kohlhammer, 1984.

Greer, Rowan A. Theodore of Mopsuestia: Exegete and Theologian. London: Faith Press, 1961.

Mopsuéstia, Teodoro. Contra os defensores do pecado original.

Young, Frances M. Biblical Exegesis and the Formation o f Christian Culture. Cambridge: Cam bridge University Press, 1997.

Zaharopoulos, Dimitri Z. Theodore of Mopsuestia on the Bible: A Study of His Old Testament Exegesis. New York: Paulist Press, 1989.

Giovanni Luzzi

Giovanni Luzzi (1856-1948) foi um pastor, biblista e teólogo protestante suíço.

Luzzi nasceu em Tschlin, uma vila no cantão de Grisons, e emigrou com sua família para a Toscana no ano seguinte. Cresceu na Itália e passou um ano estudando na Escócia, onde conheceu sua futura esposa, Eva Henderson.

Tornou-se pastor da Comunidade Valdense em Florença, onde em 1902 passou a ensinar teologia sistemática na Faculdade Valdense de Teologia.

Em 1906, iniciou sua atividade principal como tradutor da Bíblia, fundando a editora “Fides et Amor” em 1909. Retornou à sua terra natal, Grisões, em 1923, como pastor da Igreja Evangélica Reformada de Poschiavo, ministério que manteve até sua aposentadoria. Em 1924, ele publicou a versão revisada da Bíblia por Giovanni Diodati. Em 1930, ele completou sua própria tradução completa da Bíblia em 12 volumes.