Willem Teelinck

Willem Teelinck (1579-1629) foi um teólogo e pregador reformado neerlandês no período da Reforma.

Teelinck estudou teologia na Universidade de Franeker e tornou-se pastor em Middelburg em 1604. Defendia a teologia reformada e pela ênfase na piedade pessoal. Como seguidor do teólogo neerlandês Gisbertus Voetius, Teelinck esteve envolvido na controvérsia sobre a heresia arminiana, defendendo a posição gomarista. Suas ideias teológicas sublinhavam a necessidade de uma estrita obediência à lei de Deus.

Teelinck valorizava a experiência espiritual pessoal e a piedade interior, aproximando-se de tradições como as dos pietistas e quakers nesse aspecto. Ele argumentava que a fé verdadeira deveria ser acompanhada por um coração transformado e uma vida de santidade. Em sua visão, o Espírito Santo desempenhava um papel central na orientação dos crentes para uma compreensão mais profunda da vontade divina. Seus sermões e escritos buscavam promover uma vida cristã moldada pela devoção e pela observância das doutrinas reformadas, reafirmando os princípios fundamentais da Reforma.

Keith Warrington

Keith Warrington é um teólogo pentecostal, autor e educador cuja trajetória acadêmica e pastoral tem se concentrado no desenvolvimento e na articulação da teologia pentecostal. Seu trabalho tem buscado estabelecer conexões entre as experiências pentecostais e o discurso teológico acadêmico. Exerceu funções como Vice-Reitor e Diretor de Estudos Doutorais no Regents Theological College, além de atuar como Professor de Teologia Pentecostal na Universidade de Birmingham.

Ao longo de sua carreira acadêmica, Warrington explorou as características distintivas do pentecostalismo, com ênfase na dimensão experiencial e no papel do Espírito Santo. Seu livro mais influente, Pentecostal Theology: A Theology of Encounter, apresenta uma análise abrangente e sistemática das crenças e práticas pentecostais. Nesse trabalho, Warrington argumenta que a teologia pentecostal não se limita a um conjunto de doutrinas, mas constitui uma “teologia de encontro,” fundamentada nas vivências dos fiéis e em sua interação com o divino. Outros livros de destaque incluem Discovering the Holy Spirit in the New Testament e Spirit-Filled Fresh Expressions of Church. Ele também publicou diversos artigos e capítulos em revistas acadêmicas e volumes editados.

A abordagem de Warrington busca o diálogo interdenominacional e com perspectivas teológicas diversas, inclusive aquelas externas ao pentecostalismo. Defende uma teologia pentecostal enraizada em sua própria tradição, mas aberta ao intercâmbio com outras tradições cristãs e ao engajamento com o mundo contemporâneo. Essa postura ampliou a visibilidade e a relevância da teologia pentecostal no cenário teológico mais amplo.

Em Pentecostal Theology: A Theology of Encounter, Warrington examina os fundamentos teológicos e as particularidades do pentecostalismo, enfatizando o papel do Espírito Santo e a prática dos dons espirituais, como glossolalia, cura e profecia. O livro aborda a história do pentecostalismo, desde o Avivamento da Rua Azusa, e seus desdobramentos globais, além de discutir temas centrais como pneumatologia, soteriologia, eclesiologia e escatologia. Warrington argumenta que o encontro com o Espírito Santo é essencial para a compreensão pentecostal da vida cristã, destacando a interação entre os dons espirituais, a comunidade de fé e as Escrituras.

Eusébio de Nicomédia

Eusébio de Nicomédia (morreu em 341) foi um bispo envolvido na controvérsia ariana do século IV.

Nascido no final do século III, Eusébio era parente distante do futuro imperador romano Juliano, o Apóstata. Ele recebeu sua formação teológica em Antioquia, onde teve contato com os ensinamentos de Luciano, um teólogo cujas ideias influenciariam mais tarde o arianismo.

Sua carreira teve início como bispo de Berytos (atual Beirute), mas logo se transferiu para Nicomédia, uma cidade de grande importância política, pois era a capital imperial na época. Essa mudança, provavelmente facilitada por suas conexões com a família imperial, colocou Eusébio no centro da política eclesiástica. Deu seu apoio a Ário, um presbítero de Alexandria que desafiou a compreensão prevalente sobre a relação entre Jesus e Deus Pai. Ário argumentava que Jesus era uma criatura, subordinada ao Pai, enquanto a posição ortodoxa sustentava que Jesus era divino e coeterno com o Pai.

Eusébio tornou-se um defensor proeminente das ideias de Ário, protegendo-o das acusações de heresia e utilizando sua influência na corte imperial para promover o arianismo. Participou do Concílio de Niceia (325), convocado pelo imperador Constantino para resolver a controvérsia. Embora o concílio tenha condenado o arianismo e formulado o Credo Niceno, Eusébio inicialmente resistiu às suas conclusões, só assinando o credo após modificações.

Apesar do revés em Niceia, Eusébio continuou a apoiar o arianismo. Ele e seus aliados conseguiram exilar defensores proeminentes do nicenismo, como Atanásio de Alexandria. A influência de Eusébio cresceu durante o reinado do imperador Constâncio II, que favorecia o arianismo. Ele acabou se tornando bispo de Constantinopla, a sede mais prestigiosa do Oriente, consolidando ainda mais seu poder e influência.

Eusébio foi uma figura controversa ao longo de sua vida. Foi acusado de ambição, intriga e manipulação da favor imperial para avançar sua agenda teológica. Seus opositores viam-no como um herege que ameaçava a unidade e a ortodoxia da Igreja.

John Goldingay

John Goldingay (nascido em 20 de junho de 1942) é um estudioso britânico do Antigo Testamento, teólogo e clérigo anglicano. Seu trabalho acadêmico concentra-se principalmente na teologia e interpretação do Antigo Testamento. Ele foi professor emérito David Allan Hubbard de Antigo Testamento no Fuller Theological Seminary, na Califórnia. Goldingay obteve o título de Bachelor of Arts pela Universidade de Oxford e concluiu o doutorado em Filosofia pela Universidade de Nottingham. Foi ordenado na Igreja da Inglaterra em 1966 e iniciou sua carreira acadêmica no St John’s College, em Nottingham, onde atuou como diretor de 1988 a 1997. Posteriormente, ingressou no Fuller Theological Seminary, onde teve influência significativa no campo dos estudos do Antigo Testamento.

Goldingay publicou amplamente sobre diversos livros do Antigo Testamento, incluindo comentários sobre Daniel, Isaías e Salmos. Sua produção acadêmica é reconhecida por tornar compreensíveis e acessíveis as principais questões teológicas, tanto para estudiosos quanto para leitores leigos. Entre 2010 e 2016, ele produziu a série Old Testament for Everyone, publicada pela Westminster John Knox Press, que inclui traduções e guias de estudo voltados a auxiliar o público geral na leitura e compreensão do Antigo Testamento. Em 2018, ele lançou The First Testament, uma tradução completa do Antigo Testamento que enfatiza as qualidades narrativas do texto.

Seu método de interpretação bíblica integra diversas abordagens hermenêuticas, mantendo o compromisso com a autoridade teológica do texto. Goldingay sustenta que a exegese bíblica é, essencialmente, um esforço teológico, desafiando os estudiosos a reconhecerem os significados diversos das Escrituras sem perder de vista sua coerência interna. Em seu livro Biblical Theology: The God of the Christian Scriptures (2016), ele buscou articular uma compreensão abrangente da teologia do Antigo Testamento em relação à fé cristã.

De acordo com Goldingay, a inspiração da Bíblia é um processo dinâmico que envolve tanto Deus quanto autores humanos. Ele vê a Bíblia como uma coleção de diversos escritos que foram produzidos durante um longo período de tempo e em diferentes contextos históricos. Goldingay afirma que Deus inspirou os autores da Bíblia a escrever, mas também reconhece que os autores humanos contribuíram com suas próprias perspectivas, experiências e origens culturais para os textos.

A visão de inspiração de Goldingay é semelhante em alguns aspectos à de Orígenes. Orígenes acreditava que a Bíblia foi inspirada por Deus, mas também reconheceu que os autores humanos tinham um papel a desempenhar em sua composição. Orígenes argumentou que a Bíblia contém múltiplas camadas de significado que podem ser discernidas por meio de estudo e interpretação cuidadosos.

As contribuições de Goldingay têm impacto significativo tanto no meio acadêmico quanto nas comunidades eclesiásticas. Ele é reconhecido por sua capacidade de integrar pesquisa acadêmica e teologia prática, promovendo uma leitura das Escrituras que dialoga com a fé contemporânea. Seu trabalho incentiva os leitores a se engajarem profundamente com o Antigo Testamento como um documento vivo que informa crenças e práticas cristãs. Sua influência é amplamente reconhecida em sociedades acadêmicas como a Society of Biblical Literature e a Society for Old Testament Study. Por meio de seu ensino, publicações e envolvimento pastoral, Goldingay continua a moldar discussões sobre a teologia do Antigo Testamento e suas implicações para o cristianismo moderno.

Hendrik Kraemer

Hendrik Kraemer (1888-1965) foi um teólogo reformado holandês.

Kraemer promovia a missão da igreja como base para a unidade cristã. Ciente da diversidade e complexidade do mundo, buscava contextualizar a teologia cristã em diferentes contextos culturais e religiosos. As obras de Kraemer incluem “A Mensagem Cristã em um Mundo Não-Cristão” (1938) e “A Teologia dos Leigos” (1958). Defendia o envolvimento cristão em questões sociais e políticas e acreditava que a igreja tinha a responsabilidade de trabalhar para o bem comum.