Agricultura

A agricultura está presente na narrativa bíblica, dado o contexto cultural agrário predominante no antigo Oriente Próximo. Desde os relatos iniciais no Gênesis, que descrevem o Jardim do Éden e o trabalho de Adão na terra, até as parábolas de Jesus, que frequentemente utilizam alusões agrícolas, as práticas relacionadas ao cultivo da terra são fundamentais para compreender a sociedade e a teologia bíblica.

A geografia de Israel influenciou significativamente as práticas agrícolas de seus habitantes. O relevo montanhoso e a limitada disponibilidade de terras férteis restringiam a agricultura extensiva. Nas regiões montanhosas da Judeia e Samaria, o solo rochoso e íngreme era inadequado para o cultivo de grãos, enquanto o deserto da Judeia, o Arabá e o Neguebe eram secos demais. As planícies do litoral e os vales de Jezreel e da Sefelá, embora férteis, eram frequentemente disputados devido à sua capacidade de sustentar grandes produções de cereais, essenciais para a dieta da região.

Os habitantes da região desenvolveram técnicas avançadas para superar essas limitações. A construção de terraços, que remonta ao início do segundo milênio a.C., permitiu a criação de áreas cultiváveis nas encostas das colinas. Grandes pedras removidas do solo eram utilizadas como muros de contenção, enquanto pedras menores melhoravam a drenagem e aeração. Essas práticas maximizavam a absorção da água da chuva e ampliavam o uso do solo em regiões de baixa pluviosidade. Nos terraços da Judeia e Samaria, oliveiras e videiras eram comuns, enquanto em Galileia, onde a precipitação era maior, plantavam-se pomares de frutas. No Neguebe, canais e barragens direcionavam o escoamento das chuvas para os terraços, permitindo uma agricultura limitada, suficiente para sustentar assentamentos e rotas comerciais.

O clima, especialmente a irregularidade das chuvas e as variações extremas de temperatura, representava um desafio constante para os agricultores. A precipitação em Israel ocorre predominantemente entre novembro e março, enquanto os meses de verão permanecem secos. Ciclos de seca severa, como o relatado em 1 Reis 17–18, eram comuns e podiam impactar significativamente as colheitas. Os grãos, base da alimentação, exigiam uma temporada de chuvas bem distribuídas, enquanto culturas como videiras e oliveiras, embora mais resilientes, eram vulneráveis a temperaturas extremas, especialmente o frio prolongado, que podia reduzir drasticamente sua produção ou mesmo destruir árvores.

A prática agrícola foi um marco na transição das sociedades nômades para assentamentos permanentes no Neolítico. O cultivo de grãos e leguminosas, espécies com características favoráveis ao armazenamento prolongado, garantiu estabilidade alimentar e permitiu o crescimento populacional. Essas culturas foram selecionadas por características como a maturação uniforme e a resistência ao desprendimento prematuro dos grãos, que facilitavam a colheita e o armazenamento. O desenvolvimento de ferramentas, como foices de pedra e trenós de debulha, aumentou a eficiência do trabalho agrícola, que, inicialmente realizado manualmente, evoluiu para o uso de animais de tração.

A agricultura também teve implicações sociais e políticas no antigo Israel. A construção de terraços exigia esforços comunitários e incentivava a formação de vínculos familiares e sociais duradouros. Esses laços frequentemente evoluíam para estruturas hierárquicas, onde chefes de família ou clãs ascendiam a posições de liderança, como no caso de Saul e outros líderes tribais.

Na narrativa bíblica, a agricultura é associada à aliança entre Deus e Israel. A fertilidade da terra era vista como bênção divina em resposta à obediência, enquanto a infertilidade simbolizava juízo ou afastamento de Deus. Exemplos disso incluem as promessas de abundância em Levítico 26 e as consequências das ações dos reis de Israel, como o reinado de Acabe, marcado por uma grande seca profetizada por Elias.

No Novo Testamento, Jesus utiliza imagens agrícolas para ilustrar princípios do Reino de Deus. Parábolas como a do semeador e a da vinha refletem tanto a familiaridade dos ouvintes com as práticas agrícolas quanto a relação espiritual entre Deus, o povo e a terra.

A Bíblia descreve muitas práticas agrícolas e fornece informações sobre a maneira como as pessoas viviam e trabalhavam durante esse período. Estudos arqueológicos também lançaram luz sobre as diferentes economias e épocas das práticas agrícolas na era bíblica.

Durante a era bíblica, a agricultura era a principal fonte de subsistência para a maioria das pessoas. Era a base da economia e as pessoas dependiam dela para alimentação, vestuário e abrigo. As práticas agrícolas variavam dependendo da região e do período de tempo.

A economia da era bíblica foi dividida principalmente em três épocas de acordo com os períodos arqueológicos. Estes foram a Idade do Bronze, a Idade do Ferro e o período helenístico/romano.

Durante a Idade do Bronze, que durou de cerca de 3000 aC a 1200 aC, a agricultura se concentrou principalmente na agricultura de subsistência. Isso significava que os agricultores cultivavam principalmente para uso próprio, e não para comércio ou exportação. As principais culturas cultivadas durante este período foram trigo, cevada, azeitonas e uvas.

A Idade do Ferro, que durou de cerca de 1200 aC a 500 aC, viu o desenvolvimento de práticas agrícolas mais sofisticadas. Os agricultores começaram a usar sistemas de irrigação e terraços para aproveitar melhor a terra. Culturas como figos, tâmaras, romãs e nozes também foram introduzidas nessa época.

O período helenístico/romano, que durou de cerca de 330 aC a 70 dC, viu uma mudança em direção à agricultura comercial. Os agricultores começaram a cultivar para o comércio e exportação, e a produção de azeite e vinho tornou-se uma grande indústria. Este período também viu a introdução de novas culturas, como algodão e especiarias.

Ágata

Ágata é uma pedra semipreciosa mencionada em textos bíblicos como Êxodo 28:19, Êxodo 39:12, Isaías 54:12 e Ezequiel 27:16. Trata-se de uma variedade de calcedônia, composta predominantemente por sílica cristalina finamente granulada. Caracteriza-se por sua formação em camadas alternadas de diversas cores, como branco, azulado e marrom claro.

A pedra recebe seu nome do grego, derivado do rio Achates na Sicília, e também pode estar relacionada a termos fenícios e hebraicos que se referem a aspectos de sua aparência manchada. Na Bíblia, a ágata é identificada como o segundo elemento na terceira fileira do peitoral do sumo sacerdote, utilizado em cerimônias religiosas descritas na Torá.

Geologicamente, as ágatas são encontradas em cavidades de rochas vulcânicas antigas, especialmente nas proximidades do Lago Tiberíades e regiões adjacentes ao nordeste da Síria. Sua formação ocorre por deposição de gel de sílica, que se coagula a partir de água rica em sílica em contato com rochas adjacentes ricas em ferro. As camadas sucessivas se formam paralelamente às paredes das cavidades, resultando em padrões únicos.

Alfeu

Alfeu, em grego Ἁλφαῖος, é um nome de duas figuras ligadas aos apóstolos de Jesus. 

  1. Alfeu é mencionado como o pai de Mateus, também conhecido como Levi, um dos doze apóstolos de Jesus. Mateus era um cobrador de impostos em Cafarnaum e foi chamado por Jesus para segui-lo enquanto estava em seu posto de trabalho (Marcos 2:14). 
  2. Alfeu identificado como o pai de Tiago. Este Tiago é frequentemente mencionado nas listas dos apóstolos (Mateus 10:3; Marcos 3:18; Lucas 6:15; Atos 1:13). 

Asdode

Asdode, também conhecida como Azoto no período romano, foi uma das cinco cidades principais dos filisteus.

Localizada na costa do Mediterrâneo, desempenhou um papel estratégico e comercial significativo na história antiga de Israel e dos filisteus. A cidade situava-se cerca de 30 quilômetros a oeste de Jerusalém, servindo como ponto de passagem entre Gaza e Jope, o que favorecia o comércio e a comunicação na região.

Um dos aspectos mais marcantes de Asdode era sua associação com a adoração do deus filisteu Dagom. O templo dedicado a Dagom foi cenário de eventos narrados em 1 Samuel 5, quando a Arca da Aliança, capturada pelos filisteus após derrotarem os israelitas, foi colocada no templo. A presença da arca provocou a queda da imagem de Dagom e pragas que afligiram os habitantes. Esses acontecimentos levaram os filisteus a entender que o Deus de Israel estava punindo-os, resultando na decisão de devolver a arca ao território israelita.

Alamote

Alamote é um termo de origem hebraica com significado incerto, encontrado em contextos musicais nas Escrituras, notadamente em passagens como Salmos 46 e 1 Crônicas 15:20. O termo é frequentemente traduzido como “virgens”.

Uma interpretação comum é que alamote designa a “voz de soprano”, com base em traduções bíblicas que associam o termo a tonalidades vocais agudas. Essa leitura é adotada em várias versões modernas da Bíblia. Outra possibilidade é que o termo se refira a um instrumento musical caracterizado por notas agudas, sugerindo uma aplicação instrumental em vez de vocal. Ainda, há hipóteses de que alamote pudesse denotar um instrumento tocado por mulheres jovens.