Abinadabe

Abinadabe, em hebraico אבִּינָדָב, é um nome que aparece algumas vezes na Bíblia, referindo-se a diferentes indivíduos. O nome em si significa “meu pai é nobre” ou “pai da nobreza”. Aqui estão os Abinadabes mais notáveis na Bíblia:

  1. Abinadabe, filho de Jessé: Este Abinadabe era o segundo filho de Jessé, o que o tornava irmão do rei Davi. Ele é mencionado em 1 Samuel 16:8 e 17:13 como um dos irmãos de Davi que foram para a guerra com Saul contra os filisteus.
  2. Abinadabe, filho de Saul: Este Abinadabe era um dos filhos do rei Saul. Ele foi morto junto com seu pai e irmãos, incluindo Jônatas, na Batalha do Monte Gilboa contra os filisteus (1 Samuel 31:2).
  3. Abinadabe de Quiriate-Jearim: Este Abinadabe é talvez o mais conhecido. Ele era um levita de Quiriate-Jearim em cuja casa a Arca da Aliança foi guardada por 20 anos depois de ser devolvida pelos filisteus (1 Samuel 7:1-2). Seu filho, Eleazar, foi consagrado para cuidar da Arca. Este evento é significativo porque mostra a importância de tratar a Arca com respeito, já que Uzá, outro filho de Abinadabe, foi morto por Deus por tocá-la indevidamente (2 Samuel 6:3-7).
  4. Abinadabe, pai de um dos oficiais de Salomão: 1 Reis 4:11 menciona um oficial de Salomão chamado Ben-Abinadabe, que significa “filho de Abinadabe”. Este Abinadabe é identificado como o pai do oficial encarregado de fornecer alimentos para a casa de Salomão da região de Dor.

Acade

Acade, em hebraico אַכַּד,conhecida como Akkad, Akkade ou Agade, foi uma cidade da antiga Mesopotâmia, mencionada em Gênesis 10:10 como parte do reino de Nimrod, filho de Cuxe, neto de Cam. O texto bíblico não fornece informações adicionais sobre a cidade, mas sua menção em outras fontes históricas e literárias a destaca como a capital do Império Acádio, uma das entidades políticas mais influentes do final do terceiro milênio a.C.

A fundação de Acade é atribuída a Sargão I, que a estabeleceu como capital de sua dinastia por volta de 2300 a.C. Não se sabe se a cidade foi construída como um novo assentamento ou se ocupou uma área já habitada anteriormente. Acade se destacou por seu poder militar, que garantiu seu domínio político e econômico sobre vastas áreas da Mesopotâmia. No entanto, a cidade declinou e caiu no final do terceiro milênio, durante o reinado de Sharkalisharri.

Acade desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da língua acádia, que, distinta do sumério, tornou-se uma língua semítica predominante e uma ferramenta importante para o comércio na região. A cidade também introduziu práticas administrativas, como o uso de “nomes de anos”, que marcavam eventos significativos como forma de registro cronológico.

A localização exata de Acade permanece desconhecida. Acredita-se que estivesse situada ao longo do rio Eufrates ou do Tigre. Argumentos tradicionais a posicionam próxima a outras grandes cidades mesopotâmicas ao longo do Eufrates, enquanto outros estudiosos, como Christophe Wall-Romana, sugerem que a cidade estava mais provavelmente nas margens do Tigre, possivelmente na confluência dos rios Tigre e Diyala. Locais como Tell Muhammad e Qadisiyah têm sido propostos, mas as escavações ainda não forneceram evidências conclusivas.

Aceldama

Aceldama, ou Akeldama, em aramaico חקל דמא, ḥaqel dema, e em grego Ἁκελδαμάχ, que significa “campo de sangue”, é o nome de um local em Jerusalém associado a Judas Iscariotes.

A tradição bíblica descreve esse lugar como tendo sido adquirido pelos principais sacerdotes com o dinheiro devolvido por Judas, fruto de sua traição a Jesus. Arrependido, Judas devolveu as moedas de prata recebidas por entregar Jesus e, segundo Mateus 27:3-10, os sacerdotes usaram essa quantia para comprar o campo, que foi destinado ao sepultamento de estrangeiros.

Em Atos 1:18-19, o local é também descrito como o lugar onde Judas encontrou sua morte de maneira violenta. O texto narra que ele caiu, seu corpo se rompeu, e suas entranhas se derramaram, razão pela qual o campo foi chamado de “campo de sangue”.

Aceldama foi identificado tradicionalmente com uma área localizada ao sul da Cidade Velha de Jerusalém, no declive norte de um local conhecido atualmente como Jabal Dêr Abu Tôr, próximo ao vale de Hinom (ou Geena). Ele estaria situado cerca de 100 metros ao sul do que foi chamado de “primeira muralha” de Jerusalém antiga. Essa localização histórica conecta o campo ao contexto geográfico de Jerusalém no período do Segundo Templo.

Abilene

Abilene foi uma região histórica mencionada em textos bíblicos e fontes históricas, situada em Coele-Síria, próxima a Damasco, no território da atual Síria. A região era conhecida por incluir uma planície e um distrito administrativo, cuja principal cidade era chamada Abila de Lisânias (em grego, Abilan de tên Lusaniou). Embora as fronteiras exatas de Abilene não sejam plenamente definidas, acredita-se que o território abrangia a encosta oriental das montanhas do Antilíbano, estendendo-se para áreas ao sul e sudeste de Damasco, chegando até regiões como Galileia, Batanea e Traconítide.

De acordo com o historiador judeu Flávio Josefo, Abilene foi, até o ano 37 d.C., um reino separado sob domínio itureu. Nos Evangelhos, a região é citada em Lucas 3:1 como sendo governada por Lisânias, um tetrarca contemporâneo ao início do ministério de João Batista. Essa referência histórica indica a importância política e administrativa da região no período romano, quando ela fazia parte da complexa divisão territorial do Oriente Próximo.