Zobá

Zobá, em hebraico צוֹבָה, tsovah; חֲמָת צוֹבָה, chamath tsovah; אֲרַם צוֹבָא, aram tsova’, foi um pequeno reino sírio situado a nordeste de Damasco. Durante os reinados de Saul, Davi e Salomão houve guerra entre Zobá e os israelitas.
(1Sm 14.47; 2Sm 8.3-8; 10.6-8; 1Rs 11.23; título do Sl 60; 2 Cr 8:3).

Callinicum

Antiga cidade na Síria na margem nordeste do rio Eufrates, cerca de 160 quilômetrosa leste de Alepo. É hoje Raqqa.

Foi fundada como uma cidade helenística com o nome Nicéforo pelo rei selêucida Seleuco I Nicator (reinou 301-281 aC). Seu sucessor, Seleuco II Calínico (r. 246–225 aC), ampliou a cidade e a renomeou como Kallinikos. Seria conquistada pelos romanos e grafada como Callinicum e a incorporou à província de Osroene.

Em 1.º de agosto de 388 EC, uma turba de cristãos incendiou uma sinagoga de Callinicum. Seria talvez o primeiro ataque de cristãos contra sinagogas e um dos primeiros progroms. Também foi destruída uma igreja de outro grupo cristão, possivelmente adeptos de Valenciano.

No início, o imperador Teodósio apoiou o administrador local que exigiu que o bispo reconstruísse a sinagoga. Porém, o bispo Ambrósio de Milão pressionou
Teodósio contra tal reparação. O bispo de Callinicum foi exonerado dede qualquer responsabilidade e depois rescindiu qualquer exigência de restituição.

BIBLIOGRAFIA

Ambrósio. Epístola 64.

Chin, Catherine M. “Built from the Plunder of Christians”: Words, Places, and Competing Powers in Milan and Callinicum’.” Religious Competition in the Greco-Roman World 10 (2016): 63.

Figueroa, Gregory Francis. The Church and the Synagogue in St. Ambrose. Catholic University of America Press, 1949.

Jacobs, Andrew. “Christians, Jews, and Judaism in the Eastern Mediterranean and Near East, c. 150–400 CE.” The Cambridge Companion to Antisemitism: 83-99.

Sikkan

Tell Fekheriy é um sítio arqueológico na bacia do rio Khabur, no norte da Síria, identificado como o sítio de Sikkan, atestado desde cerca de 2000 aC.

Sikkan fazia parte do reino arameu de Bit Bahiani no início do primeiro milênio aC. Na área, vários montes (tells) podem ser encontrados nas proximidades: Tell Fekheriye, Ra’s al-‘Ayn e Tell Halaf, local da cidade arameu e neo-assírio de Guzana.

É o local da descoberta da inscrição bilíngue de Tell Fekheriye ou inscrição bilíngue de Hadad-yith’i. (KAI 309). A estátua de Adad-it’i (Hadd-yith’i), rei de Guzana e Sikan, no dialeto assírio do acadiano e em aramaico, apresenta muitos paralelos léxicos e temáticos com textos bíblicos. Mas é sua importância é por ser a mais antiga inscrição aramaica e mais antiga atestação textual da língua aramaica (anteriormente, só são registrados nomes ou palavras com “aramismos” em outros idiomas). A estátua constitui uma figura de pé vestindo uma túnica esculpida em basalto, com 2 metros de altura. É datada de cerca de 850-825 a.C.

A Adade, o cuidador do canal do céu e da terra, que faz chover em abundância, que dá pastagens bem regadas às pessoas de todas as cidades e que fornece porções de oferendas aos deuses, seus irmãos, cuidador dos rios que faz florescer o mundo inteiro, o deus misericordioso a quem é doce orar, aquele que reside na cidade de Guzana.

Hadad-yith’i, o governador da terra Guzana, filho de Sassu-nuri, governador da terra Guzana, dedicou e deu (esta estátua) ao grande senhor, seu senhor, por sua boa saúde e longos dias, por fazer seus números de anos, pelo bem-estar de sua casa, seus descendentes e seu povo, para remover as doenças de seu corpo, e que minhas orações sejam ouvidas e que minhas palavras sejam recebidas favoravelmente.

Que quem o encontrar em mau estado no futuro, renove-a e coloque meu nome nela. Quem remover meu nome e colocar o seu, que Adade, o herói, seja seu juiz.

Estátua de Hadad-yith’i, o governador de Guzana, Sikani e Zarani. Para a continuação de seu trono e o alongamento de sua região, para que suas palavras sejam agradáveis ​​a deuses e homens, ele fez esta estátua melhor do que antes. Diante de Adade que reside na cidade Sikani, senhor do rio Habur, ele ergueu sua estátua.

Quem remover meu nome dos objetos no templo de Adade, meu senhor, que meu senhor Adade não aceite suas oferendas de comida e bebida, que minha senhora Shala não aceite suas oferendas de comida e bebida.

Que semeie, mas não colha.

Que ele possa semear mil (medidas), mas colher apenas uma.

Que cem ovelhas não satisfaçam um cordeiro da primavera.

Que cem vacas não satisfaçam um bezerro.

Que cem mulheres não satisfaçam uma criança.

Que cem padeiros não encham um forno!

Que os respigadores respigam dos poços de lixo.

Que a doença, a peste e a insônia não desapareçam de sua terra!

BIBLIOGRAFIA

Crouch, Carly L., Jeremy M. Hutton. Jeremy M.  Translating empire: Tell Fekheriyeh, deuteronomy, and the Akkadian treaty tradition. Vol. 135. Mohr Siebeck, 2019.

Dušek, Jan; Mynářová, Jana. Tell Fekheriye Inscription. In Jan Dušek, Jan Roskovec (Orgs.): The Process of Authority, The Dynamics in Transmission and Receptionof Canonical Texts. Gruyter: Berlin/Boston, 2016.

Greenfield, Jonas; Shaffer, Aaron (1983). “Notes on the Akkadian-Aramaic Bilingual Statue from Tell Fekherye”Iraq. 45 (1): 109–16. doi:10.2307/4200185JSTOR 4200185.

Antioquia da Síria


Antioquia era uma das cidades mais proeminentes do Império Romano, com uma boa localização junto ao Rio Orontes e centro das rotas comerciais na então Síria.

Localiada na atual cidade turca de Antakya, Antioquia foi fundada no final do século IV a.C. por Seleuco I Nicator, um dos generais de Alexandre, o Grande. Como outras cidades com o mesmo nome, é uma homenagem ao pai de Seluco, Antígono.

Foi um centro do cristianismo primitivo, onde a palavra “cristão” foi aplicada pela primeira vez aos seguidores de Jesus (Atos 11:26)

Templo de ’Ain Dara

O templo ‘Ain Dara, utilizado de 1300 a 740 a.C., foi o exemplo mais bem preservado da arquitetura de templo siro-hitita. Alguns pesquisadores apontam suas semelhanças (debatíveis) com o Templo de Salomão descrito na Bíblia, junto de outros paralelos arquitetônicos de Hazor em Israel e Tel Tayinat na Turquia.

Tel ‘Ain Dara é um sítio arqueológico de vários períodos localizado no noroeste de Alepo, na Síria, próximo ao rio Afrin. A ocupação mais intensa ocorreu durante a Idade do Ferro.

Arquitetonicamente, o templo seguia o modelo levantino de templo in antis. Sua planta baixa consistia de um pátio, pórtico e um prédio quase cúbico com uma ante-sala e um santo-dos-santos. Um corredor circundava em forma de U esse salão principal. O templo era decorado com imagens de leões e esfinges e relevos geométricos. Uma série de soleiras de calcário nas portas principais possuiam entalhes de pegadas humanas gigantes.

O local, cujo nome original é desconhecido, pertenceu ao Império Hitita no final do segundo milênio. Foi controlado pelo estado arameu de Bit Agusi até ser incorporado ao Império Neo-Assírio.

As datas precisas de construção, os modos de culto e mesmo quais divindades eram adoradas do templo permanecem desconhecidos. O templo de ‘Ain Dara foi seriamente danificado por um ataque aéreo em janeiro de 2018.

BIBLIOGRAFIA

Ali Abu Assaf, Der Tempel von ‘Ain Dara, Damaszener Forschungen 3.Mainz: Philipp von Zabern, 1990.

Bete-Éden

Em hebraico בית עדן, “casa aprazível’ ou em aramaico Bît Adini, um reino arameu a 320 km a nordeste de Damasco. Situado ao longo das margens do Eufrates, teve por capital Til-Barsip. É mencionado em Amós 1:5; Ezequiel 27:23; e como filhos do Éden (benei Eden) aparece em 2 Reis 19:12 e Isaías 37:12.

Este pequeno estado emergiu no século X a,C, mas logo durante a primeira metade do século IX se tornou o reino arameu mais importante do noroeste da Mesopotâmia. É mencionado nos Anais de Adad-nirari II (c. 900 a.C.)

Abgar

Em grego Αβγαρος, Abgaros (variantes Agbarus e Augaru). Foi um nome comum a vários reis de Edessa, na Síria. Segundo uma lenda, Abgar V enviou uma carta a Jesus pedindo-Lhe que o tratasse de uma enfermidade incurável. Jesus teria enviado-lhe um lenço com a impressão de seu rosto, o que o curou. Após a morte de Jesus, o discípulo Judas Tadeu foi enviado pelo apóstolo Tomé para visitar Abgar (Eusébio, História Eclesiástica, 1.13).

Apesar de lendário, a relação entre Edessa e os primeiros cristãos parece ser antiga, quiçá desde o século I.