Aboboreira

Planta trepadeira. Uma variante em Gilgal produzia um fruto venenoso e assemelhava-se à parreira selvagem (2 Re 4:38-41). Provavelmente essa espécie seria a mesma vinha de Sodoma (Dt 32:32), a erva venosa (Dt 29:18) e a que viu Jonas (Jn 4:6-10).

Grace Aguilar

Grace Aguilar (1816 – 1847) foi uma escritora e biblista britânica.

Nascida em uma família judia de ascendência portuguesa, Aquilar defendia a formação de escolas para a população pobre, tanto para meninos quanto meninas. Promoveu o estudo do hebraico entre mulheres judias e a ampla leitura das Escrituras em inglês mesmo entre os judeus.

Ao entrar em contato com um rabino e editor americano Isaac Leeser, arranjou para a publicação seu tratado teológico The Spirit of Judaism (1842) como o volume inicial de uma nova série de livros. O manuscrito original foi perdido no mar, mas Aguilar foi capaz de recriá-lo a partir de suas notas.

Em 1845 apareceu As Mulheres de Israel – uma série de retratos delineados de acordo com as Escrituras e Josefo.

Assemblee di Dio in Italia

As Chiese Cristiane Evangeliche “Assemblee di Dio in Italia” (ADI) é uma denominação pentecostal italiana.

O movimento pentecostal na Itália nasceu em vários pontos no início do século XX. No entanto, a ADI traça suas origens à viagem missionária de Giácomo Lombardi em 1908. Essas igrejas foram agrupadas na Congregazione Cristiana Pentecostale em 1928, mas foram fechadas durante a perseguição fascista e conservadora democrata-cristã, além de sofrer cismas.

A ADI resulta um acordo de cooperação estabelecido em 1947 entre a maioria das congregações pentecostais italianas e as Assembléias de Deus americanas. Embora este acordo não implique uma identificação estrita – os missionários das Assembleias de Deus americanas operam na Itália através da “International Christian Fellowship” em Roma e outros locais – o contexto histórico da denominação é digno de nota. A ADI é afiliada à World Assemblies of God Fellowship e à sua associação regional europeia. Contudo, mantém total autonomia interna. É também membro da comunhão de igrejas de origem no movimento pentecostal italiano filiadas à International Fellowship of Christian Assemblies.

O movimento pentecostal italiano, inicialmente entre ítalo-americanos, conectou-se formalmente com as Assembleias de Deus em 1947. Enfrentando desafios, a denominação resistiu à perseguição do pós-guerra e, em 1955, já tinha crescido para mais de 300 comunidades com mais de 20.000 membros. O reconhecimento legal de 1959 marcou um marco e as décadas subsequentes testemunharam expansão, iniciativas educacionais e esforços de caridade, incluindo o estabelecimento do Instituto Bíblico Italiano e do Orfanato Betânia-Emaús.

Na década de 1980, a ADI enfrentou desafios internos e questões mais amplas dos movimentos carismáticos. O reconhecimento legal em 1988 e os acordos subsequentes com o governo italiano solidificaram o seu estatuto. A denominação, liderada por figuras como Umberto Gorietti, Francesco Toppi e Felice Antonio Loria, continuou a crescer, a estabelecer afiliações e a envolver-se em missões internacionais.

Em 2023, a ADI compreende 1.094 igrejas, grupos e missões em toda a Itália, incluindo várias missões étnicas. Com 653 pastores servindo comunidades italianas e mais 184 pastores liderando missões étnicas, a ADI estima sua membresia em 120.000 indivíduos, constituindo a maior denominação evangélica na Itália.

Amor

O amor, nas Escrituras, é uma realidade teológica de amplitude singular, que articula a relação entre Deus, o ser humano e a comunidade. Longe de se reduzir a emoção ou afeto, o amor bíblico é uma disposição volitiva, uma orientação da vontade expressa em fidelidade e ação. É tanto um dom recebido quanto um mandamento a ser praticado, o princípio estruturante da fé e da ética judaico-cristã.

No Antigo Testamento, o termo hebraico ḥesed (חֶסֶד) concentra a ideia do amor divino como lealdade e benevolência pactuais. Traduzido por “misericórdia”, “bondade” ou “amor leal”, ḥesed designa o compromisso irrevogável de Iahweh com Israel, fundado não no mérito humano, mas em Sua própria fidelidade (Dt 7:7–9). Este amor de aliança é figurado de modo dramático no profetismo de Oséias e nos cânticos do Servo de Iahweh, onde a misericórdia divina triunfa sobre o juízo. O verbo ’āhab (אָהַב) e o substantivo ’ahavah (אַהֲבָה) exprimem o amor como dever ético e religioso: amar a Deus “de todo o coração, de toda a alma e de todas as forças” (Dt 6:5) é o núcleo do Shemaʿ, e amar o próximo (Lv 19:18) é sua consequência natural. Assim, a ḥesed divina e a ’ahavah humana formam os dois eixos do amor bíblico: o amor recebido e o amor correspondido.

O Novo Testamento retoma e amplia esta concepção à luz da revelação em Cristo. O termo grego agápē (ἀγάπη) torna-se a expressão suprema do amor divino, caracterizado pela gratuidade e pelo sacrifício. Este amor atinge sua plenitude na encarnação e na cruz: “Deus prova o seu amor para conosco, em que, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5:8). A Primeira Epístola de João identifica a essência de Deus com o próprio amor — ho theós agápē estin (1Jo 4:8,16).

Jesus redefine a ética do amor, deslocando-a da reciprocidade para a graça: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5:44). Seu “novo mandamento” (Jo 13:34) estabelece o amor segundo o modelo do próprio Cristo: “Assim como eu vos amei”. Este padrão confere ao amor uma dimensão existencial e comunitária inédita, em que o sacrifício e o serviço são a medida do discipulado.

O apóstolo Paulo consagra o amor como o princípio supremo da vida cristã. No hino de 1 Coríntios 13, ele afirma que, sem o agápē, todo dom espiritual perde sentido. O amor é o “vínculo da perfeição” (Cl 3:14), o cumprimento da Lei (Rm 13:8–10) e o caminho “sobremodo excelente” (1Co 12:31). Na teologia paulina, o Espírito Santo é o agente que derrama o amor divino nos corações (Rm 5:5), tornando possível a prática do amor que vem de Deus e retorna a Ele.

Outros vocábulos gregos esclarecem nuances adicionais. Philia (φιλία) refere-se ao amor de amizade e afeição recíproca, manifesto nas relações de Jesus com os discípulos (Jo 15:13–15). Storgē (στοργή) designa o amor familiar, aparecendo em formas compostas (Rm 12:10), enquanto érōs (ἔρως), embora ausente do Novo Testamento, é afirmado na tradição sapiencial e poética como expressão legítima do amor conjugal (Ct 8:6–7).