Ferdinand Buisson

Ferdinand Buisson (1841–1932) foi um filósofo, pedagogo e político francês de origem protestante, destacado por seu papel no desenvolvimento do ensino laico e na defesa dos direitos humanos.

Nascido em Paris de 1841, formou-se como professor e assumiu posições importantes na educação e na política francesa. Foi diretor do Ensino Primário na França de 1879 a 1896, período em que promoveu reformas fundamentais para a implementação de um sistema educacional laico.

Proveniente de uma família protestante, Buisson se identificava como livre-pensador e defendia o secularismo na educação e na vida pública. Acreditava na importância de uma educação moral e ética, inspirada em diversas tradições filosóficas e religiosas, mas desvinculada de doutrinas confessionais. Durante sua gestão, desempenhou um papel central na organização da educação pública, consolidando a separação entre Igreja e Estado no âmbito escolar.

Buisson teve também uma carreira política ativa. Em 1905, presidiu a comissão parlamentar encarregada de implementar a lei de separação entre as igrejas e o Estado, um marco na história da laicidade na França. Também participou da fundação da Liga dos Direitos Humanos em 1898, que presidiu de 1914 a 1926. De 1902 a 1906, liderou a Liga do Ensino, organização dedicada à promoção da educação pública e acessível para todos.

Seu trabalho em prol da paz internacional e dos direitos humanos foi amplamente reconhecido. Em 1927, Buisson recebeu o Prêmio Nobel da Paz, compartilhado com o alemão Ludwig Quidde, em reconhecimento a seus esforços para fomentar a cooperação internacional e a reconciliação entre nações.

Ferdinand Buisson participou da construção de um sistema educacional baseado nos princípios de laicidade, igualdade e acesso universal, além de ser um defensor incansável dos direitos humanos e da justiça social. Faleceu em Thieuloy-Saint-Antoine.

Richard Bauckham

Richard Bauckham (nascido em 22 de setembro de 1946) é um teólogo britânico especializado em estudos do Novo Testamento, teologia histórica e cristologia.

.Bauckham nasceu em Londres e estudou história no Clare College, em Cambridge, onde obteve o título de doutor. Durante sua carreira acadêmica, foi Fellow do St John’s College, Cambridge, e lecionou nas universidades de Leeds e Manchester. Posteriormente, ocupou a cátedra de Professor de Estudos do Novo Testamento na Universidade de St Andrews, na Escócia, até sua aposentadoria em 2007. Desde então, atua como Professor Emérito e pesquisador sênior no Ridley Hall, Cambridge.

Bauckham argumenta a confiabilidade histórica dos Evangelhos. Em sua obra Jesus and the Eyewitnesses (2006), argumenta que os Evangelhos se baseiam em testemunhos oculares e refletem de maneira fiel a vida e os ensinamentos de Jesus. Sobre o Evangelho de João, destaca sua profundidade teológica e sua relação com a figura histórica de Jesus, considerando-o um complemento essencial aos Evangelhos Sinóticos. Sua contribuição à cristologia neotestamentária explora o desenvolvimento das crenças cristãs iniciais acerca da identidade e do papel de Jesus. Além disso, Bauckham tem se dedicado ao campo da teologia bíblica, enfatizando a unidade e a coerência da mensagem bíblica.

Seu trabalho abrange também reflexões sobre a relação entre ecologia e teologia, investigando perspectivas bíblicas sobre o cuidado com a criação e a responsabilidade ambiental. Entre suas principais publicações estão The Theology of the Book of Revelation (1993), God Crucified: Monotheism and Christology in the New Testament (1998), Bible and Mission: Christian Witness in a Postmodern World (2003) e Living with Other Creatures: Green Exegesis and Theology (2011).

Bauckham recebeu diversos prêmios e reconhecimentos ao longo de sua carreira. Ele é membro da British Academy e da Royal Society of Edinburgh. Seu livro Jesus and the Eyewitnesses foi laureado com o Michael Ramsey Prize, e suas coletâneas de ensaios receberam o Franz Delitzsch Award.

Eliza Browne

Eliza Browne (antes de 1825–1881) foi uma pioneira no movimento protestante na Toscana durante o século XIX, associada à liderança de um grupo dos Irmãos (Brethren) em Florença.

Pouco se sabe sobre sua vida pessoal, mas acredita-se que fosse filha de Sophia Elizabeth Robertson, de Plymstock, e do capitão Henry Reddish Browne. Nunca se casou e foi sepultada no cemitério protestante de Florença.

Em 1850, por motivos de saúde, mudou-se para a ilha da Madeira. Posteriormente, estabeleceu-se em Florença, onde animou o protestantismo local. Browne se tornou uma líder entre os Irmãos na região, promovendo uma visão específica para a organização eclesiástica do movimento.

Na década de 1850, surgiram divisões entre os Irmãos na Toscana. O grupo maior, conhecido como “Partido do Arno”, liderado por Carlotta Johnson com o auxílio de Bartolomeo Gualtieri, caracterizava-se por uma estrutura litúrgica e doutrinária pouco regulamentada. Em contraste, Eliza Browne estava associada ao menor “Partido do Corso”, que buscava uma organização mais estruturada, com ministros e diáconos formalmente reconhecidos. A divergência resultou na diminuição do número de seguidores de Browne, com alguns retornando ao ministério mais estruturado dos Valdenses e outros unindo-se ao grupo do Arno.

Apesar de seu papel na promoção do protestantismo na região, sua liderança foi descrita como menos assertiva do que a de Johnson. O impacto dessa divisão foi notável, com os dois grupos recebendo apelidos jocosos: os “Carlottini”, associados ao grupo maior, e os “Elisabettini”, associados a Browne. A disputa foi um episódio que os Irmãos na Itália, em sua história subsequente, preferiram esquecer.

O envolvimento de Eliza Browne no movimento protestante italiano reflete a complexidade das interações entre tradições religiosas locais e estrangeiras em um contexto dominado pelo catolicismo romano. Sua vida e trabalho oferecem um vislumbre das tensões e desafios enfrentados pelos grupos protestantes em sua tentativa de se estabelecer na Itália do século XIX.

BIBLIOGRAFIA

Stunt, Timothy CF. The Life and Times of Samuel Prideaux Tregelles. Springer, 2020.

William Booth-Clibborn

William Emmanuel Booth-Clibborn (1893–1969) foi um hinista e pioneiro no movimento pentecostal. Neto de William Booth, fundador do Exército de Salvação, nasceu na Suíça.

Sua infância foi marcada pela religiosidade de seus pais, Arthur e Catherine Booth-Clibborn, membros ativos do Exército de Salvação e responsáveis por estabelecer a presença da instituição na França e na Suíça. No entanto, em 1902, seus pais deixaram o Exército de Salvação para seguir ministérios independentes. Em 1908, sua família se converteu ao pentecostalismo durante um avivamento religioso, marcando uma mudança significativa em sua fé. Posteriormente, Booth-Clibborn adotou a teologia unicista, que enfatiza a unidade de Deus, sendo batizado em nome de Jesus.

Na década de 1930, Booth-Clibborn conduziu reuniões evangelísticas na Austrália, onde desempenhou um papel fundamental na fundação de várias igrejas pentecostais. Sua pregação dinâmica e sua dedicação ajudaram no crescimento do movimento pentecostal na região. Mais tarde, ele se mudou para Portland, Oregon, onde fundou o Immanuel Temple, caracterizando seu ministério por uma ênfase nas experiências de fé pessoal e no alcance comunitário.

Além de seu trabalho evangelístico, Booth-Clibborn também foi um compositor de hinos. Em 1921, escreveu o famoso hino “Down from His Glory”, que reflete suas crenças teológicas e devoção a Cristo. O hino expressa temas de condescendência divina e redenção, sendo apreciado por muitas congregações dentro da tradição pentecostal.

Embora tenha retornado à comunhão com cristãos trinitarianos mais tarde em sua vida, Booth-Clibborn manteve suas crenças unicistas ao longo de seu ministério.