Bibliologia

A Bibliologia é a subdisciplina teológica sistemática que ocupa sobre a natureza e papel da Bíblia como o texto fundamental para a crença e prática cristã. Abrange dimensões multifacetadas dentro do discurso teológico.

Os principais tópicos da bibliologia são os seguintes;

Autoridade: com várias matizes em diversos sistemas teológicos cristãos, a Bíblia é considerada a autoridade suprema, orientando a doutrina e os ensinamentos morais entre os cristãos. Sua origem divina substanciaria seu poder vinculativo na comunidade de fé.

Canonização: discorre sobre o processo de que estabeleceu os livros aceitos do Antigo e do Novo Testamento para fins de culto, doutrina e disciplina.

Clareza: discute a medida a qual os ensinamentos essenciais da Bíblia são claros e acessíveis, permitindo que os crentes compreendam as verdades fundamentais essenciais para a salvação. Em termos específicos, a perspecuidade bíblica discute se é por si só ela seria compreensível sem requisitos especiais ou se seria dependente de pressupostos, iluminação do Espírito Santo, domínio dos contextos históricos, culturais e teológicos, dentre outros fatores.

Infalibilidade: o tópico da infalibilidade discorre acerca do caráter das Escrituras de comunicar sem falha o propósito de salvação divina. É um corolário do tópico da confiabilidade.

Inspiração: A inspiração divina à Bíblia discute os modos com os quais os autores humanos foram guiados pelo Espírito Santo para transmitir a mensagem divina.

Suficiência: no geral, no cristianismo a Bíblia é considerada suficiente para fornecer orientação para todos os assuntos de fé e prática, excluindo doutrinas estranhas. Contudo, diversas tradições teológicas atribuem papéis normativos para a instrução da fé na forma de magistério, tradição, razão, experiência, sem contar fatores da revelação, cultura e culto em moldar a recepção da Bíblia.

Confiabilidade: o tópico da confiabilidade da Bíblia discorre como seus ensinamentos capazes de transmitir a salvação de forma veraz e fidedigna.

4 Baruque

Quarto Baruque, também conhecido como Paralipômena de Jeremias, é um texto pseudepigráfico referido como “coisas deixadas de fora (do Livro de) Jeremias” em vários manuscritos gregos antigos. Seriam anotações de Baruque filho de Nerias, secretário de Jeremias.

Embora quase todas as igrejas cristãs o considerem pseudepigráfico, a Igreja Ortodoxa Etíope o inclui como parte da Bíblia Ortodoxa Etíope sob o título “Resto das Palavras de Baruque”.

O texto do Quarto Baruque existe em versões completas e reduzidas, encontradas em grego, etíope Ge’ez (intitulado Resto das Palavras de Baruque), armênio e manuscritos eslavos. Geralmente é datado da primeira metade do século II dC, por volta de 136 dC, devido à menção do sono de 66 anos de Abimeleque, que se acredita ser 66 anos após a queda do Segundo Templo em 70 dC.

Contém fábulas, apresentando animais falantes, frutas eternas e uma águia enviada pelo Senhor que revive os mortos. Algumas partes do texto, incluindo o último capítulo, parecem ter sido acrescentadas na era cristã, levando alguns estudiosos a propor origens cristãs para 4 Baruque.

Jeremias é o protagonista e recebe uma revelação do Senhor sobre a destruição de Jerusalém devido à impiedade dos israelitas. Jeremias informa Baruque, e eles testemunham anjos abrindo as portas da cidade. Jeremias é instruído a esconder milagrosamente as vestes do sumo sacerdote na terra. Depois que os caldeus capturam Jerusalém, Jeremias vai para o exílio com os israelitas, enquanto Baruque permanece na cidade.

Contém o trope do justo dormente. Abimeleque adormece por 66 anos e acordando ao lado de uma cesta de figos frescos, milagrosamente preservados. Este evento leva Abimeleque a se reunir com Baruque e buscar uma maneira de se comunicar com Jeremias, que ainda está na Babilônia. Por meio da oração, Baruque recebe uma águia do Senhor, que carrega uma carta e alguns dos figos frescos para Jeremias. A águia encontra Jeremias presidindo um funeral e traz o falecido de volta à vida, sinalizando o fim do exílio.

Ao retornar a Jerusalém, apenas homens sem esposas estrangeiras podem passar pelo Jordão. Esta postura é consistente com a defesa do texto para o divórcio de esposas estrangeiras e o exílio daqueles que resistem a fazê-lo. Os samaritanos aparecem como descendentes de tais casamentos mistos.

Apocalipse Grego de Baruque

O Apocalipse Grego de Baruque, também conhecido como 3 Baruque, é um texto visionário e pseudepigráfico que se acredita ter sido escrito entre a queda de Jerusalém para o Império Romano em 70 dC e o século III dC.

A origem pode ser judia ou cristã. Como um dos pseudepígrafos, é atribuído a Baruque filho de Nerias, o escriba de Jeremias do século VI aC, mas não está incluído no cânon bíblico dos judeus ou cristãos. O texto é preservado em certos manuscritos gregos e eslavos eclesiásticos e não se confunde com o Apocalipse Siríaco de Baruque, o chamado 2 Baruque.

O Apocalipse grego de Baruque narra a condição de Jerusalém após seu saque por Nabucodonosor em 587 aC e aborda como o judaísmo pode perdurar na ausência do templo. A discussão é apresentada como uma visão mística concedida a Baruque.

Semelhante a 2 Baruque, afirma que o Templo está preservado no céu, totalmente funcional e frequentado por anjos. Nega assim, a necessidade de sua reconstrução terrena.

Investiga a questão de por que Deus permite que pessoas boas sofram, oferecendo uma visão por meio de uma visão da vida após a morte, onde pecadores e justos recebem suas justas recompensas.

Durante a experiência visionária, Baruque vê vários céus, testemunhando a punição dos envolvidos na construção da “torre da contenda contra Deus” (possivelmente a Torre de Babel). Ele encontra uma serpente chamada Hades bebendo do mar e outras visões extraordinárias. A jornada culmina no quinto céu, onde um portão trancado só pode ser aberto pelo arcanjo Miguel.

Os construtores da “torre da contenda” são descritos em termos um tanto demoníacos, possuindo rostos de gado, chifres de ovelhas e pés de cabras. Aqueles que comandaram a construção são condenados ao castigo eterno em um céu separado, onde reencarnam na forma de cães, ursos ou macacos. Baruque também testemunha uma majestosa fênix, retratada como um pássaro colossal protegendo a terra dos raios do sol.

Apocalipse Siríaco de Baruque

O Apocalipse de Baruque, também conhecido como 2 Baruque ou Apocalipse Siríaco de Baruque, filho de Nerias, é uma obra pseudepigráfica cujo tema central é a questão de saber se o relacionamento de Deus com a humanidade é justo. O título Apocalipse de Baruque compreende dois textos pseudepigráficos judaicos distintos, escritos entre o final do século I e o início do século II d.C., atribuídos a Baruque, filho de Nerias, do século VI a.C.

O Apocalipse Siríaco de Baruque é preservado principalmente na Peshitta Siríaca do século VI. Em contraste, o Apocalipse Grego de Baruque ou 3 Baruque é mais comumente encontrado em manuscritos gregos. Embora originalmente composta em hebraico e atribuída a Baruque, o secretário do profeta bíblico Jeremias, a obra adquiriu referências cristãs. O texto aborda a justiça divina, uma preocupação central da comunidade judaica após a queda de Jerusalém em 70 d.C., sugerindo que foi provavelmente escrito por volta de 100 d.C.

O Apocalipse Siríaco desenvolve-se através de uma série de orações e visões, contemplando os sofrimentos dos justos e explicando-os como um meio de santificação para o povo escolhido de Deus.

A narrativa começa com Deus alertando Baruque sobre a destruição iminente de Jerusalém e instando-o a deixar a cidade com outros indivíduos piedosos. Baruque se esforça para compreender como as promessas de Deus a Israel ainda podem ser cumpridas, apesar da ruína do Templo, mas Deus o assegura de que os problemas de Israel não serão permanentes.

Após a captura de Jerusalém pelos caldeus, Baruque recebe mais revelações sobre o futuro castigo dos infiéis e ímpios, bem como sobre o fim dos tempos. Através de uma voz celestial, Baruque aprende sobre o futuro, marcado pela opressão e pela era messiânica de alegria e ressurreição. O texto prossegue com discussões sobre a restauração e eventual destruição e reconstrução de Sião, juntamente com o destino dos convertidos e apóstatas.

Em uma parte central do Apocalipse, Baruque oferece uma grande oração, cheia de humildade diante da majestade de Deus. Recebe visões e interpretações proféticas sobre o curso dos eventos históricos, desde Adão até o Messias. O texto destaca a importância de não se lamentar pelos que morrem, mas de encontrar alegria nos sofrimentos presentes.

Por fim, o Apocalipse termina com Baruque sendo encarregado por Deus de alertar o povo e preparar-se para sua trasladação ao céu. Escreve cartas às tribos exiladas, transmitindo a esperança de uma recompensa futura, a constância da aliança de Moisés e a liberdade do homem para seguir a Deus.

Guy Bongiovanni

Guy Bongiovanni (1930-2018) foi um ministro, gestor denominacional, escritor e editor americano de ascendência italiana.

Serviu como ministro na Assembleia Cristã de Farrell, Pensilvânia por 17 anos. junto de cargos executivos na Igreja Cristã da América do Norte. Revitalizou setores missionários e propôs um plano de expansão fora das limitações étnicas da CCNA quando foi seu diretor de missões por 12 anos. Mais tarde seria seu Superintendente Geral por 5 anos. Formado pela University of Valley Forge, escreveu vários livros.

Bongiovanni também foi proprietário da Globe Printing Co. e editor do New Wilmington Globe, um jornal comunitário fundado em 1880. Realizou extensas viagens abrangendo mais de 30 nações.